Acção

Acção
Capa da Acção de 3 de outubro de 1937
PeriodicidadeDiário
FormatoStandard (1936-1937)
Tabloide (1937-1938)
SedeSão Paulo, São Paulo (estado), Brasil
País Brasil
Preço200 réis
Fundação6 de outubro de 1936
Fundador(es)Miguel Reale
Pertence aSigma Jornais Reunidos
DirectorMiguel Reale
Editor-chefeMiguel Reale
Orientação políticaIntegralismo
IdiomaPortuguês
Término de publicação23 de abril de 1938
Circulação400 mil exemplares


Acção foi um periódico brasileiro de orientação integralista, fundado e dirigido por Miguel Reale em 1936. Sediado em São Paulo, o jornal constituiu o principal órgão de imprensa da Ação Integralista Brasileira (AIB) no estado de São Paulo.

História

O jornal Acção foi fundado em São Paulo por Miguel Reale, um dos principais teóricos da Ação Integralista Brasileira (AIB), em 6 de outubro de 1936, durante um período de intensa expansão do movimento integralista pelo território brasileiro.[1]

O periódico iniciou com oito páginas e chegou a ter vinte. Inicialmente sediado na Rua do Carmo, nº 17, dividia sua redação com o jornal O Dia. Onze meses após o lançamento, a partir de 3 de agosto de 1937, transferiu-se para um espaço independente na Rua Irmã Simpliciana, nº 17 e 17-A.[2][3]

Durante toda a sua existência, o Acção teve Miguel Reale como diretor e editor, sendo ele um colaborador frequente com artigos e textos. O cargo de secretário era ocupado por Paulo Paulista de Ulhoa Cintra, advogado, chefe municipal da AIB em São Bernardo e, posteriormente, membro da Câmara dos Quatrocentos. A gerência ficou a cargo de Eduardo Graziano (médico e, por algum tempo, chefe municipal da AIB em São Paulo) até 14 de janeiro de 1938, passando então para José Ribeiro de Barros, irmão de João Ribeiro de Barros, que permaneceu na função até a extinção do jornal, três meses depois. Entre os principais redatores de notícias destacavam-se Mário Mazzei Guimarães (advogado) e Benedito Vaz.[3]

O jornal alcançou uma tiragem declarada de 400 mil exemplares[2], posicionando-se como publicação de circulação estadual. Em seu primeiro ano (do nº 1 até 27 de setembro de 1937), adotava formato próximo ao “standard” atual, aproximadamente 60 cm de altura por 48 cm de largura. A partir de 28 de setembro de 1937, passou a formato mais próximo do “tablóide” (49 cm de altura por 33 cm de largura) e mudou de vespertino para matutino.[3]

Segundo o próprio Miguel Reale, o jornal sofreu censura mesmo antes da instauração do Estado Novo. Frequentemente, era impedido de criticar o Partido Constitucionalista (PC), legenda do então candidato às eleições presidenciais de 1938 (frustradas pelo golpe), Armando de Salles Oliveira. Reale relatou que o PC, partido do governo estadual, valia-se indevidamente das leis de exceção para impor censura rígida: “com um censor como cérbero a domicílio, a cujo critério palmar éramos obrigados a submeter não só os artigos como todo o noticiário!”.[3]

O financiamento do Acção provinha basicamente da venda em bancas, ao preço de duzentos réis por exemplar, complementado por assinaturas e publicidade veiculada em suas páginas.[3]

O jornal circulou até abril de 1938, quando foi extinto em meio ao agravamento da repressão ao Integralismo promovido pela Ditadura Vargas.[3]

Linha editorial e conteúdo

O jornal Acção trazia notícias nacionais e internacionais, mas também dedicava espaço variado a seções temáticas que abrangiam desde economia até literatura, passando por esportes, atividades culturais em São Paulo (como teatro e música) e matérias direcionadas ao público feminino.[4]

Além dos numerosos artigos assinados pelo próprio Miguel Reale, o diário contou com colaborações de figuras proeminentes da intelectualidade integralista, como Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Ernani Silva Bruno, Luís da Câmara Cascudo, Antônio Gallotti e San Tiago Dantas. Nas páginas do Acção, destacava-se a preocupação de seus colaboradores com a análise da conjuntura social e econômica do País, desde o problema da dívida externa até as causas determinantes da persistente crise agrícola e industrial.[4]

Uma particularidade do jornal era a ênfase dada às questões envolvendo os trabalhadores rurais e urbanos. Enquanto criticava as condições de trabalho vigentes, buscava simultaneamente afastá-los das influências liberais e comunistas. Textos sobre os sindicatos de São Paulo circulavam regularmente, com uma seção específica intitulada "Syndicalismo" (que posteriormente passou a se chamar "A Nota Syndical"). O periódico chegou a entrevistar diversas figuras ligadas aos meios sindicais. Essa tônica na temática do trabalho também se manifestava em artigos, sempre orientados pelas ideias integralistas, que discutiam as vantagens da organização corporativista e a necessidade de erradicar o latifúndio no Brasil.[4]

Entre as numerosas campanhas nacionalistas que o jornal se empenhou, se inclui aquela em favor da extração nacional do petróleo, apoiando a luta de Monteiro Lobato. Este, em entrevista ao Acção, em 15 de outubro de 1937, declarou que sua “única esperança”, naquele momento, estava nos integralistas.[5]

Ver também

Referências

  1. Leal, Carine de Souza (2006). «Imprensa Integralista (1932-1937) : propaganda ideológica e imprensa partidária de um movimento fascista no Brasil dos anos 30». www.oasisbr.ibict.br. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  2. a b Fiorucci, Rodolfo (30 de maio de 2014). «A trajetória da revista Anauê! (1935-1937): o jornalismo partidário e ilustrado da Ação Integralista Brasileira - a "netinha" que não cresceu». Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  3. a b c d e f Dotta, Renato Alencar (2011). «‪Acção: a lenta agonia de um jornal integralista (1937-1938)‬» (PDF). Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  4. a b c RAMOS, Alexandre Pinheiro (2013). «Intelectuais e carisma: a Ac;ao Integralista Brasileira na decada de 1930». sucupira-legado.capes.gov.br. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  5. DE CICCO, Cláudio (2017). «Miguel Reale». Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Consultado em 20 de janeiro de 2026