Sociedade de Estudos Políticos

Sociedade de Estudos Políticos
(SEP)
TipoSociedade civil intelectual e cultural
Fundação12 de março de 1932
 São Paulo
Paralisação7 de outubro de 1932
SedeSão Paulo, SP
Membros148
Filiação Brasil
Fundador(a)Plínio Salgado
Pessoas importantes
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Ataliba Nogueira
Mário Graciotti
Alpinolo Lopes Casali
José de Almeida Camargo


A Sociedade de Estudos Políticos (SEP) foi uma associação intelectual e cultural brasileira fundada em 1932, na cidade de São Paulo, tendo como principal liderança o escritor e pensador Plínio Salgado. A entidade teve papel decisivo na formulação doutrinária que daria origem, poucos meses depois, à Ação Integralista Brasileira (AIB), o maior movimento político de massas da história do Brasil.[1][2][3]

História

A criação da Sociedade de Estudos Políticos ocorreu em um período de intensa crise institucional, social e cultural no Brasil, após a Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República. O novo regime, ainda indefinido em seus rumos, convivia com forte instabilidade política, disputas ideológicas e crescente influência de doutrinas estrangeiras.

Nesse contexto, diversos intelectuais brasileiros passaram a defender a necessidade de uma reflexão profundamente nacional sobre os problemas do País, buscando soluções enraizadas na realidade histórica, cultural e espiritual do Brasil, sob uma perspectiva antiliberal, antissocialista e nacionalista. A SEP surge como fruto direto dessa reflexão.

A primeira reunião, considerada preparatória, ocorreu por iniciativa de Plínio Salgado em 24 de fevereiro de 1932, em São Paulo, na sede do jornal A Razão, reunindo diversos intelectuais interessados na elaboração de uma doutrina política brasileira original. Já a assembleia oficial de fundação da SEP teve lugar em 12 de março de 1932, sob a presidência de Salgado, no Salão de Armas do Clube Português, também em São Paulo. Plínio Salgado apresentou os princípios fundamentais, aprovados pelos participantes da sessão, que estabeleceram as bases doutrinárias que guiariam os debates políticos da entidade. Eles são:[2][3]

– Somos pela unidade da Nação.

– Somos pela expressão de todas as suas forças produtoras no Estado.

– Somos pela implantação do princípio da autoridade, desde que ele traduza forças reais e diretas dos agentes da produção material, intelectual e da expressão moral do nosso povo.

– Somos pela consulta das tradições históricas e das circunstâncias geográficas, climatéricas e econômicas que distinguem nosso País.

– Somos por um programa de coordenação de todas as classes produtoras.

– Somos por um ideal de justiça humana, que realize o máximo de aproveitamento dos meios de produção, em benefício de todos, sem atentar contra o princípio da propriedade, ferido tanto pelo socialismo, como pelo democratismo, nas expressões que aquele dá à coletividade e este ao indivíduo.

– Somos contrários a toda tirania exercida pelo Estado contra o Indivíduo e as suas projeções morais; somos contra a tirania dos Indivíduos contra a ação do Estado e os superiores interesses da Nação.

– Somos contrários a todas as doutrinas que pretendem criar privilégios de raças, de classes, de indivíduos, grupos financeiros ou partidários, mantenedores de oligarquias econômicas ou políticas.

– Somos pela afirmação do pensamento político brasileiro baseado nas realidades da terra, nas circunstâncias do mundo contemporâneo, nas superiores finalidades do Homem e no aproveitamento das conquistas científicas e técnicas do nosso século.

Membros e Organização

Entre os membros notáveis da SEP estavam Plínio Salgado, Cândido Mota Filho, Ataliba Nogueira, Arlindo Veiga dos Santos, Antônio Paim Vieira, Plínio Corrêa de Oliveira, Alfredo Buzaid, San Tiago Dantas, Cassiano Ricardo, Silveira Bueno e vários outros, totalizando 148 membros. Muitos eram estudantes ou jovens intelectuais ligados à Faculdade de Direito de São Paulo.[3][4]

A SEP era dirigida por um órgão coletivo[4][5] e sua estrutura era baseada em comissões temáticas de estudos, incluindo economia, pedagogia, assuntos constitucionais e jurídicos, higiene e medicina social, geografia e comunicações, história e sociologia, religião, política internacional, educação física, arte e literatura, e agricultura, promovendo debates multidisciplinares. Em maio de 1932, durante a sua terceira sessão, Plínio Salgado propôs a criação de uma “nova comissão técnica, denominada Ação Integralista Brasileira” (AIB), cujo objetivo seria “transmitir ao povo, em uma linguagem simples, os resultados e as bases doutrinárias da SEP”. A última etapa do processo de formação do Integralismo foi a redação de um manifesto para divulgar publicamente a AIB. Mas, por ocasião da Revolução Constitucionalista, a divulgação do manifesto foi adiada e ele só seria divulgado cinco meses mais tarde, ficando conhecido como Manifesto de Outubro e marcando o início das atividades da Ação Integralista Brasileira.[2][3][5]

A transição para a AIB representou a popularização das ideias da SEP, com Plínio Salgado assumindo a liderança nacional. A sociedade foi dissolvida com a consolidação da AIB, mas seu papel como "antecâmara" do Integralismo foi fundamental para o movimento que chegou a reunir mais de um milhão de membros até sua proibição em 1937 pelo ditadura de Getúlio Vargas.[3]

Referências

  1. «| Atlas Histórico do Brasil - FGV». atlas.fgv.br. Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  2. a b c «85 anos do Manifesto de Outubro - Integralismo | Frente Integralista Brasileira». integralismo.org.br. Consultado em 9 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 6 de setembro de 2022 
  3. a b c d e TRINDADE, Hélgio (1979). INTEGRALISMO (o fascismo brasileiro na década de 30). São Paulo - Rio de Janeiro: Difusão Editorial. pp. 116–123 
  4. a b Neto, Júlio Bueno Rosa (18 de julho de 2025). «O corporativismo, os trabalhadores e a "A Offensiva": as seções sindicais de um jornal integralista em foco (1936-1937)». www.snh2025.anpuh.org. 33º Simpósio Nacional de História - Simpósios Temáticos - ST 040: Direitas, História e Memória. Consultado em 9 de janeiro de 2026 
  5. a b Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «SOCIEDADE DE ESTUDOS POLITICOS (SEP)». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 9 de janeiro de 2026