Função (matemática)

Uma função não injetiva e não sobrejetiva do domínio X para o contradomínio Y. A função é não injetora pois há dois elementos do domínio ligados a um mesmo elemento do contradomínio (cor vermelha). A função é não sobrejetiva pois há elementos de Y sem correspondentes em X (cores azul e lilás)

Na matemática, uma função de um conjunto X para um conjunto Y associa a cada elemento de X exatamente um elemento de Y.[1] O conjunto X é chamado de domínio da função[2] e o conjunto Y é chamado de contradomínio da função.[3]

As funções foram originalmente a idealização de como uma quantidade variável depende de outra quantidade. Por exemplo, a posição de um planeta é uma função do tempo. Historicamente, o conceito foi elaborado com o cálculo infinitesimal no final do século XVII e, até o século XIX, as funções que eram consideradas eram as diferenciáveis (ou seja, possuíam um alto grau de regularidade). O conceito de uma função foi formalizado no final do século XIX em termos da teoria dos conjuntos, o que ampliou enormemente as possíveis aplicações do conceito.

Uma função é frequentemente denotada por uma letra como f, g ou h. O valor de uma função f num elemento x de seu domínio (isto é, o elemento do contradomínio que está associado a x) é denotado por f(x); por exemplo, o valor de f em x = 4 é denotado por f(4). Comumente, uma função específica é definida por meio de uma expressão dependente de x, como neste caso, algum cálculo, chamado de avaliação da função, pode ser necessário para deduzir o valor da função num valor particular; por exemplo, se então

Dados o seu domínio e o seu contradomínio, uma função é univocamente representada pelo conjunto de todos os pares (x, f(x)), chamado de gráfico da função, um meio popular de ilustrar a função.[nota 1][4] Quando o domínio e o contradomínio são conjuntos de números reais, cada um desses pares pode ser pensado como as coordenadas cartesianas de um ponto no plano.

As funções são amplamente utilizadas na ciência, na engenharia e na maioria dos campos da matemática. Diz-se que as funções são "os objetos centrais de investigação" na maioria dos campos da matemática.[5]

O conceito de uma função evoluiu significativamente ao longo dos séculos, desde suas origens informais na matemática antiga até sua formalização no século XIX. Veja História do conceito de função para mais detalhes.

Definição

Representação esquemática de uma função descrita metaforicamente como uma "máquina" ou "caixa preta" que para cada entrada produz uma saída correspondente
A curva vermelha é o gráfico de uma função, porque qualquer linha vertical tem exatamente um ponto de cruzamento com a curva.

Uma função f de um conjunto X para um conjunto Y é uma atribuição de um elemento de Y a cada elemento de X. O conjunto X é chamado de domínio da função e o conjunto Y é chamado de contradomínio da função.

Se o elemento y em Y é atribuído a x em X pela função f, diz-se que f mapeia x em y, e isso é comumente escrito como Nesta notação, x é o argumento ou variável da função.

Um elemento específico x de X é um valor da variável, e o elemento correspondente de Y é o valor da função em x, ou a imagem de x sob a função. A imagem de uma função, às vezes chamada de sua imagem (ou conjunto imagem), é o conjunto das imagens de todos os elementos no domínio.[6][7][8][9]

Uma função f, seu domínio X e seu contradomínio Y são frequentemente especificados pela notação Pode-se escrever em vez de , onde o símbolo (lê-se 'mapeia em') é usado para especificar onde um elemento particular x no domínio é mapeado por f. Isso permite a definição de uma função sem nomeá-la. Por exemplo, a função quadrática (função quadrado) é a função

O domínio e o contradomínio nem sempre são dados explicitamente quando uma função é definida. Em particular, é comum que se possa saber apenas, sem algum cálculo (possivelmente difícil), que o domínio de uma função específica está contido num conjunto maior. Por exemplo, se é uma função real, a determinação do domínio da função requer conhecer os zeros de f. Esta é uma das razões pelas quais, na análise matemática, "uma função de X para Y" pode referir-se a uma função tendo um subconjunto próprio de X como um domínio.[note 1] Por exemplo, uma "função dos reais para os reais" pode referir-se a uma função de valores reais de uma variável real cujo domínio é um subconjunto próprio dos números reais, tipicamente um subconjunto que contém um intervalo aberto não vazio. Tal função é então chamada de função parcial.

Uma função f num conjunto S significa uma função do domínio S, sem especificar um contradomínio. No entanto, alguns autores usam isso como abreviação para dizer que a função é f : SS.

Definição formal

Diagrama de uma função
Diagrama de uma relação que não é uma função. Um motivo é que o 2 é o primeiro elemento em mais de um par ordenado. Outro motivo é que nem o 3 nem o 4 são o primeiro elemento (entrada) de nenhum par ordenado

A definição de função acima é essencialmente a dos fundadores do cálculo, Leibniz, Newton e Euler. No entanto, ela não pode ser formalizada, pois não há uma definição matemática para uma "atribuição". Foi apenas no final do século XIX que a primeira definição formal de uma função pôde ser fornecida, em termos da teoria dos conjuntos. Essa definição teórica de conjuntos é baseada no fato de que uma função estabelece uma relação entre os elementos do domínio e alguns (possivelmente todos) elementos do contradomínio. Matematicamente, uma relação binária entre dois conjuntos X e Y é um subconjunto do conjunto de todos os pares ordenados tais que e O conjunto de todos esses pares é chamado de produto cartesiano de X e Y e denotado por Assim, a definição acima pode ser formalizada da seguinte maneira.[10][11][12][13]

Uma função com domínio X e contradomínio Y é uma relação binária R entre X e Y que satisfaz as duas seguintes condições:[14]

  • Para todo em existe em tal que
  • Se e então

Essa definição pode ser reescrita de forma mais formal, sem se referir explicitamente ao conceito de uma relação, mas usando mais notações (incluindo a notação de construtor de conjuntos):

Uma função é formada por três conjuntos (muitas vezes como um trio ordenado), o domínio o contradomínio e o gráfico que satisfazem as três seguintes condições.

Uma relação que satisfaz essas condições é chamada de relação funcional.

