Rap no Brasil

A Praça Roosevelt, localizada em São Paulo abrigou os primeiros rappers do país.

O rap é um estilo de música que faz parte do movimento hip hop. No Brasil, assim como em outros centros urbanos marcados pela desigualdade, está associado ao cotidiano de favelas e periferias, sendo encontrado na maioria dos estados. O estilo é historicamente associado à criminalidade, mas tem ganhado espaço e é identificado como um estilo forte capaz de associar diversos sentimentos e realidades em forma de música.

História

Surgimento na década de 1980

Antes mesmo do rap chegar ao Brasil, algumas canções no estilo já tinham sido lançadas. Como possíveis primeiras canções estão, o samba "Deixa isso pra lá" (faixa contida no álbum Vou de samba com você) de Jair Rodrigues em 1964,[1][2] "Melô do Tagarela" (1979) de Arnaud Rodrigues e Luís Carlos Miele (paródia de Rapper's Delight de Sugarhill Gang),[3] "Mandamentos Black" (1977),[4] e Melô do Mão Branca" (1980) de Gerson King Combo.[5]

Gerson foi um dos principais expoentes do movimento Black Rio, misturando soul e funk com letras de forte consciência social. Sua obra influenciou gerações, sendo especialmente reverenciada por artistas do rap brasileiro, que reconhecem nele uma figura pioneira na valorização da identidade negra e na denúncia das desigualdades sociais.[6][7] Outros como Rappin Hood, apontam que os repentistas nordestinos seriam os precursores do estilo no país,[8][9] uma característica comum é a realização de "batalhas" ou "pelejas" entre rimadores.[10][11]

A cidade de São Paulo tornou-se um centro de referência de difusão da cultura hip hop. O rap, assim como outros elementos, chegou ao Brasil no final dos anos 1980, principalmente através das trocas ocorridas no centro da cidade. Jovens periféricos passaram a ocupar locais como a Rua Dom José de Barros, Galeria 24 de Maio (Galeria do Rock) e a estação São Bento.[12] Nomes como JR Blaw (ou Blow, dependendo a fonte consultada)[13] padrinho do grupo "Rota de Colisão", surgem como um dos primeiros a defender o hip hop no local, onde durante o mesmo período o movimento punk também começava a surgir.[14] O break foi por muito tempo a linguagem principal do hip hop, portanto é comum ouvir histórias em que MC's e grafiteiros dançavam antes de seguir seus caminhos artísticos em outras vertentes.[15]

O dançarino Nelson Triunfo é considerado um dos primeiros dançarinos de breakdance do país.[16] Dentre estes b-boys, muitos acabaram decidindo serem rappers, como são chamados os cantores de rap. Apelidados de "tagarelas", tiveram que se mover para a Praça Roosevelt porque houve uma divisão de grupos para cada um continuar difundindo um pilar da cultura hip hop em cada lugar.[17] Pouco tempo depois, os rappers tornaram-se os principais representantes do movimento no Brasil.

Foi de colaboração essencial para o desenvolvimento do rap no país a apresentação do popular grupo americano Public Enemy, em 1984. Através dele foi apresentado o rap a um número grande de pessoas e começou a se difundir rapidamente entre a periferia dos grandes bairros.[18] Com o decorrer da difusão do gênero, as letras passam a funcionar como uma ferramenta de denúncia contra a ineficácia do Estado, falando sobre temas como violência policial, falta de estrutura nas periferias, racismo, entre outros. O linguajar direto e ácido, assim como sua estética, não teve boa aceitação da sociedade, sendo estigmatizado e associado à pobreza, criminalidade e inferioridade.[19]

Um dos primeiros grupos de breakdance a gravar um disco foi o Black Juniors, formado por irmãos da periferia de São Paulo. O grupo foi descoberto por Nelson Triunfo e inicialmente usava o nome Funk Juniors, misturando soul e rap. Teve um álbum produzido com canções compostas por Mister Sam, um DJ e produtor argentino.[20]

Em 1987, foi lançada "Kátia Flávia" pelo cantor e ator carioca Fausto Fawcett, considerado o primeiro rap do respectivo estado.[21] O primeiro álbum exclusivo de rap brasileiro que se tem notícia é a coletânea "hip hop Cultura de Rua", lançado em 1988 pela gravadora Eldorado e produzida por Nasi e André Jung, ambos integrantes do grupo de rock Ira!.[22] Nele foram apresentados artistas como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13. O destaque ficou por conta de Thaíde, que interpretou os clássicos versos: "Meu nome é Thaíde /Meu corpo é fechado e não aceita revide". As bases do disco eram baseadas em funks americanos e acompanhadas espontaneamente de scratches feitos pelos equipamentos de DJs.[23]

No mesmo ano, a segunda coletânea foi lançada e projetou um dos maiores grupos da história do rap brasileiro, os Racionais MC's aliado a formação política e social.[24] Consciência Black, Vol. I, reuniu oito faixas, dentre elas "Tempos Difíceis" e "Racistas Otários" dos Racionais.[23] Formado por Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay, o grupo apresentou para a mídia um rap consciente, voltado para desigualdade na periferia e as injustiças sociais com a população preta.[25] Outras compilações da década de 80 foram Ousadia do Rap, da Kaskata's Records, O Som das Ruas, de Chic Show, Situation RAP de FAT Records.[26] A maioria destas gravadoras surgiram de pessoas que organizavam bailes blacks nos anos passados.

Com a mudança na política da capital paulista, foi criada em agosto de 1989 a MH2O, abreviatura de Movimento Organizado de hip hop no Brasil, que posteriormente se tornaria uma organização não-governamental e estando presente em quatro das cinco regiões do país.[27] Este movimento organizou a cultura hip hop, dividindo em seus principais pilares e organizando as primeiras oficinas culturais.[28] A MH2O pode ser considerada como a responsável pelo desenvolvimento de uma consciência social no RAP, que por vezes eram feitos com base em piadas e histórias quaisquer.[17]

1990-2000: Era de Ouro do rap brasileiro

Em 1990, os Racionais MC's lançaram o seu trabalho de estreia, intitulado Holocausto Urbano, através da gravadora Zimbabwe Records.[29] Foi lançado em formato de LP e contava - além das duas músicas da coletânea anterior - com "Pânico na Zona Sul", "Hey Boy", "Beco sem Saída" e "Mulheres Vulgares".[30] Racionais ainda lançou Escolha seu Caminho em 1992 e Raio X Brasil, em 1993. Este último foi considerado o marco da propagação do rap na música brasileira, fazendo os Racionais atraírem mais de 10 mil pessoas por show.[23] Tal fato fez o grupo abrir um espetáculo do norte-americano Public Enemy.[31] As músicas "Fim de Semana no Parque" e "Homem na Estrada", contidas em Raio X Brasil foram as primeiras de rap "alternativo" a serem executadas na rádio.[23] No ano seguinte, uma coletânea chamada Racionais MC's foi lançada pela RDS Fonográfica reunindo as faixas dos três álbuns anteriores

Em 1993, no Rio de Janeiro, MV Bill participou da coletânea Tiro Inicial, que foi crucial para que seguisse na carreira de rapper.[32] Mas seu primeiro álbum, Traficando Informação, só viria em 1999. Com esse álbum, MV Bill recebeu o Prêmio Hutúz de 2000, na categoria álbum do ano.[33]

Também no Rio de Janeiro e em 1993, surgiu o Planet Hemp, liderado por Marcelo D2 com uma espécie de rapcore, misturando elementos do rap com reggae e rock. Seu primeiro álbum, intitulado Usuário, recebeu disco de ouro por 140 mil cópias vendidas.[34] A sua temática foi bastante repreendida pelas autoridades da época, que censuraram o videoclipe de "Legalize Já", acusado de apologia ao uso da maconha.[35] A maconha era tema recorrente nas letras do Planet Hemp, que possuía uma postura favorável à sua legalização.[34]

Nessa mesma época, surgia Gabriel o Pensador com a demo "Tô Feliz (Matei o Presidente)", que foi censurada cinco dias após o lançamento.[36] Apesar disso, logo depois o rapper assinou com a Sony Music e lançou o seu primeiro álbum homônimo, que alcançou grande sucesso no mainstream com músicas como "Lôrabúrra", "Retrato de um Playboy" e "175 Nada Especial",[37] sendo que a última possuía um videoclipe vinculado na televisão com a participação de diversas personalidades, como o jogador de futebol Ronaldo.[38]

Ainda naquele ano em São Paulo, o Facção Central, principal nome do gangsta rap brasileiro,participou da coletânea Movimento Rap Vol. 2 e no ano seguinte lançou o álbum de estreia Juventude de Atitude, de 1994. Com uma temática muito mais pesada que a da maioria dos grupos de rap da cena paulista, o Facção Central trata na totalidade de sua discografia sobre a violência, crime, pobreza e repressão policial nas favelas de São Paulo.[39] O álbum Versos Sangrentos de 1999, foi um dos mais polêmicos. As composições fortes de Eduardo combinadas com o videoclipe de "Isso aqui é uma Guerra" vinculado na MTV, tiveram suas gravações confiscadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, tendo sua exibição proibida pelo Ministério Público, que abriu um processo contra os integrantes.[40] O assessor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo, Carlos Cardoso, por sua vez declarou: "O grupo prega uma luta de classes primitiva. O casamento da letra com as imagens resulta num filme de horror absurdo."[40] Este fato acabou trazendo ainda mais popularidade para o grupo e sua temática principal, que hoje é considerado um dos maiores nomes do rap brasileiro.[39]

Além desses casos, o rap já foi centro de diversas outras polêmicas por causa de composições, como em 1992, em que o grupo de rapcore Pavilhão 9 causou controvérsia com o lançamento do álbum de estreia Primeiro Ato. Uma música intitulada "Otários Fardados" fez com que os integrantes fossem alvo de ameaças telefônicas anônimas.[41]

O Realidade Cruel do interior paulista, é outro nome importante da cena do hip hop de São Paulo, seu primeiro álbum Só Sangue Bom foi lançado em 1999, com uma temática agressiva, semelhante ao Facção Central.[42] Diversos outros grupos paulistas de grande importância para o rap brasileiro surgiram na década de 1990, entre eles Face da Morte,[43] Detentos do Rap,[44] Pavilhão 9 e Sistema Negro.[45]

Nessa década também emergiu a cena hip hop no Distrito Federal, destaque para as bandas com o selo da Gravadora Discovery:[46] Cirurgia Moral,[47] Câmbio Negro,[48][49] Código Penal,[50] entre outras.[46]

Em 1997, os Racionais MC's lançaram o álbum Sobrevivendo no Inferno, considerado a obra definitiva da banda com os seus maiores sucessos contidos, foi eleito pela Rolling Stone como o décimo quarto melhor disco brasileiro de todos os tempos[51] e vendeu mais de 1,500,000 cópias,[52] sendo 200 mil apenas no mês de lançamento.[53] Hits como "Capítulo 4, Versículo 3" e "Diário de um Detento", apareceram na MTV com apresentação ao vivo no VMB e videoclipe vinculado na programação, respectivamente.[54][55]

Década de 2000

O início dos anos 2000 o rap produzido a nível nacional recebia indicações, contudo a crítica e especialistas viam com reservas o cenário da cultura hip hop na perspectiva de mercado.[56] Mas, é nessa realidade que se dá a emergência e consolidação de nova tradição na música brasileira.[57]

Em 2000 Rota de colisão lança seu Single pela 4P Discos e a música Ideias de periferia ....2002 o rapper Sabotage proveniente da Zona Sul de São Paulo lançou seu álbum de estreia Rap é Compromisso pela gravadora Cosa Nostra. Sua carreira promissora chegaria ao fim já em janeiro de 2003, quando ele foi assassinado

Em 2002 Também Campo Minado lança o CD Jogando com o Inimigo e a PM De São Paulo retira a música das programações das Rádios .[58]

Em 2003 Marcelo D2 lança seu segundo álbum A Procura da Batida Perfeita, que rapidamente tornou-se um sucesso entre o grande público e o levou a fazer versões acústicas de suas músicas para a MTV.[59]

Emicida e mais outros MC's da cena paulista como Projota ou Rashid contribuíram a renovar o hip hop brasileiro, com estilos diferentes

Nessa década, a cena do hip hop brasiliense também cresceu e continuou a expandir gradualmente, logo dando origem a novos rappers e grupos.

Quinto Andar foi um grupo de Niterói, no Rio de Janeiro formado em 1999 e dissolvido em 2005. Lançou em 2005 seu único álbum, Piratão. Além de ser responsável por lançar muitos dos grandes nomes da atualidade como Shawlin, Kamau, De Leve e Marechal, o álbum foi responsável pelo desenvolvimento de uma nova linha de produção de hip hop no Brasil, com suas críticas irreverentes ao poder da indústria fonográfica sobre os artistas de música, seu modo de produção. Faça você mesmo auto-gestivo, e a própria sonoridade das canções, que agregava elementos atuais da música eletrônica pouco utilizados pelos produtores de hip hop do Brasil até então.No mesmo ano, o grupo concorreu ao Prêmio Hutúz - o mais importante do rap brasileiro - na categoria Revelação, mas acabou perdendo para Sabotage. Em 2005, o grupo fez parceria com a revista OutraCoisa, de Lobão, e lançou seu único álbum, Piratão, com destaque para as faixas "Rap do Calote" e "Melô do Piratão". Após o lançamento se dissolveram por motivos contraditórios. Alguns dizem que foi porque os rappers Marechal, De Leve preferiram seguir carreira solo; outros que foi o DJ Castro, e outros Shawlin.

Em 2007 emergiu no Rio de Janeiro o ConeCrewDiretoria com a mixtape Ataque Lírico. Com uma temática semelhante ao Planet Hemp, posteriormente o grupo gozaria de sucesso significativo no final da década, mostrando-se um dos grupos mais conhecidos da cena carioca no período,[60] título que divide com o Oriente.

Era atual: auge da cena paulista

Artistas consolidados e respeitados como Racionais MC's, MV Bill, GOG seguem nesta época sua carreira artística. Por outra parte, o carioca Marcelo D2, com sua fusão samba-rap, conseguiu relevância internacional, atuando em vários países da Europa, nos Estados Unidos e sendo entrevistado pelo jornal espanhol El País.

Nos anos finais da década dos anos 2000, apareceu uma nova cena paulista que contribuiu para renovar o hip hop brasileiro em todos os âmbitos. Com estilo ágil e letras mais variadas (não só sobre crime e condições de vida em subúrbios e favelas) mas mantendo o espírito underground e a consciência social, artistas vinculados a "Laboratório Fantasma" como o Emicida, Filipe Ret, Rashid, Projota, Criolo Doido ou Kamau são os nomes mais destacados desta nova geração paulista. Alguns desses artistas, como o Emicida, começaram sua carreira artística nas batalhas de MC's. A participação do Emicida no Programa do Jô evidenciou o fato do rap brasileiro ter ganhado um importante espaço na mídia e na sociedade brasileira, presente diversas vezes na lista trending topic mundial no Twitter.

Estrutura do rap

O rap costuma ter sua importância vinculada ao seu discurso, pelo objeto de análise retratado nas suas letras e por sua ideologia. Afinal, por ter tido origem no Movimento Cultural do hip hop, é esperado que o rap se mostre ao mundo como uma série de ideais, e não só por ser uma música. Tal suposição popular tem respaldos, uma vez que o rap em cenário brasileiro tende a tratar de questões da ideologia típica dos primeiros praticantes do hip hop, periféricos, de classe econômica baixa, com representação moderada de diversos grupos. No entanto, para a música rap ser reconhecida por música, precisa conter valor musical além de suas ideias ou letras, e, para isso, faz-se essencial um estudo da composição sonora deste gênero musical marginalizado.[61]

Devido ao fato de o rap ser cantado muito frequentemente por músicos que são intérpretes e compositores simultaneamente, ele carrega uma particularidade. Para que possa servir ao gênero musical, o cantor preocupa-se em alinhar todas as informações que quer passar da forma mais "fluida" possível. O rap deve ser simultaneamente uma forma de discurso e agradável aos ouvidos. Já que o compositor é também o intérprete, torna-se mais fácil testar a compatibilidade entre as letras escolhidas e o modo de cantá-las. Também por conta do seu propósito duplo, a musicalidade no rap exige processo pensado e demorado.[61]

Existem várias razões possíveis pelas quais estudiosos não buscaram a relação entre texto e música no rap. Primeiro, muito ainda hesitam em aceitar o rap como uma forma de arte válida, e mesmo aqueles que aceitam prontamente não estão necessariamente interessados em analisá-lo. (KYLE, 2008, p. 2.)

