Solução de uma equação diferencial linear de primeira ordem
Considere uma equação diferencial ordinária linear da seguinte forma:

onde
é a incógnita e depende da variável
, e
e
são funções dadas.
Ao multiplicarmos ambos os lados da equação diferencial por
, obtém-se:

Supomos que
possa ser escrita na seguinte forma:

Usando o teorema fundamental do cálculo, temos:

onde
é constante. Resolvendo para
, temos:

Para encontrar a função
, basta observar que, pela regra do produto:

Substituindo esta última expressão na equação diferencial original e simplificando, temos:

O que implica:
que é chamado de fator integrante ou fator de integração, pois é um fator de uma multiplicação obtido através de uma integração.
Exemplo
Considere a seguinte equação diferencial:

Multiplicando a equação pelo fator integrante
, temos:

ou, reagrupando os termos:

o que é equivalente a:

ou, resolvendo para y:

Considere uma equação diferencial da forma

Um fator integrante pode ser utilizado para transformá-la em uma Equação Diferencial Exata e assim resolvê-la.
Para isso, tomaremos um fator integrante
e multiplicaremos toda a equação que queremos resolver por esse fator integrante, obtendo assim:

Para que essa equação seja exata, precisamos que
[1]
Ou seja, como
e
são funções dadas pela equação que se deseja resolver, precisamos encontrar uma função
que satisfaça a igualdade acima.
Para isso expandiremos ambos os lados da igualdade utilizando a derivação do produto.

Por fim isso pode ser escrito como uma equação diferencial parcial:

Porém a resolução dessa equação diferencial para obtenção do fator integrante é, muitas vezes, mais exaustiva do que a equação original. Então um artifício útil de ser feito é supor o fator integrante como uma função de apenas uma das variáveis, ou seja, supor um fator integrante sob a forma
ou
, sendo que essa escolha deve ser feita conforme a equação a ser resolvida.
Também, para simplificar a notação, utilizaremos
e
.
Assim, tomando
como uma função exclusivamente de
, teremos:

Ou seja, para obter uma a função
precisamos resolver a equação diferencial

Observe que dessa expressão obtemos que, para que
seja uma função de
é necessário que
seja também uma função de
.
Se isso ocorrer essa equação é uma equação diferencial separável e pode ser resolvida integrando, obtendo assim:
.
Analogamente poderíamos obter uma expressão para um fator integrante dependendo apenas de
.
Então, se multiplicarmos por um fator integrante dessa forma, tornaremos uma equação diferencial ordinária não exata em uma equação diferencial exata, restando assim apenas resolver a equação conforme o método de resolução de equações exatas.
Referências
- ↑ Boyce, William (2013). Equações Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno. Rio de Janeiro: LTC