Hélio Rocha

 Nota: Este artigo é sobre professor e político. Para o jornalista, veja Hélio Rocha (jornalista).
Hélio Rocha
Deputado estadual na 4.ª Legislatura da Assembleia Constituinte da Bahia
Período2 de agosto de 1961
a 30 de setembro de 1961
Dados pessoais
Nascimento30 de março de 1923
Salvador, Bahia Bahia
Morte21 de dezembro de 2022 (99 anos)
Salvador, Bahia Bahia
Nacionalidadebrasileiro
ProgenitoresMãe: Maria Augusta de Azevedo
Pai: João Luciano da Rocha
Alma materFaculdade Nacional de Filosofia
Prêmio(s)Medalha Tomé de Souza
CônjugeAntônia Lúcia Souza Rocha
Filhos(as)5
PartidoPRP
ReligiãoCatólico
Profissãoeditor, jornalista, professor e político


Hélio Rocha (Salvador, 30 de março de 1923Salvador, 21 de dezembro de 2022) foi um intelectual, professor e político baiano, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) e do Partido de Representação Popular (PRP).

Biografia

Rocha nasceu a 30 de março de 1923, em Salvador, na Bahia, filho do casal João Luciano da Rocha e Maria Augusta de Azevedo. Ingressou no Ginásio da Bahia (hoje Colégio Estadual da Bahia) em 1936, aos 13 anos, onde cursou seu ginasial. Estreou na imprensa aos 15 anos quando iniciou uma vasta série de artigos de crítica folclórica musical no jornal "O Ritmo", da Bahia. Em 1941, se mudou para a capital fluminense, no Rio de Janeiro, objetivando estudar no Colégio Pedro II, e no mesmo ano, ao lado do integralista Gumercindo Rocha Dorea, foi um dos diretores do periódico estudantil "O Ideal". Passados dois anos, se matricula na Faculdade Nacional de Filosofia, onde se formou em Ciências Sociais. Nesse período, foi aluno do poeta Manuel Bandeira, do filósofo José Oiticica, do jurista Djacir Menezes, do historiador Jacques Lambert e do sociólogo Luís Aguiar Costa Pinto. Foi também quando surgiu a sua determinação de lecionar sociologia e quando começou a palestrar sobre variados assuntos na Federação das Academias de Letras, na Escola Nacional de Música, no Instituto Brasileiro de Cultura, no Centro de Pesquisas Folclóricas, na Associação Cristã de Acadêmicos e na Juventude Masculina Católica, tendo recebido elogiosas críticas de Afrânio Peixoto, Basílio de Magalhães, Arthur Ramos, Brás do Amaral, Luiz Heitor, Cecília Meireles, Souza Docca e outros.[1]

Logo após o fim da ditadura getulista do Estado Novo, em 1947, é convidado para ministrar uma palestra para o presidente argentino Juan Domingo Perón e sua esposa, Eva Perón, representando os jornalistas brasileiros, na Argentina. Com os direitos políticos revigorados no país desde a outorga da Constituição de 1946, Hélio, que vinha se relacionando com integralistas desde o início da década de 40, e que sempre foi católico e politicamente nacionalista cristão, tradicionalista e anticomunista[2][3], se filia a nova agremiação dos camisas-verdes, o Partido de Representação Popular (PRP), e atua em vários aparatos culturais do partido, tendo realizado inúmeras palestras por todo o Brasil nos Centros Culturais da Juventude (CCCJ) entre os anos de 1948 e 1950, órgão do qual foi membro da Câmara dos 30 Águias Brancas (cargo honorífico integralista)[4]. Nesse sentido, vinha escrevendo opúsculos combatendo o totalitarismo. Ainda durante a década de 50, atua como redator-chefe da revista "Seleções Populistas", de caráter integralista, entregando-se à pesquisa e revisão da bibliografia integralista e o seu retorno à Questão Operária e Questão Agrária. Nesse período, escreve um livro intitulado "O Integralismo é Totalitarismo?" (1950), defendendo o integralismo dos seus detratores, onde faz pregação nacionalista e defende que o Integralismo se batia por um regime diferente dos nazi-fascistas europeus. No mesmo livro, o autor critica Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), acusando-o de simpatizante do fascismo[5][6]:

Interessante. Apesar de tão arguto sociólogo, foi preciso que o fascismo perdesse a guerra para que o Sr. Tristão passasse a condená-lo. Foi também necessário que o termo Fascista significasse traidor da Pátria para que o Sr. Tristão visse nesse vocábulo o único adequado para aplicar a Plínio Salgado e seus correligionários.

