João Ameal
| João Ameal | |
|---|---|
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| Nome completo | João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos |
| Nascimento | |
| Morte | 23 de setembro de 1982 (80 anos) |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Jornalista, escritor, politico, e historiador |
| Magnum opus | Obreiros de Quatro Impérios |
João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos (Santa Cruz, Coimbra, 23 de fevereiro de 1902 – Lisboa, 23 de setembro de 1982), conhecido com o pseudónimo literário João Ameal, foi um jornalista, escritor, político e historiador português.
A sua História de Portugal, um trabalho multi-volume publicado pela primeira vez em 1941 foi galardoada com o Prémio Alexandre Herculano, em 1943.
Biografia
João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos ou João Ameal nasceu a 23 de fevereiro de 1902, na freguesia de Santa Cruz, concelho de Coimbra.[1][2]
Era o 2.º visconde e 3.º conde do Ameal.[3]
Era filho de João de Sande Magalhães Mexia Aires de Campos, 2.º conde do Ameal, nascido em Coimbra e diplomata de carreira, que estivera destacado nos Países Baixos, e com ligações ao Partido Regenerador e, depois, à Dissidência Progressista, e de Maria Benedita Falcão Barbosa de Azevedo e Bourbon[4]. Neto do famoso humanista e colecionador de arte João Maria Correia Ayres de Campos, 1.º Conde do Ameal.[carece de fontes]
Desde tenra idade viverá em Lisboa, onde o seu pai integra o governo de Hintze Ribeiro de 1903 enquanto secretário do ministro dos Negócios Estrangeiros, Venceslau de Lima – e de onde, em 1908, na sequência da sua participação na “Intentona do Elevador da Biblioteca” (tentativa abortada de golpe revolucionário para derrubar João Franco), será forçado a partir para o exílio, na Galiza[5].
Licenciado em 1921[6], em Direito, pela Universidade de Lisboa.[3]
A 23 de Setembro de 1982, João Ameal morreu em Lisboa.[3][7]
Político
Como político, cedo se tinha revelado como um militante monárquico tradicionalista juntando-se, em 1923, ao chamado "Grupo dos Cinco" que, não seguindo a rutura do Integralismo com D. Manuel II de Portugal, ajudou a criar a Acção Realista Portuguesa.[3][8]
Manteve sempre a ligação a António Sardinha, cujo pensamento o continuará a influenciar ao longo da vida. Regressa ao IL já após a morte daquele, no final da década de 1920, colaborando na revista Integralismo Lusitano – Estudos Portugueses durante dois anos (entre 1931 e 1933)[9].
Acompanha Francisco Rolão Preto na experiência do Nacional-Sindicalismo. Também por ali a sua passagem será breve, integrando, com Manuel Múrias, a dissidência que estará na base da criação da Acção Escolar Vanguarda. Tornar-se-á um dos principais ideólogos do novo regime: é autor, por exemplo, do cartaz Decálogo do Estado Novo, de 1934, e, nesse mesmo ano, indicado por António Ferro para a secção portuguesa dos efémeros Comités para a Acção da Universidade de Roma[10].
Foi membro da Junta Central da Legião Portuguesa, chegando a dirigir o seu Boletim.[1][2]
Foi deputado à Assembleia Nacional em 4 legislaturas (III, IV, V e VI, 1942–1957).[1]
Terminado o seu percurso na Assembleia Nacional foi ainda, entre 1957 e 1961, procurador à Câmara Corporativa na VII Legislatura.[2]
Colaborador na Imprensa
Na área da imprensa, encontra-se colaboração da sua autoria nas revistas: Integralismo Lusitano – Estudos Portugueses (já referida), Contemporânea[11] [1915]–1926, O Domingo Ilustrado[12] (1925–1927), Ilustração[13] iniciada em 1926, na Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal[14] (1939–1947) e no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas [15] (1941–1945).