Por muito tempo, o material musical no rap foi considerado inferior, pois ressignificava ou se apropriava de versos existentes em outras músicas para fazer uma combinação desses fragmentos. Além disso, por não ser tradicionalmente produzido com instrumentos músicas, suas letras não seguem o padrão de uma métrica formal das rimas e versos.[62]

Flow

No rap, o texto e a sonoridade viram praticamente uma coisa só. As letras escolhidas precisam ser adequadas ao ritmo planejado, atuando semelhante a uma percussão. Inclusive, o próprio nome rap é uma sigla para rhythm and poetry - ritmo e poesia-.[63] A fim de realizar tão importante característica (o ritmo), o rap utiliza uma estratégia de ataques consonantais que reforçam o discurso "cheio de ação".[64][65]

Alguns entre os poucos analistas da teoria musical e metodológica inseridas no rap, chegam a considerá-lo mais um resultante de uma sequência de sons ritmados estrategicamente do que dotados de significado semântico; as provas constatadas para sustentar esse argumento são de que vários trechos nesse estilo de música parecem ser ausentes de um tema abrangente, específico, ou ainda imagético. Segundo tais estudiosos, alguns trechos simplesmente foram criados para "interagir com a música subjacente". Todavia, críticos dessa análise ressaltam como ela se valeu de um único subgênero do rap para formular uma tentativa de postulado geral.[66]

Muitas vezes os sentimentos descritos pelos artistas do rap, conseguem uma forma de expressão na maneira como a música é composta. Por exemplo, a ênfase no Beat ajuda a acentuar ideias ditas anteriormente, expressar sentimentos. Dentro do rap, o ritmo é suporte para os argumentos discutidos. Outra técnica usada comumente neste gênero musical é o paralelismo com seu poder retórico, ou ainda, a subdivisão de grooves. Ademais, faixas instrumentais podem ser adicionadas ou removidas para corresponder aos sentimentos do letrista na canção.[66]

Há diversas formas do "MC" ou simplesmente "cantor de rap", interagir com o beat do DJ. De acordo com Kyle Adams, um teórico estudante do tema, três são as formas principais de responder ao beat. Primeiramente, podem incorporar o ritmo do beat nos seus raps, utilizarem sintetizadores ou os chimbais. Em segundo, é possível formular resposta a partir da rima na mudança de acordes do som. Por último, rappers podem utilizar o "motivo rítmico" da batida.[66]

Todo o estudo referente às maneiras com que o músico, letrista, e canto do rap responde à batida do DJ, são entendidos por Flow.[65] Apesar disso, nem toda a estrutura da composição pode ser compreendia por Flow. Isto porque, embora a maioria das músicas de rappers não costume apresentar instrumentos, é possível estudar o beat em si, e essa análise ultrapassa o conceito de flow, sendo equivalente ao estudo de instrumentos em outras músicas.[66]

Portanto, de modo muito resumido, o flow é "todos os caminhos pelos quais um rapper usa ritmo e articulação no seu/na sua entrega lírica." Assim, é composto por duas partes maiores: o ritmo e a articulação; dentro do ritmo, as técnicas métricas são: o posicionamento de sílabas rítmicas e acentuadas; o grau de correspondência entre unidade sintática e compassos; o número de sílabas por beat. Na articulação: a escolha de uso entre as técnicas musicais italianas de legato ou stacatto; o grau de articulação entre consonantes; a extensão de uma sílaba ser usada antes ou depois da batida.[65][66][67]

Batida ou "beat"

Tradicionalmente, a batida do rap é produzida por artistas intitulados "DJs"; além disso, também na sua tradição, ela é feita com recortes de músicas chamados "samples". Contudo, hoje, tanto existem indivíduos inseridos na música que se denominam DJs e preferem atuar em outras áreas musicais, ou no seu show independente com a sua "setlist", quanto, atualmente, existem aqueles que se intitulam rappers e não rimam em cima de um "sample". Porém, ainda são parte predominante os que rimam por cima dos "samples".[61]

Algumas das características mensuráveis sobre o beat: 1. Enquanto as frases do rap são organizadas por frases, as batidas são expressas em modos altamente repetitivos.[68] 2. Nasceram da influência de ritmos afro-americanos.[69] 3. Em algumas músicas, o beat permite mais de um tipo de métrica, como alguns casos em que se permite de uma métrica 3/4 ou 4/4.[67]

Temática do rap brasileiro

Em síntese, o objeto do rap é o sujeito marginalizado. As canções identificadas neste gênero musical procuram analisar a vida do sujeito periférico e por meio dele, fazer denúncias e críticas sociais, além de reunir um grupo de resistência pela identificação dos ouvintes naquele conteúdo abordado. Desde sua origem, quando a produção do rap era limitada ao movimento do hip hop, até os dias de hoje, sua finalidade pouco mudou; sempre foi pensado como um símbolo da luta e perseverança das classes sociais mais baixas.[70]

No Brasil, ainda que a origem do rap (quando na origem do hip hop) seja nos anos oitenta, nas periferias de São Paulo,[12] pouco se ouvia falar sobre a música no resto dos estados e cidades brasileiras; por vezes, o rap foi confundido com outros gêneros musicais, e só detinham fama verdadeira nos "bailes black", na cidade de São Paulo. Somente com o fim da ditadura militar e a ascensão de outros ritmos musicais, o rap brasileiro também conquistou espaço. Em 1990, com o grupo Racionais Mc´s, o rap popularizou-se no Brasil com as temáticas nacionais do discurso de raça, classe e posicionamento político. Após os anos 2000, com o sucesso da divulgação pela internet, o gênero vira lugar de refúgio para outros grupos sem voz na sociedade tecerem críticas sociais reivindicando seus direitos, como os homossexuais,[71] os indígenas[72] e as mulheres.[70]

Muitas vezes no Brasil as temáticas perpassam pelo colonialismo, racismo, ou críticas à escravidão.[70] Pode-se, igualmente, serem observados raps nos temas de exclusão - seja ela pela raça seja por outro motivo -, violência policial e carência das infraestruturas. Outra característica presente no desenrolar do rap brasileiro foi sua disseminação e produção inicial em cenários urbanos.[73]

Logo, os temas do rap brasileiro construíram uma imagem muito bem consolidada numa luta contra a desigualdade racial e social que marcou as periferias urbanas do país. No entanto, os vários subgêneros do rap nutrem o ponto comum de autodeterminação; em outras palavras, concordam no uso da música para expressão de identidade e são contra tentativas de autoridades, ou pessoas físicas, de silenciarem uma parcela da população. Esse é um princípio no qual todas as pessoas podem se encaixar, independente da raça. Na opinião da professora Anna Bentes da Silva, da UNICAMP, é tal ideal em comum que garante a sobrevivência do estilo durante anos e permite sua propagação.[73] Já que o rap como arte, tem a característica de tornar algo coletivo, singular, sem deixar de ser social.[74]

Cabe destacar que os temas retratados no rap brasileiro romperam com regras implícitas na sociedade musical. Até as letras dos Racionais Mc´s, não havia uma forma amenizada na música de acentuar a crítica à burguesia. Mas, com a chegada do grupo, as classes sociais vieram a ser tema das composições - e tema crítico-. Muitas vezes as temáticas foram expressas com agressividade dentro da música, e isso marcou o rompimento com a "boa vontade cultural".[75]

Especificidades do rap no Brasil

Práticas culturais

As Batalhas de rap no Brasil tem se difundido principalmente pelas redes sociais de propagação midiática em formato de vídeo, tal qual o Youtube. Há um cenário de batalhas de rap presencial e digitalmente "muito brasileiras" com particularidades que talvez não existam de forma idêntica noutros países do exterior.[76] Aquelas batalhas mais conhecidas no território nacional são as de freestyle, e estas são responsáveis por promover um espaço de sociabilidade entre a juventude desde os anos 2000 e 2010. De cultura marginalizada para mainstream, o rap precisou do apoio de plataformas digitais para sustentar-se, e uma delas é o citado Youtube. Neste espaço, dividiram-se duas modalidades na batalha de rap: "as batalhas de Youtube" e os cyphers, nesta medida, novas formas de deslocamento do rap surgiram, e a sua circulação aumentou.[77] Ao mesmo tempo que os novos rappers das batalhas desbravaram espaços nas plataformas digitais de vídeo, também foram influenciados por elas; o Youtube com seu repertório sociocultural é capaz de influenciar vocabulários utilizados nas batalhas de rap pela ocupação do público nesses meios de reprodução. Logo, a batalha de MC's no rap deixa de ser apenas um embate direto para virar um espetáculo mediado pela mídia.[78]

A "plataformização" das batalhas de rap brasileiras consentiu a um maior número de estudos bases para a sua formulação; no artigo "Rap e batalhas de MC's", os trechos selecionados para análise foram extraídos de vídeos do Youtube nos quais figuram dois rappers renomados em contexto nacional.[79] Em outras palavras, com a união do rap à internet foi possível alcançar uma globalização do gênero musical. Ainda sobre o artigo "Rap e batalhas de MC's", a autora procura entender as dinâmicas dessa prática de rap de acordo com as gravações publicadas nessa plataforma digital. Chega à conclusão de que os desafiantes podem servir-se de humor ou deboche constantemente para serem declarados vencedores de uma batalha. Pela definição do nome freestyle, indica-se um "estilo livre", uma liberdade aos participantes de escolherem quais temas querem abordar. Segundo a autoria do artigo, três formas são viáveis a partir de então: aqueles que tentam denegrir os adversários, criticando aspectos da sua identidade inclusive aparência física; aqueles que usam do "quinto elemento" do hip hop, o qual é entendido pelo conhecimento; e por último, os que preferem fazer chacotas dos oponentes por meio de "rimas engraçadas". Entre elas, piadas sobre familiares, relacionamentos, gênero, sexualidade, aparência física.[79]

A batalha de rimas é um elemento importante para a sociabilidade não somente porque confere aos cidadãos o direito de ouvir uma manifestação cultural. Na verdade, a lógica é oposta. A batalha de rap destaca-se por oferecer meios fáceis para participação. Quase sempre as inscrições em batalhas são gratuitas, ou então, feitas sob uma pequena taxa de aproximadamente cinco reais, podem ser feitas oralmente, e os que almejam iniciar um confronto pelas rimas só devem contatar os organizadores do evento para notificá-los da sua vontade de realizar inscrição. Recentemente, o público das batalhas tem se diversificado; antes, embora já existisse uma troca cultural entre jovens e adultos, eram predominantemente homens e jovens homens de cor negra. Tal tendência ainda vigora, mas já se pode observar um número notável de homens brancos, mulheres negras, mulheres brancas e até crianças envolvidas nas batalhas de rap no Brasil. Devido á grande quantidade de pessoas interessadas em entrar nas Batalhas de rap, muitas vezes é solicitado um sorteio entre os nomes para decidir quais deverão assumir as vagas disponíveis no confronto. A expansão da cultura do rap no Brasil foi tão bem sucedido que alguns dos eventos localizados localmente não comportam suficientemente a quantidade de pessoas inscritas, sendo necessário recorrer aos sorteios. No início das batalhas, joga-se par ou ímpar para definir o rapper que começará rimando, e normalmente o público é convocado a emanar um coro ou grito de guerra, reforçando o ambiente de batalha. Após a aclimatação, as batalhas dão início distribuindo-se em dois ou três rounds, cada qual com cerca de quarenta e cinco segundos. O terceiro round não é obrigatório, mas fornece uma alternativa para casos de desempate.[79]

No ensino brasileiro

Da mesma forma que o rap pode levar à identificação dos ouvintes marginalizados dentro dos seus versos, ele consegue trazer sensibilidade para pessoas fora daquele convívio retratado, ajudando a abordar fenômenos sociais. Por esta razão, no Brasil tem sido desenvolvido estudos sobre os resultados da adoção de músicas de rap para educação.[61][70]

No ensino musical, o rap pode ajudar nas noções musicais de ritmo, melodia, entre outros, por ser complexo na construção musical e tratar de situações vividas comumente entre os alunos de idade jovem, periféricos e negros. Logo, o rap feito no Brasil é instrumento flexível para trabalhar questões musicais e extramusicais[61][70]

Ensino musical

Trabalhar o rap em ambientes de título acadêmico por si só é uma forma de reafirmá-lo enquanto gênero musical. Isto é, validar o rap como música e tratar sua qualidade em igualdade com outros gêneros tais quais o jazz, o blues, o MPB ou a música erudita, que possuem visibilidade firmada nesses locais de estudo musical. Habilidades como improvisação, criatividade e ritmo podem ser adquiridas pela prática do rap nos seus diversos subgêneros. Mas, principalmente pela "batalha de rap", modalidade muito pratica no país brasileiro, e pelas batalhas com tema, a criatividade floresce num contexto lúdico, em formato de "brincadeira". Além disso, vários educadores pensam o conteúdo do rap brasileiro como uma prática educação antirracista.[61] A criatividade é uma característica essencialmente requisitada e adquirida no rap, pois o formato estrutural do gênero no Brasil (músicas longas com vários versos inéditos) exige pensar o tema profundamente no objetivo de tornar a canção complexa sem parecer repetitiva. Posteriormente, estudantes de música que treinaram essa habilidade pelo rap, podem utilizá-la para compor suas canções em outros gêneros musicais.[61]

Ensino extramusical

A fim de redirecionar o foco das escolas para literaturas marginas ou letramento de reexistência, o rap pode ser usado nas escolas brasileiras oferecendo uma opção de "ensino-aprendizado" mais eficaz. Ademais, o rap, por ser um estilo musical de grande representação do movimento negro, pode ser usado no intuito de cumprir com a Lei número 10.639/03 que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-americana no Brasil, em todas instituições de ensino do colegiado.[70]

Tendo em vista a importância do letramento nos pilares da educação, a adoção do rap nas escolas brasileiras tenta adequar a linguagem acadêmica para o dia a dia vivenciado em locais de vulnerabilidade social e econômica, incentivando uma maior interação entre os estudantes e entre a troca aluno e professor.[70]

Nos estados brasileiros

Rap em São Paulo

Sabe-se que o rap brasileiro no cenário paulista tomou a maior parte da fama relacionada à origem do rap, e dos outros movimentos originários do movimento do hip hop. Quando o hip hop chegou no Brasil, nos anos de 1980, através de filmes que encenavam passos de dança típicos do "break", chegou primeiro em São Paulo. Lá, realizavam-se os famosos "bailes black", no qual um DJ tocava, um MC rimava por cima, e pessoas ao redor dançavam "Break". Assim, os paulistanos não só foram os pioneiros na descoberta do elemento rap, mas também foram uns dos primeiros a incorporarem todos os elementos presentes no hip hop.[80][81]

Com pouco tempo, o movimento cultural foi transferido para o metrô São Bento, onde se instalou sem tempo determinado. Nesse contexto, do final dos anos oitenta, o rap era entendido nada mais do que a junção entre a batida feita pelo DJ e a resposta do MC. Não tinha fama significativa, nem era bem visto pelo resto da sociedade. Alguns, simplesmente confundiam o rap com outros estilos músicas, outros, preferiam afastar-se por achar o rap um gênero musical violenta, de pessoas marginalizadas. Entretanto, apesar do rap brasileiro falar constantemente sobre violência, dado que sua crítica social tem grande respaldo nos atos violentos articulados pelo Estado em território periférico, os rappers dos anos oitenta também falavam sobre sexo e outra temáticas além de uma crítica.[80][81] bMesmo nos anos noventa, quando as pessoas conheciam melhor o que era o rap, ainda não se podia classificá-lo por popular. Ele era falado, e o quarto dos elementos do hip hop, o grafite, estava em ascensão neste período. Contudo, só nos anos 2000, com o lançamento da discografia dos Racionais Mc's, o rap brasileiro paulistano ultrapassaria as fronteiras do nicho econômico, para virar uma referência entre pessoas de classe média e alta.[82]

Atualmente, o rap paulistano conta com novas temáticas, jeitos de fazer, e estéticas em seu texto. Emicida, grande artista do cenário nacional do rap brasileiro e cidadão natural da cidade de São Paulo procura explicar que o rap não saiu do eixo tradicional do movimento, apenas retomou suas origens. Ele argumenta que no início o rap falava da vida, e falar sobre amor, da vida em si, não é uma traição aos seus princípios. O rapper defende a liberdade dentro das músicas, acima de qualquer outra característica.[83]

Além disso, a mudança nos vocativos dentro das músicas, que costumavam invocar nomes de bairros periféricos, representa, para Emicida, a forma como o rap brasileiro teve uma amplitude no público; continua sendo ouvido por muita gente dessas regiões, mas com a diversidade de público, escolher bairros torna tarefa mais difícil.[83]

Ver também: Música do estado de São Paulo

O rap brasiliense

A emergência do rap Brasiliense está intimamente ligada à criação de Brasília, a cidade planejada. Desde os princípios do plano de JK, Brasília deveria ser sede de imensas transformações, virar um polo da modernidade no Brasil, tornar-se capital do Distrito Federal e do Brasil. Mas, em nenhum momento, os trabalhadores que construíram a cidade de Brasília estavam inclusos no planejamento para lá se habitar. Tampouco os imigrantes nordestinos deveriam residir na cidade pensada. Aquela, deveria ser habitada em seu centro por grupos pertencentes à elite da sociedade.[84]

No entanto, durante a ditadura, todos esses grupos que "invadiam" a cidade foram realocados primeiramente na construção da Região Administrativa de Taguatinga. A região recém construída, abrigava, entre outros, grupos negros e nordestinos. Depois, com o aumento dos cidadãos que não se queria frequentando o centro do DF, outras regiões administrativas foram criadas, e nessas localidades periféricas, o rap ganhou palco definitivo. Contudo, não só assumiram o papel de sede, nessas regiões afastadas do Centro, os rappers encontram inspiração para suas músicas. Por exemplo, na música "Brasília Periferia" do grupo GOG, o governo de Médici na ditadura, é acusado de fazer dessas regiões administrativas um "centro de erradicação".[84]

Embora saiba-se que o berço do rap no Brasil foi na cidade de São Paulo, em 1980, em Brasília, assim como no Rio de Janeiro, a cultura do hip hop (dentro dela, o rap) não demorou para chegar, devido a presença de muitas famílias de classe alta com contato ao internacional. A presença de videoclipes, discos, e até das viagens internacionais nas classes dirigentes em Brasília, possibilitou o descobrimento do movimento cultural do hip hop. Com a interação entre as classes mais abastadas nas cidades-satélite com os grupos de menor condição financeira das cidades circundantes, o hip hop tomou força e popularidade. Essa troca cultural possibilitou um público jovem interessado nas músicas lançadas pelos rappers da periferia brasiliense.[85]

Paralelamente, nos anos 80, surgiram programas de rádio que apresentavam gêneros musicais como o rap e o funk.[85]

Na virada dos anos 80 para os de 1990, o rap iria aumentar sua popularidade em terras brasilienses em parte devido aos avanços na área de tecnologia, que permitiam a essas classes de zonas marginalizadas produzirem e lançarem seus discos de forma mais econômica, por meio da criação de estúdios caseiros. Além do mais, foi igualmente nos anos noventa que o rap do Distrito Federal tornou-se mais crítico. Neste período, novos espaços para encontros entre os praticantes do rap e do hip hop foram criados, e essas trocas interacionais levaram posteriormente à criação do grupo de maior reconhecimento, nos anos 90, no cenário brasilense: o "Câmbio Negro". A ascensão do grupo "Câmbio Negro", com participantes oriundos das periferias do DF, trouxe uma bagagem crítica muito forte para o contexto do rap brasileio e brasiliense. Em geral, as letras abordavam problemas sociais, procuravam uma subversão, denunciavam problemas sociais e políticos, e reivindicavam direitos para outros jovens na pobreza em regiões administrativas circundantes à capital.[86]

Junto à repercussão das letras do grupo "Câmbio Negro", veio a construção de um imaginário coletivo, criado pelas mídias. Os rappers foram apontados entre outros criminosos, classificados por "gangue", que estariam disseminando a violência no Distrito Federal.[86] Muitas gravadoras nacionais negaram o lançamento do LP do grupo de rappers porque suas letras possuíam muitos palavrões, até que a gravadora "Discovery" e seu dono Genivaldo resolveu incentivar, e obteve sucesso absoluto com uma vendagem superior a 2 mil cópias em uma semana de lançamento. Ademais, o disco levou o Rap nacional brasiliense ao mundo, e no Brasil, virou um "clássico".[85] A primeira das faixas, denominada "sub-raça" revoluciona o pensamento étnico no Brasil ao fazer uma subversão do valor do negro.[85][86] Segundo a letra, o valor de ser negro não é aprendido em "faculdades ou colégios", uma denúncia direcionada ao sistema educativo brasileiro que negligenciava a importância da cultura negra no ensino acadêmico. Outro trecho, exalta o papel dos homens negros na construção do Brasil: "privilégio de pertencer a uma raça/ Que com o próprio sangue construiu o Brasil".