A terminologia e notação mais usuais podem ser derivadas desta definição formal da seguinte maneira. Seja f uma função definida por uma relação funcional R. Para cada x no domínio de f, o elemento único do contradomínio que está relacionado a x é denotado por f(x). Se y é este elemento, escreve-se comumente y=f(x) em vez de ou xRy, e diz-se que "f mapeia x em y", "y é a imagem por f de x", ou "a aplicação de f em x resulta em y", etc.

Funções parciais

As funções parciais são definidas de forma semelhante às funções comuns, com a condição "total" removida. Ou seja, uma função parcial de X para Y é uma relação binária R entre X e Y tal que, para cada no máximo um y em Y tal que [15][16][17]

Usando a notação funcional, isso significa que, dado ou está em Y, ou é indefinido.

O conjunto dos elementos de X tais que é definido e pertence a Y é chamado de domínio de definição da função. Uma função parcial de X para Y é, portanto, uma função comum que tem como seu domínio um subconjunto de X chamado de domínio de definição da função. Se o domínio de definição for igual a X, costuma-se dizer que a função parcial é uma função total.

Em várias áreas da matemática, o termo "função" refere-se a funções parciais em vez de funções comuns (totais). Este é tipicamente o caso quando as funções podem ser especificadas de uma maneira que torna difícil ou até mesmo impossível determinar seu domínio.

No cálculo, uma função de valor real de uma variável real ou função real é uma função parcial do conjunto dos números reais para si mesmo. Dada uma função real , o seu inverso multiplicativo também é uma função real. A determinação do domínio de definição de um inverso multiplicativo de uma função (parcial) equivale a calcular os zeros da função, os valores onde a função é definida, mas não o seu inverso multiplicativo.

De forma semelhante, uma função de uma variável complexa é geralmente uma função parcial cujo domínio de definição é um subconjunto dos números complexos . A dificuldade de determinar o domínio de definição de uma função complexa é ilustrada pelo inverso multiplicativo da função zeta de Riemann: a determinação do domínio de definição da função é mais ou menos equivalente à prova ou refutação de um dos maiores problemas em aberto da matemática, a hipótese de Riemann.

Na teoria da computabilidade, uma função recursiva geral é uma função parcial dos inteiros para os inteiros cujos valores podem ser calculados por um algoritmo (grosso modo). O domínio de definição de tal função é o conjunto de entradas para as quais o algoritmo não roda indefinidamente. Um teorema fundamental da teoria da computabilidade é que não pode existir um algoritmo que tome uma função recursiva geral arbitrária como entrada e teste se 0 pertence ao seu domínio de definição (veja Problema da parada).

Funções multivariadas

Uma operação binária é um exemplo típico de uma função bivariada que atribui a cada par o resultado

Uma função multivariada, função multivariável, ou função de várias variáveis é uma função que depende de vários argumentos. Tais funções são comumente encontradas. Por exemplo, a posição de um carro em uma estrada é uma função do tempo de viagem e de sua velocidade média.[18][19][20][21][22]

Formalmente, uma função de n variáveis é uma função cujo domínio é um conjunto de n-tuplas.[note 2] Por exemplo, a multiplicação de inteiros é uma função de duas variáveis, ou função bivariada, cujo domínio é o conjunto de todos os pares ordenados (2-tuplas) de inteiros, e cujo contradomínio é o conjunto dos inteiros. O mesmo é válido para toda operação binária. O gráfico de uma superfície bivariada sobre um domínio real bidimensional pode ser interpretado como definindo uma superfície paramétrica, como usado em, por exemplo, interpolação bivariada.

Comumente, uma n-tupla é denotada entre parênteses, como em Ao usar a notação funcional, costuma-se omitir os parênteses em torno das tuplas, escrevendo em vez de

Dado n conjuntos o conjunto de todas as n-tuplas tais que é chamado de produto cartesiano de e denotado por

Portanto, uma função multivariada é uma função que tem um produto cartesiano ou um subconjunto próprio de um produto cartesiano como domínio.

onde o domínio U tem a forma

Se todos os são iguais ao conjunto dos números reais ou ao conjunto dos números complexos, fala-se respectivamente de uma função de várias variáveis reais ou de uma função de várias variáveis complexas.

Notação

Existem várias formas padrão para denotar funções. A notação mais comumente usada é a notação funcional, que é a primeira notação descrita abaixo.

Notação funcional

A notação funcional exige que um nome seja dado à função, o qual, no caso de uma função não especificada, é frequentemente a letra f. Em seguida, a aplicação da função a um argumento é denotada pelo seu nome seguido do seu argumento (ou, no caso de funções multivariadas, de seus argumentos) entre parênteses, como em

O argumento entre parênteses pode ser uma variável, frequentemente x, que representa um elemento arbitrário do domínio da função, um elemento específico do domínio (3 no exemplo acima), ou uma expressão que pode ser avaliada como um elemento do domínio ( no exemplo acima). O uso de uma variável não especificada entre parênteses é útil para definir uma função explicitamente, como em "seja ".

Quando o símbolo que denota a função consiste em vários caracteres e não houver ambiguidade, os parênteses da notação funcional podem ser omitidos. Por exemplo, é comum escrever sen x em vez de sen(x).

A notação funcional foi usada pela primeira vez por Leonhard Euler em 1734.[23] Algumas funções amplamente utilizadas são representadas por um símbolo que consiste em várias letras (geralmente duas ou três, na maioria das vezes uma abreviação de seu nome). Neste caso, um tipo romano (fonte não itálica) é habitualmente usado, como "sen" para a função seno, em contraste com a fonte itálica para símbolos de uma única letra.

A notação funcional é frequentemente usada coloquialmente para se referir a uma função e simultaneamente nomear o seu argumento, como em "seja uma função". Este é um abuso de notação que é útil para uma formulação mais simples.

Notação de seta

A notação de seta define a regra de uma função em linha, sem exigir que um nome seja dado à função. Ela usa o símbolo de seta ↦, lido como "mapeia em" ou "leva a". Por exemplo, é a função que toma um número real como entrada e produz como saída esse número mais 1. Novamente, um domínio e um contradomínio de estão implícitos.

O domínio e o contradomínio também podem ser declarados explicitamente, por exemplo:

Isso define uma função sqr dos inteiros para os inteiros que retorna o quadrado de sua entrada.

