Julio Meinvielle

Julio Meinvielle
Meinvielle em 1953
Conhecido(a) porEscritor, teólogo
Nascimento
Julio Meinvielle


Morte
2 de agosto de 1973 (67 anos)

OcupaçãoPadre
ReligiãoIgreja Católica

O padre Julio Meinvielle (31 de agosto de 1905 – 2 de agosto de 1973), foi um sacerdote argentino e escritor prolífico. Líder do pensamento católico em seu tempo, associou-se à tendência ultradireitista dentro do pensamento católico argentino. Como polemista, exerceu forte influência no desenvolvimento do nacionalismo argentino.

Biografia

Meinvielle estudou para seu doutorado em Filosofia e Teologia em Roma e logo tornou-se um escritor prolífico de obras religiosas, históricas e econômicas dentro da escola do tomismo.[1] Ele via a história como um processo de declínio dos valores católicos, determinado por três eventos que considerava catastróficos: a obra de Martin Luther, a Revolução Francesa e a Revolução de Outubro.[2]

Ortodoxia católica

Meinvielle foi um crítico ferrenho do que considerava desvios no ensino católico. Travou uma controvérsia pública com Jacques Maritain no final dos anos 1930. O conflito começou em 1936, quando Maritain visitou a Argentina pela primeira vez e foi inicialmente bem recebido por líderes católicos.[3] Meinvielle atacou Maritain como "defensor dos vermelhos espanhóis", iniciando um embate entre os dois.[4] Seu livro De Lammenais a Maritain era um ataque às ideias de Maritain, acusando-o de defender a secularização da sociedade moderna por meio do liberalismo.[5] Rastreando as origens do pensamento de Maritain em Hugues Felicité Robert de Lamennais, Marc Sangnier e Le Sillon, argumentava que o humanismo desses autores era incompatível com a fé católica.[6]

Baseava seu catolicismo nas obras de Tomás de Aquino e nas encíclicas papais Rerum Novarum e Quadragesimo Anno, contrastando-as com seus dois grandes inimigos políticos: o liberalismo e o comunismo.

Antissemitismo

Meinvielle também criticava o capitalismo e o marxismo, traçando paralelos entre ambos por considerá-los materialistas. Propunha um sistema econômico baseado no catolicismo, em que o consumo regulasse a produção e a riqueza fosse reinvestida.[7] Como Rodolfo Irazusta, condenava a usura, atribuindo-a aos judeus, citando Werner Sombart como inspiração.[7] Meinvielle também acreditava na Sinarquia, uma suposta sociedade secreta para a dominação judaica mundial.[8]

Afirmava que o judaísmo tinha como objetivo destruir o cristianismo, repetindo o libelo de sangue e alegando que capitalismo e comunismo eram invenções judaicas para dominar o mundo.[9] Embora suas ideias ecoassem os Protocolos dos Sábios de Sião, Meinvielle não endossava explicitamente o documento, já considerado fraude em tribunais.[9] Via a luta entre cristianismo e judaísmo como paralela à de Jesus Cristo e Satanás, defendendo o uso da violência "em nome da verdade", inspirado em Nimio de Anquín.[9]

Apoiava o fascismo, especialmente o falangismo, por sua conexão com a Hispanidad. Porém, criticava o culto à personalidade de Benito Mussolini e Adolf Hitler, defendendo um fascismo argentino religioso e antissecular.[10] Seu livro El Judio (1936) retratava Buenos Aires como uma "Babilônia" dominada por interesses financeiros judaicos.[11]

Últimos anos e morte

Meinvielle inicialmente apoiou Edelmiro Julián Farrell e Juan Perón, mas rompeu com o peronismo por considerá-lo excessivamente focado em questões socioeconômicas. Em 1952, ingressou na Union Fédérale, partido de direita pós-Perón. Foi suspenso pela Igreja em 1961 após acusar o presidente Arturo Frondizi de ser agente comunista.[12]

Em julho de 1973, foi atropelado por um caminhão em Buenos Aires, morrendo em 2 de agosto. Seu funeral foi celebrado pelo arcebispo Juan Carlos Aramburu, com discurso de Carlos Alberto Sacheri. O caixão foi carregado por Carlos Mugica e Alberto Ezcurra Medrano.[13]

Algumas obras

  • Crítica à Teologia de Karl Rahner. Centro Anchieta, 2020. ISBN: 978-65-86798-09-8
  • Da Cabala ao Progressismo. Verbo Encarnado, 2025. ISBN: 978-65-84933-38-5

Influência

Meinvielle influenciou a direita argentina, incluindo o Movimento Nacionalista Tacuara e figuras como José López Rega e Jordán Bruno Genta.[14] Também fundou a União de Escoteiros Católicos Argentinos.

Ver também

Referências

  1. Graciela Ben-Dror, The Catholic Church and the Jews, 2009, p. 49
  2. Graciela Ben-Dror, The Catholic Church and the Jews, 2009, pp. 49–50
  3. Carlos Alberto Torres, The Church, society, and hegemony, p. 183
  4. David Lehmann, Democracy And Development, 1992, p. 105
  5. William T. Cavanaugh, Torture and Eucharist, 1998, p. 155
  6. Darrell Jodock, Catholicism contending with modernity, 2000, p. 331
  7. a b Sandra McGee Deutsch, Las Derechas, 1999, p. 225
  8. F. Finchelstein, The Ideological Origins of the Dirty War: Fascism, Populism, and Dictatorship in Twentieth Century Argentina, Oxford University Press, 2014, p. 111
  9. a b c Sandra McGee Deutsch, Las Derechas, 1999, p. 226
  10. Finchelstein, The Ideological Origins of the Dirty War, pp. 38–40
  11. Graciela Ben-Dror, The Catholic Church and the Jews, 2009, p. 51
  12. Rees, Biographical Dictionary of the Extreme Right, p. 262
  13. «Algunas obras del padre Julio Meinvielle (1905-1973)», Junto a Fe.
  14. Graciela Ben-Dror, The Catholic Church and the Jews, 2009, p. 57