Noite dos tambores silenciosos
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| Integralismo Brasileiro |
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A Noite dos Tambores Silenciosos é um ritual realizado pelos integralistas brasileiros em comemoração ao lançamento do Manifesto de 7 de Outubro[2][1][3]. Também é uma cerimônia de sincretismo religioso realizada em pleno Carnaval do Recife, na noite de segunda-feira, no Pátio do Terço[4][5]. A cerimônia reúne maracatus de Pernambuco, para louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros.[6]
História
A Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento nacionalista e corporativista da década de 1930, após ter sua milícia paramilitar banida devido a Lei de Segurança Nacional do governo Vargas em 1935, começou a realizar uma cerimônia de lembrança dos mártires do movimento e de comemoração ao lançamento de seu Manifesto lançado em 1932, igualmente de amargura ao banimento de sua Milícia.
A primeira aparição da cerimônia obteve-se durante o I Congresso Meridional Integralista de 1935, realizada em Blumenau, SC, — cidade considerada integralista pelo Chefe do movimento —, e prosseguiu como parte do calendário integralista, conforme estabelecido pelos Protocolos e Rituais da Ação Integralista Brasileira, manual de cerimônias e modos do integralista.[7]
O evento começava às 21 horas e findava à meia noite, sendo presidido pelo "mais pobre" e "mais humilde" camisa-verde, este que seria um representante do próprio Chefe Nacional naquele momento. Após a execução do hino integralista, o nome dos mártires do movimento integralista eram recitados; encerrada a lista, um brado de presença, — "Presente!" —, era feito pela multidão que assistia; em seguida, capítulos do Manifesto Integralista eram lidos. Prosseguindo, um dos "companheiros" presentes realizava um discurso, que devia-se encerrar até às exatas meia noite, no clímax da cerimônia. Ao fim do discurso, a autoridade presente recitava um discurso:
"É meia-noite. Em todas as cidades da imensa Pátria, nos navios em alto mar, nos lares, nos quartéis, nas fazendas e estâncias, nas choupanas do sertão, nos hospitais e nos cárceres, os Integralistas do Brasil vão se concentrar três minutos em profundo silêncio. É a noite dos Tambores Silenciosos! Atenção!"
Durante os minutos de silêncio liam em silêncio, os integralistas, a Oração dos Tambores, que lhes fora dada anteriormente, enquanto rufavam-se as caixas surdas:
"Senhor, escutai a prece dos nossos tambores que estão rufando no mapa da Pátria. Ajude-nos a construir a Grande Nação Cristã; inspira-nos nas horas da dúvida e da confusão; fortalecei-nos nas horas do sofrimento, da calúnia e da injustiça; esclarecei aos nossos inimigos para que eles compreendam quanto desejamos sua própria felicidade; defendei os nossos companheiros e nossa bandeira e levai-nos ao triunfo pelo bem do Brasil”.
— Oração dos Tambores, Frente Integralista Brasileira
Decorridos os 3 minutos segundos de plena concentração, pronunciava-se, novamente, a autoridade:
“Esta cerimônia acaba de ser realizada em todas as cidades e povoados de todas as Províncias do Brasil. O Chefe está falando neste momento na capital do País. A sua voz exprime o Pensamento e o Sentimento de um milhão de Camisas-Verdes vigilantes que montam guarda às tradições da Pátria e cujos corações batem, como um milhão de tambores que nenhuma força poderá fazer calar, porque eles pertencem a Deus e anseiam pela grandeza da posteridade nacional!”
O orador senta-se, e, dando sequência, o "melhor declamador", sem que necessário seja darem-lhe a palavra, recita a poesia de Jayme de Castro: A Noite dos Tambores Silenciosos. Finalizando o eloquente poema, canta-se o Hino Nacional e a autoridade ergue-se e expõe suas preces:
“Pelo Brasil, futura Potência entre as Potências, que nós construiremos com a energia do nosso Espírito, com a forca do nosso coração e com a audácia do nosso braço, três Anauês!"