A história do Rap nas regiões adjacentes à Brasília tem destaque não pelo pioneirismo, ainda que este seja, por vezes, questionado, mas por sua influência em terreno nacional e internacional. Assim como Câmbio Negro, outros grupos como "Álibi" e "Cirurgia Moral", amenizaram a preocupação das gravadoras em relação ao uso de palavrões em músicas do rap. GOG, rapper do DF, foi o primeiro do Brasil a ter seu selo fonográfico particular.[87] Portanto, é evidente a influência que o resto do país recebeu do rap brasiliense, ou, rap do DF, nas suas práticas musicais, no comportamento e no mercado.[87] Até dentro das políticas públicas do Distrito Federal, o rap deu sua colaboração. A partir das reivindicações do movimento, entre elas: a ausência de lazer nessas áreas administrativas, melhoria de infraestrutura nas "comunidades", melhoria no transporte público, e uma maior segurança, a Câmera Legislativa do DF entende que o rap já contribui com a educação, mas que é uma forma também de permitir a expressividade de jovens vulneráveis. Dentre as propostas relacionadas ao rap, estão a aprovação de festividades do hip hop no calendário oficial de eventos do DF, e a transformação do hip hop como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal.[88][89][90][91]

Ver também: Ceilândia e, Viela 17

Rap fluminense

O Rap entrou no estado do Rio de Janeiro inicialmente pelos "bailes black", realizados nos subúrbios. O chamado BaileBlack reunia todos identificados por negros e afrodescendentes moradores do Rio de Janeiro; mais tarde, esses bailes dividiram-se entre os gêneros: charme, funk carioca e hip hop. O precursor do Rap fluminense foi o subdividido hip hop.[92] Da sua entrada pelo hip hop até o contexto de prática atual, houve mudança significativa. Antes, em bailes, uma pessoa ficava no DJ e outra no Rap, conforme tradição do hip hop. Posteriormente, nas "batalhas de rima" fluminenses, a participação do público cresceu; podem ser feitas "Batalhas de Conhecimento", com pessoas experientes no Rap, ou, "Batalhas de Sangue", que são abertas ao público mais jovem.[93]

Mesmo na "plateia", há espaço para participar ativamente reagindo a rimas consideradas "de qualidade", ou, no seu inverso simétrico, rimas má elaboradas. A diferença existente entre uma Batalha de Sangue e uma Batalha de Conhecimento está no nível da habilidade exigido em cada uma. Não porque um rapper "de sangue" seja menos habilidoso, mas porque aquilo que é exigido pela situação '"do conhecimento" é uma maior experiência no nicho. Uma batalha de sangue, pede coragem e, para vencer, boas rimas. Por outro lado, uma Batalha de Conhecimento tem tempo máximo delimitado e um tema prévio. Assim, para ganhar o segundo tipo de batalha, é preciso melhor saber improvisar no desconhecido. Comumente, entre diferentes batalhas, os músicos das batalhas apresentam suas músicas autorais.[93]

Nos anos de 1990, seguindo a tendência anterior de outros estados citados, o rap no Rio de Janeiro ganharia popularidade muito maior do que a anterior em 1980. Isso ocorreu porque o rap norte-americano importado e transformado em território brasileiro, nos anos noventa, já estava vinculado a uma série de símbolos, por exemplo: o basquete, o esporte, o skate. Então, foi muito mais fácil para o país brasileiro se apropriar dos símbolos que já existiam e trazê-los para a televisão nacional, visto que, simultaneamente nos anos 1990, a indústria brasileira passava por uma importante fase ligada ao aumento do acesso à tecnologia. Ao invés de estarem restritos à rádio, alguns artistas do rap, como o compositor e cantor Thaíde, puderam apresentar seu trabalho em programas de televisão aberta. Isto colaborou significativamente para o aumento da influência da cultura rapper sob o Rio de Janeiro e sob o Brasil num todo.[94]

Cada lugar do Brasil adotou o rap com sua cara, ou, melhor, com suas especificidades; no estado fluminense, a história repetiu-se. Apesar das primeiras gravações de álbuns no cenário do rap estatal terem semelhanças notórias com o rap fabricado em terreno paulistano, com o passar do tempo, em 1990, ganhou qualidades próprias cariocas/fluminenses. Neste viés, a festividade de maior palco para os artistas do rap fluminense era apelidada por "Zoeira", que significava brincadeira, galhofa. Em outras palavras, o rap no rio mostrou-se muito mais descontraído do que o caráter do rap paulista: sério e crítico. No estado fluminense, o gênero rap fez aproximação com o rock, o reggae e o club por vezes.[94]

Perto do final dos anos 1990, dois artistas passaram a ser conhecidos na cidade de Niterói, a dupla Black Alien & Speed, e o grupo Quinto Andar. Falando particularmente do trabalho da dupla Black Alien & Speed, a sua fama tomou cenário nacional e foram muito bem avaliados no movimento do rap. Suas composições combinam um bpm acelerado, visto como frenético, com letras irreverentes, temas incomuns na área, um "estilo lírico e vocal original". Todas suas músicas misturam o ritmo do rap convencional no Brasil a outros advindos de ritmos com influências estrangeiras, em sua maioria, relacionados à cultura negra internacional.[94]

Rap nordestino

O rap nordestino detém elementos regionais muito característicos que os distinguem do resto do cenário do rap nacional. Dentro do terreno nordestino, o rap adaptou tanto a sua narrativa quanto suas criações sonoras, adquirindo influência do "repente", modo de produção musical no estilo fala cantada com a utilização de instrumentos musicais por pano de fundo. Com a chegada do rap no nordeste e os primeiros álbuns de sucesso, veio a adição de instrumentos musicais como o pandeiro, o triângulo, a ganzá, a zabumba e a viola.[95]

As maiores produções de destaque realizadas no contexto nordestino iniciaram no final dos anos noventa. Mas o "repente" mencionado, tem construção que remete a anos anteriores, e, ainda assim, aproxima-se do Rap, principalmente na modalidade do improviso. Sobre as narrativas do rap produzido no nordeste, chama-se atenção como num todo ele enfatiza as origens culturais advindas dessa região territorial do Brasil. Seus temas e problemas, estão de algum modo relacionados nas músicas com as raízes culturais nordestinas. Pode-se dizer que esses artistas encontraram na mistura de referenciais norte-americanos na produção do rap, e, nas formas de músicas típicas do nordeste, uma forma de elevar a música produzido regionalmente e preservar a legitimidade das suas composições. Contudo, constatar as semelhanças entre o estilo do rap feito pelos habitantes do nordeste opõe-se a identificar o rap nessa região brasileira como uma só face homogênea.[95]

Na Bahia, o rap adentrou de forma parecida com que entrou nos outros estados, por meio de filmes estrangeiros que primeiro deram origem ao hip-hop e pelos "bailes black" e "soul music". Entretanto, as peculiaridades do rap na Bahia em comparação aos estados do sudeste são mencionáveis. Estas diferenças se dão pelo perfil demográfico; pela miscigenação cultural sofrida pelo gênero musical; o surgimento do estilo chamado "axé music" simultaneamente ao rap e hip-hop.[96]

O desenvolver concomitante do estilo do axé music e do hip-hop na Bahia, especialmente na capital, Salvador, fez com que os fundadores do rap baiano tentassem fazer seu gênero musical tão diferente quanto possível do axé, uma vez que o axé music era performado e materializado por pessoas brancas, embora sua origem fosse nas percussões africanas. Aqueles que começaram o terreno do rap na Bahia, não conseguiram torná-lo difuso, mas fizeram com que fosse reconhecido por uma parcela da população baiana. Afinal, as principais referências no rap vinham de São Paulo e Rio de Janeiro, através dos Racionais MC's, MV Bill, Facção Central, Gabriel o Pensador, com ritmos muito diferentes dos que eram usuais. O rap, e por consequência, o hip-hop, deixava os instrumentos de percussão africanos, ou quaisquer outros instrumentos, para levar "samples" eletrônicos. Por isso, quando apareceu pelas primeiras vezes na Bahia, em 1990, foi tido por "alternativo", competindo espaço com a música eletrônica. Mais recentemente, de 2010 para cá, os rappers como Rapaziada de Baixa Fria, da primeira geração baiana no final dos anos 90, começaram a repensar suas influências e buscar uma reaproximação com a música ancestral africana.[96] Entre os nomes de outros artistas conhecidos advindos de Salvador que deixaram legado no rap nacional estão o de Baco Exu do Blues e Vandal.[97]

Para além da capital, o semiárido nordestino tem se transformado em palco para novos grupos de rappers. A banda de rap "P1 Rappers" surge nesse contexto da vegetação semiárida nordestina em Juazeiro (BA). Tal como outros artistas de rap, os membros do P1 narram as problemáticas e o cotidiano do dia a dia. Contudo, tal qual outros artistas do nordeste, veem no rap uma maneira de autoafirmar sua identidade em termos de regionalidade. O grupo possui quatro trabalhos musicais de 2013 a 2016, enaltecem símbolos locais e tecem críticas ao preconceito e à pobreza.[98]

Em Pernambuco, Recife, nos primeiros anos de 1990, a banda "Faces do Subúrbio" marca o fazer rap nordestino pelas letras que falavam sobre os preconceitos vivenciados pelos nordestinos no resto do país, e por seu instrumental que trazia elementos da música tradicional do nordeste. Em 2001, conquistaram o prêmio de melhor disco de rap/hip-hop no Grammy Latino.[95] Ao longo de outras regiões de Pernambuco, especialmente a região do agreste pernambucano, grupos rappers foram taxados de fazer das suas músicas uma apologia ao crime e à violência. Portanto, o rap em grande parte de Pernambuco ainda se encontra numa situação social de ser encarado pela ótica da criminalidade, baseados em interpretações de pessoas particulares, sem investir estudo no contexto social em que as músicas do rap foram produzidas.[99] No estado de Pernambuco, vem sido desenvolvidas várias pesquisas publicadas majoritariamente pela universidade federal discutindo sobre a inclusão do rap na educação de adolescentes e jovens do estado. Acredita-se que o rap possa trazer um ajuntamento de jovens vulnerabilizados pela construção de uma identidade, o "rapper";[100] também são discutidas as vantagens que o rap traria para o ensino de geografia em estado pernambucano, na intenção de fazer do ensino geográfico em sala de aula mais dinâmico e trazer para a educação reflexos das vivências em que os alunos estão inscritos, pois o rap traria a realidade das periferias nas quais muitos alunos vivem.[101]

Há uma discussão interna entre os rappers de grupos distintos em pernambucos. Pois, por um lado, se existem grupos mais agressivos de gangsta nos domínios pernambucanos, também existem aqueles artistas que não se veem nessas letras porque acreditam viver realidade muito diferente do que as retratadas nas letras. A principal influência nacional que levou os cantores de rap no estado de Pernambuco a produzirem letras mais agressivas foi a "Facção Central", grupo brasiliense supracitado. Porém, alguns dos cantores dividiram-se por defenderem (ou não concordarem) com o pensamento de que o rap precisa ter um compromisso com a verdade ao entorno. Como em Pernambuco os problemas enfrentados não eram os mesmos que aqueles combatidos pelo grupo do DF, cantar aquilo, para eles, seria falso. Entre os variados grupos e crenças pessoais, no interior de Pernambuco, cabe mencionar "Consciência Nordestina", "Juventude Sangrenta" e "Família Morro do Bom Jesus";[99] os últimos, mais reconhecidos pelo nome Família MBJ.[102]

No estado do Ceará, o artista RAPadura Xique-Chico, incorporou quase todos os elementos presentes no imaginário do nordestino para as letras, instrumental e performance das suas canções. Dentre os demais artistas citados no rap nordestino, Chico é o que mais abusou da cultura do nordeste. O rapper adota tradições nordestinas que vão desde a forma de cantar até a maneira de se vestir, com roupas articuladas ao estereótipo do "ser nordestino". Segundo o cantor, a inspiração para fazer músicas de rap tão nordestinas veio da mudança para Brasília, onde entrou em contato com o gênero musical nas periferias, e o contato com sua cultura de nascença a partir de CDs do seu pai. Ainda de acordo com seu depoimento, a sua criação dentro de casa era muito rígida, por essa razão, precisava esconder que estava fazendo rap. De certo modo, confessa a colaboração dessa rigidez para que ele fosse atrás de referências musicais dentro de casa, nas músicas nordestinas.[95]

Com integrantes do Maranhão, o Clã Nordestino tomou rumo diferente de Xique-Chico e da banda Faces do Subúrbio. Enquanto os outros artistas citados até então estavam mais focados em colocar nas letras as vivências do nordeste, o Clã Nordestino retomava o tema clássico de raça vindo do Hip-hop e do Rap paulista; conforme explica um de seus integrantes, todos os membros da banda tinham referências fortes de Malcon X, como também de Zumbi dos Palmares e Negro Cosmo. Logo, por conta das influências de ativistas e cantores do movimento negro, a militância na temática racial surgiu de forma natural nas letras do rap maranhense. Uma das formas evidentes da temática racial, foi a adoção do pronome "Preto" no nome artístico do participante da banda, "Preto Nando". Alguns álbuns também acentuam a temática racial pela inversão do sentido original de palavras negativas associadas à cor negra.[95][103]

Os jovens do Piauí viram no rap um meio para expressar suas angústias e reivindicações sociais; em Teresina, capital do estado, o rap representou as vozes dos jovens das periferias que eram constantemente excluídos das políticas. Noutras cidades do interior do Piauí, o rap seria mais, ou, menos crítico. Por exemplo: no território de Picos, o rap veste novos trajes, sendo mixado com músicas e culturas tradicionais, assumindo papel transformador no modo como as letras eram pensadas. Em outras regiões do interior do Piauí, o rap aparece com significado muito parecido ao da capital, trazendo à tona problemas enfrentados por uma classe periférica excluída em forma de protesto. Ademais, nota-se a grande presença do rap paulistano feito pelos Racionais MC's nas referências de todo o estado. Dentre os nomes de grupos de rap, Relatos Periféricos narra a vida na zona norte da capital, região de subúrbio.[104] Mesmo no rap feminino, mulheres nordestinas do rap abriram caminhos, como é o caso da rapper Nakkay e de Fênix - ganhadora da "Batalha da Cultural", uma das maiores batalhas de rap piauiense-.[105]

Em Aracaju, Sergipe, o hip-hop chegou no fim dos anos 80, mas o rap em si, vigora um pouco mais para frente, a começar nos anos 90. Desde que estreou nas terras sergipanas, o rap detinha tom crítico, explorava temas étnicos raciais e denunciava problemas da sociedade. Na cidade aracajuana, o rap chegou depois da dança break, um dos quatro elementos do hip hop. Por conseguinte, o grupos mais antigos de rap em Aracaju iniciaram no território do breaking. Tal é o caso do grupo "Break bronca", que era até 1992 um grupo de dança, e depois dessa data, passou a se chamar "Bronca e CIA" ao desenvolver canções de rap além da dança do hip hop. Um dos participantes desse primeiro grupo conta como na cidade litorânea capital de Sergipe, o rap e o hip hop estiverem de certa maneira segregados numa zona da cidade. Os habitantes da zona norte eram os responsáveis pela difusão das práticas culturais ligadas às periferias norte-americanas, enquanto a zona sul da cidade, sequer tinha grupos de rap formados nos anos 90. Outrora em Aracaju, nomes importantes para a história do rap nordestino foram "Mensagem Negra", "Radiografia Mental", "Ação Crítica", "Face oculta", "Face Negra", " Mente Armada", "Revolução Negra", entre outros.[106] Lá, em Aracaju assim como no Piauí, as mulheres também alcançaram destaque e começaram a disputar territórios que eram antes dominados por homens.[107]

Quando o rap chegou em Alagoas, atingiu em primeira instância os jovens periféricos da capital, Maceió. Todavia, o hip hop chegou por influências que não o retratavam exatamente como uma forma de denúncia. Afinal, é público o conhecimento de que outras formas de se fazer rap existem, tratando de temas mais casuais, mais regionais, mais cotidianos, enfim, simplesmente diferentes de uma crítica. Essa característica de usar o hip hop na sua forma oral do canto como forma de protesto incidiu na cidade capital de São Paulo, e depois se espalhou para o resto do Brasil. Somente nos anos 90 os jovens alagoanos teriam acesso ao hip hop paulistano dado a migração de um DJ que era nascido na cidade de São Paulo para o estado de Alagoas em 1994. Em Alagoas, o rap passou por um processo de criminalização, não só o rap em si, mas também os rappers, seus praticantes; alguns dos artistas questionam as razões desse preconceito tão antigo presente até os dias de hoje, se, atualmente, o rap mostra-se muito mais popular e menos explícito do que um dia já fora ao abordar os problemas socias; outros artistas do cenário rapper, afirmam acreditar que o preconceito não é contra o rap, mas contra a raça e contra a periferia, resultado de um olhar racista. Nota-se no estado de alagoas a ascensão de grupos de rap na cena "tradicional" e na cena do "gangsta rap", e entre os nomes de grupos rappers na região podem ser citados os "Neurônios SubConsciente", o grupo gangsta "Família 33" e o jovem "Mano Lucca".[108]