Como uma aplicação comum da notação de seta, suponha que seja uma função de duas variáveis, e queremos nos referir a uma função parcialmente aplicada produzida fixando o segundo argumento no valor t0 sem introduzir um novo nome de função. O mapa em questão poderia ser denotado por usando a notação de seta. A expressão (lê-se: "o mapa que leva x a f de x vírgula t zero") representa esta nova função com apenas um argumento, ao passo que a expressão f(x0, t0) refere-se ao valor da função f no ponto (x0, t0).

Notação de índice

A notação de índice pode ser usada no lugar da notação funcional. Ou seja, em vez de escrever f(x), escreve-se

Este é tipicamente o caso para funções cujo domínio é o conjunto dos números naturais. Tal função é chamada de sequência e, neste caso, o elemento é chamado de n-ésimo elemento da sequência.

A notação de índice também pode ser usada para distinguir algumas variáveis chamadas parâmetros das "variáveis verdadeiras". De fato, parâmetros são variáveis específicas que são consideradas fixas durante o estudo de um problema. Por exemplo, o mapa (veja acima) seria denotado como usando a notação de índice, se definirmos a coleção de mapas pela fórmula para todos os .

Notação de marcador de posição

Na notação o símbolo x não representa nenhum valor; é simplesmente um marcador de posição, significando que, se x for substituído por qualquer valor à esquerda da seta, ele deve ser substituído pelo mesmo valor à direita da seta. Portanto, na expressão à direita da seta, x pode ser substituído por um símbolo de marcador de posição, frequentemente um ponto mediano "⋅" ou um traço "–", e essa nova expressão contendo o símbolo de marcador de posição pode ser usada como uma abreviação para a própria função. Como no caso da notação de seta, isso é útil em casos onde a função não recebe um nome explícito como f ou sen, etc.

Por exemplo, ou podem representar a função , e ou podem representar uma função definida por uma integral com limite superior variável: .

Notações especializadas

Existem outras notações especializadas para funções em subdisciplinas da matemática. Por exemplo, na álgebra linear e na análise funcional, as formas lineares e os vetores sobre os quais elas atuam são denotados usando um par dual para mostrar a dualidade subjacente. Isso é semelhante ao uso da notação bra-ket na mecânica quântica. Na lógica e na teoria da computação, a notação de função do cálculo lambda é usada para expressar explicitamente as noções básicas de abstração e aplicação de função. Na teoria das categorias e na álgebra homológica, redes de funções são descritas em termos de como elas e suas composições comutam entre si usando diagramas comutativos que estendem e generalizam a notação de seta para funções descrita acima.

Funções de mais de uma variável

Em alguns casos, o argumento de uma função pode ser um par ordenado de elementos retirados de algum conjunto ou conjuntos. Por exemplo, uma função f pode ser definida como o mapeamento de qualquer par de números reais para a soma de seus quadrados, . Tal função é comumente escrita como e referida como "uma função de duas variáveis". Da mesma forma, pode-se ter uma função de três ou mais variáveis, com notações como , .[24][25][26]

Outros termos

Termo Distinção de "função"
Aplicação / Mapeamento / Mapa Nenhuma; os termos são sinônimos.[27]
Uma aplicação pode ter qualquer conjunto como seu contradomínio, enquanto, em alguns contextos, tipicamente em livros mais antigos, o contradomínio de uma função é especificamente o conjunto dos números reais ou complexos.[28]
Alternativamente, uma aplicação está associada a uma estrutura especial (por exemplo, especificando explicitamente um contradomínio estruturado em sua definição). Por exemplo, uma transformação linear (ou aplicação linear).[29]
Homomorfismo Uma função entre duas estruturas do mesmo tipo que preserva as operações da estrutura (por exemplo, um homomorfismo de grupos).[30]
Morfismo Uma generalização de homomorfismos para qualquer categoria, mesmo quando os objetos da categoria não são conjuntos (por exemplo, um grupo define uma categoria com apenas um objeto, que possui os elementos do grupo como morfismos; veja Categoria (matemática) § Exemplos para este exemplo e outros semelhantes).[31]

Uma função também pode ser chamada de aplicação, mapa ou mapeamento, mas alguns autores fazem uma distinção entre os termos "aplicação" e "função". Por exemplo, o termo "aplicação" (ou mapa) é frequentemente reservado para uma "função" com algum tipo de estrutura especial (por exemplo, aplicações de variedades). Em particular, aplicação pode ser usada no lugar de homomorfismo por uma questão de concisão (por exemplo, aplicação linear ou aplicação de em em vez de homomorfismo de grupos de em ). Alguns autores[29] reservam a palavra mapeamento para o caso onde a estrutura do contradomínio pertence explicitamente à definição da função.

Alguns autores, como Serge Lang,[28] usam "função" apenas para se referir a aplicações cujo contradomínio é um subconjunto dos números reais ou complexos, e usam o termo mapeamento ou aplicação para funções mais gerais.

Na teoria dos sistemas dinâmicos, um mapa denota uma função de evolução usada para criar sistemas dinâmicos discretos. Veja também Mapa de Poincaré.

Qualquer que seja a definição de aplicação ou mapa utilizada, termos relacionados como domínio, contradomínio, injetiva e contínua têm o mesmo significado que para uma função.

Especificando uma função

Dada uma função f, por definição, a cada elemento x do domínio da função f, há um único elemento associado a ele, o valor de f em x. Existem várias maneiras de especificar ou descrever como x está relacionado a , tanto explícita quanto implicitamente. Às vezes, um teorema ou um axioma afirma a existência de uma função com certas propriedades, sem descrevê-la com maior precisão. Muitas vezes, a especificação ou descrição é referida como a definição da função f.

Listando os valores da função

Em um conjunto finito, uma função pode ser definida listando os elementos do contradomínio que estão associados aos elementos do domínio. Por exemplo, se , então pode-se definir uma função por

Por uma fórmula

As funções são frequentemente definidas por uma expressão que descreve uma combinação de operações aritméticas e funções previamente definidas; tal fórmula permite calcular o valor da função a partir do valor de qualquer elemento do domínio. Por exemplo, no caso acima, f pode ser definida pela fórmula , para .