Em 1956, volta à sua terra natal na Bahia e passa a conviver com Milton Santos. Posteriormente, sob a legenda do PRP, é eleito suplente a deputado estadual na 4.ª Legislatura da Assembleia Constituinte da Bahia (1959-1963), substituindo o deputado, igualmente perrepista, Wilde Lima, de agosto a setembro de 1961.[7][8] Casaria-se somente em 1960, com Antônia Lúcia Souza, com quem teria três filhos naturais e dois adotivos, quatro homens e uma mulher. É nesse ano que assume a direção da revista Afirmação, e se torna editor de famosas figuras nacionais, como José Carlos Capinam, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ildásio Tavares, Cyro de Matos, Haroldo Lima entre outros. Em 1968 é convidado a integrar a equipe do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), vinculado ao Ministério da Educação, e é também convidado a lecionar na Universidade de Brasília (UnB).

Durante sua vida, fundaria inúmeras instituições educacionais, como o particular Colégio Nobel, em 1974, na Bahia, e a Sociedade Integral do Ensino, em 1985, e também seria professor várias matérias, tais como Sociologia, História, Geografia, Filosofia e Ciências Políticas. Lecionou na Universidade de Brasília, na Faculdade de Educação da Bahia, na Universidade Federal da Bahia, na Universidade Católica de Salvador, na Faculdade de Sociologia e na Faculdade de Economia da Bahia, bem como nos Colégios: Anchieta, Antonio Vieira, Integral, Tereza de Lisieux, Sofia Costa Pinto e Sacramentinas. Foi examinador da Banca de Concurso de Professores de História e Geografia do Ensino Fundamental e Ensino Médio e membro da Academia de Letras da Bahia, da Academia de Letras e Artes de Salvador e da Academia de Cultura da Bahia.[8] Em 2003 é agraciado com a medalha Tomé de Souza pela Câmara Municipal de Salvador e eleito professor do ano pela Academia de Letras da Bahia. 10 anos mais tarde, receberia uma homenagem especial da Câmara de Vereadores de Salvador pelos seus 90 anos de vida e por sua contribuição à educação na Bahia. Morreu de causas naturais em 2022, aos 99 anos, enquanto vivia seu centenário, e foi sepultado no Cemitário Jardim da Saudade.[2][9] Após sua morte, sua biblioteca, avaliada em mais de 4 mil obras de filosofia, sociologia, antropologia, política, educação, artes, história e outros, foi doada para pais, alunos, familiares, funcionários e público em geral.[10]

Obras

  • O Integralismo é Totalitarismo? Rio de Janeiro: Edições Sino de Prata. 1950.

Referências

  1. ROCHA, Hélio (1950). Integralismo é Totalitarismo?. Rio de Janeiro: Edições Sino de Prata. p. 1 
  2. a b «Morre, aos 99 anos, o professor Hélio Rocha». Let’s Go. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  3. BARBUY, Victor Emanuel Vilela (2016). «Notas sobre a Tradição» (PDF). Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  4. CHRISTOFOLETTI, Rodrigo (2011). «Versões de um integralista: conversas com Gumercindo Rocha Dorea». Consultado em 1 de fevereiro de 2026 
  5. ROCHA (1950), p. 95.
  6. «Hélio Rocha comemora hoje 90 anos de história e 70 de magistério». Jornal Bahia Online. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  7. ALBA. «Ex-deputados estaduais da 4ª Assembleia Legislativa da Bahia». ALBA. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  8. a b ALBA. «Hélio Rocha». ALBA. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  9. «Educador Hélio Rocha morre aos 99 anos em Salvador; intelectual baiano foi editor de personalidades como Caetano Veloso e Capinam». G1. 21 de dezembro de 2022. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  10. «Giro: Acervo de livros do professor Hélio Rocha será doado em homenagem ao seu centenário». Bahia Notícias. 27 de março de 2023. Consultado em 2 de fevereiro de 2026