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Agora, Alcido, emquanto o nosso gado 
Agora ja que o Tejo nos rodeia 
Ao longo do sereno 
Arde por Galatea branca e loura 
As doces cantilenas que cantavão [1] 
Cantando por hum valle docemente 
De quanto alento e gôsto me causava 
Despois que o leve barco ao duro remo 
Encheo do mar azul a branca praia 
Parece-me, pastor, se mal não vejo 
Pascei, minhas ovelhas: eu em quanto 
Passado ja algum tempo que os amores 
Que grande variedade vão fazendo [2] 


C A N Ç Õ E S.


A vida ja passei assaz contente 
Com fôrça desusada 
Formosa e gentil Dama, quando vejo 
Junto d'hum secco, duro e esteril monte 
Manda-me Amor que cante o que a alma sente 
Nem roxa flor d'Abril 
Oh pomar venturoso 
Por meio de humas serras mui fragosas 
Qu'he isto? Sonho? Ou vejo a Nympha pura 
Quem com solido intento 
Vinde cá, meu tão certo secretario 
  1. A D. Antonio de Noronha.
  2. Á morte de D. Antonio de Noronha e do Principe D. João, pae d'ElRei D. Sebastião.