Quando uma função é definida desta forma, a determinação do seu domínio às vezes é difícil. Se a fórmula que define a função contiver divisões, os valores da variável para os quais um denominador é zero devem ser excluídos do domínio; assim, para uma função complicada, a determinação do domínio passa pelo cálculo dos zeros de funções auxiliares. Da mesma forma, se raízes quadradas ocorrerem na definição de uma função de para o domínio está contido no conjunto dos valores da variável para os quais os argumentos das raízes quadradas são não negativos.

Por exemplo, define uma função cujo domínio é porque é sempre positivo se x for um número real. Por outro lado, define uma função dos reais para os reais cujo domínio é reduzido ao intervalo [−1, 1]. (Em textos antigos, tal domínio era chamado de domínio de definição da função.)

As funções podem ser classificadas pela natureza das fórmulas que as definem:

  • Uma função quadrática é uma função que pode ser escrita como onde a, b, c são constantes.
  • Mais genericamente, uma função polinomial é uma função que pode ser definida por uma fórmula envolvendo apenas adições, subtrações, multiplicações e exponenciações a potências inteiras não negativas. Por exemplo, e são funções polinomiais de x.
  • Uma função racional é o mesmo, com divisões também permitidas, como e
  • Uma função algébrica é o mesmo, com raízes enésimas e raízes de polinômios também permitidas.
  • Uma função elementar[nota 2] é o mesmo, com logaritmos e funções exponenciais permitidos.

Funções inversas e implícitas

Uma função com domínio X e contradomínio Y, é bijetiva se, para cada y em Y, houver um e apenas um elemento x em X tal que y = f(x). Neste caso, a função inversa de f é a função que mapeia para o elemento tal que y = f(x). Por exemplo, o logaritmo natural é uma função bijetiva dos números reais positivos para os números reais. Portanto, ele tem uma inversa, chamada de função exponencial, que mapeia os números reais para os números positivos.

Se uma função não é bijetiva, pode ocorrer que se possa selecionar subconjuntos e de tal forma que a restrição de f a E seja uma bijeção de E para F, e assim tenha uma inversa. As funções trigonométricas inversas são definidas desta forma. Por exemplo, a função cosseno induz, por restrição, uma bijeção do intervalo [0, π] para o intervalo [−1, 1], e sua função inversa, chamada arco-cosseno, mapeia [−1, 1] para [0, π]. As outras funções trigonométricas inversas são definidas de forma semelhante.

Mais genericamente, dada uma relação binária R entre dois conjuntos X e Y, seja E um subconjunto de X tal que, para todo exista algum tal que x R y. Se houver um critério que permita selecionar tal y para cada isso define uma função chamada de função implícita, porque ela é implicitamente definida pela relação R.

Por exemplo, a equação do círculo unitário define uma relação nos números reais. Se −1 < x < 1, existem dois valores possíveis de y, um positivo e um negativo. Para x = ± 1, esses dois valores tornam-se ambos iguais a 0. Caso contrário, não há valor possível para y. Isso significa que a equação define duas funções implícitas com domínio [−1, 1] e contradomínios respectivos [0, +∞) e (−∞, 0].

Neste exemplo, a equação pode ser resolvida em y, dando mas, em exemplos mais complicados, isso é impossível. Por exemplo, a relação define y como uma função implícita de x, chamada de radical de Bring, que tem como domínio e imagem. O radical de Bring não pode ser expresso em termos das quatro operações aritméticas e raízes enésimas.

O teorema da função implícita fornece condições brandas de diferenciabilidade para a existência e unicidade de uma função implícita na vizinhança de um ponto.

Usando cálculo diferencial

Muitas funções podem ser definidas como a antiderivada (ou primitiva) de outra função. Este é o caso do logaritmo natural, que é a antiderivada de 1/x que é 0 para x = 1. Outro exemplo comum é a função erro.

Mais genericamente, muitas funções, incluindo a maioria das funções especiais, podem ser definidas como soluções de equações diferenciais. O exemplo mais simples é provavelmente a função exponencial, que pode ser definida como a única função que é igual à sua derivada e assume o valor 1 para x = 0.

Séries de potências podem ser usadas para definir funções no domínio em que convergem. Por exemplo, a função exponencial é dada por . No entanto, como os coeficientes de uma série são bastante arbitrários, uma função que é a soma de uma série convergente geralmente é definida de outra forma, e a sequência dos coeficientes é o resultado de algum cálculo baseado em outra definição. Então, a série de potências pode ser usada para ampliar o domínio da função. Tipicamente, se uma função de uma variável real é a soma de sua série de Taylor em algum intervalo, esta série de potências permite ampliar imediatamente o domínio para um subconjunto dos números complexos, o disco de convergência da série. Em seguida, o prolongamento analítico permite ampliar ainda mais o domínio para incluir quase todo o plano complexo. Este processo é o método geralmente usado para definir o logaritmo, a exponencial e as funções trigonométricas de um número complexo.

Por recorrência

Funções cujo domínio são os números inteiros não negativos, conhecidas como sequências, às vezes são definidas por relações de recorrência.

A função fatorial nos inteiros não negativos () é um exemplo básico, pois pode ser definida pela relação de recorrência

e pela condição inicial

Representação de uma função

Um gráfico é comumente usado para dar uma imagem intuitiva de uma função. Como exemplo de como um gráfico ajuda a entender uma função, é fácil ver a partir de seu gráfico se uma função é crescente ou decrescente. Algumas funções também podem ser representadas por gráficos de barras.

Gráficos e plotagens

A função que mapeia cada ano para a sua contagem de mortes por veículos automotores nos EUA, mostrada como um gráfico de linhas
A mesma função, mostrada como um gráfico de barras

Dada uma função seu gráfico é, formalmente, o conjunto

No caso frequente em que X e Y são subconjuntos dos números reais (ou podem ser identificados com tais subconjuntos, por exemplo, intervalos), um elemento pode ser identificado com um ponto de coordenadas (x, y) num sistema de coordenadas bidimensional, como o plano cartesiano. Partes disso podem criar uma plotagem (ou gráfico) que representa (partes da) função. O uso de plotagens é tão onipresente que elas também são chamadas de gráfico da função. Representações gráficas de funções também são possíveis em outros sistemas de coordenadas. Por exemplo, o gráfico da função quadrática (função quadrado)

consistindo de todos os pontos com coordenadas para produz, quando retratado em coordenadas cartesianas, a conhecida parábola. Se a mesma função quadrática com o mesmo gráfico formal, consistindo de pares de números, for plotada em coordenadas polares a curva obtida é a espiral de Fermat.

