Salada caprese

Salada caprese
Nome(s)
alternativo(s)
em italiano: Insalata caprese
PaísItália
RegiãoCapri, Campânia
Ingrediente(s)
principal(is)
Muçarela, tomates, manjericão, azeite de oliva

A salada caprese (em italiano: insalata caprese, pronúncia italiana: [insaˈlaːta kaˈpreːze; -eːse]) é uma salada italiana composta de fatias de muçarela fresca, tomates e manjericão, temperadas com sal e azeite de oliva. O nome da salada faz referência à ilha de Cápri, onde ela pode ter se originado. O prato tornou-se conhecido internacionalmente na década de 1950, supostamente após ser servido ao rei Faruque do Egito durante uma visita à ilha.

Na Itália, o prato é consumido como aperitivo, sem vinagre, e, às vezes, com pimenta-do-reino e azeitonas. Seus componentes também servem de base para diversos pratos, incluindo o uso cru em sanduíches e levemente cozido em molhos para nhoque ou ravióli. Internacionalmente, o modo de servir varia: nos Estados Unidos, é consumida como acompanhamento, enquanto na Argentina, seus ingredientes costumam servir de recheio para empanadas. A salada, às vezes, é confundida com a insalata tricolore, que também contém ingredientes que representam as cores nacionais da Itália (verde, branco e vermelho), mas utiliza qualquer ingrediente para o elemento verde.

História

Faruque do Egito

A salada caprese leva o nome da ilha de Capri, situada no golfo de Nápoles, na Campânia. Acredita-se que tenha se originado ali,[1] e, a partir da década de 1990, os moradores locais acreditavam que a salada já tivesse, pelo menos, cem anos.[2] Diversos relatos descrevem a criação do prato, sendo o mais antigo uma lenda que credita sua origem ao imperador romano Tibério, durante suas férias na ilha.[1] Outros atribuem a criação a uma homenagem patriótica à bandeira da Itália ou a uma forma de agradar o paladar de membros da realeza e políticos de férias no século XX.[3] Segundo o escritor gastronômico de Cápri, Marino Barendson, a salada ganhou esse nome na década de 1930, no Ristorante Luigi ai Faraglioni.[2] A Câmara do Comércio de Nápoles registra o início da popularidade do prato em Cápri na década de 1920, quando o fundador do movimento futurista, Filippo Tommaso Marinetti, o serviu em uma série de jantares no Grand Hotel Quisisana.[4]

Com o tempo, o método de preparo e de servir da salada caprese mudou. Durante o século XX, o preparo envolvia picar, salgar e escorrer os tomates antes de temperá-los com sal, pimenta, azeite e alho, misturando-os com manjericão e muçarela em cubos. Em outras épocas, o tomate era cortado ao meio e uma espécie de flor era formada ao acrescentar manjericão e muçarela. Na década de 1990, o orégano tornou-se um acréscimo popular, especialmente em Cápri, que cultivava uma variedade local mais doce, assim como uma rúcula domesticada descrita popularmente como "selvagem".[2] Na mesma época, o McDonald's italiano passou a vender salada caprese.[5]

Durante a década de 1950, Cápri era frequentada por celebridades, membros da realeza e políticos. Kate Wickers, da Italy Magazine, atribui a divulgação internacional do prato a esse período, após ele ser servido ao rei Faruque do Egito. Esse relato é confirmado pela Câmara do Comércio de Nápoles, que acrescenta que Faruque recebeu a salada servida em um pão. Algumas histórias atribuem a saída do prato da ilha a um morador de Cápri chamado Constantino Moffa, que, segundo os relatos, servia o prato enquanto trabalhava na Suíça como maître d'hôtel.[1][4]

