Galeria:Obras completas de Luis de Camões II (1843).djvu
| É possível que existam observações importantes ou padrões a serem adotados para este projeto específico de revisão. Verifique a página de discussão relacionada. |
|
Pag.
S O N E T O S.
Á la margen del Tajo, en claro dia Aos homens hum só homem poz espanto Aponta a bella Aurora, luz primeira Ay! quien dará á mis ojos una fuente Ayúdame, Señora, á hacer venganza
Chorai, Nymphas, os fados poderosos Como louvarei eu, Seraphim santo Con razon os vais, aguas, fatigando Contente vivi ja vendo-me isento Cuanto tiempo ha que lloro un dia triste
Deixa, Apollo, o correr tão apressado Diana prateada esclarecida Ditosas almas que ambas juntamente Dizei, Senhora, da belleza idea Doce contentamento ja passado Dulces engaños de mis ojos tristes
Em huma lapa toda tenebrosa Em quanto Phebo os montes accendia En una selva al dispuntar del dia Este amor que vos tenho limpo e puro Eu vivia de lagrimas isento
Fiou-se o coração de muito isento Formosos olhos, que cuidado dais
Ilustre Gracia, nombre de una moza
Ja me fundei em vãos contentamentos Ja não sinto, Senhora, os desenganos
Las peñas retumbaban al gemído Lembranças de meu bem, doces lembranças Los ojos que con blando movimiento
Mi gusto y tu beldad se desposaron Mil veces entre sueños tu figura
Na ribeira do Euphrates assentado Nas cidades, nos bosques, nas florestas Nem o tremendo estrepito da guerra N'hum tão alto lugar de tanto preço No bastaba que amor puro y ardiente
O claras aguas deste blando rio Oh arma unicamente só triumphante Oh cese ya, Señor, tu dura mano Orfeo enamorado que tañia Os vestidos Eliza revolvia
Por gloria tuve un tiempo el ser perdido Porque a terra no ceo agasalhasse Pues lágrimas tratais, mis ojos tristes
Quando, Senhora, quiz Amor que amasse Quantas penas, Amor, quantos cuidados Que estilla a árvore sacra? Hum licor santo Que pode ja fazer minha ventura Quem quizer ver d'amor huma excellencia
Revuelvo en la incesable fantasía
Se em mim, ó alma, vive mais lembrança Se lagrimas choradas de verdade Se no que tenho dito vos offendo Senhora ja desta alma perdoae Si el fuego que me enciende, consumido Sustenta meu viver huma esperança
Tem feito os olhos neste apartamento
Vi queixosos de Amor mil namorados Vós só podeis, sagrado Evangelista
E C O G L A S.
Agora, Alcido, emquanto o nosso gado Agora ja que o Tejo nos rodeia Ao longo do sereno Arde por Galatea branca e loura Cantando por hum valle docemente De quanto alento e gôsto me causava Despois que o leve barco ao duro remo Encheo do mar azul a branca praia Parece-me, pastor, se mal não vejo Pascei, minhas ovelhas: eu em quanto Passado ja algum tempo que os amores
C A N Ç Õ E S.
A vida ja passei assaz contente Com fôrça desusada Formosa e gentil Dama, quando vejo Junto d'hum secco, duro e esteril monte Manda-me Amor que cante o que a alma sente Nem roxa flor d'Abril Oh pomar venturoso Por meio de humas serras mui fragosas Qu'he isto? Sonho? Ou vejo a Nympha pura Quem com solido intento Vinde cá, meu tão certo secretario
O D E S.
Aquelle moço fero Detem hum pouco, Musa, o largo pranto Fogem as neves frias Formosa fera humana Ja a calma nos deixou Naquelle tempo brando Nunca manhãa suave Póde hum desejo immenso Se de meu pensamento
Notas 395 |
- ↑ Conjectura Faria e Sousa que este Soneto fosse feito a seu avô Estacio de Faria, amigo de Camões, e como elle poeta e soldado.
- ↑ Este Soneto anda impresso nas Rimas de Diogo Bernardes, que o deu por seu.
- ↑ Em resposta ao Soneto: "Quem he este que na harpa Lusitana."
- ↑ Bernardes imprimio este Soneto como seu e é o 77 nas suas Rimas, aindaque os seus mesmos contemporaneos o julgavão de Camões, imprimindo-o na primeira ed. de suas Rimas.
- ↑ A D. Rodrigo Pinheiro, que foi Bispo do Porto, segundo conjectura Faria.
- ↑ A Manuel Barata, famoso professor de Calligraphia no seculo XVI, publicando a sua Arte de escrever em 1572.
- ↑ Á morte de D. Antonio de Noronha, morto em hum recontro com os Mouros, junto a Ceuta em 1553.
- ↑ A sepultura de D. Henrique de Menezes, septimo Governador da India, fallecido em Goa no anno de 1526.
- ↑ Este he tambem hum dos Sonetos que Bernardes publicou por seus, e que Faria achou nos M. S. que continhão obras de Camões.
- ↑ Diversos forão os cavalleiros deste apellido que servírão com distincção na India no tempo de Camões. Suppomos que o Soneto foi feito a D. Fernando de Menezes Baroche, que passou á India com seu Pae o Viso-Rei D. Affonso de Noronha, na mesma nao em que ia Camões, onde naturalmente contrahírão amizade; pois este fidalgo foi encarregado por seu pae no anno de 1554 de ir curzar com uma armada no Estreito.
- ↑ Tambem este Soneto anda nas Rimas de Bernardes.
- ↑ A D. Theodosio de Bragança.
- ↑ Tambem impresso entre os de Bernardes.
- ↑ A D. Guiomar de Blasfet, Dama da Rainha D. Catherina, tendo cahido de hum castiçal uma vela accesa que lhe queimou o rosto.
- ↑ A D. João de Castro.
- ↑ A D. Theodosio de Bragança.
- ↑ A D. Luis de Ataïde, voltando pela segunda vez a governar a India, no anno de 1577. Bernardes tambem metteu este Soneto entre os seus.
- ↑ Em um M. S. foi achado este Soneto com este titulo: De Luis de Camões a uma Dama que lhe enviou uma lagrima entre dous pratos. Thomaz d'Aquino.
- ↑ Este Soneto, diz Faria e Sousa, em um M. S. se entítula do Conde de Vimioso; e anda tambem impresso entre os de Bernardes e he o 79.
- ↑ Na morte da Infanta D. Maria filha d'ElRei D. Manuel e de sua terceira Rainha D. Leonor.
- ↑ Ao Viso-Rei D. Luis d'Ataïde.
- ↑ A João Lopes Leitão, a quem se attribue o Soneto em louvor de Camões: "Quem he este que na harpa Lusitana."
- ↑ A D. Leoniz Pereira, defendendo valerosamente a praça de Malaca de que era Capitão, contra o formidavel poder do Achem, em 1568.
- ↑ A D. Antonio de Noronha.
- ↑ A D. João de Lencastro, Duque de Aveiro, neto de D. João II.
- ↑ A D. Antonio de Noronha.
- ↑ Á morte de D. Antonio de Noronha e do Principe D. João, pae d'ElRei D. Sebastião.
- ↑ A D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, Viso-Rei da India, por occasião de haver Garcia da Orta, famoso Medico Portuguez, publicado em Goa em 1563 uma obra intitulada: Colloquio dos Simples, e cousas medicinaes da India.
.djvu.jpg)