Os estudos feitos na Paraíba acerca do papel do rap apontam que nesta localidade, o rap participa fortemente da educação social dos jovens periféricos, ao proporcionar espaços de socialização diversos e permitir à juventude paraibana sentir-se protagonista.[109] Dos locais de reunião na Paraíba, reúnem-se rappers de Pernambuco, imigrantes nordestinos que moravam em São Paulo e, os próprios nascidos no estado paraibano.[110] Embora a cultura do hip hop esteja presente a tanto tempo quanto nos outros estados brasileiros, os quais remetem ao início do hip hop nos anos 1980, na Paraíba, o rap consagrou-se alguns anos depois, no final dos anos 90. Em 1989 Dinarte e Paulinho inauguram um marco no hip hop do estado ao gravarem a canção de rap "Melo" da Setusa. Nesta época, igualmente foi formado o grupo rapper "hip-hop dance", e, logo breve, o grupo "Tribo Ethnos". Depois, na segunda geração e entre os da atual cita-se o rapper "Alê da Guerra Santos", "Aliados de Mangabeira", "Realidade Crua", "Revolucionários do Rap", "Cassiano Pedra" e muitos outros. Para praticar o gênero musical, fazer manifestações, ensaiar, abrir aulas de dança, o local escolhido foi o Centro de Convenções do Espaço Cultural, até os rappers serem impedidos de frequentar o local, por atrair "todo tipo de gente".[110] Mas, o rap não parou com a abolição da prática nos centros de cultura, apenas migrou sua execução para praças da cidade, como a Praça do Coqueiral, no bairro da Mangabeira. Assim permanece hoje, com diferenças no formato originárias da modalide "batalha de rap".[109][110]

Num lugar como o Rio Grande do Norte, onde mais de dez 10% da população na capital vive nas chamadas favelas e os crimes de homicídio entre os jovens não são raros,[111] o rap é necessário como fonte de expressão. O rap natalense serve para apoiar os sonhos dos jovens ou simplesmente para acolher os medos; independente do símbolo que cumpre para cada jovem, o importante é que os jovens encontrem nele uma forma de manifestação dos sentimentos. Além disso, nessas comunidades relata-se a ausência de centros culturais ou de lazer para garantir os direitos daqueles que ali vivem. Por isso, o rap natalense, normalmente realizado em praças comunitárias, fornece aos moradores periféricos uma possibilidade de entretenimento. Alguns dos praticantes entendem que a inserção da cultura dentro dos bairros de comunidades ajudaria para a redução da criminalidade, mas afirma que os contratantes preferem atrair gente de fora da cidade ou até mesmo do Brasil. Apesar da alta incidência de artistas rappers dentro das zonas periféricas, os cantores de rap local pouco são conhecidos, mesmo dentro da cidade.[111] Entretanto, a maior forma de expressão do rap natalense ocorre pelas batalhas de rap, que teriam iniciado na cidade em 2005 pela primeira vez. Após longo período, passaram a ser reconhecidos e incentivados pela Secretaria de Cultura de Natal, expandiram-se para cidades do interior de Natal (Parnamirim, Caicó, Ceará Mirim, Mossoró, Macau, Currais Novo, Extremoz) e conquistaram palco mesmo na universidade pela "Batalha do Coliseu". Normalmente, as batalhas de rap natalenses usam das praças para se efetivar, por vezes, estacionamentos de supermercados e escadarias.[112][113]

Rap no centro-oeste

Goiânia, no estado de Goiás demorou a conhecer os elementos do hip hop em comparativo com outros estados e regiões aqui apresentados. Na capital de Goiás, os primeiros indícios relativos ao florescimento do hip hop viriam através da dança, e esta, só chegaria no território nos anos de 1984. Mas, o rap seria consolidado na cidade mais à frente na linha do tempo. Em, fim dos anos 80 para a virada dos anos 90, quase dez anos depois do início do hip hop nas terras brasileiras, o rap brota em Goiânia. Um dos seus primeiros nomes é o Rapper Bigode, com seu grupo "Realidade Carcerária". No entanto, como o rap veio carregado com um estilo estrangeiro, roupas novas, músicas desconhecidas, não foi bem recebido na cidade que era sertaneja. Seus modos divergiam muito do modo como viviam os habitantes da capital. Por este motivo, a polícia tentou parar as ocorrências de encontros neste propósito de dançar break e fazer rap. A partir da criação de eventos com contingente populacional expressivo, outros rappers viram nessas ocasiões incentivos para criar mais grupos. Daí, pode-se citar, em Goiânia, "Paulinho Mola" e "Selvage do Eletro-rock". Na região de Aparecida de Goiânia, "Conexão Suburbana". Dos anos 90 até perto dos anos 2000, eventos aconteciam com frequência aos domingos no Centro Cultural Martin Cererê. Esses encontros apenas pararam porque foram transferidos de lugar para a "Casa de Dança Cantoria", casa noturna em Goiânia. Pelos anos 2000, os rappers das gerações anteriores puderam gravar CDs e difundir o rap produzido naquela região do centro-oeste para o resto do país (ou para fora do país). Também na virada de século, muitos outros grupos de rappers foram formados, entre eles: "Rapper Boneco", do grupo "Atentado Napalm", "Tubarão", do "Mega Break Crew", "Guilherme Eurípedes".[114]

Na cidade de Goiânia uma característica marcante é a valorização de grupos de break e a grande dimensão que a modalidade de dança, ligada diretamente ao hip hop, tem no município. Frequentemente, ocorrem competições premiadas para os dançarinos de break, segundo depoimentos de artistas locais, com prêmio variando entre 3000 até 8000 reais, em território nacional. Contudo, os b-boys do break não se limitam a competir na cidade, no centro-oeste, ou no país. Comumente, recebem convites para competir em países do exterior. Isso não acontece com as competições de rap em Goiás. A maioria, não oferece prêmio nenhum, explicam os competidores. Quando premiadas, no máximo com folhas ou com quadros. Enquanto no break, o prêmio é sempre um troféu ou dinheiro. Isto impede que os artistas de rap invistam nas suas carreiras, porque o custo para gravar álbuns e publicar no formato de CD excede aquilo que conseguem pagar. Além de não receberem incentivo externo. Outra comparação válida é entender como a música sertaneja no estado de Goiás possui remuneração em centenas de milhares, porque agrada mais à classe conservadora.[114]

A cena da batalha de rap pública vem igualmente tomando espaço na cidade de Goiânia. Atualmente, há batalhas de rap diárias, algumas vezes em meio a outros shows do gênero rapper.[114]

Mato Grosso ainda tem poucos nomes rappers conhecidos pela mídia, pelo menos, rappers que seguem carreira de produção autoral. No ramo da batalha de rap, prática que também é comum no estado mato grossense, alguns nomes se destacam como: MC Havel, jovem que irá disputar a mais importante batalha de MC's nacional, o "Duele de MC's Nacional". Na cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso, sucede a "Batalha do Alencastro", que é tradição todas quintas-feiras desde 2016. Segundo o rapper MC Havel, a cena da batalha de rap elevou-se em Cuiabá, que é um lugar com menos investimento nesse setor e algumas vezes menos infraestrutura, em comparação a outros estados.[115]

O estado de Mato Grosso do Sul tem grande semelhança ao estado de Goiás e de Mato Grosso em relação às práticas do rap. Pois, da mesma forma que ocorre em Goiânia e nos interiores do estado goiano, a cena musical no Mato Grosso do Sul estava sob domínio da música sertaneja e de um público extremamente conservador nos seus gostos; sem abrir os olhos para os novos estilos que estavam surgindo no estado. Com a finalidade de popularizar o rap e desvincular dele alguns preconceitos, como, por exemplo, a noção de que o hip hop e rap estão ligados ao uso de drogas, organizou-se o evento Papo de Rua. Vários artistas na cidade participaram do evento, que misturou comunidade e áreas abastadas financeiramente. Por conseguinte, a festividade deu origem a novos grupos de rap, e estes precisaram pensar novos jeitos de continuar produzindo sua arte num estado que não os apoiava economicamente nem simbolicamente. Aqui se nota a semelhança dos grupos rappers do Mato Grosso do sul em relação aos demais do centro-oeste: o principal problema a ser superado parece ser a falta de dinheiro para organização de apresentações, gravação de CDs, ou publicação de suas músicas em qualquer meio. No Mato Grosso do Sul, administrar eventos de festa foi a solução encontrada para resolver esse problema, ainda que isso significasse alavancar altas dívidas para proporcionar as bebidas, cachês e outros pontos específicos da organização.[116]

Nos limites do Mato Grosso do Sul, a batalha de rap também acontece. Entre os pontos dessas práticas, estão Três Lagoas e a Praça Rádio Clube. A batalha de rap mantém a proposta original do rap nacional, de usar do gênero para fazer críticas. Muitas vezes os jovens e adolescentes fazem das batalhas de rap um momento terapêutico, no qual esvaem suas angústias ou outros sentimentos. Esse uso da batalha de rap tanto permite a esta parcela da população em regiões periféricas conseguir voz, denunciar, quanto ameniza sentimentos guardados no íntimo dos habitantes locais ao se verem representados nessas letras.[117]

É inclusive nas terras sul-mato-grossense que um dos mais conhecidos rappers contemporâneos do Brasil nasceu, no município de Dourados. Brô Mc's é o primeiro grupo de rap indígena a se apresentar num show do Rock in Rio,[118] e se destacam por serem pioneiros no fazer do rap indígena. Entretanto, ao contrário do que as palavras rap indígena possam passar a impressão, o objetivo dos quatro integrantes do grupo não era trazer temas singulares da vida indígena ou ritmos locais.[116] Isto é, foi menos um processo de assimilação e mais um processo de identificação. Os rappers de Brô Mc's, relatam que a ideia de produzir rap vindo das aldeias indígenas surgiu quando ouviram uma canção de rap que tratava de um homem morto por um acerto de contas. Nesta ocasião, os amigos indígenas lembraram de casos parecidos na localidade em que frequentavam, e decidiram expressar pela música.[119] Logo, percebe-se que o rap dos Brô Mc's vinha com a mesma intenção de servir como crítica, influenciados pelo rap nacional na mesma proporção que outros rappers do Brasil o foram, independente da etnia. Para o propósito do grupo, pouco sentido havia em escrever letras específicas sobre os costumes indígenas ou trazê-los na produção instrumental musical, porque queriam mais do que tudo relatar problemas vivenciados na aldeia igualados, no seu ponto de vista, aos de favelas. O público saberia que são problemas dos indígenas porque eles são indígenas, excluindo a necessidade de maior representação.[116]

Rap no Norte

O rap é patrimônio cultural imaterial de Roraima, desde 2022, quando o plenário da Assembleia Legislativa do Estado assim o declarou e criou o Dia Estadual do hip hop, a ser celebrado no dia 11 de dezembro anualmente. De acordo com representantes da Assembleia Legislativa, a intenção da declaração seria evitar que os rappers estaduais e outros praticantes do movimento hip hop viessem a ser novamente perseguidos.[120] Conforme instituído, no ano seguinte celebrou-se o hip hop no estado roraimense e além disso, o Centro de Convivência da Juventude, ligada aos programas especiais da Assembleia Legislativa Estatal passou a oferecer aulas de break, acompanhadas do estilo musical do rap.[121]

Sobre a história do rap no estado de Roraima, poucos registros foram feitos antes dos anos 2010. Sabe-se que o primeiro CD de rap gravado em Roraima foi lançado em 2011, de autoria pertencente ao grupo do rap. De acordo com MC Frank D' Cristo, um rapper do estado, já era conhecido o rap antes dos anos 2000 no estado ao extremo norte do país. Contudo, segundo suas palavras, o rap no final dos anos 90 tinha "ouvintes" em Roraima. Pois, as primeiras manifestações registradas no fazer do rap seriam apenas ao longo dos anos 2000. Em 2011, quando gravado o primeiro CD, muitos outros rappers inspiraram-se para divulgar suas produções músicas, mas, para isso, utilizavam das redes sociais. Gravavam vídeos para postar na internet ou divulgar em grupos familiares no Whatsapp. Em 2018, a maioria dos indivíduos no estado e em todo o país tinham acesso à internet; por isso, a partir deste período, muitos mais registros surgiram. Entre os anos de 2018 e 2019, pesquisa realizada numa amostra de 90 pessoas, mais de 90% dos artistas eram do gênero masculino. Apesar de existirem movimentos de mulheres no rap roraimense, como o grupo: Batalha Dela's, a cena ainda é dominada por homens.[122]

Contudo, o rap em Roraima tem sido estendido a um maior número de pessoas e de variadas identificações. Hoje, em municípios do interior do estado são vistas batalhas de rap organizadas por agentes do movimento hip hop estatal. Também são promovidos eventos por estes mesmos agentes no sul do Estado, ainda que muitas vezes precisem agir quase individualmente pela ausência de apoio econômico das governanças estatais. Além disso, pelo território ser uma região de fronteiras, tem crescido igualmente número de migrantes na cena musical-cultural. As práticas de rap no estado dividem-se entre os produtores que gravam músicas autorais de artistas compositores, aqueles que cantam e gravam suas próprias músicas, os grupos de rap (com ou sem o auxílio de uma gravadora) e a prática de batalhas de rap, onde, normalmente, o público é mais variado. Quanto às batalhas de rap, instalam-se ou em Boa Vista ou em Rorainópolis, município do interior do estado. Em Boa Vista, têm-se a Batalha da Orla, a Batalha do MiniTerminal, e a Batalha Dela's. No município interiorano de Rorainópolis: Batalha da Pista, Batalha do Extremo, e Batalha da Caverna; nota-se que alguns dos títulos transmitem informações a respeito do local de atuação, mesmo que não seja regram determinada. Ademais, é possível perceber como essas localizações presentes no nome, referenciam lugares públicos. Isto acontece porque é escassa mídia radiofônica que divulgue o rap na região ou bares e restaurantes que apoiem constantemente o gênero musical. Assim, a solução mais próxima foi apropriar-se de locais públicos e publicar de forma independente, por redes sociais ou por blogs, o cenário rapper no ambiente roraimense.[122]

Desse cenário de oportunidades limitadas, rappers da cidade de Boa Vista viram uma oportunidade para gravação. Ali, nas ruas, praças e parques da capital do estado de Roraima, os rappers roraimenses Rafah Black, Narc, Mari D' Sant, Yunk Mak, Lil Plug, CAE, La Motia e o produtor Caboco Beats gravaram o disco "Estúdio Rua - Vol.1". Nesta ocasião, a intenção era engrandecer o disco com os ruídos e barulhos da vida cotidiana no estado de Roraima, sob o financiamento da Lei Paulo Gustavo. No entanto, os espaços públicos gravados representam a estes rappers locais que precisaram passar por vitórias, derrotas, conflitos e perdas. Em outras palavras, um lugar de crescimento no cenário rapper roraimense, que nem sempre contou com tantas vozes.[123] Todos os convidados na discografia ao ar livre contribuíram com seus beats únicos, misturando lo-fi, jazz, e outras variações contidas no gênero musical rap. Afinal, são variados os artistas de rap no estado de Roraima.

