Anor Butler Maciel

Anor Butler Maciel
Procurador-Geral do Rio Grande do Sul
Período5 de abril de 1939 a
20 de maio de 1941 (2 anos)
Chefe de Gabinete do Ministério da Justiça
Período1946-1951
Presidente da Junta Comercial do Estado
Períodomaio de 1941
a 1947
Dados pessoais
Nascimento1 de maio de 1907
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Morte7 de março de 1982 (74 anos)
Brasília,  Distrito Federal
Nacionalidadebrasileira
Alma materFaculdade de Direito de Porto Alegre
CônjugeRuth Couto Maciel
Filhos(as)6
PartidoPL (1933)
AIB (1934-1937)
ReligiãoCatolicismo
Profissão


Anor Butler Maciel (Porto Alegre, 1 de maio de 1907Brasília, 7 de março de 1982) foi um jurista e político brasileiro que atuou como Procurador-Geral e Consultor Jurídico durante diversos governos brasileiros.

Biografia

Nasceu em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, a 1 de maio de 1907, foi o único filho homem do casal Antônio Pereira Maciel, um comerciante, e Ana Butler Maciel, esta de ascendência inglesa.

De formação católica, obteve seu ensino primário no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Durante o seu período acadêmico, era membro da Congregação Mariana Nossa Senhora da Glória, da Liga Eleitoral Católica e da Ação Católica, bem como da União dos Moços Católicos, e, dentro da faculdade, da Congregação Acadêmica Mater Salvatoris, nesta última na qualidade de secrétario.[1] Em 1929, aos seus 22 anos, terminava o seu curso superior na Faculdade de Direito de Porto Alegre.[2]

Casou-se com Ruth Couto em 1930, com quem teve 6 filhos. Comemorou suas Bodas de Ouro em Brasília, após passar 20 anos de seu matrimônio naquele distrito. Faleceu em 7 de Março de 1982, também em Brasília.[3][4] É pai do famoso advogado trabalhista José Alberto Couto Maciel, que publicou uma coletânea póstuma de poesias suas.[5]

Muito ligado a Raul Pilla, chegou a atuar como seu representante no tratado de pacificação após o fracasso da Revolução Constitucionalista de 1932 no Rio Grande do Sul.[6]

Faleceu em Brasília, a 7 de março de 1982, em decorrência de um aneurisma.[6]

Pensamento e política

Inicialmente um militante do Partido Libertador (PL), a 3 de janeiro de 1934, Maciel se aproximara, então, da concepção filosófica do Integralismo brasileiro, que vinha ganhando popularidade nas elites intelectuais e no meio jurídico brasileiro. Porém, é somente em março de 1934 que abandona aquele partido para militar oficialmente pela Ação Integralista Brasileira (AIB), quando, em carta para seu amigo e fundador daquele partido, Raul Pilla, admite a sua saída para "apoiar a Ação Integralista", dizendo não crer mais no regime liberal-democrático, mas, agora, na representação corporativa do Estado.[7] Ainda em 1934, no pleito de 14 de outubro daquele ano, candidatou-se, pelo partido integralista, a deputado estadual, obtendo 568 votos totais.[8]

Representando o Integralismo, e particularmente a Ação Integralista, foi Chefe Provincial e secretário dessa organização cívico-cultural no Rio Grande do Sul em princípios de 1935,[9][10] onde, ao lado de Dario de Bittencourt, — também Chefe Provincial do Rio Grande do Sul—, e Egon Renner, fundou o primeiro triunvirato integralista do Estado. Por ser integralista, obteve mais notoriedade no meio jurídico, defendendo suas ideias integralistas nos meios do direito, ganhou espaço na imprensa com trabalho que equacionavam a questão do trabalho e capital. Apresentou, na Faculdade de Direito de Porto Alegre, em 1935, um trabalho denominado "Do Direito ao Trabalho na Constituição Brasileira", no qual, evocando a encíclica do Papa Leão XIII, Rerum Novarum, procurou deixar claro a necessidade da intervenção estatal.[6]

Anor Butler Maciel (terceiro da esquerda para a direita) em visita ao governador Walter Jobim (segundo da esquerda para a direita).

Escreveu e publicou três livros abrangentes dentro do universo doutrinário integralista, dentre os quais, "O Estado Corporativo", de 1936, onde traça novos rumos a um Estado Nacional Corporativo; "Nacionalismo: O Problema Judaico e o Nacional Socialismo", de 1937, procurando esclarecer a questão judaica no Brasil e se posicionar contrário ao judaísmo internacional; e, finalmente, os "Subsídios para o Estudo da Estrutura Política do Estado Novo", de fins de 1937, onde busca dar luz ao conteúdo doutrinário da nova Constituição recém outorgada na época, denominada "Polaca".[1]

Maciel também trabalhou como diretor de diversos jornais, tais quais, "O Integralista" (1934-1935), um quinzenário que trazia abundante material de leitura (artigos doutrinários e noticiário), de propaganda do Integralismo,[11] e o "Correio da Noite", um diário de combate ao comunismo, ambos de Porto Alegre. Um dos redatores principais do "Estado do Rio Grande" em 1930, colaborou, posteriormente, com o veículo de informações oficial do Sigma na época, "A Offensiva" (1934-1938), e, entre 1939 e 1940, foi um dos redatores portoalegrenses do periódico paulista de caráter integralista, Cadernos da Hora Presente.[12][13]

Nesse período, atuava como professor na Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais de Porto Alegre e como delegado da Ação Integralista naquela cidade. Enfrentou, em 1935, o delegado de polícia da então Vila de Erechim, que vinha criando dificuldades para os integralistas gaúchos realizarem seu alistamento eleitoral.[14][15]

