Equações diferenciais lineares são equações diferenciais da seguinte forma :
 |
(0.1) |
As soluções de uma equação diferencial linear podem ser somadas a fim de produzir uma nova solução. Diz-se que uma equação diferencial é linear quando satisfaz duas características:
- Cada coeficiente
e o termo de não-homogeneidade só dependem da variável independente, no caso x;
- A variável dependente, no caso y, e suas derivadas são de primeiro grau.
Um exemplo de equação diferencial não linear :

Introdução
Uma equação diferencial linear também pode ser escrita de forma condensada:
![{\displaystyle L_{n}[D]y(x)=g(x)}](./_assets_/eb734a37dd21ce173a46342d1cc64c92/d63d8c16a93bf2774f8f962f146a77b26860bd3d.svg)
Onde
é dito um operador linear diferencial, atuando sobre y(x) e tendo a forma de:
![{\displaystyle L_{n}[D]=a_{n}(x)D^{n}+a_{n-1}(x)D^{n-1}+\cdot \cdot \cdot +a_{1}(x)D^{1}+a_{0}(x),\ sendo\ D^{j}={\frac {d^{j}}{dx^{j}}}}](./_assets_/eb734a37dd21ce173a46342d1cc64c92/ffa95cf5416ee90f2929ee57c71ecd950156f5d7.svg)
Equações diferenciais são classificadas quanto à ordem n, sendo n a ordem mais alta de uma derivada com a qual o termo dependente (y(x)) está envolvido. Para resolver uma equação diferencial são precisos n valores iniciais, no caso de EDO’s, ou n condições de contorno, no caso de EDP’s.
As equações diferenciais lineares podem ser classificadas em:
- Homogêneas se g(x)=0 para todo x ou não-homogêneas, caso essa condição não seja satisfeita;
- Ordinárias (EDO’s) ou parciais (EDP’s);
- Coeficientes constantes se todos os
forem funções constantes.
Equação diferencial linear de primeira ordem
A equação diferencial linear (0.1) diz-se de ordem n, supondo
visto ser
a ordem mais elevada das derivadas de y que figuram na equação.
Para
a equação (0.1) fica
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(0.2) |
Temos neste caso uma equação diferencial de Primeira Ordem.
Desenvolvimento
Dividindo ambos os membros por
obtém-se uma equação da forma
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(0.3) |
Na equação (0.3) supõe-se que
e
são contínuas num certo intervalo
onde pretendemos encontrar a solução geral da equação.
Para resolver esta equação, usa-se o fator integrante
Multiplicando ambos os membros da equação por
obtém-se a seguinte equação equivalente:
 |
(0.4) |
Deve-se notar que, como
gera uma expressão da forma
pode-se escolher qualquer constante C para o factor integrante (escolhe-se o que gera a solução mais simples).
Vamos mostrar que a solução geral de (0.3) é dada por
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(0.5) |
Com efeito, (0.4) é equivalente a
![{\displaystyle {\frac {d}{dx}}\left[ye^{\int _{}^{}P(x)\,dx}\right]=e^{\int _{}^{}P(x)\,dx}Q(x).}](./_assets_/eb734a37dd21ce173a46342d1cc64c92/d9df69419ff68e55e2eb7c02e7939c7f400c9f71.svg) |
(0.6) |
(Verifique, derivando o primeiro membro de (0.6).) Integrando, obtém-se (0.5). Conclui-se assim que toda a solução
de (0.3) satisfaz (0.6). Por outro lado é fácil ver que toda a função
nas condições de (0.5), i.e., tal que
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(0.7) |
é solução da equação diferencial (0.3). (Derive
ou seja, o segundo membro de (0.7), e substitua
e
em (0.3)).
Exemplo
Considere a equação diferencial
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(0.8) |
Trata-se de uma equação diferencial linear de primeira ordem. Comparando com (0.3),
e 

A solução geral da equação é dada por

donde se obtém

i.e.,

A solução geral (explícita) da equação (0.8) é então

Equação Diferencial Linear Homogênea com Coeficientes Constantes
Diz-se que uma equação diferencial é homogênea de coeficientes constantes quando seu termo fonte, ou forçante, é igual a zero para todo o domínio e seus
são funções constantes. Por exemplo:


A Equação de Euler-Cauchy é um exemplo muito famoso de equação diferencial homogênea com coeficientes constantes.
Exemplo
Dada a equação diferencial a seguir, com suas respectivas condições iniciais. Observe que são necessárias duas condições iniciais, já que é uma equação diferencial linear de segunda ordem.

Aplica-se a Transformada de Laplace, de modo que:




Agora aplica-se a Transformada Inversa de Laplace para se encontrar a solução no domínio do tempo:

Equação Diferencial Linear Homogênea com Coeficientes Variáveis
É aquela equação diferencial com termo fonte igual a zero para todo o domínio e com os coeficientes sendo funções que assumem diferentes valores de acordo com o termo independente. Por exemplo:


Exemplo:[1]

Aplica-se a Transformada de Laplace:


Sendo K uma constante de integração:
Aplicando a Transformada Inversa e utilizando as condições iniciais:


Onde
é a Função de Bessel de ordem zero.
Equação Diferencial Linear Não-Homogênea com Coeficientes Constantes
Equação diferencial com funções constantes nos termos
e termo forçante diferente de zero em pelo menos um ponto do domínio. Há duas formas para se resolver esse tipo de equação, na primeira encontra-se uma solução particular através do método de variação de parâmetros ou de coeficientes a determinar e depois uma solução denominada geral, a qual corresponde à solução para a equação homogênea correspondente. A segunda forma é aplicar a Transformada de Laplace obtendo-se a solução diretamente.
Exemplo
Dada a seguinte equação diferencial, onde
é a função Delta de Dirac aplicada em
, aplica-se a Transformada de Laplace.




Aplicando-se a Transformada Inversa:

Onde
é a Função de Heaviside aplicada em
.
Sistemas de Equações Diferenciais Lineares de Primeira Ordem
Sistemas de equação diferenciais lineares surgem naturalmente em problemas físicos e de engenharia. Os de primeira ordem de dimensão n podem ser descritos da seguinte maneira[2]:




Referências
- ↑ Sauter, Esequia; Azevedo, Fábio (2015). Transformada de Laplace. [S.l.: s.n.]
- ↑ Boyce, William E; Brannan, James R (2010). Differential Equations. An Introduction to Modern Methods and Applications. [S.l.: s.n.] ISBN 978-0-470-45824-2