Compendium Theologiae (Tomás de Aquino)
| Parte de uma série sobre |
| São Tomás de Aquino |
|---|
![]() |
|
Doutor da Igreja Católica Communis • Angelicus • Humanitatis |
|
|
Compendium Theologiae ad fratrem Reginaldum socium suum carissimum (lit. "Compêndio de teologia, ao irmão Reginaldo, seu caríssimo companheiro"), também conhecido como De fide et spe (lit. "Sobre a fé e a esperança"), é uma breve summa escrita pelo santo católico Tomás de Aquino. A obra permaneceu inacabada em razão da morte do autor.
História
No capítulo inicial, Tomás de Aquino afirma que o público-alvo da obra são aqueles que buscam um resumo acessível da teologia cristã. O Compendium é um texto de particular maturidade, redigido no final da carreira do teólogo, e pode ser entendido como uma avaliação concisa dos temas que o autor considerava mais importantes.[1] O livro foi concebido como “um resumo dos principais ensinamentos da doutrina cristã” e dedicado ao irmão Reginaldo de Piperno, frade dominicano e companheiro de Tomás, que havia transcrito suas anotações e aulas[2] e que lhe solicitara a obra.[3]
Os capítulos do Compendium normalmente não ultrapassam alguns poucos parágrafos, pois Tomás buscou a concisão, em vez do estilo mais desenvolvido da Summa Theologica. Embora a morte do Doutor seja geralmente apontada como a causa de a obra ter ficado inacabada, a primeira parte parece ter sido composta já no período de 1265–1267, pouco depois da conclusão da Summa contra Gentiles. As duas obras por vezes apresentam paralelos na organização e nos temas,[4] e alguns estudiosos propuseram a possibilidade de o Compendium ser uma versão abreviada desta última.[5]
Em oposição ao consenso histórico, foi recentemente sugerido que Tomás de Aquino poderia ter abandonado a obra de modo voluntário, em razão de uma mudança em sua estratégia de ensino. [6]
Conteúdo
A obra foi originalmente concebida para seguir uma organização em três partes, baseada nas virtudes teologais: a primeira seção seria dedicada à fé, a segunda à esperança e a terceira à caridade. Tomás de Aquino morreu antes de concluir a segunda parte, que ficou interrompida no décimo capítulo.[7] A primeira parte totaliza 246 capítulos.[5] A seção “Sobre a fé” baseia-se no Credo dos Apóstolos, enquanto “Sobre a esperança” segue o Pai-Nosso. Já “Sobre a caridade” estava planejada para tomar os Mandamentos como eixo organizador.[3]
A primeira parte, sendo a única concluída, tem sido descrita como “a mais importante do ponto de vista teológico”. Dividida em dois tratados, o primeiro é dedicado ao estudo da Santíssima Trindade, e o segundo, à humanidade de Cristo.[7] O primeiro tratado vai do capítulo 3 ao capítulo 184, ao passo que o segundo abrange do capítulo 185 ao 246.[8]
Provavelmente inspirado no Enchiridion de São Agostinho, Tomás de Aquino justifica a organização de sua obra a partir da sua concepção da salvação. Segundo o autor, Jesus ensinou a doutrina da salvação de modo a torná-la acessível àqueles “que estão excessivamente ocupados com o trabalho”, por meio da prática das virtudes teologais. Ao conhecer as verdades da fé (fé), ordenar a vontade para o seu fim último (esperança) e praticar a justiça (caridade), pode-se esperar alcançar a salvação.[3]
O amor não pode ser devidamente ordenado se o fim adequado da nossa esperança não estiver estabelecido; tampouco pode haver esperança se faltar o conhecimento da verdade. Por isso, a primeira coisa necessária é a fé, pela qual se chega ao conhecimento da verdade. Em segundo lugar, é necessária a esperança, para que a intenção esteja fixada no fim correto. Em terceiro lugar, é necessário o amor, para que as afeições sejam perfeitamente ordenadas.[3]
Até o capítulo 36 da primeira parte, Tomás trata da doutrina da unicidade de Deus e de outros aspectos que podem ser deduzidos filosoficamente, a saber: a necessidade divina, a eternidade, a imutabilidade, a simplicidade, a identidade entre ser e essência, o fato de não pertencer a nenhum gênero nem ser uma espécie, a incorporeidade, a onipotência e a infinitude, o conter em si toda perfeição existente nas coisas de modo eminente e unitário, o não possuir acidentes, o não perder a simplicidade por receber múltiplos nomes, a indefinibilidade, a inteligência, a posse de vontade e a identidade dessa vontade com a própria essência divina.[8]
Traduções para o inglês
- Vollert, Cyril (1958) [1947]. Compendium of Theology Reprint ed. St. Louis, Missouri: Herder Book Co.
- Compendium of Theology by Richard J. Regan (2009) published by Oxford University Press, ISBN 978-0-1953-8530-4
Referências
- ↑ Vollert 1958, p. v.
- ↑ Cessario 2020, p. 33.
- ↑ a b c d Porro 2016, p. 205.
- ↑ Weigel 2002, p. 79.
- ↑ a b Eberl 2016, p. 17.
- ↑ Eberl 2016, pp. 16–17.
- ↑ a b Vollert 1958, p. vi.
- ↑ a b Porro 2016, p. 206.
Bibliografia
- Cessario, Romanus (2020). The godly image: Christian satisfaction in Aquinas. Col: Sacra doctrina. Washington, DC: The Catholic University of America Press. ISBN 978-0-8132-3294-2
- Eberl, Jason T. (2016). The Routledge guidebook to Aquinas' Summa Theologiae. Col: Routledge guides to the great books. New York: Routledge. ISBN 978-1-315-72842-1
- Porro, Pasquale (2016). Thomas Aquinas: a historical and philosophical profile. Washington, D.C: The Catholic University of America Press. ISBN 978-0-8132-2805-1
- Weigel, Peter (2002). «Simplicity and Explanation in Aquinas' God». Proceedings of the Society for Medieval Logic and Metaphysics. 2: 77–86
Outras leituras
- Laporte, Jean-Marc (2003). «Christ in Aquinas's Summa Theologiae: Peripheral or Pervasive?». The Thomist: A Speculative Quarterly Review. 67 (2): 221–248. ISSN 2473-3725. doi:10.1353/tho.2003.0025 Verifique o valor de
|url-access=subscription(ajuda)
Ligações externas
- Compendium Theologiae (em latim e inglês) em aquinas.cc .