Tabelas

Uma função pode ser representada como uma tabela de valores. Se o domínio de uma função for finito, então a função pode ser completamente especificada desta forma. Por exemplo, a função de multiplicação definida como pode ser representada pela familiar tabuada de multiplicação:

y
x
12345
1 12345
2 246810
3 3691215
4 48121620
5 510152025

Por outro lado, se o domínio de uma função for contínuo, uma tabela pode fornecer os valores da função em valores específicos do domínio. Se um valor intermediário for necessário, a interpolação pode ser usada para estimar o valor da função.[nota 3] Por exemplo, uma parte de uma tabela para a função seno pode ser dada da seguinte forma, com valores arredondados para 6 casas decimais:

xsen x
1,2890,960557
1,2900,960835
1,2910,961112
1,2920,961387
1,2930,961662

Antes do advento das calculadoras de bolso e dos computadores pessoais, tais tabelas eram frequentemente compiladas e publicadas para funções como logaritmos e funções trigonométricas.[nota 4]

Gráfico de barras

Um gráfico de barras pode representar uma função cujo domínio é um conjunto finito, os números naturais ou os inteiros. Neste caso, um elemento x do domínio é representado por um intervalo do eixo x, e o valor correspondente da função, f(x), é representado por um retângulo cuja base é o intervalo correspondente a x e cuja altura é f(x) (possivelmente negativa, caso em que a barra se estende abaixo do eixo x).

Propriedades gerais

Esta seção descreve propriedades gerais de funções, que são independentes de propriedades específicas do domínio e do contradomínio.

Funções padrão

Existem várias funções padrão que ocorrem com frequência:

  • Para todo conjunto X, existe uma função única, chamada de função vazia, ou aplicação vazia, do conjunto vazio para X. O gráfico de uma função vazia é o conjunto vazio.[nota 5] A existência de funções vazias é necessária tanto para a coerência da teoria quanto para evitar exceções relativas ao conjunto vazio em muitas proposições. Sob a definição usual da teoria dos conjuntos de uma função como um trio ordenado (ou equivalentes), há exatamente uma função vazia para cada conjunto, portanto, a função vazia não é igual a se e somente se , embora seus gráficos sejam ambos o conjunto vazio.
  • Para todo conjunto X e todo conjunto unitário {s}, existe uma função única de X para {s}, que mapeia todo elemento de X em s. Esta é uma sobrejeção (veja abaixo) a menos que X seja o conjunto vazio.
  • Dada uma função a sobrejeção canônica de f sobre sua imagem é a função de X para f(X) que mapeia x em f(x).
  • Para todo subconjunto A de um conjunto X, a aplicação de inclusão de A em X é a função injetiva (veja abaixo) que mapeia todo elemento de A em si mesmo.
  • A função identidade em um conjunto X, frequentemente denotada por idX, é a inclusão de X em si mesmo.

Composição de funções

Dadas duas funções e tais que o domínio de g é o contradomínio de f, a sua composição é a função definida por

Ou seja, o valor de é obtido aplicando primeiro f a x para obter y = f(x) e, em seguida, aplicando g ao resultado y para obter g(y) = g(f(x)). Nesta notação, a função que é aplicada primeiro é sempre escrita à direita.

A composição é uma operação sobre funções que é definida apenas se o contradomínio da primeira função for o domínio da segunda. Mesmo quando tanto quanto satisfazem essas condições, a composição não é necessariamente comutativa, ou seja, as funções e não precisam ser iguais e podem fornecer valores diferentes para o mesmo argumento. Por exemplo, seja f(x) = x2 e g(x) = x + 1; então e concordam apenas para

A composição de funções é associativa no sentido de que, se uma das expressões ou estiver definida, então a outra também estará, e elas serão iguais, isto é, Portanto, é comum escrever apenas

As funções identidade e são, respectivamente, um elemento neutro à direita e um elemento neutro à esquerda para funções de X para Y. Ou seja, se f é uma função com domínio X e contradomínio Y, tem-se

Imagem e pré-imagem


Seja A imagem sob f de um elemento x do domínio X é f(x). Se A for qualquer subconjunto de X, então a imagem de A sob f, denotada por f(A), é o subconjunto do contradomínio Y que consiste em todas as imagens dos elementos de A, isto é,

A imagem de f é a imagem de todo o domínio, isto é, f(X).[32] Ela também é chamada de conjunto imagem de f,[7][8][9] embora o termo (do inglês range) às vezes também possa referir-se ao contradomínio.[9][32][33]

Por outro lado, a imagem inversa ou pré-imagem sob f de um elemento y do contradomínio Y é o conjunto de todos os elementos do domínio X cujas imagens sob f são iguais a y. Em símbolos, a pré-imagem de y é denotada por e é dada pela equação

Da mesma forma, a pré-imagem de um subconjunto B do contradomínio Y é o conjunto das pré-imagens dos elementos de B, isto é, é o subconjunto do domínio X consistindo em todos os elementos de X cujas imagens pertencem a B. Ela é denotada por e é dada pela equação

Por exemplo, a pré-imagem de sob a função quadrática é o conjunto .

Por definição de uma função, a imagem de um elemento x do domínio é sempre um único elemento do contradomínio. No entanto, a pré-imagem de um elemento y do contradomínio pode ser vazia ou conter qualquer número de elementos. Por exemplo, se f for a função dos inteiros para si mesmos que mapeia todo inteiro em 0, então .

Se é uma função, A e B são subconjuntos de X, e C e D são subconjuntos de Y, então tem-se as seguintes propriedades:

A pré-imagem por f de um elemento y do contradomínio às vezes é chamada, em alguns contextos, de fibra de y sob f.

Se uma função f tiver uma inversa (veja abaixo), esta inversa é denotada por Neste caso, pode denotar tanto a imagem por quanto a pré-imagem por f de C. Isso não é um problema, pois esses conjuntos são iguais. A notação e pode ser ambígua no caso de conjuntos que contêm alguns subconjuntos como elementos, tal como Nesse caso, pode ser necessário algum cuidado, por exemplo, usando colchetes para imagens e pré-imagens de subconjuntos e parênteses comuns para imagens e pré-imagens de elementos.

