Marcha dos 50 mil

Marcha dos 50 mil
Parte de Ação Integralista Brasileira
Gustavo Barroso na Marcha dos 50 mil.
Data1 de Novembro de 1937
LocalizaçãoRio de Janeiro, Distrito Federal
CausaHomenagem ao General Couto de Magalhães
Participantes50 000 pessoas, incluindo Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Gerardo Mello Mourão, Arcy Lopes Estrella, Meira Penna e muitos outros


A Marcha dos 50 mil foi uma das maiores demonstrações públicas do movimento Integralista no Brasil, ocorrida em 1 de novembro de 1937, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Organizada pela Ação Integralista Brasileira (AIB), sob a liderança de Plínio Salgado, oficialmente, a marcha celebrava o centenário do General Couto de Magalhães, folclorista que se dedicou ao estudo dos índios brasileiros. Na realidade tratou-se de uma demonstração de força, reunindo dezenas de milhares de militantes conhecidos como camisas-verdes.[1][2][3][4]

Contexto histórico

Desde sua fundação em 1932, o Integralismo crescia rapidamente, implantando núcleos em todos os estados brasileiros, saindo de cerca de 20 000 militantes em 1933 para mais de 1 500 000 em novembro de 1937.[4][5] Sendo a AIB um dos primeiros movimentos político-sociais a utilizar deste tipo de manifestações públicas como forma de divulgação de sua doutrina, resumida no lema “Deus, Pátria e Família”, em defesa da ordem, moral e espiritual.[4]

O Brasil se encaminhava para os meses decisivos das eleições presidenciais de 1938 que ocorreriam em 3 de janeiro, na qual Plínio Salgado se apresentava como o principal candidato.[5][4]

O evento

Em 48 horas a AIB se organizou para a maior marcha integralista de sua história, com contingentes vindo de todo o Rio de Janeiro e de estados vizinhos, por meio de caminhões, carroças, bondes, ônibus e trens. No transcorrer do dia a marcha foi realizada dentro da ordem e da disciplina, sem incidentes adversos,[5] contando com a participação de brasileiros diversas profissões, classe sociais e origens, incluindo a presença de oficiais e praças do Exército e Marinha, todos fardados.[4]

Segundo depoimento de Gerardo Mello Mourão, a marcha atravessou o centro da capital da República, o Rio de Janeiro, até chegar ao Palácio do Catete. A marcha estendeu-se por vários quilômetros, organizadas em colunas de oito, com o chamado Chefe Nacional à frente. Durante a marcha, ao passar pelas praças, chamadas de estações cívicas, cada uma delas em homenagem a um vulto histórico brasileiro, como Caxias e Tamandaré, o Chefe Nacional falava algumas palavras e dava o tom de epopeia à marcha integralista.[3]

Na sacada do Palácio, o Presidente Getúlio Vargas, ao lado do General Newton Cavalcanti e do Almirante Dario Paes Leme assistiram ao desfile.[1]

O “Desastre de Mesquita”

Após a Marcha, os integralistas começaram a retornar para suas casas. Um grupo que seguia de trem para São Paulo sofreu um acidente às 02h50 de 2 de novembro de 1937, na altura da estação Mesquita, resultando em dezenas de feridos e três mortos: Bernadino Marques da Silva, Saturnino de Almeida Paiva e Almerindo José de Mello Tavares. Integralistas detiveram um homem que estava sabotando os vagões, enquanto o Exército prendeu outros cinco indivíduos armados com facões perto da estação; o general Newton Cavalcanti declarou tratar-se claramente de um atentado comunista. Entretanto, com o golpe do Estado Novo e a crescente repressão ao próprio Integralismo, o inquérito sobre o caso foi encerrado e os suspeitos acabaram liberados.[5]

Significado

De imediato, a Marcha dos 50 mil foi considerada um grande triunfo e demonstração de poder do Chefe integralista, a maior marcha em toda história da AIB. Porém, pouco tempo após a marcha o partido deixaria de existir, sendo extinto com a decretação da ditadura varguista.[2] De acordo com o pesquisador Ivan Alves, a manifestação teria estimulado Getúlio Vargas a agir contra o Integralismo, por demonstrar ser uma força de poder social-política significativa na conjuntura nacional e que poderia ameaçar a continuidade do seu governo.[4]

Referências

  1. a b Alencar Dotta, Renato (julho de 2011). «Acção: A Lenta Agonia de um Jornal Integralista (1937-1938)» (PDF). São Paulo: Anais do XXVI Simpósio Nacional de História: p.6. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  2. a b Carneiro, Márcia Regina da Silva Ramos (2010). «O sigma na atualidade». Locus: Revista de História (1). ISSN 2594-8296. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  3. a b da Silva Ramos Carneiro, Márcia Regina (2007). «Do sigma ao sigma – entre a anta, a águia, o leão e o galo – a construção de memórias integralistas» (PDF). NIterói: Universidade Federal Fluminense: p.233. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  4. a b c d e f Jorge Figueira, Guilherme (2013). «A Marcha Integralista sobre a Capital da República». Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho. II Encontro de História da Universidade Gama Filho. ISBN 978-85-7444-103-0. Consultado em 10 de novembro de 2025 
  5. a b c d Ribeiro, Carlos (2025). SANGUE E BRAVURA: Heróis e Mártires do Integralismo no Brasil. [S.l.]: Editora Brasilidade. pp. 95–105