Relações entre Marrocos e Portugal

Relações entre Marrocos e Portugal
Bandeira de Marrocos   Bandeira de Portugal
Mapa indicando localização de Marrocos e de Portugal.
Mapa indicando localização de Marrocos e de Portugal.

As relações entre Marrocos e Portugal abrangem um período de vários séculos, em grande parte histórico, e atualmente não são particularmente substanciais.[1] Os contactos iniciais começaram no século VIII, quando as forças muçulmanas invadiram a maior parte do território da Península Ibérica. Após a Reconquista, Portugal expandiu-se para África, começando pelo território de Marrocos, invadindo cidades e estabelecendo postos avançados fortificados ao longo da costa marroquina.

História

Primeira expansão islâmica – Califado Omíada (século VIII)

Após a invasão do sul da Península Ibérica pelo Califado Omíada com o comandante berbere Tárique ibne Ziade em 711, durante o século VIII os exércitos árabes e berberes invadiram o resto da Península Ibérica, indo mesmo além do sul de França, até Poitiers e ao Vale do Ródano, até ao ponto de viragem da Batalha de Tours em 732.[2] O Rio Douro acabou por se tornar a fronteira entre as terras cristãs e muçulmanas. A terra entre o Douro e o Rio Minho era o condado cristão de Portucale, que se tornou o Reino de Portugal sob Afonso Henriques em 1139.

Invasões almorávidas e almóadas da Península Ibérica (séculos XI e XII)

Fases da expansão do Califado Almóada

A Península Ibérica seria novamente afetada pela expansão dos impérios muçulmanos sob as dinastias almorávida e almóada nos séculos XI e XII.[3]

Os portugueses conseguiram reconquistar Lisboa no cerco de Lisboa de 1147.

Expansão portuguesa em Marrocos (1415-1515)

Posses portuguesas em Marrocos (1415-1769)

Portugal começou a invadir e ocupar partes da costa marroquina em 1415 com a conquista de Ceuta, que foi sitiada sem sucesso três anos depois pelos marroquinos. Em seguida, sob o reinado de Afonso V de Portugal, Portugal conquistou Alcácer Ceguer (1458), Tânger (conquistada e perdida várias vezes entre 1460 e 1464) e Arzila (1471). Estas conquistas valeram ao rei o apelido de "o Africano".

Portugal e Espanha tinham celebrado um acordo em 1496 no qual estabeleceram efetivamente as suas zonas de influência na costa norte-africana: a Espanha só podia invadir e ocupar territórios a leste de Peñon de Velez. Esta restrição só terminaria com a união dinástica das coroas portuguesa e espanhola sob Filipe II, após a Batalha de Alcácer Quibir, em 1578, quando a Espanha começou a tomar medidas diretas em Marrocos, como na ocupação de Larache.[4]

No total, os portugueses conquistaram seis cidades marroquinas e construíram seis fortalezas independentes na costa atlântica marroquina, entre o Rio Luco, no norte, e o Rio Sous, no sul.

As seis cidades eram: Ceuta (1415–1668), Alcácer-Ceguer (1458–1550), Tânger (1471–1661), Arzila (1471–1549), Safim (1488–1541) e Azamor (1513–1541) .

Reconquista marroquina (1541–1769)

Castelo Real de Mogador, por Adriaen Matham, 1641

Das seis fortalezas independentes, quatro tiveram uma duração curta: Graciosa (1489), São João da Mamora (1515), Castelo Real de Mogador (1506–10) e Aguz (1520–25). Duas delas tornaram-se povoações urbanas permanentes: Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir, fundada em 1505–06) e Mazagan, fundada em 1514–17.[5]

Os portugueses tiveram de abandonar a maioria dos seus assentamentos entre 1541 e 1550, na sequência das ofensivas de Maomé Axeique, particularmente a queda de Agadir em 1541 e a captura de Fez (1549). No entanto, conseguiram manter algumas bases: Ceuta (1415-1668), Tânger (1471-1661) e Mazagão (1502-1769).[5]

As muralhas portuguesas de Mazagão (atual El Jadida)

A Batalha de Alcácer Quibir, em 1578, foi uma derrota esmagadora, pois o rei português Sebastião I de Portugal foi morto no confronto e o seu exército foi eliminado pelas forças marroquinas em aliança com o Império Otomano.

Tânger foi cedida à Inglaterra em 1661 para incentivar a Inglaterra a apoiar Portugal na Guerra da Restauração Portuguesa, e Ceuta foi entregue à Espanha em 1668 através do Tratado de Lisboa, que reconheceu a Casa de Bragança como a nova dinastia governante de Portugal e o seu domínio sobre as colónias ultramarinas remanescentes de Portugal. Estes acontecimentos puseram essencialmente fim ao envolvimento direto de Portugal em Marrocos. Eles abandonaram Mazagão sob a pressão de Maomé ibne Abedalá em 1769.

Cinco anos depois, em 1774, os governos de Marrocos e Portugal celebraram um Acordo de Paz e Amizade, um dos acordos bilaterais mais antigos entre as duas nações.

Missões diplomáticas residentes

Embaixada de Marrocos em Lisboa
  • Marrocos tem uma embaixada em Lisboa.
  • Portugal tem uma embaixada em Rabat.[6]

Referências