Obras completas de Luis de Camões
Tomo II
Pag.
S O N E T O S.
Á la margen del Tajo, en claro dia
Aos homens hum só homem poz espanto
Aponta a bella Aurora, luz primeira
Ay! quien dará á mis ojos una fuente
Ayúdame, Señora, á hacer venganza
Chorai, Nymphas, os fados poderosos
Como louvarei eu, Seraphim santo
Con razon os vais, aguas, fatigando
Contente vivi ja vendo-me isento
Cuanto tiempo ha que lloro un dia triste
Deixa, Apollo, o correr tão apressado
Diana prateada esclarecida
Ditosas almas que ambas juntamente
Dizei, Senhora, da belleza idea
Doce contentamento ja passado
Dulces engaños de mis ojos tristes
Em huma lapa toda tenebrosa
Em quanto Phebo os montes accendia
En una selva al dispuntar del dia
Este amor que vos tenho limpo e puro
Eu vivia de lagrimas isento
Fiou-se o coração de muito isento
Formosos olhos, que cuidado dais
Ilustre Gracia, nombre de una moza
Ja me fundei em vãos contentamentos
Ja não sinto, Senhora, os desenganos
Las peñas retumbaban al gemído
Lembranças de meu bem, doces lembranças
Los ojos que con blando movimiento
Mi gusto y tu beldad se desposaron
Mil veces entre sueños tu figura
Na ribeira do Euphrates assentado
Nas cidades, nos bosques, nas florestas
Nem o tremendo estrepito da guerra
N'hum tão alto lugar de tanto preço
No bastaba que amor puro y ardiente
O claras aguas deste blando rio
Oh arma unicamente só triumphante
Oh cese ya, Señor, tu dura mano
Orfeo enamorado que tañia
Os vestidos Eliza revolvia
Por gloria tuve un tiempo el ser perdido
Porque a terra no ceo agasalhasse
Pues lágrimas tratais, mis ojos tristes
Quando, Senhora, quiz Amor que amasse
Quantas penas, Amor, quantos cuidados
Que estilla a árvore sacra? Hum licor santo
Que pode ja fazer minha ventura
Quem quizer ver d'amor huma excellencia
Revuelvo en la incesable fantasía
Se em mim, ó alma, vive mais lembrança
Se lagrimas choradas de verdade
Se no que tenho dito vos offendo
Senhora ja desta alma perdoae
Si el fuego que me enciende, consumido
Sustenta meu viver huma esperança
Tem feito os olhos neste apartamento
Vi queixosos de Amor mil namorados
Vós só podeis, sagrado Evangelista
E C O G L A S.
Agora, Alcido, emquanto o nosso gado
Agora ja que o Tejo nos rodeia
Ao longo do sereno
Arde por Galatea branca e loura
Cantando por hum valle docemente
De quanto alento e gôsto me causava
Despois que o leve barco ao duro remo
Encheo do mar azul a branca praia
Parece-me, pastor, se mal não vejo
Pascei, minhas ovelhas: eu em quanto
Passado ja algum tempo que os amores
C A N Ç Õ E S.
A vida ja passei assaz contente
Com fôrça desusada
Formosa e gentil Dama, quando vejo
Junto d'hum secco, duro e esteril monte
Manda-me Amor que cante o que a alma sente
Nem roxa flor d'Abril
Oh pomar venturoso
Por meio de humas serras mui fragosas
Qu'he isto? Sonho? Ou vejo a Nympha pura
Quem com solido intento
Vinde cá, meu tão certo secretario
O D E S.
Aquelle moço fero
Detem hum pouco, Musa, o largo pranto
Fogem as neves frias
Formosa fera humana
Ja a calma nos deixou
Naquelle tempo brando
Nunca manhãa suave
Póde hum desejo immenso
Se de meu pensamento
Notas
395
Tomo III
I N D E X.
REDONDILHAS &c.
Pag.