Mais recentemente, os rappers Mc Frank D'Cristo, 7Niggaz e Dj Mizael promoveriam uma união dos seus estilos para compor numa única temática: as periferias de Roraima. De acordo com a ideia central do projeto, existiriam outros rappers no Brasil inteiro para falarem sobre os problemas nacionais, mas o poder de falar sobre Roraima, seria deles.[124]

Em Manaus, Amazonas, o rap ocupada novos ambientes e espaços da cidade que tradicionalmente não pertencia. Se o rap é visto como um gênero musical periférico, taxada antes de "underground" ou alternativo, na cidade de Manaus funciona de modo relativamente diferente. O rap proveniente da cidade de Manaus assume o centro da cidade, regiões consideradas "privilegiadas", além de estar presente nos principais eventos da cidade sobre cultura e turismo. Neste viés, o rap deixa de se concentrar em uma só região periférica, mas se distribui para praças no centro da cidade e pedaços de locais onde ocorre o circuito turístico/cultural; inclusive, apresentam-se em bares de prestígio e festas regionais. Isso acontece em parte porque dentro do centro, existem novas "subcentralidades", lugares que no início faziam parte do centro e eram frequentados pelo público das classes mais altas, mas, com o tempo, passaram a ser locais para as pessoas periféricas se encontrarem. Acerca desse novo público, outras questões são estabelecidas. Afinal, o tempo de deslocamento do centro para a periferia, onde mora a maioria dos rappers, é de mais de uma hora (24 km). Assim, vir de bairros nomeados periféricos para o centro de Manaus somente fazer rap em dias de evento ou em dias da casualidade constitui verdadeiro esforço e gasto econômico. Todavia, esses jovens rappers enxergam nesse deslocamento uma oportunidade para fazer uma "transformação sociocultural/socioeconômica em nome da comunidade periférica como um todo". Então, de fato, a cidade de Manaus sofre transformações advindas do rap, a primeira delas é a simples ocupação, que muda a organização anterior de classes baseada na divisão centro-periferia. A segunda, é a ação dos rappers na sua arte, em cantar relatando os problemas vivenciados por eles. Já a última, consiste na reafirmação das suas políticas por meio da aprovação, em Manaus, de editais de fomento à arte e à cultura. Um dos adeptos ao rap no centro da cidade, o rapper MaiKou CHC argumenta o desejo mútuo entre os seus colegas em espalhar-se por Manaus, na intenção de quebrar com a visão de que o rap é um produto da periferia e não pode/deve ser expandido. Além de MaiKou CHC, outros nomes importantes do rap do município e também da luta para expansão do gênero musical são: Malhado Monstro, Negro R, Denny Vira Lata, Jander Manauara.[125]

Apesar do Pará ter poucos registros sobre a influência do rap, a resistência dos artistas pinoneiros na cidade de Belém, no estado paraense, foram essenciais ao movimento do hip hop e ao rap estatal. As letras do rap paraense misturam-se com arranjos típicos da região do norte do país, mas não deixam de abordar temáticas relacionadas à violência policial, desigualdades sociais e abandono pelo Estado. Dentre os pioneiros do rap no estado, está a "Bancada Rap Gospel" e Bruno BO.[126][127] Durante os anos 90 e 2000 no começo do movimento hip hop no Pará, também surgira muitas batalhas de rap e organizações de break. Desde os registros mais antigos do rap nesse estado, notam-se misturas entre o ritmo do carimbó e do rap nacional no hip hop. Logo, quando o rap chegou nessa parte do norte do país, não foi apenas apropriado, mas foi ressignificado junto às tradições musicais locais.[126]

Atualmente, o Pará tem artistas rappers diversos. Alguns deles foram capazes de se aproveitar das redes sociais para divulgar seu trabalho a marcas e outros patrocinadores. Então, puderam arrecadar a renda necessária para o seu trabalho, além de convites para shows, festas, campanhas e outros eventos mais. A manutenção do financeiro de seus empregos no rap passaram a depender do número de visualizações nas postagens. Ou seja, do engajamento.[126] Além do mais, nesse mesmo cenário heterogêneo do rap paraense, viu-se a ascensão do rap feminino. Ruth Clark, Negra Bi, MC Cakau, são algumas das rappers em cena recente da notoriedade do rap feminino. Elas são desde poetizas, até gravadoras de CD autoral, ou frequentadoras de batalhas de rap. Todas, embora com suas diferenças, enfatizam a singularidade do rap feito no Pará, por conta dos temas focados nos problemas do estado e da união aos estilos musicais precedentes.[128]

No estado do Amapá, o hip hop teve suas manifestações inicias nos anos de 1980, com grupos da dança de rua, a exemplo do "Os Cobras Verdes", formado por cinco jovens, Thiaguinho, Ninito, Chinapau, Dadinho e Renilde. Inicialmente, a fonte de inspiração para o grupo Os Cobras Verdes foram as telenovelas que circulavam na mídia brasileira televisiva. Duas novelas que continham elementos da dança break eram "Dancin'days" e "Partido Alto". Esta última, contemplava tanto qualidades do samba brasileiro (a tradição) quanto elementos do hip hop, na sua forma de dançar (a modernidade). Assim, a influência das transmissões midiáticas marcou a primeira geração dos adeptos ao hip hop. Por mais que ainda não se fizesse rap amapaense, todas essas referências na instauração do hip hop no Amapá, colaboraram futuramente para determinar os rumos do gênero musical rap. Em contrapartida, o primeiro grupo de apropriação do hip hop enquanto música, isto é, o rap, no estado do Amapá, chama-se Máfia Nortista. Ao menos, sabe-se que foram os primeiros a gravarem um disco, gravar videoclipes, ter selo e estúdio de gravação. Como no começo dos anos 2000, rappers do Amapá não tinham gravadoras interessadas em publicar lançamentos autorais, nomes tipo Máfia Nortista compreenderam que ter o seu próprio estúdio de gravação era o resultado necessário. Neste período, apesar dos dançarinos de break já terem sido razoavelmente sucedidos, sendo chamados para festas, eventos, participando de propagandas; os rappers ainda lutavam para alcançar uma divulgação maior do que aquela a qual ficavam restritos — produzir músicas com temas políticos para divulgar partidos em época de eleições — . Consequentemente, para realmente expressar o que desejavam nas canções de rap e "manipular" como gostariam, os artistas de meados dos anos 2000, sentiram necessidade de construir estúdios caseiros. A prática no Amapá foi iniciada pelo grupo Máfia Nortista, mas depois vieram outros rappers a repetir a atitude. Em geral, esses estúdios eram montados com um computador, um microfone e uma caixa de som, com produtos baratos em um espaço pequeno.[129]

Em relação às particularidades que o rap ganha ao adentrar o estado Amapá, uma delas é a incorporação de instrumentos afro-amapaenses de percussão. O tambor, de nome Marabaixo, ou Caixa de Marabaixo, entrou de forma tímida no rap que já rodeava o Amapá. A partir de então, a prática ficou conhecida nacionalmente, e não muito tempo depois foi feita uma associação de rappes que tocavam o Marabaixo junto ao gênero musical do rap. Num todo, é possível afirmar que a cultura amapanese nunca se apagou mesmo com a chegada da modernidade (de novos gêneros músicas). Lá, até as palavras importadas do estrangeirismo, como "rappers" foram substituídas por outra que melhor se encaixava na linguagem local "repeiros".[129]

Atualmente, o rap amapaense conta com grande apoio do governo, responsável por divulgar eventos de rap, hip hop, e promovê-los por meio da Secretaria de Estado da Cultura com parceria da Fundação Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.[130] Ademais, na história mais recente da promoção do rap no estado, as mulheres amapaenses estão representadas em grupos de rap tal qual "Sociedade Rap Feminista", e trazem entre seus assuntos, debates que afetam majoritariamente as mulheres; isto inclui discutir a política sexual, dentro e fora do movimento do hip hop.[129]

O rap no estado do Acre, em foco, na sua capital Rio Branco possui características e neologismos ímpares. Urge no estado concomitantemente ao hip hop, nos anos de 1980, devido à influência de filmes estrangeiros. Nessa ocasião do surgimento, o hip hop levou a duas "divisões", os praticantes do rap e os do break. E, apesar da sua longa história de resistência no estado acreano, só veio a ser reconhecido pelo governo na primeira década dos anos 2000, quando foi instituída a semana do rap em Rio Branco.[131]

Alguns dos grupos de rap localizados no estado em questão são: Kalibre 12, Zona IX, Yaconawas, Tallisson Araújo, Kaemizê, Real Nattan, Mano Z.[131][132][133][134]

No estado de Tocantins, o rap prevalece nas batalhas de rap. Mesmo em cidades mais distantes da capital, há presença de batalhas de rap, inclusive, das batalhas de conhecimento. Dois nomes do rapper estatal Mc Th e Mc Alucard mostram por meio das suas músicas da modalidade de conhecimento, como o rap pode ser utilizado para a educação dos jovens e adolescentes os educando contra preconceitos de cor e de estilo, uma vez que os rappers são cotidianamente taxados de bandidos pelo modo de se vestir. Os palcos das batalhas de rap gerais — ou seja, fora do contexto educativo em que à primeira vista foram citadas—, são praças da capital ou do interior de Tocantins. Uma das mais conhecidas em Araguaína, município do interior de tocantins, é a batalha da praça cimba, a "Batalha do Cimba". Tal batalha de rimas improvisadas tem frequência semanal, e é parte da programação de vários rappers do estado de Tocantins.[135] Por outro lado, sobre as temáticas, vão desde críticas da marginalização dos ambientes periféricos do estado, quanto o domínio de elites em meios midiáticos, o poder das redes e de televisões na transmissão de notícias, a manipulação de informações, a necessidade de amadurecer de forma precoce, a apropriação de sonhos de classes abastadas, protestos contra políticas fascistas, o racismo, a violência urbana, entre tantos outros.[136]

Alguns dos nomes no rap de Tocantins: Mc Lemes, Mc Snout, Mc Ferrugem.[135]

A onda do break iria a Rondônia nos anos de 1983 e 1984, levando consigo posteriormente outros elementos do movimento cultural. Nos anos 90, o rap ficava popular no mundo e também no estado de Rondônia, porém, ainda não era uma prática sabidamente praticada. Ainda que tenha passado por um longo processo de resistência para dar prosseguimento até os tempos presentes, o rap em Rondônia já é praticado por homens e mulheres.[137] O rap no território de Rondônia tem nas suas temáticas temas "macro", isto é, notáveis em todo o Brasil, entendidos pelos indivíduos do "micro", o estado. Por exemplo, o rap nacional é marcado por tratar de questões étnico raciais, mas, cabe ressaltar que a realidade da distribuição racial no norte é distinta daquela que se vê nos estados expoentes do rap no sudeste. Há presença de indígenas, de ritmos musicais tradicionais influenciados pelos saberes dos povos tradicionais. Dessa forma, os grupos excluídos na Amazônia, os que tipicamente usam do rap para expressar sentimentos, são diversos. Não só pessoas autodenominadas negras, mas populações indígenas, veem o rap como forma de expressar a repulsa diante das desigualdades sofridas. Porque, no rap, o termo de união dos dois grupos é a luta contra o eurocentrismo em sua materialização prática nas condições políticas e sociais no Brasil. Logo, em Rondônia, todos aqueles que não se encaixam nas classes que recebem o direito à cultura, ao lazer, à educação de qualidade, à infraestrutura, veem no rap um modo de expressão. As letras dos raps gravados em Rondônia costumam representar num todo os povos amazônicos enquanto populações que habitam a região da Rondônia, isso inclui ribeirinhos, pessoas negras, indígenas. Sempre focados em denunciar problemas de cunho político e aumentar a autoestima dos povos locais, ao fazer da música local um produto de identificação direta aos povos originários.[138]

Entre os nomes do rap no estado, podemos mapear: MC Nanda, o grupo Quilomboclada.[137][138]

Rap no Sul

O rap gaúcho teve influência global, nacional e regional. Do global, a cultura do hip hop e toda sua chegada, da nação brasileira, o processe de aglutinação com outros modos de fazer rap além dos que eram conhecidos outrora pelos habitantes do estado, e, por último, regionalmente formularam seus temas; Quando praticado por mulheres gaúchas, o rap é referido informalmente e num genérico por "rap das gurias", uma vez que guria é um termo normal para referir-se a mulheres jovens no sul extremo do Brasil. Este rap feminino, tende a trazer temas relacionados à violência no gênero, às opressões masculinas, à jornada pelo reconhecimento.[139] Por outra via, o rap cantado pela maior parte dos homens sulistas no Rio Grande do Sul visa abordar ou criticar a realidade das periferias, espalhar regras das suas comunidades e seus ideais, protestar contra opressão policial, e transmitir uma visão realista do que é morar nessas zonas do sul.[140]

Alguns dos nomes dos rappers no território rio-sul-grandense são "Gáuchos MC's" e "Rafa Rafuagi".[140][141]

Mesmo em cidades do interior do estado, observa-se a efetuação de batalhas de rap de larga escala. Em São Leopoldo, município do interior do Rio Grande do Sul, foi sediada a Copa Sul Freestyle, um evento com presença de mais de 30 rappers de todo o estado. Depois, a Copa se alocaria ainda em Muçum. Apesar do sucesso das batalhas, outras modalidades de rap reconhecidas no estado sul-rio-grandense,[142] pode-se citar corretamente o o slam, freestyle e sarau de poesia.[139]

No Paraná, o rap difundiu-se pela capital e por vários municípios do interior; o rap paranaense surgiu como uma oposição da imagem criada para representar Curitiba, e o estado num todo. Além dos migrantes europeus, dos brancos, existem pessoas negras e periféricas por toda região paranaense. No rap, algumas pessoas periféricas ou negras veem um caminho pelo qual podem expressar seus sentimentos e problemáticas, ganhar uma voz e desfazer imagem tradicional do que é um morador do Paraná. De uma amostra de 19 raps produzidos no estado do Paraná entre os anos 1998 e 2010, as temáticas retratadas variaram significativamente, mas, como características comuns a quase todos podemos mencionar a citação de provérbios e expressões idiomáticas; por exemplo: "A morte não vem a cavalo, agora vem a camburão" (frase referente ao provérbio: "A vingança vem a cavalo"), "Quem vai por a mão na brasa então" (expressão idiomática derivada de "pôr a mão no fogo"). Nem sempre a menção de provérbios e expressões idiomáticas reflete uma mera repetição, em algumas músicas toma forma oposta, ou seja, são referidos para serem negados. Por vezes, rappers recorrem a parlendas nas letras compostas, tal qual: "Se essa rua fosse minha", em versões descendentes adaptadas. Sobre os recursos artísticos utilizados nos raps do Paraná, vale explicar ainda que o uso de provérbios ou frases decoradas não é ocasional, porém, planejada para atingir os ouvintes num coletivo, por meio de frases que podem ser memorizadas e repassadas, além de transformar situações complexas em discursos.[143]

Quanto aos assuntos abordados pelo rap paranaense, tratam das periferias, da violência, da autoestima, discursos de motivação e problemas sociais. Entretanto, faz distinção ao resto do rap nacional ao não falar explicitamente sobre questões raciais. Um dos grupos de rap curitibano escolhe ser chamado de "Branco favela". reiterando a identidade étnica branca enquanto assume a condição socioeconômica periférica.[143] Em pesquisas datadas de anos mais próximos da atualidade, de 2018 para a frente, foi relatado o aumento da participação de mulheres negras no Paraná; elas concordam na ideia que as mulheres e as pessoas da etnia negra tem ganhado mais espaço no rap paranaense ao longo dos anos, todavia, ressaltam como estão longe de estarem num pé de igualdade representativa em relação aos homens, e, na localidade, de homens brancos. De acordo com relato das mulheres negras rappers no município de Londrina (PR), o preconceito racial está em todos lugares, todavia é mais forte dentro das batalhas de rap, porque o rap discute a violência, temas de periferia, e as mulheres negras frequentemente são marginalizadas ao cantarem o estilo musical.[144]

Mesmo dentro das escolas, o rap é visto com receio por alguns membros do corpo docente. Embora seja reconhecido por todos como um estilo musical, a maioria não enxerga com bons olhos a adoção do rap em forma educativa dentro do ambiente acadêmico. Assim, mais uma vez é reforçado o tradicionalismo dentro do estado referido no sul. Não só na escolha por não se manifestar abertamente contra questões raciais, como na minoria exorbitante de mulheres negras no movimento, mas, também, pelos preconceitos de alguns professores por adotarem o rap nas suas salas de aula, ainda que este preconceito seja inconsciente. O rap é visto no imaginário desses professores ou como pertencente a um tipo de pessoa em específico, ou como uma música de apologia às drogas e à violência, capaz de influenciar jovens a seguirem uma vida "drogado", ou ligado diretamente à estética dos que o ouvem, os tipos de roupa, cores de cabelo, adornos corporais. Por outro lado, entre a juventude das mesmas escolas do Paraná, o rap foi totalmente acolhido. Todos alunos conheciam o gênero musical e a todos afirmaram gostar. Também entenderam que o rap constitui um objeto educativo de importância, por fugir da normalidade das aulas e trazer conteúdos reflexivos sobre uma vivência de fora.[145]

O rap existia em Santa Catarina antes mesmo dos anos 2000, em 1998, os principais grupos de rap contornavam a cidade nas periferias, pelos barriso Chico Mendes, Monte Cristo, Vila Ipiranga e Jardim Atlântico. Suas músicas falavam da criminalidade, do uso de armas, da negligência estatal, o tráfico e suas consequências, a desigualdade, a discriminação racial na forma racial e em suas outras maneiras, questionavam o título de "Ilha da Magia" recebido pela capital do estado, Florianópolis. Falando apenas acerca da cidade de Florianópolis, a história do rap lá é antiga; desde 1988, o hip hop em formato musical já se manifestava no município. Com o tempo, o rap na região deixou de estar sendo produzido e consumido somente nas periferias, como aconteceu no início da sua aparição, para então se espalhar um pouco mais em termos de produção e ser consumido por várias pessoas diferentes. O rap vinha como um instrumento de transformação, pretendia mais do que comentar os problemas, mas mudá-los; na cidade, o discurso de transformação contido neste estilo musical precisava primeiro atravessar as barreiras físicas até ter a possibilidade de mudar por meio do discurso e do flow o cenário ao seu redor. Florianópolis foi construída majoritariamente do outro lado da ponte que levava para parte continental de Santa Catarina, tendo a maior concentração das suas terras na Ilha de Santa Catarina, o menor pedaço da cidade de Florianópolis está localizado na parte do continente, no outro lado da ponte. Esse pedaço seria supostamente ignorado por políticas estatais, conforme denunciam letras de rap. Tanto essa mudança é marcante que até nas letras de rap, a divisão das duas partes da capital de Santa Catarina são utilizadas frequentemente como objetos de comparação por antítese; isto é, como se existissem dois mundos simetricamente opostos, na realidade vivenciada de cada lado da ponte.[146]

Atualmente, é importante destacar que o rap que no final dos anos 80 estava restrito à produção geograficamente limitada pelas classes baixas, agora, é propagado entre classes financeiras menos abastadas perto da região central, ou, podem ser produzidos por pessoas de classe média eventualmente. Com essa expansão social e territorial, os temas também se ampliaram. O acesso restrito às cidades, a ostentação de certos carros, o aumento do tráfico e da violência são parte das novas temáticas rappers em Santa Catarina. Nas músicas compostas pelas partes periféricas de classes com menor poder aquisitivo, o lado da Ilha de Florianópolis é referido por "Ilha da Magia", ou então, por lugar em que se vai numa ocasião especial, onde acontecem mudanças de verdade, enquanto no lado do continente, pouco se receberia atenção. Em contrapartida, nos raps produzidos na parte Ilha de Florianópolis, resgata-se por vezes um tempo onde a criminalidade não era tão alta, e a construção mais bem planejada. Dessa forma, ainda que os problemas não sejam iguais, é possível entender que cada classe utiliza do rap para agir em prol de mudanças no cenário negativo descrito. Ao contrário de outros movimentos culturais na região, o hip hop e a sua música do rap apresenta-se por reação aos problemas. Independente da classe ou do local, o rap em Santa Catarina demonstra o caráter reativo nas letras de rap; pode ser entendido até numa metalinguagem, pois uma das formas de fugir da realidade violenta introduzida nas canções de rap é através do próprio rap, seja na sua composição seja na escuta.[146]

