Kaê Guajajara
| Kaê Guajajara | |
|---|---|
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| Nascimento | 10 de agosto de 1993 (32 anos) |
| Nacionalidade | brasileira |
| Filho(a)(s) | 1 |
| Ocupação | |
| Carreira musical | |
| Período musical | 2019–presente |
| Instrumento(s) | vocais |
Kaê Guajajara (Mirinzal, 10 de agosto de 1993),[1] é uma cantora, compositora, atriz, autora e ativista indígena brasileira.[2][3] Kaê é fundadora da Azuruhu, selo musical voltado ao desenvolvimento de artistas indígenas.[4]
Biografia
Seu nome na certidão de nascimento é Aline de Silva Lira, porém, ela usa Kaê Guajajara como nome artístico e também por ter sido o nome dado a ela pelo seu povo.[5] Ela cresceu no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, nesse contexto teve acesso ao funk e outros gêneros da música periférica brasileira.[6] Tendo deixado ainda criança o Maranhão aos 7 anos no contexto da infância, porque as condições de vida de sua mãe não eram boas.[7] “Vim de uma aldeia não demarcada, onde o conflito com os madeireiros era constante”, relembra.[8][9] Lá, ela fundou um grupo de rap "Crônicos", que denunciava nas letras as violências vividas na comunidade: migração forçada, assassinatos, envenenamentos por agrotóxicos e invasões.[10] Ao seguir carreira solo, pensou em fugir das questões indígenas em seu trabalho, mas logo percebeu que sua arte poderia fazer alguma diferença. "Foi quando comecei a pensar e escrever sobre todas as violências sofri como mulher indígena no contexto urbano", diz.[11] Além de sua carreira musical, é importante destacar sua atuação nas redes sociais, especialmente no Instagram, que é o espaço onde ela mais divulga seus trabalhos. Por meio de posts, ela expressa seu ativismo, denuncia as violências enfrentadas diariamente pelos povos indígenas e busca conscientizar seus seguidores sobre essas questões.[12]
Carreira
Unindo hip hop, instrumentos tradicionais e elementos de sua língua materna Ze'egete ("a fala boa"), Kaê faz música sobre a realidade dos povos indígenas urbanizados e o apagamento das identidades indígenas. Referente ao processo de escrita a artista revelou “Eu sonho, gravo no meu celular a melodia que veio e com todas as coisas que eu já tinha escrito”, Para as letras, ela anota casos de preconceito que vive no dia a dia. “Quando tenho que preencher alguma coisa e só dão as opções ‘pardo, branco, preto’, por exemplo”.[13][14] Já em sua performance no palco, ela se apresenta com pinturas de urucum e jenipapo, além de acessórios artesanais indígenas, expressando em seu corpo sua ancestralidade e a cultura de seu povo. Dessa forma, transforma sua própria imagem em instrumento de resistência e afirmação.[12]
Seu primeiro EP foi Hapohu lançado em 2019, em um vídeo no YouTube, a página descreve o EP com as seguintes palavras: “Tecendo uma linha entre ancestralidade e futurismo indígena, Hapohu vem quebrando o silêncio e as correntes impostas pelo racismo e a colonização, trazendo à tona gritos de resistência que atravessam e ecoam meio milênio. Uma ótima oportunidade disponível em vários meios digitais para conscientizar não indígenas sobre quem são os verdadeiros donos dessa terra e a que pé estamos.”[15] No ano de 2020 lançou dois EPs, o primeiro Uzaw em janeiro e Wiramiri em setembro, o segundo gira em torno do autocuidado, do amor-próprio, da resistência indígena e da pandemia de COVID-19.[16]
Foi uma das atrações musicais da cerimônia de entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023, ao lado de BK', Owerá, MC Soffia, Linn da Quebrada, Liniker e Jonathan Ferr.[17]
Kaê foi vencedora do Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria melhor álbum "Kwarahy Tazyr" ("Filha do Sol") em 2021, foi indicada como melhor show do ano pelo Womens Music Event nos anos de 2022 e 2023, foi mencionada na Forbes Mulher entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras.[18]
Em 2022, a artista lançou o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, Kwarahy Tazyr. É autora do livro "Descomplicando com Kaê Guajajara – O que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista", a ser lançado em 2024 pelo Grupo Editorial Record, Selo BestSeller.[19]
Kaê foi homenageada pela câmara municipal do Rio de Janeiro em 2021 e pela prefeitura do Rio de Janeiro em 2023 como "amigos da juventude carioca" sendo préstimos à Azuruhu, selo musical fundado pela artista e co-fundado por Kandu Puri para o desenvolvimento e lançamento de novos artistas indígenas, Moção pela Vereadora Mônica Benício na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo reconhecimento da relevância de atuação no território de favelas e na construção de outra perspectiva favelada.[20]