Funções injetivas, sobrejetivas e bijetivas


Seja uma função.

A função f é injetiva (ou injetora, ou um-para-um) se f(a) ≠ f(b) para cada par de elementos diferentes a e b de X.[32][34] De forma equivalente, f é injetiva se e somente se, para todo a pré-imagem contiver no máximo um elemento. Uma função vazia é sempre injetiva. Se X não for o conjunto vazio, então f é injetiva se e somente se existir uma função tal que ou seja, se f tiver uma inversa à esquerda.[34] Prova: Se f é injetiva, para definir g, escolhe-se um elemento em X (que existe pois supõe-se que X seja não vazio),[nota 6] e define-se g por se e se Reciprocamente, se e então e portanto

A função f é sobrejetiva (ou sobrejetora) se a sua imagem for igual ao seu contradomínio , ou seja, se, para cada elemento do contradomínio, existir algum elemento do domínio tal que (em outras palavras, a pré-imagem de cada é não vazia).[32][35] Se, como é usual na matemática moderna, o axioma da escolha for assumido, então f é sobrejetiva se e somente se existir uma função tal que ou seja, se f tiver uma inversa à direita.[35] O axioma da escolha é necessário porque, se f for sobrejetiva, define-se g por onde é um elemento escolhido arbitrariamente de

A função f é bijetiva (ou uma bijeção ou uma correspondência biunívoca) se for simultaneamente injetiva e sobrejetiva.[32][36] Ou seja, f é bijetiva se, para todo a pré-imagem contiver exatamente um elemento. A função f é bijetiva se e somente se admitir uma função inversa, isto é, uma função tal que e [36] (Ao contrário do caso das sobrejeções, isso não requer o axioma da escolha; a prova é direta).

Toda função pode ser fatorada como a composição de uma sobrejeção seguida por uma injeção, onde s é a sobrejeção canônica de X sobre f(X) e i é a injeção canônica de f(X) em Y. Esta é a fatoração canônica de f.

Termos como "um-para-um" e "sobre" eram mais comuns na literatura mais antiga da língua inglesa; "injetiva", "sobrejetiva" e "bijetiva" foram originalmente cunhados como palavras francesas no segundo quarto do século XX pelo grupo Bourbaki e importados para o inglês e outras línguas.[37] Como uma palavra de cautela, "uma função um-para-um" é aquela que é injetiva, enquanto uma "correspondência biunívoca" (correspondência um-para-um) refere-se a uma função bijetiva. Devido à natureza confusa desta terminologia mais antiga, esses termos declinaram em popularidade em relação aos termos bourbakianos, que também têm a vantagem de serem mais simétricos.

Restrição e extensão

Se é uma função e S é um subconjunto de X, então a restrição de a S, denotada por , é a função de S para Y definida por

para todo x em S. As restrições podem ser usadas para definir funções inversas parciaais: se houver um subconjunto S do domínio de uma função tal que seja injetiva, então a sobrejeção canônica de sobre sua imagem é uma bijeção, e portanto tem uma função inversa de para S. Uma aplicação é a definição de funções trigonométricas inversas. Por exemplo, a função cosseno é injetiva quando restrita ao intervalo [0, π]. A imagem desta restrição é o intervalo [−1, 1], e portanto a restrição tem uma função inversa de [−1, 1] para [0, π], que é chamada de arco-cosseno e é denotada por arccos.

A restrição de função também pode ser usada para "colar" funções juntas. Seja a decomposição de X como uma união de subconjuntos, e suponha que uma função seja definida em cada de tal forma que, para cada par de índices i, j, as restrições de e a sejam iguais. Então isso define uma função única tal que para todo i. Esta é a forma como as funções em variedades são definidas.

Uma extensão de uma função f é uma função g tal que f é uma restrição de g. Um uso típico deste conceito é o processo de prolongamento analítico, que permite estender funções cujo domínio é uma pequena parte do plano complexo para funções cujo domínio é quase todo o plano complexo.

Aqui está outro exemplo clássico de uma extensão de função que é encontrada ao estudar homografias da reta real. Uma homografia é uma função tal que adbc ≠ 0. O seu domínio é o conjunto de todos os números reais diferentes de e a sua imagem é o conjunto de todos os números reais diferentes de Se estendermos a reta real para a reta real projetivamente estendida incluindo o ∞, podemos estender h a uma bijeção da reta real estendida sobre si mesma, definindo e .

No cálculo

A ideia de função, a partir do século XVII, foi fundamental para o novo cálculo infinitesimal. Naquela época, apenas funções de valores reais de uma variável real eram consideradas, e presumia-se que todas as funções fossem suaves. Mas a definição logo foi estendida para funções de várias variáveis e para funções de uma variável complexa. Na segunda metade do século XIX, a definição matematicamente rigorosa de uma função foi introduzida, e funções com domínios e contradomínios arbitrários foram definidas.

Atualmente, as funções são usadas em todas as áreas da matemática. No cálculo introdutório, quando a palavra função é usada sem qualificação, ela significa uma função de valores reais de uma única variável real. A definição mais geral de uma função é geralmente introduzida para estudantes universitários do segundo ou terceiro ano em cursos de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e, no último ano, eles são introduzidos ao cálculo em um cenário mais amplo e rigoroso em disciplinas como análise real e análise complexa.

Função real

Gráfico de uma função linear
Gráfico de uma função polinomial, aqui uma função quadrática
Gráfico de duas funções trigonométricas: seno e cosseno.

Uma função real é uma função de uma variável real com valores reais, ou seja, uma função cujo contradomínio é o corpo dos números reais e cujo domínio é um conjunto de números reais que contém um intervalo. Nesta seção, essas funções são chamadas simplesmente de funções.

As funções que são mais comumente consideradas na matemática e em suas aplicações têm alguma regularidade, ou seja, são contínuas, diferenciáveis e até mesmo analíticas. Esta regularidade garante que essas funções possam ser visualizadas pelos seus gráficos. Nesta seção, todas as funções são diferenciáveis em algum intervalo.

Funções desfrutam de operações pontuais, ou seja, se f e g são funções, sua soma, diferença e produto são funções definidas por

Os domínios das funções resultantes são a interseção dos domínios de f e g. O quociente de duas funções é definido de forma semelhante por

mas o domínio da função resultante é obtido removendo os zeros de g da interseção dos domínios de f e g.