Ademais, é cabível ressaltar o crescimento de outros gêneros de rap em Santa Catarina, como por exemplo o rap cristão.[146] Ou as Batalhas de rap realizadas no Centro Histórico de Florianópolis. Aliás, sobre a última, sua efetuação nas regiões mais acessíveis e também mais centralizadas na cidade deve-se ao objetivo de levar a letra do rap para o máximo de pessoas possível, isso incluir todos os cidadãos que estiverem passando pelo lugar da Batalha de Rap e decidirem parar por instantes. A intenção dos rappers de Santa Catarina ao fazerem isso é de permitirem o entendimento da realidade do seu grupo a várias outras pessoas de fora da balho. Para eles, esse é um movimento político que causaria medo em parte da população que teme o aumento do poder nas mãos de pessoas da periferia. Entre os artistas do rap no estado de Santa Catarina, têm-se MC Vini, MC Arthur DK, MC KA Alves, MC Anna Puga, MC Cubano, rapper Karma.[147]

Rap nos demais estados do sudeste

No estado de Minas Gerais o rap é oficialmente reconhecido responsável por promover a cidadania entre o povo. Inclusive, no cenário mineiro o rap é incentivado pelo estado através da organização "Descentra Cultura". Por meio deste artifício espera-se estimular a cultura hip-hop no estado, e, dentro dela, a prática do rap pelos cidadãos de Minas Gerais. Além disso, avanços já foram propostos enquanto ideias para tentar promover uma comunicação direta entre o Estado e a polícia, para que essa última esteja agindo de acordo com as medidas recém estabelecidas no governo estatal e não impeça de nenhum modo a organização do rap, principalmente da modalidade da "batalha de rap".[148] Acredita-se que a juventude de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais veja no rap uma forma de pertencimento àquela comunidade do hip hop, isso se expressa até na forma de vestir-se. Entretanto, o rap não é mais um meio em que os jovens ficam passivos à escuta, ele permite a participação ativa, o que contribui para o aumento da autoestima ao produzir o sentimento de que realmente estão produzindo algo para a sociedade. Além do mais, o rap em Minas, bem como nos outros estados do país, é ressignificado pelos jovens para falar sobre suas realidades particulares, sobre o seu bairro, sua esquina, sua cultura.[149]

Numa pesquisa feita com 250 grupos musicais da capital de Minas Gerais, constatou-se que entre os jovens os três gêneros musicais mais praticados eram o rap, o funk, e o pagode. Contudo, o pagode foi posteriormente desclassificado por não satisfazer com excelência o critério juvenil, visto que misturava jovens com adultos. Entretanto, o rap, este sim é um gênero musical predominante nos jovens de Belo Horizonte. Atualmente, o rap mineiro passou da fase de se limitar a uma classe etária ou econômica. Pelo contrário, é ouvido por pessoas de diferentes idades em diferentes classes sociais.[149]

Dentro dos rappers mineiros podemos indicar os nomes Letícia Fox.[148]

As primeiras ocorrências do hip hop no Espírito Santo foram logo no início da década de 1980,[150] e as do rap, embora não seja do domínio público a data exata, sabe-se que o primeiro LP foi gravado em 1996. Nesta ocasião foi lançado um LP de nome "Tributo a Zumbi",[151] ocasião de marca na história, pois até então, quando o movimento hip hop chegou inicialmente, somente foram importados os movimentos de break, sem que os capixabas soubessem os ideais do movimento hip hop. Logo, o lançamento do LP mostra uma homenagem feita a uma personalidade brasileira. Isto é, a apropriação do sentido maior do rap, das causas sociais e por muitas vezes sociais, com destino a um homem do Brasil, uma referência da localidade em que se inserem serviu para inspirar os autores do LP. A obra musical chegou a virar o tema de um documentário intitulado "Onde está Zumbi?", lançado no ano de 2025.[151] O estado do Espírito Santo conta com elenco variado no rap, abrangendo grupos femininos do fazer musical rapper. Denominado "Melanina Mc's", o grupo musical feminino nasce em Vitória, capital do estado em questão, e conta com quatro integrantes, são elas: Afari, Gee, Lola e Mary Jane.[152]

Semelhantemente a outros estados, em Espírito Santo é discutida a ideia de usar o rap no sistema educacional, pois alega-se que ele geraria um maior senso crítico nas crianças, reflexões sobre questões sociais, e uma familiarização a vários tipos de música, que seria útil para a criança desenvolver algumas habilidades sonoras necessárias neste ou em qualquer outro gênero musical.[153]

Rap feminino

O rap feminino não pode ser definido em uma única coisa só. Afinal, só por serem mulheres, isto não significa que todas suas letras sejam iguais, ou que não haja distinção interna entre as mulheres. Entretanto, haja vista que todos estes subgrupos das mulheres possuem pelo menos uma semelhança em comum, assim como o rap pode ser descrito por "música de protesto" num sentido geral, é possível fazer menção a uma classificação "feminina" no rap, mas sem ignorar singularidades existentes. Por exemplo, no Rap Feminino, estão inseridas as mulheres negras e as mulheres LGBTQ, ou ainda, mulheres negras e LBTQ. Todas elas tem em comum a incidência de certos temas que não são discutidos no rap tradicional masculino, principalmente àqueles ligados à questão de gênero. O rap das mulheres frequentemente preocupa-se em discorrer sobre identificação, sexualidade, e papéis de gênero. Além disso, problemas femininos abrangentes, tal qual a violência contra a mulher e a falta de espaço em meios do rap nacional. Também se discute a desigualdade entre homens e mulheres e preconceitos vivenciados por elas. Atualmente, o movimento feminista cresceu, e a inclusão das mulheres nestes espaços musicais dominados antes pelas figuras masculinas cresceu em conjunto. Vários grupos estão englobados no "Rap feminino", o que mostra certo avanço na diversidade deste gênero musical.[154]

Desde sua popularização na América do Norte, especificamente nas ruas de Bronx, em Nova York, Estados Unidos, o rap contava com influência grande dos migrantes vindos da Jamaica. Estes imigrantes traziam o ritmo jamaicano e o chamado toasting, a fala rítmica sobre a música.[155][156] Ou seja, nos princípios o rap já era associado ao movimento negro. Contudo, mesmo no movimento negro, as mulheres negras não se sentiam completamente representadas. Pois esse movimento era dominado por pessoas de pele negra majoritariamente homens. Então, mesmo quando avanços foram feitos ao movimento negro, normalmente foram mediados pelos homens representantes, e nem todas as necessidades de uma mulher negra podiam ser observadas no sexo oposto. Por isso, as mulheres negras precisaram aderir ao movimento feminista. Tudo isto faz parte da explicação de como surgiu o rap feminino, e o porquê das suas subdivisões internas. Em sequência, no movimento feminista perceberam de novo uma divergência entre os problemas de mulheres brancas e negras, consequentemente, a falta de representatividade necessária. Por isso, tanto os homens negros presentes no rap e nas suas origens, quanto entre as mulheres brancas com novos ideais para serem discutidos pelo rap ou em tantas outras formas, as mulheres negras sentiam uma opressão. Mesmo em ambientes com pessoas oprimidas, as negras continuavam a passar opressões. Por conseguinte, tomaram um espaço no rap dedicado a elas e suas problemáticas. Nas suas produções musicais, as letras giram em torno de um mundo distante daqueles retratados por homens, pois enquanto o rap deles foca quase sempre em questões de violência urbana, evocam o ambiente das ruas, muitas vezes o rap das "minas" passam por um imaginário doméstico. Afinal, em ambiente doméstico ocorrem cenários de violência física, sexual, e experiências matriarcais; senão, experiências de aborto. O rap produzido por este grupo feminino costuma buscar um aumento nos direitos e a promoção da igualdade de gênero. Ademais, a presença deste subgrupo no rap já é considerado um símbolo de resistência para outras mulheres negras brasileiras, incentivando a repercussão do movimento. Entre este público, o rap é uma forma de agir ativamente contra os cenários de repressão vividos ao longo de suas vidas por conta da etnia ou da condição de ser feminino. Algumas das rappers nesta luta musical racial são: Preta-rara, Negra Jack, Monna Brutal, Luana Hansen, Alt Niss,[154] Karol de Souza, Nabrisa, Bivolt.[157]

Outra finalidade do rap feminino é acabar com a visão estereotipada da mulher, em especial da mulher negra, perpetuada em músicas de funk, samba e outros gêneros musicais brasileiros. Quando na produção do samba, o retrato do gênero feminino é predominantemente feito pelos seus companheiros ou terceiros. Pelas mulheres raramente terem a chance de se retratarem nessas músicas, o retrato feito termina por constituir um estereótipo. No funk, a situação é igual. Assim, o rap feminino é uma oportunidade de romper com os estigmas sociais e apresentar problemáticas da perspectiva feminina. Se uma mulher compõe, canta e interpreta suas músicas, tal como é o caso das rappers, ela pode ser a protagonista de uma história em primeira pessoa. Neste contexto, o álbum "Sistema Feminino" do grupo de rap "Melanina MC's" "atuam de forma a romper com a construção de representações midáticas". Lançado no ano de 2018, o disco contém diversas músicas que questionam o padrão imposto para tais mulheres, e em determinados trechos assume esta não identificação: "Não sou padrão autoavaliação/ Não é isso, causa divisão". Apesar disso, o eu lírico não adota uma postura de resignação, mas denuncia a violência verbal por conta da sua aparência física. A intenção do seu fazer musical fica evidente em trechos do álbum que apelam para as palavras "protesto" e "desconstrução". Logo, a repressão externa é situada somente para depois ser objeto de subversão, incentivando a ruptura total com esses cenários de violência, e o fim de um discurso de submissão.[158]

O rap no estilo feminino pode representar temas de mulheres periféricas num todo, tal qual o rap tradicionalmente elaborado por homens brasileiros. Além do mais, compartilham as mesmas características no modo de fazer; quer dizer, o uso do beat, do flow, de uma linguagem mais agressiva. A última é uma característica central no rap de mulheres periféricas e é esta qualidade que possiblita a distinção entre letras de rap e letras de poema elaborados em autoria feminina na periferia. Ainda que defendem direitos parecidos e passem a argumentar em temas idênticos, é no rap feminino que se usa um vocabulário mais explícito, palavrões, ou até o cantar com agressividade, enquanto os poemas normalmente ficam contidos em retratar de modo menos reativo. Porém, essa característica é feita com um propósito premeditado. As jovens rappers da periferia pretendem chocar o público, já que essa é uma maneira de gerar impacto sobre aquilo que é dito na letra das suas músicas. Uma das formas encontradas de chamar atenção para seus problemas, é primeiro chamando atenção pela linguagem mais brusca.[157]

A importância do rap feminino numa forma educativa é amplamente reconhecida. As mulheres da cena do rap feminino e aquelas que participam mais passivamente na escuta são estimuladas a procurar mais sobre a cultura feminina, consumir mais sobre a cultura feminina. Muitas vezes, esse movimento musical originário do hip hop e transformado em terras brasileiras capacita aos grupos silenciados conseguirem encontrar uma voz ativa. Isto é, como o rap funciona com um coletivo: em Batalhas de rima, com uma plateia ao redor, se um rap autoral, através do lançamento em redes sociais, plataformas ou em discos, uma única voz de protesto torna-se rapidamente um grupo com ideologias iguais ou parecidas. A possibilidade da escuta coletiva é o que concebe às rappers o poder do discurso, e, dentro dele, o poder de reconstruir narrativas criadas sobre elas a partir de pessoas que não as representavam. Essa interação funciona numa retroalimentação uma vez que ao defender a ideia de que as mulheres deveriam recriar suas histórias e lutar por seus direitos, como se todas fizessem parte de um único plural unido pelo ser "mulher", as jovens ouvintes retribuem pesquisando mais informações sobre o rapper feminino e tentando achar mais influenciadoras que se identificam.[159]

Rap indígena

O rap espalhou-se por todo o Brasil, desde populações de ascendência africana, pessoas de orientações sexuais distintas, gêneros diversos e também para os povos originários.[160] Aqui, as letras de rap foram entendidas como "afetos", entretanto, o significado ocupada um lugar maior do que um sinônimo de mero sentimento, mas uma disposição que influencia o modo de agir. De acordo com a visão de Deleuze e Guattari, justamente por ser afeto, seria também uma arma:[161]

"Os afetos atravessam o corpo feito flechas, são armas de guerra" DELEUZE E GUATTARI (1995)

Portanto, no sentido expresso na citação, um afeto de forma alguma representaria um poder menor, mas uma forma de combate. Os povos indígenas ao utilizarem do rap reagem ativamente expressando todos seus sentimentos, usando aquele meio como um modo de resistir. Desde o processo de colonização do Brasil, os povos nativos das terras brasileiras passaram por um violento processo na tentativa de expulsá-los de territórios ou aproveitar da sua presença para fins europeus, contrários aos seus próprios interesses. Isto é, os indígenas passaram por uma política de dominação no cenário da ocupação das terras brasileiras. Embora na época o conceito de luta fosse visto em termo mais físico do que a atual, estes povos ainda enfrentam um processo de resistência às políticas do agronegócio e em repassar suas culturas tradicionais. Assim, o rap nasce com uma finalidade ambígua, cumpre tanto o papel de elaborar uma denúncia social a certo tipo de violência vivenciada pela tentativa das posses da sua terra, e esta função é aquela mais clássica associada ao rap nacional, de denúncia, quanto, neste caso, virou um objeto de adaptação da cultura tradicional, possibilitando a sua divulgação para ambientes externos nos quais não possuía muita voz outrora. Os raps indígenas possuem como características a incorporação de palavras não portuguesas vindas de línguas originárias, tal qual o guarani, a oralidade própria a essa língua, a assimilação de ritmos musicais e instrumentais com aqueles mais próximos ao estilo "clássico" do rap, as crenças espirituais embutidas nas letras, e a cosmovisão destes grupos.[161]

Ainda que nem todos optem por fazer do rap uma música semelhante a músicas comumente praticadas nos grupos indígenas em que estão inseridos, como é o caso de Brô MC's com seus beats mais modernos, os rappers indígenas dividem a vontade de fazer do rap um modo de sobrevivência. Neste viés, o uso do termo sobrevivência justifica-se na visão de usar do rap para tentar uma manutenção dos costumes, uma sobrevivência das tradições. Há outros vários fatores pelo qual o termo é empregado nesse contexto, seja para falar na criação de letras de música visando a propagação dos saberes e hábitos indígenas seja na ressignificação da violência para transformá-la num elemento estético. Para realizar a primeira dessas intenções, os indígenas procuram fazer um processo denominado "descatequização", ao retirar a ideia de que a única cultura a ser seguida deve ser a católica europeia, independente desta estar ou não vinculada com a religião. Os rappers do cenário indígena querem voltar os olhos dos seus companheiros de volta para a noção de autossuficiência cultural, de autoestima, de valorização. Por isto, as letras de rap se valem dos recursos já existentes nesses grupos tradicionais, no instrumental, letra, oralidade, ou qualquer outro âmbito. Acredita-se que caso o indígena volte a admirar sua cultura, e querer repassar, maior serão as chances da sobrevivência neste sentido da palavra supracitado. Ademais, a ressignificação das agressões sofridas numa mudança para virarem letras de suas músicas, é uma maneira de encontrar expressão, encontrar sentido. Logo, assume uma maneira de sobrevivência em termo emocional em meio aos conflitos por posse das terras indígenas. Por último, o rap é capaz de tomar um lugar de mantra ao ser repetido com frequência constante a fim de que suas palavras ganhem concretização, mais um dos jeitos de manter o estado emocional otimista, ou, ao menos, estável, em momentos de instabilidade.[161]

O rap indígena também subdivide-se. Como já citado, entre aqueles que aderem totalmente aos ritmos importados das culturas americanas, e fazem deles a base para suas rimas e problemas; e, entre os que alteram os dois, letra e produção, adicionando instrumentos típicos das regiões em que foram criados. Além do mais, dentro da classificação totalizante "indígenas", têm-se as mulheres indígenas e aqueles com outras orientações sexuais para mais que a heterossexualidade. Consequentemente, cada um desses pequenos grupos terão pautas específicas a serem levantadas, e não cabe definir em uma única generalização.[161]

Entre os principais grupos do Rap indígena, têm-se: Oz Guaraniz,[162] Kâe Guajajara, a rapper Wera MC.[163]

Rap Gospel

A criação do gênero Rap Gospel é relativamente recente, com origem internacional nos Estados Unidos durante os anos 80.[164][165][166] Quase concomitantemente, o gênero chegou ao Brasil em torno dos anos 1980-1990; no país brasileiro, um dos pioneiros no movimento do Rap Gospel é o "Dj Alpiste". Nascido em São Paulo, capital, Alpiste converteu-se ao cristianismo perto de 1990. Após sua conversão, ingressou numa banda de rap gospel apelidade "Kadoshi". Juntos, fizeram apresentações inicialmente baseadas em músicas do cristianismo convertidas em rap, sem inserção de canções dotadas de autoria própria. Somente em 1997, foi lançado o primeiro álbum do grupo black gospel intitulado "Transformação". Em seguida, lançou outros álbuns de notoriedade nacional, alguns com versículos no nome, por exemplo: "Efésios 6:12".[167] Além do "Dj Alpiste", outro nome de sucesso entre as culturas black e hip hop nacionais é o autodenominado "Pregador Luo"; Luo iniciou sua carreira musical no rap em 1988, e, semelhantemente ao rapper cintado anteriormente, quando Luo converteu-se ao cristianismo, procurou unir sua dedicação profissional aos temas pregados pela sua religião. Entretanto, segundo palavras do cantor gospel, ele não teria como missão no mundo "pregar religião" mas para "difundir o bem, a paz e o amor, para que todos tenhamos boas convicções e equilíbrio".[168] Pregador Luo tem músicas em conjunto a grandes nomes na música brasileira, tal como Alexandre Magno Brandão, mais conhecido por "Chorão". Na música de composição dupla com o cantor brasileiro Chorão, denominada "Nada é impossível", percebe-se que sua música possui caráter de motivação universal. Ou seja, ainda que sua fé seja explícita e alguns versos façam apologia à religião: As muralhas que puder eu mesmo derrubo/ Aquelas que não der, Deus põe no chão para mim", a maioria dos versos chamam o espectador a compartilhar de uma positividade e esperança sobre a vida: "Tem que correr, tem que superar", "Porque a vida dá caminho pro sujeito homem". Assim, outros sujeitos são convocados para assumir papel de esperança, como a "vida" e o esforço do homem.[169]