Prato

Porção de salada caprese com os ingredientes separados

A salada caprese, em sua forma mais simples, consiste em tomate e muçarela fatiados, com manjericão, sal, pimenta-do-reino e azeite de oliva extravirgem.[6] Em algumas versões, inclui-se orégano e, principalmente em preparações domésticas, as receitas podem ser incrementadas com azeitonas, pimentas e alho.[7][2][8][9] Diferente dos Estados Unidos,[3] as versões italianas de salada caprese omitem o vinagre, com base na crença de que sua inclusão “destruiria o sabor delicado da muçarela fresca”.[10][2] As cores do manjericão (verde), da muçarela (branca) e do tomate (vermelho) correspondem às cores nacionais da Itália, o que pode causar confusão com a insalata tricolore, que contém muçarela, tomate e qualquer vegetal verde.[1]

Tomates grandes e arredondados da variedade coração-de-boi são os mais populares na Campânia para a salada;[2] a combinação de manjericão e tomate é comum em toda a região de Nápoles.[11] A forma como o manjericão é preparado está ligada à sabedoria popular, que dita que ele deve sempre ser rasgado, nunca cortado com uma faca.[6][a] O tipo de queijo utilizado varia conforme a região: em Cápri e na Península Sorrentina, a muçarela feita com leite de vaca (fior di latte) é a mais popular, enquanto em outras partes da Campânia predomina a muçarela feita com leite de búfala.[2]

Adaptações

Variações
Aperitivos de salada caprese no espeto
Muçarela e tomate com salada de vegetais

A salada caprese é uma das formas de um prato caprese. Também pode ser servida como pizza, sanduíche ou como molho para nhoque ou ravióli, sendo, nesse caso, levemente cozida para manter os sabores frescos dos ingredientes.[7] Na Argentina, a salada caprese é um recheio comum para empanadas.[12]

Ver também

Notas

  1. O cientista de alimentos Harold McGee descarta essa crença, afirmando que "desde que a faca esteja afiada, não importa se a folha é cortada ou rasgada".[6]

Referências

  1. a b c d Wickers, Kate. «Insalata Caprese». ITALY Magazine (em inglês). Consultado em 17 de setembro de 2020 
  2. a b c d e f g Schwartz, Arthur (1998). Naples at Table: Cooking in Campania (em inglês). New York: HarperCollins. pp. 217. ISBN 0-06-018261-X 
  3. a b «Caprese Salad captures Italy's rich history» (em inglês). The Lowell Sun. 26 de agosto de 2015. Consultado em 23 de setembro de 2020 
  4. a b Spieler, Marlena (2018). A Taste of Naples: Neapolitan Culture, Cuisine, and Cooking (em inglês). London: Rowman & Littlefield. pp. 201202. ISBN 978-1-4422-5126-7 
  5. Helstosky, Carol (2004). Garlic and Oil: Politics and Food in Italy (em inglês). Oxford and New York: Berg Publishers. pp. 159. ISBN 1-85973-890-7 
  6. a b c Riley, Gillian (2007). The Oxford Companion to Italian Food (em inglês). New York: Oxford University Press. pp. 336, 420. ISBN 978-0-19-860617-8 
  7. a b Del Conte, Anna (2004) [2001]. The Concise Gastronomy of Italy (em inglês). New York: Barnes and Nobles. pp. 212, 272. ISBN 0-7607-6344-5 
  8. Kostioukovitch, Elena (2010) [2009]. Why Italians Love to Talk About Food (em inglês). Traduzido por Appel, Anne Milano. London: Duckworth Overlook. pp. 270. ISBN 978-0-7156-3988-7 
  9. Sorini, Alex Revelli; Cutini, Susanna. «Panino con caprese». TaccuiniGastrosoficit.it (em italiano). Consultado em 27 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2025 
  10. Willinger, Faith Heller (1996). Red, White & Green: The Italian Way with Vegetables (em inglês). New York: HarperCollins. pp. 284. ISBN 0-06-018366-7 
  11. De Mane, Erica (2004). The Flavors of Southern Italy (em inglês). Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons. pp. 54. ISBN 0-471-27251-5 
  12. «Las mejores 14 casas de empanadas de Buenos Aires» [As 14 melhores casas de empanadas de Buenos Aires]. Infobae (em espanhol). 25 de novembro de 2019. Consultado em 5 de janeiro de 2026 

Ligações externas