Todos respondem "Anauê! Anauê! Anauê!" Finalmente, o presidente exclama: — “A Deus, — o Criador do Universo, — para que nos inspire, fortaleça e conduza! Quatro Anauês!”, e todos lhes respondem, novamente, com quatro anauês. É este o único dia do ano em podiam os integralistas empregar essa fórmula de encerramento privativa e exclusiva de Plínio Salgado.[2][7][3]
A cerimônia, tal como outras indumentárias e realizações integralistas, foram expressamente reprimidas durante o Estado Novo. Entretanto, após o Jubileu de Prata do Integralismo, em 1957, volveram a realizar as cerimônias os partidários do Partido de Representação Popular, então representante eleitoral do Integralismo, e dos estudantes do Movimento Águia Branca.[7]
No século XXI, embora em data errônea, adiantando-se ao dia 3 de outubro, foi novamente realizado por integralistas cearenses membros da Frente Integralista Brasileira o cerimonial, em homenagem aos 88 anos da primeira comemoração. A cerimônia, espelhando-se no Protocolos e Rituais, realizou-se como na década de 30, com certas adaptações de oratória, para a aclamação de recentes mártires e nomenclaturas gerais. No final da cerimônia, saudaram-se com anauês e entoaram o Hino Nacional Brasileiro.[8]
Carnaval em Recife
No Brasil, na época da Escravatura, os negros não podiam expressar sua religiosidade, suas crenças e tradições. Realizavam, por isso, cortejos em silêncio.[9]
Mesmo após a Abolição da escravatura, esses rituais continuaram a ser realizados. Com o tempo, todas as comunidades negras do Recife foram se agregando e celebrando, às segundas-feiras, a Noite dos tambores silenciosos.[10]

Em 1961[Nota 1], por iniciativa do jornalista e sociólogo Paulo Viana, houve uma campanha para resgatar e valorizar os ritos africanos. Foi criada a Noite dos tambores silenciosos, que passou a ser destaque no carnaval recifense.[9]
Acontece toda segunda-feira de carnaval no Pátio do Terço, em frente à Igreja Nossa Senhora do Terço.[4][11]
Após o desfile de maracatus, apagam-se todas as luzes e os tambores se silenciam para a oração em iorubá , realizada pelo Rei e Rainha do Maracatu.
Notas e referências
Notas
- ↑ Um artigo no Diário de Pernambuco 2/12/1961 mostra que a institucionalização deste evento remontaria ao dia 13/02/1961.
Referências
- ↑ a b GONÇALVES, Leandro; CALDEIRA, Odilon (2020). O fascismo em camisas verdes: do integralismo ao neointegralismo. Rio de Janeiro: [s.n.]
- ↑ a b TRINDADE, Helgio (1974). Integralismo: O Fascismo Brasileiro. Rio de Janeiro: [s.n.] p. 194
- ↑ a b Vários. Enciclopédia do Integralismo XI - A Orgânica da Ação Integralista Brasileira II. [S.l.: s.n.] pp. 118–123
- ↑ a b Noite dos tambores silenciosos encanta milhares de pessoas
- ↑ Cerimônia da Noite dos tambores silenciosos reverencia os ancestrais
- ↑ «Noite dos Tambores Silenciosos celebra a ancestralidade negra». Folha de Pernambuco. 20 de fevereiro de 2023. Consultado em 1 de outubro de 2023
- ↑ a b c FERREIRA, Jorge (17 de junho de 2014). «"Rituais da Acção Integralista Brasileira: A Noite dos Tambores Silenciosos"». História do Partido de Representação Popular. Consultado em 12 de setembro de 2023
- ↑ RIBEIRO, Carlos. «Cerimonial histórico do Movimento Integralista é realizado após 63 anos em Fortaleza». Integralismo. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ a b ANDRADE, Maria do Carmo (23 de janeiro de 2009). «Noite dos tambores silenciosos». Fundaj. Consultado em 1 de outubro de 2023
- ↑ Noite dos tambores silenciosos renova compromisso
- ↑ Recife (21 de fevereiro de 2023). «Noite dos Tambores Silenciosos celebra luta do povo negro pela própria existência». Consultado em 1 de outubro de 2023