Discografia
EP
- Hapohu, 2019
- Uzaw, 2020
- Wiramiri, 2020
Álbum de estúdio
- Kwarahy Tazyr, 2021
- Visual Kwarahy Tazyr, 2022
- Zahytata, 2023
- Forest Club 2024
Participações
- Pandemia: Kaê Guajajara e Kandu Puri, 2020
- Vênus em Câncer: Kaê Guajajara, Wescritor, Kandu Puri, 2020
- Minha Força: Kaê Guajajara, Canário Negro, Nelson D, 2020
- Asas: Kaê Guajajara e Nelson D, 2020
- Amor Indígena: Kaê Guajajara e Kandu Puri, 2021
- Barriga de Peixe: MULAMBA e Kaê Guajajara, 2022
- Liberdade: Jonathan Ferr, Kaê Guajajara e Devaneio beatz, 2023
- Kurumi Kaluana: Tropkillaz, Different J, Kaê Guajajara, OWERÁ, 2023 (trilha de abertura de “No Limite - Amazônia”, da Rede Globo)
Referências
- ↑ «Kaê Guajajara». Dicionário Cravo Albin. Consultado em 30 de julho de 2023. Cópia arquivada em 30 de julho de 2023
- ↑ «KAÊ GUAJAJARA». Consultado em 11 de abril de 2021
- ↑ «Kaê Guajajara». Consultado em 11 de abril de 2021. Cópia arquivada em 11 de abril de 2021
- ↑ Tormina, Helen Bovo; Fernandes, Ângelo José (17 de novembro de 2021). «Desenvolvimento da performance e ensino crossover de canto». Per Musi (41): 1–24. ISSN 2317-6377. doi:10.35699/2317-6377.2021.36194. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ Demarchi, André Luis Campanha; Medeiros, Maria Aparecida da Silva (2022). «CONTRA-NARRATIVAS INDÍGENAS NAS CANÇÕES DE KAÊ GUAJAJARA». Revista Nós: Cultura, Estética e Linguagens - ISSN 2448-1793 (2): 158–177. ISSN 2448-1793. Consultado em 19 de novembro de 2025
- ↑ «Kaê Guajajara: o baile ancestral, o álbum pop indígena;». AYA LABORATÓRIO. 29 de abril de 2025. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ Oliveira, Beatriz de (25 de agosto de 2023). «Kaê Guajajara canta vivências na favela e críticas à colonização». Nós, mulheres da periferia. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ FRANKLIN, LAÍS (5 de setembro de 2020). «Escute o som e as rimas do rap indígena brasileiro». Vogue. Consultado em 11 de abril de 2021. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2020
- ↑ Dulce, Emilly (24 de março de 2019). «ARTISTAS, EDUCADORES, YOUTUBERS: A LUTA DA JUVENTUDE INDÍGENA EM MÚLTIPLAS EXPRESSÕES». Brasil de fato. Consultado em 11 de abril de 2021
- ↑ «Notícias - Pueblos Indígenas en Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ Fonseca, Dandara (19 de setembro de 2020). «Alice Pataxó, Tukumã Pataxó e Kaê Guajajara usam as redes sociais para quebrar estereótipos e ampliar o debate em torno das questões indígenas mais urgentes». Revista Trip. Consultado em 11 de abril de 2021
- ↑ a b Demarchi, André Luis Campanha; Medeiros, Maria Aparecida da Silva (2022). «CONTRA-NARRATIVAS INDÍGENAS NAS CANÇÕES DE KAÊ GUAJAJARA». Revista Nós: Cultura, Estética e Linguagens - ISSN 2448-1793 (2): 158–177. ISSN 2448-1793. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ Moreira, Pedro (16 de dezembro de 2020). «Kaê Guajajara "O Rap Indígena"». Cultura Leste. Consultado em 12 de abril de 2021
- ↑ Mari, João de (3 de dezembro de 2019). «Rap indígena sai da aldeia e protesta: "Agro não é tech nem pop. Ele mata" ... -». Tab. Consultado em 11 de abril de 2021. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2019
- ↑ «KAÊ GUAJAJARA». Consultado em 11 de abril de 2021. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2020
- ↑ Miranda, Beatriz (26 de outubro de 2020). «'The way I am is an outrage': the Indigenous Brazilian musicians taking back a burning country». The Guardian. Consultado em 11 de abril de 2021
- ↑ Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023 | ID_BR | Origens e Raízes, consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ «Prêmio Arcanjo de Cultura 2021: confira os vencedores da 3ª edição que emocionou o público no Theatro Municipal de São Paulo». SP Escola de Teatro. 9 de dezembro de 2021. Consultado em 22 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2024
- ↑ Nascimento, Matheus (25 de julho de 2022). «Kaê Guajajara faz história com o primeiro álbum visual indígena do Brasil». O Grito!. Consultado em 22 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2024
- ↑ «Homenagens marcam Mês da Consciência Negra». Câmara Municipal do Rio de Janeiro. 22 de novembro 2021. Consultado em 22 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2024