Se encontrava oficialmente afastado da AIB, em fins de 1937, pelo Chefe Provincial no Rio Grande do Sul, Nestor Contreiras Rodrigues, por motivos de indisciplina, pois discordava do aparato paramilitar organizado por Gustavo Barroso; além de vir se afastando gradativamente do movimento, não lhe agradando o triunvirato que fundara anteriormente, não se desvinculando, entretanto, totalmente.[6] Tais fatos, além de ter sido simpático ao regime, culminaram para não sofrer maiores perseguições do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) durante o regime estadonovista.[6]

Estado Novo e Quarta República

Declarado o Estado Novo (1937–1945), regime que apoiou, em detrimento a tantos quantos de seus ex-correligionários integralistas, que eram perseguidos pela ditadura getulista, exerceu a qualidade de Procurador-Geral, que lhe foi dada por decreto pelo déspota da época, sendo o mais jovem bacharel a exercer o cargo.[1][16] Após a redemocratização de 1945, no governo de Eurico Gaspar Dutra, foi Chefe de Gabinete no Ministério da Justiça e presidente da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Chegou, após o Estado Novo, a se relacionar com o Partido de Representação Popular (PRP) no Rio Grande do Sul, embora não tenha se filiado. Continuou, durante as décadas seguintes, como consultor jurídico do Ministério da Defesa de maneira "vitálicia", apesar do regime militar ter tentado removê-lo.[6]

Em 1962, Maciel se opôs ao Decreto nº 50.620, de 18 de Maio de 1961, que proibia em todo o território nacional, realizar ou promover "brigas de galo",[17] enviando um parecer ao Presidente da República, indicando que "não há como condenar um esporte tradicional há séculos".[18]

Obras

  • Do Direito ao Trabalho na Constituição Brasileira. 1935[14]
  • O Estado Corporativo. Porto Alegre: Livraria do Globo. 1936. 136 páginas ;
  • Nacionalismo: O Problema Judaico e o Nacional Socialismo. Porto Alegre: Livraria do Globo. 1937. 148 páginas ;
  • Subsídios para o Estudo da Estrutura Política do Estado Novo. Porto Alegre: Livraria do Globo. 1937 ;
  • Aspectos Legais da Energia Elétrica: Legislação Constitucional Ordinária, Código das Águas e Leis Subsequentes. Rio de Janeiro: Ministério da Justiça e Negócios Interiores. 1948. 461 páginas ;
  • Expulsão de Estrangeiros. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional. 1953. 131 páginas ;
  • Aspectos do Trigo. 1956;
  • Extradição Internacional. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional. 1957. 291 páginas ;
  • Reflexões Poéticas de Dois Advogados: Meu Pai e Eu. 1985. — Coletânea póstuma de poesias de Anor, publicada por seu filho.

Ver também

Referências

  1. a b c PACHECO, Gabriela Santi; GONÇALVES, Leandro Pereira (2021). CORPORATIVISMO, NACIONALISMO E ANTISSEMITISMO: O PENSAMENTO INTEGRALISTA DE ANOR BUTLER MACIEL. Rio Grande do Sul: Historiæ 
  2. «Os bacharelandos de 1929». A Federação: Órgão do Partido Republicano (130): 4. 5 de junho de 1929 
  3. «GENTE II». Brasília: Correio Braziliense (6529). 28 de dezembro de 1980: 17 
  4. «ANOR BUTLER MACIEL». Rio de Janeiro. Jornal do Brasil (333): 20. 11 de março de 1982 
  5. «Noite do autógrafo em lançamento à antologia poética de Anor Butler Maciel». Brasília. Correio Braziliense (8031): 6. 27 de março de 1985 
  6. a b c d e f VIANNA, Marcelo (2011). Os Homens do Parquet: Trajetórias e Processo de Institucionalização do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (1930-1964). Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 397 páginas 
  7. «Acusa o recebimento da correspondência de Anor, onde este informa que abandona o PL para entrar na Ação Integralista». CEDAP UFRGS. 23 de março de 1934. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  8. «Mapa da votação do pleito de 14 de Outubro, apurada pelo Tribunal R. Eleitoral». A Federação: Órgão do Partido Republicano (260): 2. 14 de novembro de 1934 
  9. TRINDADE, Hélgio (1979). INTEGRALISMO: o fascismo brasileiro na década de 30. São Paulo: DIFEL: Difusão Editorial S. A. p. 310 
  10. «Luiz Schroeder». Rio de Janeiro. A Offensiva (448): 13. 28 de março de 1937 
  11. «O Integralismo nas Províncias». Rio de Janeiro. A Offensiva (5): 1. 14 de junho de 1934 
  12. «Redações». São Paulo. Cadernos da Hora Presente (6): 1. Junho de 1940 
  13. «ESTADO DO RIO GRANDE». Rio Grande do Sul. Estado do Rio Grande (64): 3. 7 de janeiro de 1930 
  14. a b «BOLETIM DOS EDITORES». Rio de Janeiro. A Offensiva (46): 4. 30 de março de 1935 
  15. «O alistamento eleitoral no Rio Grande do Sul». Rio de Janeiro. A Offensiva (452). 2 de abril de 1937 
  16. «Dados pessoais de Anor Butler Maciel». Ministério Público do Rio Grande do Sul. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  17. «Decreto nº 50.620». Câmara dos Deputados. 18 de maio de 1961. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  18. «Os homens compraram a briga». Rio de Janeiro. O Jornal. 16 de setembro de 1970