A alma que está offrecida
100
A dor que a minha alma sente
61
A morte, pois que sou vosso
113
Amor loco, amor loco
71
Amor que todos offende
57
Amores de huma casada
63
Apartárão-se os meus olhos
66
Aquella captiva
126
Catharina bem promette
99
Cinco gallinhas e meia
98
Coifa de beirame
136
Com razão queixar-me posso
103
Com vossos olhos, Gonçalves
76
Conde, cujo illustre peito
38
Corre sem vela e sem leme
33
Crescem, Camilla, os abrolhos
93
Da doença em que ora ardeis
53
D'alma e de quanto tiver
62
Dama d'estranho primor
28
De atormentado e perdido
56
De dentro tengo mi mal
70
De pequena tomei amor
65
De que me serve fugir
76
De vuestros ojos centellas
70
Deo, Senhora, por sentença
54
Deos te salve, Vasco amigo
91
Descalça vai pela neve
60
Dó la mi ventura
143
Enforquei minha esperança
63
Esconjuro-te, Domingas
80
Esperei, ja não espero
101
Este mundo es el camino
46
Falso cavalleiro ingrato
67
Ha hum bem que chega e foge
78
Irme quiero, madre
132
Justa fue mi perdicion
119
Mas porém a que cuidados
105
Menina formosa
140
Menina formosa e crua
52
Menina, não sei dizer
75
Minh'alma, lembrae-vos della
118
Não estejais aggravada
57
Não posso chegar ao cabo
89
Ojos, herido me habeis
104
Olhae que dura sentença
55
Olhos em que estão mil flores
94
Olhos, não vos mereci
78
Os bons vi sempre passar
79
Para que me dan tormento
69
Pastora da serra
145
Peço-vos que me digais
43
Pequenos contentamentos
83
Perdigão perdeo a penna
84
Perguntais-me quem me mata
80
Pois a tantas perdições
85
Pois damno me faz olhar-vos
73
Pois he mais vosso que meu
72
Porqué no miras, Giraldo
92
Puz o coração nos olhos
64
Qual terá culpa de nós
60
Quando me quer enganar
77
Que diabo ha tão damnado
87
Qué veré que me contente
122
Quem disser que a barca pende
103
Quem no mundo quizer ser
58
Quem ora soubesse
128
Quem se confia em huns olhos
94
Querendo escrever hum dia
21
Retrato, vós não sois meu
123
Saudade minha
134
Se a alma ver-se não póde
81
Se de meu mal me contento
68
Se derivais da verdade
41
Se Helena apartar
137
Se me desta terra for
83
Se me levão agoas
128
Se n'alma e no pensamento
45
Se não quereis padecer
35
Se vossa Dama vos dá
51
Sem olhos vi o mal claro
45
Sem ventura he por demais
117
Sem vós, e com meu cuidado
116
Senhora, pois me chamais
59
Senhora, pois minha vida
73
Senhora, s'eu alcançasse
40
Sois formosa e tudo tendes
95
Suspeitas, que me quereis
30
Tende-me mão nelle
141
Todo es poco lo posible
121
Trabalhos descansarião
109
Triste vida se me ordena
110
Trocae o cuidado
131
Tudo póde huma affeição
118
Tudo tendes singular
98
Vai o bem fugindo
148
Vêde bem se nos meus dias
72
Vejo-a n'alma pintada
115
Venceo-me Amor, não o nego
79
Ver e mais guardar
132
Verdes são as hortas
139
Vi chorar huns claros olhos
90
Vida da minha alma
135
Vós, Senhora, tudo tendes
68
Vós sois huma Dama
146
Vos teneis mi corazon
122
Vossa Senhoria creia
88
Vosso bem querer, Senhora
82
SEXTINAS.
A culpa de meu mal só tem meus olhos
152
Foge-me pouco a pouco a curta vida
151
Sempre me queixarei desta crueza
155
ELEGIAS.
A vida me aborrece, a morte quero
194
Ao pé d'hum'alta faia vi sentado
185
Aquella que de amor descomedido
160
Aquelle mover de olhos excellente
175
Belisa, unico bem desta alma minha
190
Entre rusticas serras e fragosas
177
Juizo extremo, horrifico e tremendo
208
O poeta Simonides fallando
164
O sulmonense Ovidio desterrado
157
Que tristes novas, ou que novo damno [30]
196
Se quando contemplamos as secretas
202
E P I S T O L A S.
Como nos vossos hombros tão constantes [31]
217
Mui alto Rei a quem os ceos em sorte [32]
223
Quem póde ser no mundo tão quieto [33]
210
Senhora se encobrir por alguma arte
225
O I T A V A S.
Cá nesta Babylonia adonde mana
232
Despois que a clara Aurora a noite escura
228
D'huma formosa virgem desposada
234
C O M E D I A S.
ElRei Seleuco
255
Os Amphitriões
301
Filodemo
385
C A R T A S.