No entanto, no começo da difusão do gênero, e ainda em dias de hoje, os rappers do gênero gospel precisam enfrentar preconceitos contra suas composições por parte de pessoas do mesmo meio ou simplesmente por parte de um público intolerante à religião.[168] Comumente, as religiões mais próximas ao rap são aquelas protestantes.[170][171][172] Isto se deve, possivelmente, à influência do protestantismo nos representantes do movimento negro.[173] Entre os representantes negros protestantes, o mais famoso deles indubitavelmente é Martin Luther King Jr. Martin Luther Link foi um pastor batista, um grande ativista negro, e aplicou conceitos teológicos do protestantismo na sua forma de agir pela liberdade negra.[174]

Apesar disso, o rap sempre conteve elementos da religiosidade, não necessariamente evangélica.[175] Sabe-se que movimentos negros de resistência na cidade de São Paulo contaram com o apoio de festividades e irmandades católicas no período pós abolição da escravidão; logo, a religiosidade exercia papel presente na história de milhares de negros do estado de São Paulo, estado no qual as populações negras posteriormente desenvolveriam o hip hop e o rap. Além disso, nas músicas de rap nacionais influentes na cultura nacional, como os álbuns dos Racionais MC's, figuram diversos símbolos que remetem à religião. "Sobrevivendo no Inferno", álbum do ano do grupo rapper no ano de 1997, tem na capa do seu álbum uma cruz desenhada e uma referência nítida em branco, no fundo preto, ao versículo "Refrigere minha alma e guia-me pelo caminho da justiça" no livro de Salmos, 23:3.[173][176] Muitas pesquisas já foram feitas buscando aproximar a pessoa representada por rappers influentes aos papéis religiosos de profeta. O rap assume por vezes um caminho para a "salvação" de uma realidade periférica marcada por violências variadas. Da mesma forma, a religião do cristianismo tem por objetivo central a "salvação" do plano terreno para o plano espiritual. Por representarem às pessoas finalidades parecidas, os agentes no rap e na religião podem ser comparados entre si. Além disso, há uma discussão em movimento para adotar o rap no ensino religioso. A proposta tem por argumento a maior facilidade para "acomodação" de ideias nas letras por meio do rap, que se apresenta por uma fala ritmada. Ademais, o rap pode solucionar a aparente falta de conexão entre o conteúdo passado por professores nas salas de aulas religiosas e a assimilação dos alunos.[173]

O Rap Gospel no Brasil também apresenta por finalidade a "evangelização". Isto é, a tentativa de converter pessoas sem crença/ de outras crenças para a religião evangélica. Algumas Igrejas como a "Bola de Neve Church", a comunidade evangélica neopentecostal "Sara Nossa Terra" e a "Igreja Quadrangular" passaram a adotar elementos do hip hop com o fim de evangelização. Essa tentativa seria uma maneira de trazer para dentro das igrejas jovens de uma cultura alternativa. Por essa razão, o trabalho evangélico voltado para essas vertentes recebeu o nome de "UnderGround Cristão: a construção geográfica de uma cena religiosa jovem alternativa". Nesta perspectiva foram feitas várias "Células" — locais de encontro para fins religiosos, fora da igreja, normalmente realizados na casa de membros da instituição, com grupos divididos em número de até dez pessoas. Criada a "Célula da Rima", rapidamente o número esperado muito mais do que dobrou, as reuniões "da rima" passaram a concentrar mais de 200 pessoas. Ainda que o nome esteja focado na prática do rap, também nas "Células" da rima são incentivadas práticas típicas do hip hop, o grafite, o break, o rap, o DJ.[171]

O encontro do rap e da religião é na busca por sentido, na forma de salvação. Existe uma relação intríseca entre os ouvintes de rap e os cristãos já explorada por artigos de estudos estadunidenses através da análise do "Holy hip-hop". No rap, os cristãos das igrejas mencionadas encontram uma oportunidade para atingir jovens de identidades plurais, ou, até de mostrar às populações periféricas uma forma de seguir a vida numa linguagem que já lhes é rotineira, a do rapper. Por sua vez, os indivíduos praticantes do rap gospel assistem à "geografia da religião", segundo a qual os ambientes dos membros da igreja e dos praticantes da fé podem ser invertidos. A igreja é capaz de transformar o seu palco num clube de hip hop caso preferível para evangelização, e, simetricamente, uma esquina de rua pode ser convertida no significado simbólico de igreja. Para os rappers das periferias carentes de um espaço de acolhimento e lazer, a igreja pode fornecer um ambiente físico para promoção da atividade e uma socialização com o grupo religioso voltado para o pertencimento na comunidade.[171]

Ver também: Protestantismo

Samba-rap

O samba e o rap foram criados em épocas e contextos diferentes, gêneros aparentemente distintos que foram criados nas periferias de grandes cidades, mostrando as dificuldades das populações marginalizadas por preconceitos diversos e, revelar os seus desejos e críticas.[177][178][179][180] De acordo com o jornalista Rachel D’Ipolitto de Oliveira Sciré, “Os dois estilos podem trazer, em alguns casos, figuras da marginalidade que povoam a cultura brasileira”.[178]

O rap surgiu no mundo sampleando o funk norte-americano, e no Brasil se juntou ao samba para dar mais identidade ao gênero.[179] Gêneros aparentemente distintos, que após um tempo afinaram os discursos e as harmonias, atualmente ambos batucam no mesmo compasso sob as palavras de: Elza Soares, Sandra de Sá, Emicida, Leci Brandão, Criolo, Mano Brown, Gabriel Pensador, Chico Buarque,[177] Chico Science, Cássia Eller e, Sabotage.[181]

O pionerismo divide opiniões, uns consideram que a primeira gravação de rap no Brasil também pode ser visto como um exemplo pioneiro de samba-rap: em 1964 Jair Rodrigues lançou o samba "Deixa Isso Pra Lá" (faixa contida no álbum Vou de samba com você), com vocalizações rítmicas faladas que vários críticos apontam como precursoras do rap brasileiro;[2][182] outros consideram que a primeira união do samba e rap produzida nacionalmente, foi feito pelo cantor brasileiro Sabotage na música "Dama Tereza", do álbum Coleção Nacional,[181] lançado em 2002 com participação do Coletivo Instituto (formado pelos produtores Daniel Ganjaman, Rica Amabis e. Tejo Damasceno).[183][184] E Sabotage naquela época foi considerado um dos melhores representantes do rap nacional com samba paulistano.[185][186] O feito de Sabotage foi seguido por artistas que trabalharam em uma direção parecida, como os cantores: Rappin" Hood, MV Bill e,[179][181] Marcelo D2.[179]

De acordo com Marcelo D2 em dezembro de 2015 afirmou ser possível dar uma identidade brasileira ao rap e, o caminho natural foi usar o samba.[179] E o cantor Criolo afirma que: após 27 anos compondo rap, a mistura com samba foi natural, como nas músicas "Cria de Favela" e "Menino Mimado".[179]

Estilo

No Brasil existem diversos estilos derivados do rap. Os que abordam temática mais relacionada com a periferia e o modo de vida, o sistema, a polícia, e os mais populares são Racionais MC's, MV Bill, e GOG. Facção Central faz parte de uma vertente mais contundente, também chamada de gangsta rap e é junto com os grupos acima, um dos mais populares. Outras bandas do mesmo estilo são Consciência Humana, Sistema Negro, Face da Morte, A286, Realidade Cruel e Cirurgia Moral.

Todos rappers e todas as bandas, com raras exceções, tem pouco espaço considerável na mídia brasileira, algumas das exceções são MV Bill; e, mais recentemente, Projota e Emicida.[187] Há também um rap popular, cantando por músicos cariocas em sua maioria, com exemplos de Marcelo D2 e Gabriel, O Pensador, em raps que abordam temas diferentes.

A presença de Mc’s versáteis ( adequam a vários estilos musicais ) no cenário nacional possibilitou uma maior visibilidade do rap no Brasil.Dentre eles, Fabio Brazza é um dos que se destaca por englobar rimas com elevado grau de referências e lírica em demasiados gêneros musicais diferentes, participando de músicas com artistas populares como a cantora Anitta e o cantor Thiaguinho. Juntamente a ele, o cantor Rincon Sapiência retrata temas de cultura africana, da realidade social brasileira, mas não somente isso, também trabalha com a metalinguagem para falar do rap pelo rap, de uma maneira descontraída e extremamente lúdica caracterizada pela presença de beats acelerados e letras contagiantes.

O trap foi um dos estilos que teve maior crescimento nos últimos anos dentro do cenário brasileiro do rap e das batalhas de rimas, ele utiliza de versos e rimas em diferentes métricas além de Beats e samples agressivos além do uso frequente de autotune, em suas letras destaca-se as referências a entorpecentes, sexo e dinheiro, traçando um paralelo com a realidade em sua maioria negra marginalizada pela sociedade. Alguns nomes destacam-se como: Raffa Moreira, Matuê, Jovem Dex, Recayd Mob, Sidoka, Teto, todos com mais de milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Dentro do rap, existe um código de conduta, padrões de comportamento gerais que devem seguidos a menos que se deseje o desprezo pelos demais. Duas ideias vinculadas ao estilo dos rappers são: a condenação da violência, e a traição dos princípios do movimento. Os artistas de rap brasileiro costumam ser bastante unidos; por esta razão, aqueles que abandonam o estilo de vida dessa comunidade tornam-se alvos de críticas. Pela importância atribuída a este modo de ver, e por ser o rap também um movimento político, nem sempre os artistas mais famosos no rumo do rap brasileiro serão os mais bem vistos pelos demais.[73]

Moda e Identidade

É sabido que o hip hop trouxe uma bagagem cultural repleta de inovações para o país brasileiro, entre elas, o rap, o break, o grafite. Depois, outros elementos mais passaram a ser associados ao ideal do que era ser um seguidor do movimento hip hop ou um praticante do rap, por exemplo, a habilidade de andar em um skate. Ali, dentro de outros elementos incluídos na cultura rap, uma cultura de valorização da periferia, um estilo de moda novo surgiu. Contudo, o sentido da moda para os rappers brasileiros não é simploriamente entendido, a forma de se vestir está diretamente vinculada ao ideal que defendem, às músicas, aos princípios. Ademais, a moda é sobretudo uma forma de identidade. Se participar de uma roda de rap dá aos cidadãos uma sensação de pertencimento, a roupa seria a consolidação. A partir das vestimentas, são julgadas informações pessoais da cada pessoa pela primeira vista, sua classe social, os meios que frequenta, seus interesses e preferências. Desta primeira avaliação, podem ser criadas imagens extremas muito positivas ou muito negativas. Porém, numa opção ou em outra, a moda cumpre com sua finalidade de passar uma mensagem. Destarte, para os rappers, vestir-se de formas similares num coletivo significa apoiar a causa pela qual aquele objetivo foi criado. No caso do rap nacional, para dar visibilidade para os problemas nas comunidades, nas favelas, entre os indígenas, em minorias sociais historicamente oprimidas. Por isso, escolher por uma roupa neste cenário é assumir uma identidade. E, dessa forma, passar a fazer parte de um grupo maior, composto pelas pessoas mais e menos conscientes do propósito central do rap. De qualquer modo, seja por um acaso, ou por escolhas pessoais independentes, usar uma roupa te insere num coletivo. Muitos do movimento rap brasileiro entendem que os seus trajes devem continuar a mensagem passada nas suas letras, por isso, o rap deixa a herança do "Street Wear" para a moda, roupas "das ruas", mais despojadas e mais representativas daquela classe sócio econômica.[188]

O vestuário do rap e do hip hop num todo, esteve relacionado à prática esportiva do skate no Brasil, uma vez que os praticantes dos vários elementos do hip hop costumavam usar o skate de lazer. Por isso, as vestimentas tiveram grande influência desse objeto esportivo. Numa tentativa de conferir maior praticidade para as vestimentas a fim de que fosse possível andar de skate e frequentar meios sociais diversos, surge a calça moletom, o tênis de sola baixa e tantos outros. Na indumentária dos rappers e ouvintes do Brasil, destaca-se ainda camisas estampadas com pequenas frases ou símbolos de skate, bonés tingidos completamente de preto, ou, novamente, com pequena estampa sob o fundo preto; moletons; bonés; camisetas com nomes de grupos de rappers. Por meio desse conjunto de roupas citadas, é possível reconhecer integrantes desse grupo de adeptos ao rap pelas vestes que carregam. De modo contrário, outros grupos podem ser compreendidos pela escolha por roupas opostas. Os rappers nacionais designam a classificação de "playboy" para referir-se a jovens filhos de empresário ou com uma condição financeira mais elevada. Segundo eles, o jeito de se vestir é a primeira das coisas que denuncia quem compõe esse grupo das elites.[188]

Entre as mulheres rappers, embora o estilo varie um pouco de cidade para cidade, a moda das periferias é mantida. No entanto, a moda periférica para as rappers brasileiras tem representações bem diferentes do que essa mesma moda voltada para o público masculino. Por um lado, se os homens optam por um estilo mais largo, menos justo, as mulheres decidem em saias curtas, um visual esportivo com camisas de times de futebol, e adornos com tamanho considerável, tais quais brincos de argola extra grandes e unhas de gel compridas; sobre a produção estética, aí entram alongamentos de cílios e baby hair no cabelo. Este visual pode ser visto no funk brasileiro também, mas dentro do rap, a inspiração vêm de cantoras como Rihanna e Tasha & Tracie.[189]

Estética Musical

O rap brasileiro não se limita a produzir um fundo musical de simples reprodução daquilo que era originalmente tocado pelos rappers americanos. Pelo contrário, busca inovar adicionando instrumentos tradicionais no Brasil, ou, ainda, recursos multimodais, a exemplo de barulhos de sirene das viaturas policiais, pessoas falando ou discutindo ao fundo sonoro, sons de carros freando e se chocando. Tudo isto compõe a estética musical das obras, e pode ser nitidamente observado em alguns daqueles grupos focados em abordar a violência e os transtornos urbanos, como no grupo Racionais MC's. O uso de elementos musicais variados para além de um estúdio permitem que o ouvinte faça imersão no ambiente retratado pela canção. Se for o caso de uma música que pretenda trazer uma narrativa de situações vivenciados ou pelo cantor ou por pessoas conhecidas por ele, a música é somada a elementos sonoros característicos da ocasião, a fim de possibilitar sensações semelhantes naqueles que vivenciaram a ocorrência e nos que ouvem. Essa forma de produção é baseada na semiótica, e a produção musical brasileira nos raps tem usado progressivamente mais dos símbolos nacionais para a construção dessa semiótica.[190]

Na adição de elementos sonoros para além do vocal e do instrumental (ou beat), pode-se escolher por elementos "que fazem atenuar a remissão à fala"; neste caso, os elementos recebem o nome de "passionalizantes". O neologismo passionalizante pode se referir a um acréscimo de elementos que acentuam a remissão das letras do refrão, ou da presença de vocais passionalizantes feitos por vozes femininas, e na própria entoação do rap. Tais elementos foram constatados nas músicas dos principais rappers brasileiros, ocasionalmente em mais da metade das músicas dos seus álbuns: este foi o caso do álbum "Sobrevivendo no Inferno" (1998, Racionais MC'S). Afora a presença desses elementos no seu álbum "Nada como um dia após o outro dia". Além de artistas de peso no rap brasileiro como Emicida, Thaíde,, RZO, Sistema Negro, De menos crime, Xis. O modo de manifesto desses materias passionalizantes varia, pode ser pelas linhas instrumentais, nos samples de canções inseridas na produção pelo DJ, na forma de cantar e nos vocais, especialmente aqueles trechos cantados por mulheres. Eles identificam-se por apresentarem um ritmo menos acelerado, em comparação com a música de rap que é feita para deter ritmo dançante, no break. Nesses momentos, a tensão descrita nas letras é complementada pelas tensões musicais derivadas desse procedimento de ruptura do canto da voz masculina pelas vozes femininas, por exemplo, pela extensão de notas agudas. A escolha por elementos de passionalização nas músicas de rap, principalemte, pela produção de tensões é frequentemente posto em comparação com músicas sobre desunião amorosoa ou sobre a ausência de um objeto de desejo, músicas que se valem da mesma estratégia técnico musical. Todavia, nos rappers brasileiros, a fuga do objeto desejado aparece em um segundo plano, enquanto no primeiro reina a figurativização do protesto e revolta social diante dos problemas vividos. Longe de ser uma escolha de elementos contraditória, a passionalização complementa a revolta, indicando que por trás dos pedidos ditos de maneira agressiva existe uma dor contida. A articulação estética das músicas de rappers dão a entender para o público, uma impressão menos consciente de frustação, fracasso, perda. Em alguns casos, esses sentimentos são consequências da falta de cidadania, e o desejo por ela. Por conseguinte, ao não obterem o objeto idealizado, o sentimento de fracasso ganha margem. Cabe ressaltar que esta técnica não é de autoria brasileira, ela já era vista em canções enquadradas em "Soul music" de origem internacional. Mas, todas as estratégias de composição e canto foram "abrasileiradas", por assim dizer.[191]

Graffiti no Rio de Janeiro

A série de televisão Cidade dos Homens foi criada pelos diretores do filme Cidade de Deus. Ela foi exibida por quatro temporadas na TV Globo, entre 2002 e 2005.[192] A narrativa acompanha a vida fictícia de dois melhores amigos, Luis Cláudio (apelido Acerola) e Uolace (apelido Laranjinha), que crescem juntos em uma favela do Rio de Janeiro. Funk carioca e hip hop formam o pano de fundo musical de suas aventuras e aparecem de forma destacada ao longo da série. O episódio "Hip Sampa Hop", no qual Acerola e Laranjinha visitam a cidade de São Paulo, inclui breves entrevistas com os artistas de hip hop Xis, Thaíde e Rappin' Hood.[193]