As funções polinomiais são definidas por polinômios, e seu domínio é todo o conjunto dos números reais. Elas incluem funções constantes, funções lineares e funções quadráticas. As funções racionais são quocientes de duas funções polinomiais, e seu domínio são os números reais com um número finito deles removidos para evitar a divisão por zero. A função racional mais simples é a função cujo gráfico é uma hipérbole, e cujo domínio é toda a reta real exceto o 0.

A derivada de uma função real diferenciável é uma função real. Uma antiderivada (ou primitiva) de uma função real contínua é uma função real que tem a função original como derivada. Por exemplo, a função é contínua, e até mesmo diferenciável, nos números reais positivos. Assim, uma antiderivada, que assume o valor zero para x = 1, é uma função diferenciável chamada de logaritmo natural.

Uma função real f é monotônica em um intervalo se o sinal de não depender da escolha de x e y no intervalo. Se a função for diferenciável no intervalo, ela é monotônica se o sinal da derivada for constante no intervalo. Se uma função real f é monotônica em um intervalo I, ela possui uma função inversa, que é uma função real com domínio f(I) e imagem I. É assim que as funções trigonométricas inversas são definidas em termos das funções trigonométricas, onde as funções trigonométricas são monotônicas. Outro exemplo: o logaritmo natural é monotônico nos números reais positivos, e sua imagem é toda a reta real; portanto, ele possui uma função inversa que é uma bijeção entre os números reais e os números reais positivos. Esta inversa é a função exponencial.

Muitas outras funções reais são definidas pelo teorema da função implícita (a função inversa é um caso particular) ou como soluções de equações diferenciais. Por exemplo, as funções seno e cosseno são as soluções da equação diferencial linear

tais que

Função de valor vetorial

Quando os elementos do contradomínio de uma função são vetores, diz-se que a função é uma função de valor vetorial. Essas funções são particularmente úteis em aplicações, por exemplo, na modelagem de propriedades físicas. Por exemplo, a função que associa a cada ponto de um fluido o seu vetor velocidade é uma função de valor vetorial.

Algumas funções de valor vetorial são definidas em um subconjunto de ou em outros espaços que compartilham propriedades geométricas ou topológicas do , como as variedades. A essas funções de valor vetorial dá-se o nome de campos vetoriais.

Espaço de funções

Em análise matemática, e mais especificamente em análise funcional, um espaço de funções é um conjunto de funções com valores escalares ou funções com valores vetoriais que compartilham uma propriedade específica e formam um espaço vetorial topológico. Por exemplo, as funções suaves reais com suporte compacto (isto é, são zero fora de algum conjunto compacto) formam um espaço de funções que está na base da teoria das distribuições.

Os espaços de funções desempenham um papel fundamental na análise matemática avançada, permitindo o uso de suas propriedades algébricas e topológicas para o estudo das propriedades das funções. Por exemplo, todos os teoremas de existência e unicidade de soluções de equações diferenciais ordinárias ou parciais resultam do estudo de espaços de funções.

Funções multivaloradas

Juntas, as duas raízes quadradas de todos os números reais não negativos formam uma única curva suave

Vários métodos para especificar funções de variáveis reais ou complexas partem de uma definição local da função em um ponto ou em uma vizinhança de um ponto, e então estendem a função por continuidade para um domínio muito maior. Frequentemente, para um ponto inicial existem vários valores iniciais possíveis para a função.

Por exemplo, ao definir a raiz quadrada como a função inversa da função quadrática, para qualquer número real positivo há duas escolhas para o valor da raiz quadrada, uma das quais é positiva e denotada por e outra que é negativa e denotada por Essas escolhas definem duas funções contínuas, ambas tendo os números reais não negativos como domínio, e tendo os números reais não negativos ou não positivos como imagens. Ao olhar para os gráficos dessas funções, pode-se ver que, juntas, elas formam uma única curva suave. Portanto, é frequentemente útil considerar essas duas funções de raiz quadrada como uma única função que tem dois valores para x positivo, um valor para 0 e nenhum valor para x negativo.

No exemplo anterior, uma escolha, a raiz quadrada positiva, é mais natural do que a outra. Este não é o caso em geral. Por exemplo, considere a função implícita que mapeia y em uma raiz x de (veja a figura à direita). Para y = 0 pode-se escolher para x. Pelo teorema da função implícita, cada escolha define uma função; para a primeira, o domínio (máximo) é o intervalo [−2, 2] e a imagem é [−1, 1]; para a segunda, o domínio é [−2, ∞) e a imagem é [1, ∞); para a última, o domínio é (−∞, 2] e a imagem é (−∞, −1]. Como os três gráficos juntos formam uma curva suave, e não há razão para preferir uma escolha, essas três funções são frequentemente consideradas como uma única função multivalorada de y que tem três valores para −2 < y < 2, e apenas um valor para y ≤ −2 e y ≥ −2.

A utilidade do conceito de funções multivaloradas é mais clara ao se considerar funções complexas, tipicamente funções analíticas. O domínio para o qual uma função complexa pode ser estendida por prolongamento analítico geralmente consiste em quase todo o plano complexo. No entanto, ao estender o domínio através de dois caminhos diferentes, muitas vezes obtêm-se valores diferentes. Por exemplo, ao estender o domínio da função raiz quadrada ao longo de um caminho de números complexos com partes imaginárias positivas, obtém-se i para a raiz quadrada de −1; enquanto, ao estender através de números complexos com partes imaginárias negativas, obtém-se −i. Geralmente existem duas maneiras de resolver o problema. Pode-se definir uma função que não é contínua ao longo de alguma curva, chamada de corte de ramo (ou corte de ramificação). Tal função é chamada de valor principal da função. A outra maneira é considerar que se tem uma função multivalorada, que é analítica em toda parte, exceto por singularidades isoladas, mas cujo valor pode "saltar" se seguirmos um laço fechado em torno de uma singularidade. Este salto é chamado de monodromia.

Nos fundamentos da matemática

A definição de uma função que é dada neste artigo requer o conceito de conjunto, uma vez que o domínio e o contradomínio de uma função devem ser um conjunto. Isso não é um problema na matemática usual, pois geralmente não é difícil considerar apenas funções cujos domínio e contradomínio são conjuntos, os quais são bem definidos, mesmo que o domínio não seja definido explicitamente. No entanto, às vezes é útil considerar funções mais gerais.

