Pagode baiano

Pagode baiano
É o Tchan! em 2020.
Origens estilísticassamba de roda, samba duro, samba-reggae, samba de caboclo, bem como outras tradições afro-baianas.[1][2][3]
Contexto culturaldécada de 1990 e 2000 em Salvador, Bahia
Instrumentos típicosCavaquinho, pandeiro, percussão
Popularidade Brasil
Subgêneros
arrochadeira, pagofunk (naipe)
Formas regionais
Bahia
Outros tópicos
axé, samba-reggae

Pagode baiano (também chamado pagodão, swingueira ou quebradeira) é um gênero musical brasileiro criado em Salvador, Bahia, oriundo da mistura de samba de roda, samba duro, samba-reggae, dentre outras tradições afro-baianas, tendo como principal diferença a inclusão de percussão, um ritmo mais acelerado e geralmente acompanhado de coreografias.[4][5] Por ser um gênero de origem baiana, é erroneamente confundido com o axé music, principalmente por ambos estilos estarem na moda no Brasil entre as décadas de 1990 e 2000.[6][7][8][9]

História

O pagode baiano começou a se formar em Salvador a partir da década de 1980 e consolidou-se como um gênero musical amplamente conhecido ao longo da década de 1990.

Há diferentes interpretações quanto à origem do ritmo. Integrantes do grupo É o Tchan! (anteriormente Gera Samba), que teve papel central na consolidação e difusão do gênero, afirmam que o pagode baiano se desenvolveu a partir da combinação de matrizes culturais locais, como o samba de roda, o samba duro e outras tradições afro-baianas, incluindo o samba de caboclo. Por outro lado, alguns jornalistas e estudiosos sugerem possíveis diálogos com o pagode carioca e o partido-alto, estilos que, assim como o pagode baiano, descendem historicamente do samba de roda do Recôncavo Baiano, matriz fundamental para a formação de diversas vertentes do samba brasileiro.

O termo “pagode” foi empregado por analogia a outras manifestações musicais brasileiras que utilizam essa denominação, como o pagode de viola, o pagode carioca e o chamado pagode romântico. Apesar da nomenclatura comum, o pagode baiano apresenta características rítmicas, estéticas e performáticas próprias e distintas, sendo marcado pela forte percussão, pela centralidade da dança e por um caráter festivo e corporalmente expressivo.[10][11] O primeiro sucesso do gênero foi a Dança do Tchaco, de Tonho Matéria. Nessa época, também despontava o grupo Gera Samba, que lançara um CD gravado de maneira independente com boa vendagem.[12]

A partir de 1995, com o fenômeno do É o Tchan, o gênero obteve projeção nacional. Outros grupos surgiram, como Harmonia do Samba, Terra Samba, Raça Pura, Patrulha do Samba, Companhia do Pagode e Gang do Samba. No fim da década de 1990, apesar do nome pagode "baiano", surgiram grupos focados no estilo em outras partes do país, como o carioca Tchakabum e o paulista Axé Blond que também fizeram muito sucesso.[13][7] Já nos anos 2000 surgiram outros grupos de destaque como Psirico,[14] Parangolé, Pagod'art, LevaNóiz, Guig Guetho, Oz Bambaz, Saiddy Bamba, Fantasmão, Swing do P, Black Style e A Bronkka, Leo Santana.

Características e estilo

É um ritmo baiano, advindo do samba-reggae, do Samba de roda do Recôncavo Baiano (e suas variações),[7][15] do samba duro e de ritmos do Candomblé, caracterizado por linhas melódicas marcantes e percussão com destaque para o repique, que toca no acento característico da música. O pagode baiano também costuma usar instrumentos de samba como pandeiro e cavaquinho. Diferencia-se do axé, que geralmente é tocado com guitarra, bateria e sopros.