O hip hop brasileiro e sua relação com a favela são o tema do documentário Favela Rising (2005).[194] O documentário detalha os esforços do movimento AfroReggae, formado em 1993 por Anderson Sá e DJ José Júnior, com o propósito declarado de oferecer uma alternativa cultural para os jovens em relação ao mundo do crime na favela, por meio de uma série de projetos sem fins lucrativos envolvendo música e dança.[195] O AfroReggae também é um grupo musical que combina músicas tradicionais de dança brasileira com hip hop e reggae.[196]

Personagens influentes

Ver artigo principal: Sabotage

Sabotage

Considerado um dos mais relevantes rappers no cenário musical brasileiro e visto como uma lenda na zona sul de São Paulo,[191] Sabotage é apelido para Mauro Mateus dos Santos, nascido na periferia da Zona Sul de São Paulo, por um tempo Mauro esteve envolvido dentro do crime atuando no tráfico para sustentar a sua casa. No entanto, descobriu o universo da música e foi influenciado por diversos gêneros músicas: o rap, o hip hop, ou até música popular brasileira com Chico Buarque e Pinxinguinha, e samba com Noel Rosa. Ele foi um ouvinte eclético, um grande fã de música. Em determinado ponto da sua vida, deixou o crime para dedicar-se integralmente à música, e então lançou seu primeiro álbum e último em vida, de título 'Rap é Compromisso." O lançamento vendeu mais de 1,7 milhões de cópias, e passou a ser tido por muitos como um dos álbuns mais importantes para o rap brasileiro.[197] O rapper paulista venceu quatro edições do Prêmio Hutúz, um dos maiores do hip hop brasileiro. Em vida, no ano de 2002, ganhou pela categoria "Revelação" e "Personalidade do Ano". Mas, mesmo após sua morte, continuou sendo lembrado e conquistou prêmios posteriores em 2009, na categoria: "Maiores revelações da década" e "Maiores artistas solo da década".[198]

As três músicas de maior sucesso do rapper são: "Rap é Compromisso" (de mesmo nome do álbum); Mun rá e Cabeça de Nego. Sua faixa e álbum com igual nomenclatura tratam sobre a periferia paulistana, e na visão de parte dos estudiosos acadêmicos, estudar as letras de Sabotage é uma forma de entender o que acontecia nas periferias da cidade de São Paulo durante o auge da sua trajetória. A conclusão é de que 11.829 homicídios foram registrados na área metropolitana da capital de São Paulo no ano 2000, quando lançou seu álbum único. Era um contexto de grande violência, e suas letras de rap tratavam exatamente desses problemas sociais. Também falavam sobre experiências singulares do autor, vivências dele, mas, num geral, eram tocados só para relacionar ou reforçar as denúncias contidas. "Rap é compromisso" (canção) tem um refrão que virou lema entre os praticantes do rap brasileiro "Rap é compromisso, não é viagem"; o compromisso escrito por Mauro Mateus é entendido por ser aquele compromisso do gênero musical em contar a história de luta das periferias e fazer do canto um meio de crítica. Já o termo "viagem" empregado, estaria supostamente referindo-se a visões preconceituosas e negativas sobre os problemas da periferia, sem ter por finalidade denunciar, mas apenas exercer manutenção dos olhares negativos. Algumas de suas músicas contaram com participação de coautores, improvisando trechos, tal como aconteceu com a música "Cocaína", que originalmente foi cantada por Max e Sabotage.[199]

O álbum unigênito conta com onze faixas, rimas agressivas e um flow de destaque. Seu processo de criação conta com outros nomes grandes no rap brasileiro como Black Alien, RZO, Racionais MC's e Rappin'Hood. Sabotage deu voz à Favela do Canão, no bairro do Brooklin e até hoje é reconhecido por ser um dos mais talentosos rappers brasileiros, com uma facilidade para mudar flows e um grande representante dos ideais do movimento do hip hop.[200]

Ver também: Rap é Compromisso!

Racionais MC's

Ver artigo principal: Racionais MC's

O mais conhecido grupo de rap no Brasil, Racionais MC's é formado pelos integrantes Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. As músicas do grupo tem fama nacional e internacional, e discutem temas como a postura violenta de policias, as desigualdades econômicas e sociais, o racismo, e a exclusão de comunidades. O álbum mais popular do grupo é "Sobrevivendo no Inferno", com vendas que ultrapassam quinhentas mil cópias. "Sobrevivendo no Inferno" foi selecionado no décimo quarto lugar entre os 100 melhores discos da música brasileira no ano 2007. Suas músicas tornaram-se matéria obrigatória para a prática de certos vestibulares brasileiros, como da Unicamp.[201] Além disso, letras do seu rap figuraram em questões do Enem por vários anos distintos na execução da prova de ingresso para universidades públicas brasileiras.[202][203][204][205] Apesar dos Racionais terem origem nas periferias paulistanas, o seu som não ficou de modo algum restrito ao local onde nasceram, suas canções atravessaram todo o Brasil deixando críticas à atitude do Estado nas chamadas comunidades. O grupo paulistano chegou a receber título honorário da Unicamp reconhecidos pelo impacto da produção das suas canções, em especial, de "Diário de um Detento" na tarefa de reabilitação de pessoas carcerárias, as quais passaram a unir-se em grupos de rap, e ali viram uma nova alternativa para mudar suas vidas.[206][207] O clipe de "Diário de um Detento" recebeu ainda dois prêmios pelo "melhor clipe de rap" e pela "escolha da audiência" no "Video Music Brasil" (VMB) da MTV.[208]

As letras dos racionais não apresentaram característica homogênea durante toda a carreira do grupo musical. Sendo então, possível destacar fases distintas na carreira musical. Na primeira das fases, o início da carreira, comumente eram evocados sujeitos por qualificativos, e estes chamados nas músicas eram ou participantes do movimento ou opositores a ele. Para referir-se aos que colaboravam com as ideias defendidas nas músicas, foram utilizados os termos: "irmãos", "manos". Aos opositores: "playboys". Entretanto, a mudança do início do grupo rapper para o prosseguir da sua carreira pode ser notado pela adoção do termo de chamada "você", que reflete uma generalidade para além dos "parceiros" em vivências. Essa mudança acompanha o objetivo dos Racionais MC's de levar o rap para o maior número de pessoas, tão variadas quanto possível, pois com o uso de um termo mais genérico, uma maior parcela de pessoas poderia ver-se dentro das narrativas cantadas.[209] A variação do termo, todavia, jamais significou transformação na temática central de crítica tomada pelos Racionais MC's. Tendo em vista as canções do álbum "Sobrevivendo no Inferno", em especial, "Fórmula mágica da paz", faz-se perceptível uma identificação neste sujeito periférico reiterado como vocativo ou terceira pessoa. Para além de falar da periferia, e das pessoas que habitam as periferias brasileiras, num lugar distante de "narrador-observador", os cantores estão também inseridos nessa posição de morador de periferia, conferindo um poder de fala e pessoalidade. Os Racionais fazem das letras todo papel de críticos, sem ignorar sensações de orgulho e autoestima provenientes do meio onde foram criados, quer dizer, as periferias. A ressignificação do "ser favelado" corroborou a mudança de compreensão das pessoas sobre sua situação social. Em dado momento, "favela" e "favelado(a)" surgiam com conotação negativa aos moradores das regiões à margem da cidade. No entanto, há uma mudança de percepção naquilo que a palavra carrega por sentido nos últimos tempos. Se uma vez possuía finalidade negativa, no intuito de inferiorizar essas pessoas, esse termo passou por ressignificação no Brasil, até o ponto em que alguns dos próprios moradores das favelas começaram a enxergar-se na palavra sem gerar incômodo. Os modos de viver daqueles habitantes, ganhou força em grande parte pelo pioneirismo dos Racionais MC's em abordar o orgulho periférico nos anos 1990. Com isso, a cultura daquele local deixou de ser inválida ao ponto de vista social, os temas retratados conseguiram certa visibilidade para fora dos meios tradicionais, os integrantes das favelas passaram a levar suas vestimentas e especificidades linguísticas para além dos ciclos conhecidos, entendendo o lugar de autorreconhecimento e orgulho.[210]

O álbum inteiro de "Sobrevivendo no Inferno" é constituído de experiências empíricas criminológicas. Ao aproximar a imagem de "ladrão" ou "traficante" numa figura de um "irmão", "mano", o quarteto rapper descontrói a tipificação do que é cada uma dessas identidades e possibilita uma compreensão de "metamorfose". Isto é, nenhuma identidade possui caráter fixo, e todos os seres humanos enquadrados em uma identidade pode migrar para outra. Cheio de vivências e relatos, as letras dos rappers Racionais são vistas por muitos como um "Manual", uma coletividade de saberes acumulado que pode e serve parra guiar a vida dos que vivem em condições similares. Ademais, pela principal qualidade que lhes é atribuída, as letras do grupo rapper tem elementos de denúncia dirigidos às políticas e às pessoas racistas, à violência policial e ao cenário de desemprego nacional, todas baseadas em experiências pessoais. Por esta causa, moradores e moradoras das periferias veem aos Racionais MC's um "porta-voz" desses locais.[211]

A fama alcançada pela união dos quatro rappers brasileiros no mundo permitiu a projeção de todas as críticas citadas para muito além das fronteiras físicas da favela, influenciou incontáveis pessoas em seus modos de agir e marcou uma "nova condição do rap".[212]

Thaíde & DJ Hum

Ver artigo principal: Thaíde & DJ Hum

DJ Hum foi um dos primeiros nomes no hip hop nacional a partir dos anos 80, tornando-se pioneiro no rap do Brasil.[213] Antes da formação da dupla, Thaíde era dançarino de break e DJ Hum tocava em casas noturnas na cidade de São Paulo; ambos se encontraram pela primeira numa festa paulista ainda na década de 80. Nesta mesma década dos anos 80, lançaram as faixas "Corpo Fechado" e "Homens de Lei" (em 1989). Em seguida, nos anos de 1990, veio o primeiro disco "Pergunte a Quem Conhece".[214] De acordo com as palavras de Thaíde, o produtor musical brasileiro Nasi teve um papel fundamental para o grupo ao acreditar no potencial dos dois no ano de 1986, quando no começo da parceria, em ano que Thaíde afirma: "Mal sabia me expressar, e o Nasi acreditou e produziu os dois primeiros álbuns da dupla".[215] Nos anos 1990, a cooperação de Altair Gonçalves (Thaíde) e Humberto Martins Arruda (DJ Hum) fez grande sucesso na mídia. Juntos, abriram caminhos para o rap nacional e consagraram o hip hop paulistano.[216][217] A produção do LP "Hip-Hop Cultura de Rua", com 14 faixas e quatro grupos participantes, dentre eles, Thaíde e DJ Hum abriu novos horizontes para a música popular brasileira, que passou a entender em São Paulo a importância do rap, como também influenciou outros grupos de rap a se formarem, tais quais Ndee Naldinho, Câmbio Negro, DMN, Consciência Humana, e outros nomes dentro e fora do estado de São Paulo.[217] Eles foram os principais nomes no começo do rap brasileiro, os primeiros a obterem destaque.[218] Quando publicaram as primeiras faixas músicas e o primeiro disco solo, no meio e final dos anos 80, o número de pessoas inclusas no rap nacional era muito pequeno, o rap só seria realmente popular no Brasil ao longo dos anos de 1990, com o auge de produção de discos gravados em 1993, bem como o auge de singles, e o ápice das coletâneas de rap nacional no ano de 1994. Anteriormente, até os anos de 1989, os números registrados acerca dos singles, coletâneas e discos gravados eram até três vezes menores, se comparado ao pico da incidência nos anos de 1993-1994. Tháide e DJ Hum estiveram presentes desde o começo da cena rapper, até sua ascensão. Apoiaram outros grupos rappers e artistas individuais de rap brasileiros a divulgaram suas músicas em mostras de rap e hip hop, inclusive na organização dessas mostras. Durante os anos 1980 para 1990, o público que fazia break principiou a fazer rap, e por isso, resultou em uma popularização do gênero musical; em todo esse processo, os dois artistas paulistas participaram ativamente.[219]

As letras de Thaíde & DJ Hum possuem temática nacionalista, entretanto, o nacionalismo contido nas canções da dupla não aparece da mesma forma que em outros meios de produção. O Brasil a ser retratado pela parceria dos dois é aquele interpretado por jovens negros, pessoas periféricas e outros adeptos do movimento do hip hop. A perspectiva trazida nos álbuns fogem da visão clássica de um Brasil sem diversidades conflitantes, ou seja, quebram com o mito da democracia racial. Pode-se entender que Thaíde e Hum trouxeram o país para a realidade que viviam, a qual foi marcada por preconceitos. Além disso, o par teve futuro reconhecimento na mídia por ter sido um dos primeiros a falaram explicitamente sobre a ditadura militar, que nos anos 1990, havia acabado apenas 6 anos antes. A dupla também trata do tema de racismo por um olhar histórico, relembrando histórias de negros escravizados. Algumas das músicas divulgadas durante o período dos anos 1990, detém um bpm mais rápido em comparação a outras músicas de rap da época, levando os ouvintes a um movimento de dança e obrigando os autores a encaixarem um flow mais rápido. Isso faz com que a construção de versos seja mais sincopado, diferente de versos que tem início no tempo um e terminam no tempo quatro de um compasso quaternário. São usados igualmente recursos como a extensão de vogais no canto no intuito de promover uma expressão de lamento. Outras alternativas vistas em diversos grupos de rappers, como a opção por um refrão passionalizante, é deixado de lado por Thaíde & DJ Hum em várias de suas músicas; o refrão vira mais um ponto de tensão na música, ao contrário do que se esperaria num elemento passionalizante. Logo, aquele que deseje cantar suas canções deve seguir verso atrás de verso com pouquíssima pausa para respirar.[220] As canções dos dois transitaram entre temas mais pessoais, baseados na observação dos outros, trazendo algumas músicas sobre pessoas que tiveram morte precoce: "Consciência" e "Cláudio (eu tive um sonho)". Há aquelas que foram compostas inteiramente sobre pedaços das vidas dos compositores, seja em tom de incentivo ou seja em lamento pela violência, respectivamente: "Pobrema" e "Corpo Fechado", "Homens de Lei". Muitas vezes assumiram um papel de conselheiros, ainda que para isso apontassem erros alheios, como no caso de "Assim Caminha a Humanidade". Independente do tom, ou da proximidade com que falassem, as letras de Thaíde & DJ Hum cumpriram com o propósito de compartilhar sabedorias da vida negra periférica.[221]

RZO - Rapaziada da Zona Oeste

Ver Artigo Principal: RZO

RZO era a sigla para a rapaziada do cenário rapper na zona oeste de São Paulo.[222] Os três principais integrantes do grupo são DJ Cia, Helião e Sandrão e a origem do grupo remonta ao ano de 1987. Mas, muitos outros artistas já fizeram parte do grupo: Calado, DBS e a Quadrilha, DJ Loo Negro Loo, DJ Nego Rico, Função RHK, Marrom, Nego Jam, Nego Vando, Negra Li, Negro Útil, Sabotage, Wagnovox.[223] A união do grupo teria como primórdio um sobrado, de tijolos sem reboco, na região de Pirituba, Zona Oeste de São Paulo. Ali, Helião, Sandrão e DJ Cia escreveram letras que fizeram parte da história do rap nacional do Brasil, influenciando em primeiro plano os jovens da periferia paulistana.[222] O grupo foi responsável por lançar "Maurinho Sabotage" na indústria musical em conjunto aos Racionais MC's, que também apoiaram Mauro. Neste momento, Sandrão conheceu as fitas gravadas por Sabotage, ouviu suas rimas, e tentou procurá-lo em vão. Após um ano, recebeu uma pista de um camelô da Rua 24 de maio, segundo o qual, Sabotage residia na Favela do Canão. Então, reencontrou o rapper e convidou Sabotage a compor a "Famílio RZO".[224][225] O RZO perto da virada para os anos 2000 era visto quase como uma "Escola de Novos Talentos", pois viam potencial em uma pessoa do rap, agregavam ao meio midiático, ajudavam com referências no modo de vestir, de se portar, e deste encontro surgiam grandes nomes na indústria musical.[225]

A primeira canção lançada pelo RZO chamava "Pobre no Brasil só Leva Chute" e estreou na coletânea "Rappers e Irmãos". Na fundação do grupo, DJ Negro Rico teve grande atuação. O primeiro álbum propriamente do RZO veio apenas depois dos anos 90, em 1993. Três anos depois, lançavam seu segundo álbum, com grande sucesso nas músicas "O Trem" e "Pirituba". Em 1999, gravaram o disco de maior fama chamado "Todos São Manos", com 16 faixas. No começo do século XXI, trocaram o DJ e o DJ Cia assumiu a função do DJ Negro Rico. No ano de 2003, lançaram mais um álbum nomeado "Evolução é Uma Coisa", com vinte faixas inclusas. Em 2004, decidiram seguir carreira solo, embora Negra Li tenha feito uma aliança com Helião no lançamento do álbum Guerreiro, Guerreira". Finalmente, após 10 anos separados, anunciaram na mídia sua volta, devido ao contingente de fãs que pediam pela volta do grupo.[226][227] A consolidação da volta do grupo veio com o álbum "Quem tá no Jogo" de 2017, com 19 faixas.[227]

As letras da Rapaziada da Zona Oeste tocam sempre nos direitos humanos, isto é, lutam pelo direito da igualdade, da liberdade de expressão, o direito de ser cidadão, e dessa forma, percebe-se que o maior conflito dos rappers é contra um Estado que falha em promover esses direitos. Mas, também com as classes dominantes econômicas da sociedade que reproduzem esse padrão. Nas suas músicas, há uma ligação direta entre aquilo que é defendido na Constituição Brasileira, ainda que sob outro vocabulário.[228]

Canções notáveis

Ver também

Referências

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