Associação Brasileira de Cultura

Associação Brasileira de Cultura
(ABC)
Lema"Deus, Pátria e Família!"
TipoSociedade civil de cultura
Fundação12 de dezembro de 1937[1]
Extinção11 de maio de 1938
SedeDistrito Federal (Guanabara), RJ
MembrosCerca de 1,500,000
Filiação Brasil
Fundador(a)Plínio Salgado
Pessoas importantesGustavo Barroso
Miguel Reale
Hélder Câmara
Antigo nomeAção Integralista Brasileira
(como movimento cultural)


Associação Brasileira de Cultura (ABC) foi uma sociedade civil de caráter nacionalista, espiritualista e cultural brasileira de educação tradicionalista, criada com a intenção de ser sucessora ao movimento cívico-cultural da Ação Integralista Brasileira (AIB) após o Golpe de 10 de Novembro de 1937.[2]

História e precedentes

Bandeira da Ação Integralista Brasileira

O movimento da Ação Integralista Brasileira, que, em sua gênese na Sociedade de Estudos Políticos (SEP), começou apenas como movimento cultural sem tendências partidárias[3]. Apenas em 1935, após o Congresso de Petrópolis, transformou-se também em partido político, segundo as normas do Código Eleitoral de 1932. Volveu à sua ação apenas educacional e cultural para melhor acompanhar as leis decretas pelo então ditador Getúlio Vargas aos mandos do Estado Novo.[4]

Após o Golpe de 10 de Novembro de 1937 ser concluído, e a Constituição Polaca outorgada no Brasil, o Decreto-Lei nº 37, de 2 de dezembro de 1937[5][6] baniu todos os partidos políticos, incluindo a Ação Integralista Brasileira (AIB). Os integralistas, que encontraram sua ala partidária banida, decidiram continuar os esforços culturais, beneficentes e esportivos que empenhavam dentro da AIB, em uma nova organização, agora sem caráter político-partidário, mas de educação dos povos, baseado na sua filosofia espiritualista, de acordo com as leis da nova Carta Magna brasileira.[7]

A ABC seria responsável por dar continuidade ao funcionamento de todas as escolas, ambulatórios médicos, consultórios dentários e lactários geridos pela AIB ao redor de todo o Brasil.[6] Os antigos membros da AIB seriam membros da ABC, entre alguns notáveis podemos citar Plínio Salgado como Presidente, Gustavo Barroso como Diretor de Cultura Física, Miguel Reale como Diretor de Estudos e o padre Hélder Câmara, um dos membros do Conselho Consultivo. A maioria dos membros da Ação Integralista, com a transformação desta em Associação Brasileira, passaram a filiar-se nesta. Incluindo ilustres membros, como Alcebíades Delamare, que foi encarregado do registro jurídico da sociedade no Ministério da Justiça. [8]

Enquanto aguardavam a completa regularização jurídica da nova entidade, os membros davam continuação ao programa de assistência social, espiritual, moral e educativo da antiga AIB.[9]

Porém, o Ministério da Justiça de Francisco Campos protelou enquanto pode o registro definitivo da nova entidade que era promovido pelos integralistas desde o fechamento da AIB. Enquanto isso, os interventores federais de alguns Estados e o Chefe de Polícia do Rio de Janeiro, Filinto Müller, desencadeavam violenta perseguição contra os integralistas, prendendo líderes e depredando sedes.[10]

Por fim, o registro definitivo de funcionamento nunca seria dado e a ABC seria definitivamente fechada após o Levante Integralista.[6]

Referências

  1. A Offensiva (RJ), 12 de Dezembro de 1937.
  2. GONÇALVES, Leandro (2020). O Fascismo em Camisas-Verdes: Do Integralismo ao Neointegralismo. Rio de Janeiro, RJ: FGV Editora. p. 71 
  3. SALGADO, Plínio (1956). O Integralismo Perante a Nação. São Paulo: Editora das Américas. p. 227 
  4. Ferreira, Ana Júlia Corrêa; Silva, Larissa Frazão (4 de dezembro de 2024). «PROPAGANDA E IMAGINÁRIO SOCIAL NA IMPRENSA INTEGRALISTA: os casos de A Offensiva e Monitor Integralista». História e Cultura (1). ISSN 2238-6270. doi:10.18223/hiscult.v13i1.4355. Consultado em 16 de setembro de 2025 
  5. Decreto-Lei nº 37 de 2 de dezembro de 1937, na Câmara dos Deputados.
  6. a b c CARDOSO, TAINÁ AGOSTINHO (2017). «IMPRENSA PARTIDÁRIA E O ESTADO NOVO: A PERMANÊNCIA DE CIRCULAÇÃO DO JORNAL INTEGRALISTA FLAMMA VERDE (1936-1938) NOS PRIMEIROS MESES DO REGIME» (PDF). Criciúma: UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE 
  7. Leandro Pereira, Gonçalves; Odilon Caldeira, Neto (2023). «Integralismo e liderança: ensaios críticos » (PDF). Juiz de Fora, MG: Editora UFJF. ISBN 978-65-89512-98-1 
  8. A Offensiva (RJ), 12 de Dezembro de 1937.
  9. «A Offensiva (RJ) - 1934 a 1938 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br 
  10. SALGADO, Plínio (1956). Livro Verde da Minha Campanha. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira. p. 106