Cadernos da Hora Presente
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| Periodicidade | Mensal |
|---|---|
| Formato | 20x13 cm |
| Sede | Rua Anhangabaú, 774, 3º andar, São Paulo |
| País | |
| Preço | |
| Fundação | maio de 1939 |
| Director | Tasso da Silveira |
| Orientação política | Integralismo |
| Idioma | Português e castelhano |
| Término de publicação | agosto de 1940 (1 ano) |
| Parte da série sobre |
| Integralismo Brasileiro |
|---|
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Cadernos da Hora Presente foi um periódico integralista brasileiro publicado entre maio de 1939 e agosto de 1940, durante a ditadura getulista do Estado Novo.[1]
História e publicação
Após a dissolução da Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1937 e o levante integralista de 1938, os Cadernos da Hora Presente emergiram como um órgão para remanescentes do movimento integralista brasileiro, combatendo a dispersão e fomentando ações conjuntas.
O periódico foi lançado em maio de 1939 na cidade de São Paulo, com redação localizada na Rua Anhangabaú, 774, 3º andar, e uma filial no Rio de Janeiro na Rua do Ouvidor, nº 169 no Edifício do Ouvidor. Circulou até agosto de 1940, totalizando nove edições em formato de livro, com dimensões de 20 x 13 cm e média de 200 páginas por número.
Dirigido pelo poeta e intelectual Tasso da Silveira, e com Rui de Arruda como diretor-secretário, o jornal, apesar de ser composto majoritariamente por integralistas, não tinha cunho político. Com nove edições no total, o periódico publicava ensaios, poemas, contos e críticas literárias, contribuindo para o debate cultural no Brasil da época.[1]
Ainda em seu itinerário, no primeiro exemplar, o periódico se autodeclarava "uma linha segura de orientação nacionalista", afirmando que muitas iniciativas parecidas haviam aparecido e fracassado, sendo, entretanto, os Cadernos, uma aposta duradoura dos nacionalistas brasileiros da época. E prosseguia dizendo que até o presente momento, o Brasil não tinha visto um esforço cultural mais alto que aquele produzido pelos Cadernos. Em seus números pares, publicar-se-ia uma obra completa e inédita de um autor nacional, podendo ser este um romance, conto, poemas ou até largos estudos, científicos, filosóficos e literários, abrindo exceção ao caso de se abrirem espaços para "vastos inquéritos sobre as realidades espirituais e sociais" da hora.[1] As edições ímpares funcionavam como revistas com colaborações variadas.
Todas as edições carregavam a nota "Este número foi visado pela censura", refletindo o controle estatal sobre o conteúdo durante o Estado Novo.
A Biblioteca Nacional do Brasil possui exemplares dos números 1 a 3 e 5 a 8, disponíveis para consulta em formato físico, uma vez que ainda não foram digitalizados; os números 4 e 9 estão ausentes na coleção.[1]
Equipe e colaboradores
O diretor era Tasso da Silveira, poeta paranaense associado à Ação Integralista Brasileira (AIB) e ao posterior Partido de Representação Popular (PRP). Rui de Arruda atuava como diretor-secretário. Tasso da Silveira havia dirigido anteriormente outras publicações literárias, como América Latina (1919-1920), Árvore Nova (1922), Terra de Sol (1924) e Festa (1927).
Os colaboradores incluíam intelectuais majoritariamente ex-integralistas ou simpatizantes, com pelo menos dois terços da equipe tendo fichas policiais relacionadas à AIB. Entre os principais contribuintes estavam:
- Plínio Salgado: Publicou capítulos do romance Trepandé (ilustrado por Anita Malfatti), poemas como "Poema da Fortaleza de Santa Cruz" e editoriais.
- Luís da Câmara Cascudo.[2]
- Anita Malfatti: Ilustrações e listada entre os redatores.
- Miguel Reale: Ensaios teóricos alinhados ao integralismo.
- Mário de Andrade: Críticas literárias e poemas.
- Vinícius de Moraes: Poemas e colaborações literárias.
- Outros: Abgar Renault, Adonias Filho, Alphonsus de Guimarães Filho, Gerardo Mello Mourão, Guilherme de Almeida, João Camilo de Oliveira Torres, Otávio de Faria, Roland Corbisier, San Tiago Dantas, Tristão de Athayde, entre outros.[1]
Fora do Brasil, obteve redatores argentinos de Buenos Aires, tais como Braulio Sanchez Sáez, Fernán Félix de Amador, Adolfo Garretón, Augusto Sciarpitti, Honorio Siccardi, Leónidas Barletta e diversos outros.[3]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e COSTA, Maria Ione Caser da. «CADERNOS DA HORA PRESENTE». Biblioteca Nacional Digital do Brasil. Consultado em 23 de outubro de 2025
- ↑ Mello, Luiz Gonzaga Cortez G. de (2002). CÂMARA CASCUDO, O JORNALISTA INTEGRALISTA. São Paulo: Editora GRD. Consultado em 23 de outubro de 2025
- ↑ «Redações» (PDF). Biblioteca Nacional. Cadernos da Hora Presente (6). Junho de 1940
Ligações externas
- Cadernos da Hora Presente no acervo da Biblioteca Nacional Digital.