Por exemplo, o conjunto unitário pode ser considerado como uma função O seu domínio incluiria todos os conjuntos e, portanto, não seria um conjunto. Na matemática usual, evita-se esse tipo de problema especificando-se um domínio, o que significa que se tem muitas funções unitárias. No entanto, ao estabelecer os fundamentos da matemática, pode ser necessário usar funções cujo domínio, contradomínio ou ambos não sejam especificados, e alguns autores, frequentemente lógicos, fornecem definições precisas para essas funções fracamente especificadas.[38]

Essas funções generalizadas podem ser críticas no desenvolvimento de uma formalização dos fundamentos da matemática. Por exemplo, a teoria dos conjuntos de Von Neumann–Bernays–Gödel é uma extensão da teoria dos conjuntos na qual a coleção de todos os conjuntos é uma classe. Esta teoria inclui o axioma da substituição, que pode ser enunciado como: Se é um conjunto e é uma função, então é um conjunto.

Em formulações alternativas dos fundamentos da matemática que usam a teoria dos tipos em vez da teoria dos conjuntos, as funções são tomadas como noções primitivas em vez de serem definidas a partir de outros tipos de objetos. Elas são as habitantes dos tipos de função e podem ser construídas usando expressões no cálculo lambda.[39]

Na ciência da computação

Na programação de computadores, uma função é, em geral, uma sub-rotina que implementa o conceito abstrato de função. Ou seja, é uma unidade de programa que produz uma saída para cada entrada. A programação funcional é o paradigma de programação que consiste em construir programas usando apenas sub-rotinas que se comportam como funções matemáticas, o que significa que elas não têm efeitos colaterais e dependem apenas de seus argumentos: elas são referencialmente transparentes. Por exemplo, if_then_else é uma função que toma três funções (nulárias) como argumentos e, dependendo do valor do primeiro argumento (verdadeiro ou falso), retorna o valor do segundo ou do terceiro argumento. Uma vantagem importante da programação funcional é que ela facilita as provas de programas, pois baseia-se numa teoria bem fundamentada, o cálculo lambda (veja abaixo). No entanto, os efeitos colaterais são geralmente necessários para programas práticos, aqueles que realizam entrada/saída (I/O). Existe uma classe de linguagens puramente funcionais, como Haskell, que encapsulam a possibilidade de efeitos colaterais no tipo de uma função. Outras, como a família ML, simplesmente permitem efeitos colaterais.

Em muitas linguagens de programação, toda sub-rotina é chamada de função, mesmo quando não há saída, mas apenas efeitos colaterais, e quando a funcionalidade consiste simplesmente em modificar alguns dados na memória do computador.

Fora do contexto das linguagens de programação, "função" tem o significado matemático usual na ciência da computação. Nesta área, uma propriedade de grande interesse é a computabilidade de uma função. Para dar um significado preciso a este conceito, e ao conceito relacionado de algoritmo, vários modelos de computação foram introduzidos, sendo os mais antigos as funções recursivas gerais, o cálculo lambda e a máquina de Turing. O teorema fundamental da teoria da computabilidade é que esses três modelos de computação definem o mesmo conjunto de funções computáveis. A Tese de Church-Turing é a afirmação de que toda definição filosoficamente aceitável de uma função computável define também as mesmas funções. Todos os outros modelos de funções praticamente computáveis que já foram propostos definem o mesmo conjunto de funções computáveis ou um conjunto menor.

Funções recursivas gerais são funções parciais de inteiros para inteiros que podem ser definidas a partir de

através dos operadores de

  • composição,
  • recursão primitiva, e
  • minimização (operador μ).

Embora definidas apenas para funções de inteiros para inteiros, elas podem modelar qualquer função computável como consequência das seguintes propriedades:

  • uma computação é a manipulação de sequências finitas de símbolos (dígitos de números, fórmulas, etc.),
  • toda sequência de símbolos pode ser codificada como uma sequência de bits,
  • uma sequência de bits pode ser interpretada como a representação binária de um inteiro.

O cálculo lambda é uma teoria que define funções computáveis sem usar a teoria dos conjuntos, e é o referencial teórico da programação funcional. Ele consiste em termos que são variáveis, definições de funções (termos-λ) ou aplicações de funções a termos. Os termos são manipulados interpretando seus axiomas (a equivalência-α, a redução-β e a conversão-η) como regras de reescrita, que podem ser usadas para computação.

Em sua forma original, o cálculo lambda não inclui os conceitos de domínio e contradomínio de uma função. Grosso modo, eles foram introduzidos na teoria sob o nome de tipo no cálculo lambda tipado. A maioria dos tipos de cálculos lambda tipados pode definir menos funções do que o cálculo lambda não tipado.

Outras classificações

Funções são classificadas quanto a uma séries de propriedades (características) além das já mencionadas. Alguns desses tipos de funções são listados a seguir.

Ver também

Notas

  1. O verdadeiro domínio de tal função é frequentemente chamado de domínio de definição da função.
  2. n também pode ser 1, englobando assim as funções conforme definidas acima. Para n = 0, cada constante é um caso especial de uma função multivariada, também.
  1. Esta definição de "gráfico" refere-se a um conjunto de pares de objetos. Gráficos, no sentido de diagramas, são mais aplicáveis a funções dos números reais para si mesmos. Todas as funções podem ser descritas por conjuntos de pares, mas pode não ser prático construir um diagrama para funções entre outros conjuntos (como conjuntos de matrizes).
  2. Aqui "elementar" não tem exatamente o seu sentido comum: embora a maioria das funções encontradas em cursos elementares de matemática seja elementar neste sentido, algumas funções elementares não são elementares no sentido comum, por exemplo, aquelas que envolvem raízes de polinômios de grau elevado.
  3. desde que a função seja contínua, veja abaixo.
  4. Veja, por exemplo, a categoria no Commons sobre tabelas de logaritmos para uma coleção de tabelas históricas.
  5. Por definição, o gráfico da função vazia para X é um subconjunto do produto cartesiano ∅ × X, e este produto é vazio.
  6. O axioma da escolha não é necessário aqui, pois a escolha é feita em um único conjunto.

Referências

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Ligações externas