O pagodão se caracteriza por letras de duplo sentido com refrões simples, sendo mais popular entre as áreas periféricas.[16][17] O gênero geralmente é criticado por questões morais, uma vez que suas letras trazem grande conotação de cunho sexual ou de sexualização dos corpos.[18][19][20][21] No final da década de 2000 e nos anos subsequentes houve uma incorporação cultural de outros ritmos populares como o funk carioca dentro do pagode baiano, notadamente popularizada pela banda Black Style (com o cantor Robyssão e sua posterior carreira solo) no que ficou conhecido como "Pagofunk".[7][22] O pagofunk, também conhecido por outras nomenclaturas como naipe, bloquinho e hitmado, configura-se como uma vertente contemporânea do pagode baiano, sendo bastante comum em paredões de som das periferias de Salvador, consumida majoritariamente pelos jovens.[23][24][25]

Referências

  1. Dias Marques, Ivan (15 de maio de 2009). «Caetano diz que as pessoas não percebem a importância do pagode». Jornal Correio. Consultado em 13 de agosto de 2021 
  2. "Hoje é o Dia Nacional do Samba"
  3. Diniz, André (2008). Almanaque do carnaval: A história do carnaval, o que ouvir, o que ler, onde curtir. [S.l.]: Jorge Zahar Editor. pp. 184, 198 e 199. 9788537802922 
  4. Bahia Notícias. Quebradeira baiana: Robyssão pede: 'quero conclamar que a galera volte pro pagode', acessado em 4 de março de 2015‎.
  5. G1 lista 15 músicas para entender o axé e o carnaval baiano
  6. Margareth Menezes (2014). «A música para divulgar valores». Editora Minuano. Revista Raça Brasil (186). Arquivado do original em 31 de maio de 2016 
  7. a b c d http://gthistoriacultural.com.br/VIIsimposio/Anais/Gabriela%20Limeira%20de%20Lacerda.pdf
  8. «20 músicas do axé para relembrar a década de 90». Guia da Semana. Consultado em 7 de dezembro de 2016 
  9. Castro, Yuri de (21 de janeiro de 2014). «Os 110 melhores pagodes de 1990-2013». Fita Bruta. Consultado em 7 de dezembro de 2016 
  10. Rodrigues, Fernando de Jesus (2020). «DO SAMBA DE RODA AO PAGODE BAIANO: um percurso de performances erótico-dançantes e de prazeres fraternal e profissional em Salvador». CADERNOS DE ESTUDOS CULTURAIS (24): 89–116. ISSN 2763-888X. doi:10.55028/cesc.v2i24.13043. Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  11. Santos, Kallyne Karen da Silva. “Companhias de swingueira em João Pessoa: práticas de resistência”. Universidade Federal da Paraíba, 2022. https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/32045/1/KKSS19092024.pdf
  12. «Pagode com dendê e malagueta». Jornal do Brasil. 1994 
  13. Carnaval de Itatiba traz shows de Axé Blond, Eliana de Lima e Royce do Cavaco
  14. «Com Psirico, pagode baiano é mais um estilo musical presente no Réveillon 2024». Prefeitura de Aracaju. 21 de dezembro de 2023. Consultado em 21 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2023 
  15. Pena, Anderson dos Anjos Pereira. «História do Pagode Baiano». Consultado em 30 de abril de 2016 
  16. Correio24horas (24/02/2011). Pagodão sussexo: músicas de duplo sentido roubam espaço do axé na folia deste ano, acessado em 7 de dezembro de 2016.
  17. Tiago Décimo (6 de fevereiro de 2010). «Pagode baiano faz sucesso e sai do gueto - Geral - Estadão». Estadão. Consultado em 30 de abril de 2016 
  18. Pratali, Débora (16 de novembro de 2000). «Netinho diz ter preconceito contra pagode baiano». Folha online. Consultado em 7 de dezembro de 2016 
  19. Ferreira, Danilo (20 de maio de 2013). «Crime, violência e o "pagode" da Bahia». Abordagem Policial. Consultado em 26 de outubro de 2023 
  20. Acusado de apologia às drogas, Igor Kannário gera polêmica no carnaval de Salvador
  21. MP alerta sobre proibição de músicas que incitem violência no carnaval
  22. BA, Do G1 (8 de fevereiro de 2016). «Vingadora puxa trio sem cordas e anima folião ao som da 'metralhadora'». Carnaval 2016 na Bahia. Consultado em 13 de agosto de 2021 
  23. «PAGOFUNK: Confira os 10 pancadões que viraram pagodões na Bahia». PAGOFUNK: Confira os 10 pancadões que viraram pagodões na Bahia. 18 de junho de 2016. Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  24. iBahia (10 de março de 2022). «'O pagofunk está chegando em todas as classes', diz 7Kassio». iBahia. Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  25. https://www.diariodecuiaba.com.br/ilustrado/bloquinho-e-hitmado-se-popularizam-na-tentativa-de-renovar-o-pagode-baiano/723012

Ligações externas