Abel Rafael Pinto

Abel Rafael
Abel Rafael
Vereador por Juiz de Fora
Período1947 a 1950.
Deputado federal por Minas Gerais
Período02 de Fevereiro de 1959 a 1963
Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais
Período31 de janeiro de 1961 até
25 de agosto de 1961
Dados pessoais
Nome completoAbel Rafael Pinto
Nascimento23 de março de 1914
Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, Brasil
Morte6 de abril de 1991 (73 anos)
Brasília, Distrito Federal, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
ProgenitoresMãe: América Sposito Pinto
Pai: Augusto da Silva Pinto
CônjugeAlba Nardelli Pinto
Filhos(as)13
PartidoAIB
PRP
ARENA
ReligiãoCatolicismo
Profissãocontador, advogado, político


Abel Rafael Pinto (Paraíba do Sul, 23 de março de 1914Brasília, 06 de abril de 1991)[1] foi um político, professor, escritor e integralista brasileiro. Filiado historicamente ao Partido de Representação Popular (PRP), e mais tarde à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), foi deputado federal por Minas Gerais entre 1952 e 1961 e novamente de 1962 a 1966. Católico fervoroso, foi um dos principais representantes do integralismo mineiro no período pós-golpe de 1937, destacando-se também como censor, educador, cronista e líder associativo na capital federal.

Juventude e Integralismo

Era filho de Augusto Silva Pinto e América Spósito Pinto. Casou-se com Alba Nardelli Pinto.[2]

Ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1935, aos 21 anos, na cidade de Juiz de Fora. Atuou como Secretário de Propaganda Municipal e Secretário de Educação Física da seção local do movimento, e rapidamente se tornou uma das principais lideranças regionais. Em 1937, liderou cerca de 700 milicianos na célebre parada integralista de 1º de novembro, no Rio de Janeiro, ao lado de Plínio Salgado. Com o advento do Estado Novo, foi perseguido e chegou a ser preso por sua militância política, passando à clandestinidade durante o período das chamadas “catacumbas integralistas”.

Carreira política

Com a fundação do Partido de Representação Popular (PRP), em 1945, Abel Rafael passou a militar institucionalmente dentro do campo conservador. Foi eleito vereador em Juiz de Fora entre 1947 e 1950 com 609 votos[3] sendo o quarto mais votado daquele município. Ainda sob essa qualidade, participou do I Congresso dos Municípios Brasileiros, defendendo os valores municipalistas, elementares do Integralismo Brasileiro.[4] Em 1952, foi eleito deputado federal por Minas Gerais, reelegendo-se em 1954 e 1958. Em 1962, conquistou novo mandato, já pela legenda do Partido Social Democrático (PSD). Em sua trajetória parlamentar, destacou-se como defensor de pautas moralistas e anticomunistas, sendo voz ativa no combate à “degradação cultural e moral” que, segundo ele, ameaçava os fundamentos da Nação brasileira.

Durante o Regime Militar Brasileiro, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), pela qual participou ativamente do processo de transição política iniciado após o golpe de 1964. Foi o primeiro deputado a transferir residência para Brasília, antes mesmo da inauguração oficial da nova capital, em 1960, estabelecendo-se com a família na Asa Sul, próximo de seu correligionário Plínio Salgado.[5]

Atuação cultural, educacional e censória

Além da política parlamentar, exerceu cargos técnicos e culturais no Senado Federal do Brasil, na Fundação Educacional do Distrito Federal e no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), onde lecionou. Foi também censor do Conselho Superior de Censura, criado em 1968, onde atuou entre 1982 e 1985, notabilizando-se pela repressão à pornografia e à erotização da mídia. Opôs-se radicalmente ao Método Paulo Freire de educação em massas e à reforma agrária aos moldes janguistas.[6]

Durante os anos 1980, presidiu o Centro de Estudos Políticos e Sociais (CEPES), entidade que reunia veteranos da AIB e do PRP em Brasília, promovendo debates, encontros e publicações de orientação nacionalista e católica. Foi membro da Academia Brasiliense de Letras, tendo como patrono Plínio Salgado.

Vida pessoal e espiritualidade

Pai de 13 filhos e avô de 40 netos, era católico praticante e congregado mariano. Frequentava diariamente a igreja local e comungava sempre que possível. Segundo relatos familiares, sua fé era vivida com intensa piedade e simplicidade. Escreveu dois livros de espiritualidade mariana: As Coroas de Glória da Virgem Maria e Os Poemas da Virgem.

Na paróquia que frequentava, tinha um banco marcado. Segundo o sacerdote local, era tido como “um verdadeiro santo”. Ao falecer, em 1991, foi sepultado com a camisa-verde integralista, junto a uma fotografia de Plínio Salgado ao lado do caixão.

Caça, pesca e literatura

Apaixonado por esportes ao ar livre, foi presidente e fundador do Clube de Caça e Pesca de Brasília (CAPEB). Publicou Contos e Crônicas de Caça e Pesca, em que relata episódios verídicos ligados à prática da caça e da pesca, que ele considerava “esportes formadores do caráter viril e da contemplação da natureza”.

Obras publicadas

  • As Vestais Paridas;
  • Contos e Crônicas de Caça e Pesca.[7]

Ver também

Referências