Obra histórica
Publicou mais de duas dezenas de livros e deixou vasta obra no domínio da historiografia, da ficção e da crítica:
- S. Tomás de Aquino. Iniciação ao Estudo da sua Figura e da sua Obra (1938) pref. de Jacques Maritain, Porto, Livraria Tavares Martins
- De D. João V a D. Miguel (1939), Porto, Livraria Tavares Martins.
- A Revolução Tomista (1952)
- História de Portugal das origens até 1940
- Setúbal: sete séculos de história
- Perspectivas da história
- Santos portugueses
- Obreiros de quatro impérios (1958)
Homenagens
Em 30 de Janeiro de 1965 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo.[16] A investidura aconteceria no Salão Nobre do Palácio da Foz, em Lisboa.[17] Em 30 de Junho de 1971 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[16]
Referências
- ↑ a b c Castilho, J. M. Tavares (2009). «Biografia e carreira parlamentar de João Ameal.» (PDF). Os Deputados à Assembleia Nacional (1935-1974). Infopédia indica "agosto" como mês de nascimento. Assembleia da República Portuguesa. Consultado em 4 de janeiro de 2013
- ↑ a b c Castilho, J. M. Tavares (2010). «Nota biográfica de João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos (João Ameal).» (PDF). Procuradores da Câmara Corporativa (1935-1974). Infopédia indica "agosto" como mês de nascimento. Assembleia da República Portuguesa. Consultado em 4 de janeiro de 2013
- ↑ a b c d João Ameal, in Infopédia, Porto Editora, Porto, 2003-2012 (Consult. 2012-08-23)
- ↑ [AMEAL, João (João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos), Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo
- ↑ [AMEAL, João (João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos), Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo
- ↑ [AMEAL, João (João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos), Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo
- ↑ «Os Factos e a sua História: 1º Facto.». (Áudio) Programa de rádio da RTP.
- ↑ Acção realista (1924-1926), cópia digital da Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ [AMEAL, João (João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos), Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo
- ↑ [AMEAL, João (João Francisco de Barbosa Azevedo de Sande Aires de Campos), Dicionário dos Historiadores Portugueses da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo
- ↑ Contemporânea [1915]-1926 cópia digital, Hemeroteca Digital
- ↑ O domingo ilustrado : noticias & actualidades graficas, teatros, sports & aventuras, consultorios & utilidades (1925-1927) cópia digital, Hemeroteca Digital
- ↑ Rita Correia (16 de Junho de 2009). «Ficha histórica: Ilustração (1926-)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 6 de Novembro de 2014
- ↑ Helena Roldão (2 de maio de 2014). «Ficha histórica: Mocidade Portuguesa Feminina : boletim mensal (1939-1947).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 27 de Maio de 2014
- ↑ Rita Correia (30 de julho de 2019). «Ficha histórica:Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 3 de outubro de 2019
- ↑ a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Ameal". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 4 de janeiro de 2013
- ↑ Lopes, Fátima; Graça, Almerinda e Mello, Gonçalo de Sampaio (2003). Espólio de João Ameal: roteiro. Mostra documental. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal. p. 44. 48 páginas. ISBN 9725653610. Consultado em 4 de janeiro de 2013
Ligações externas
- «João Ameal, o historiador do regime.» (PDF). Pinto, Antonieta Maria da Silva. Dissertação de Mestrado em História Contemporânea de Portugal, Coimbra, 2003.
- «Os Factos e a sua História: 1º Facto.». (Áudio) Programa de rádio da RTP.
- «Biografia e resumo das Intervenções parlamentares na Assembleia Nacional.» (PDF). por Castilho, J. M. Tavares (2009) no sítio oficial da Assembleia da República Portuguesa.
- João Ameal, Biblioteca Nacional de Portugal
- João Ameal, in Infopédia, Porto Editora, Porto, 2003-2012 (Consult. 2012-08-23)
- João Ameal - No blogue antonioferro.wordpress.com