Carta 1.ª
481
Carta 2.ª
484
Notas
503
Notas aos índices
- Notas elaboradas pelos organizadores da edição digitalizada, José Victorino Barreto Feio e José Gomes Monteiro.
- ↑ Conjectura Faria e Sousa que este Soneto fosse feito a seu avô Estacio de Faria, amigo de Camões, e como elle poeta e soldado.
- ↑ Este Soneto anda impresso nas Rimas de Diogo Bernardes, que o deu por seu.
- ↑ Em resposta ao Soneto: "Quem he este que na harpa Lusitana."
- ↑ Bernardes imprimio este Soneto como seu e é o 77 nas suas Rimas, aindaque os seus mesmos contemporaneos o julgavão de Camões, imprimindo-o na primeira ed. de suas Rimas.
- ↑ A D. Rodrigo Pinheiro, que foi Bispo do Porto, segundo conjectura Faria.
- ↑ A Manuel Barata, famoso professor de Calligraphia no seculo XVI, publicando a sua Arte de escrever em 1572.
- ↑ Á morte de D. Antonio de Noronha, morto em hum recontro com os Mouros, junto a Ceuta em 1553.
- ↑ A sepultura de D. Henrique de Menezes, septimo Governador da India, fallecido em Goa no anno de 1526.
- ↑ Este he tambem hum dos Sonetos que Bernardes publicou por seus, e que Faria achou nos M. S. que continhão obras de Camões.
- ↑ Diversos forão os cavalleiros deste apellido que servírão com distincção na India no tempo de Camões. Suppomos que o Soneto foi feito a D. Fernando de Menezes Baroche, que passou á India com seu Pae o Viso-Rei D. Affonso de Noronha, na mesma nao em que ia Camões, onde naturalmente contrahírão amizade; pois este fidalgo foi encarregado por seu pae no anno de 1554 de ir curzar com uma armada no Estreito.
- ↑ Tambem este Soneto anda nas Rimas de Bernardes.
- ↑ A D. Theodosio de Bragança.
- ↑ Tambem impresso entre os de Bernardes.
- ↑ A D. Guiomar de Blasfet, Dama da Rainha D. Catherina, tendo cahido de hum castiçal uma vela accesa que lhe queimou o rosto.
- ↑ A D. João de Castro.
- ↑ A D. Theodosio de Bragança.
- ↑ A D. Luis de Ataïde, voltando pela segunda vez a governar a India, no anno de 1577. Bernardes tambem metteu este Soneto entre os seus.
- ↑ Em um M. S. foi achado este Soneto com este titulo: De Luis de Camões a uma Dama que lhe enviou uma lagrima entre dous pratos. Thomaz d'Aquino.
- ↑ Este Soneto, diz Faria e Sousa, em um M. S. se entítula do Conde de Vimioso; e anda tambem impresso entre os de Bernardes e he o 79.
- ↑ Na morte da Infanta D. Maria filha d'ElRei D. Manuel e de sua terceira Rainha D. Leonor.
- ↑ Ao Viso-Rei D. Luis d'Ataïde.
- ↑ A João Lopes Leitão, a quem se attribue o Soneto em louvor de Camões: "Quem he este que na harpa Lusitana."
- ↑ A D. Leoniz Pereira, defendendo valerosamente a praça de Malaca de que era Capitão, contra o formidavel poder do Achem, em 1568.
- ↑ A D. Antonio de Noronha.
- ↑ A D. João de Lencastro, Duque de Aveiro, neto de D. João II.
- ↑ A D. Antonio de Noronha.
- ↑ Á morte de D. Antonio de Noronha e do Principe D. João, pae d'ElRei D. Sebastião.
- ↑ A D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, Viso-Rei da India, por occasião de haver Garcia da Orta, famoso Medico Portuguez, publicado em Goa em 1563 uma obra intitulada: Colloquio dos Simples, e cousas medicinaes da India.
- ↑ A D. Leoniz Pereira, havendo-lhe Pedro de Magalhães Gandavo dedicado o seu livro intitulado: Historia da Provincia de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. Impresso em Lisboa 1576.
- ↑ Á morte de D. Miguel de Menezes na India, filho de D. Henrique de Menezes, Governador da casa do Civil. Foi dirigida a seu irmão D. Philipe de Menezes.
- ↑ A D. Constantino de Bragança, Viso-Rei da India.
- ↑ Sobre a setta que o Papa enviou a ElRei D. Sebastião no anno de 1575.
- ↑ A D. Antonio de Noronha, sôbre o desconcêrto do mundo.