Hip hop no Brasil

O hip-hop no Brasil refere-se ao movimento cultural dos Estados Unidos da América, que chegou ao país na década de 1980 na cidade de São Paulo.

O DJ e produtor Afrika Bambaataa, reconhecido como o criador do movimento hip-hop, estabeleceu os quatro pilares dessa cultura: rap (música), Disc-jockey (animador), breakdance (dança), graffiti (arte) e, beatbox (instrumental).[1][2] Outros elementos incluem o MC, a moda hip hop e, as gírias.[3]

O rap é um gênero musical que faz parte da cultura do hip-hop,[1] mas antes mesmo do gênero chegar ao Brasil, algumas canções tinham sido lançadas que atualmente são consideradas do tipo rap, como o samba "Deixa isso pra lá" (presente no álbum Vou de samba com você) de Jair Rodrigues em 1964;[4][5] "Melô do Tagarela" (1979) de Arnaud Rodrigues e Luís Carlos Miele;[6] "Mandamentos Black" (1977), e;[7] Melô do Mão Branca" (1980) de Gerson King Combo.[8]

Gerson foi um dos principais artistas do movimento Black Rio, que misturou soul e funk com letras de forte consciência social e, sendo especialmente reverenciada por artistas do rap brasileiro, que reconhecem nele uma figura pioneira na valorização da identidade negra e na denúncia das desigualdades sociais.[9][10] O rapper brasileiro Rappin' Hood informa que os repentistas nordestinos seriam os precursores do estilo no país,[11][12] uma característica comum é a realização de "batalhas" ou "pelejas" entre rimadores.[13][14]

Na década de 1980, a juventude paulistana começou a receber informações de um movimento que acontecia na cidade norte-americana de Nova York chamado hip-hop,[15] por meio de cartas e fanzines.[16] Assim jovens moradores da periferia passaram a se reunir na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento, para apreciar as músicas rap produzidas no bairro novaiorquino do Bronx e,[15][16][17][18] fazerem encontro de breaking das equipes de dança/crews.[16][17] Os primeiros frequentadores destes locais foram os atuais artistas Thaíde, Rappin' Hood e,[15] o pernambucano Nelson Triunfo,[15][17][19] considerado o "pai do hip-hop brasileiro",[17] que chegou em São Paulo em 1977 para ser dançarino inicialmente de soul e funk.[19]

Na época, no Brasil o rap era considerado um estilo musical periférico e era relacionado a violência.[15] De acordo com Rappin' Hood informa que os frequentadores dos points do hip-hop em São Paulo eram perseguidos por produzirem rap.[15] Mas na década de 1980, o hip-hop ganhou mais visibilidade com o surgimento da MTV (acrônimo de Music Television), através dos videoclipes de rap.[17]

Em 1984, o grupo norte-americano Public Enemy fez a primeira apresentação de hip-hop no Brasil, impactando muitas pessoas com aquela nova cultura e a militância das letras, além de ajudar muitos jovens negros a terem autoestima.[15] Assim o rap começou a difundir-se rapidamente nas periferias da cidade, local onde os jovens buscavam como integrar-se a uma sociedade preconceituosa durante a época do regime da ditadura.[15] Iniciou o movimento brasileiro de hip-hop e de expressão, que a juventude usou para encontrar uma identidade ideológica, além de manifestar e curtir.[16] Surgindo assim os bailes "black" como o Chic Show e, gravadoras dedicadas ao gênero, que produziam coletâneas com artistas que apresentavam-se nos bailes da época no final da década de 1980.[15] Em 1988, foi lançado o primeiro álbum brasileiro exclusivo de rap, a coletânea chamada Hip-Hop Cultura de Rua, com a participação de rappers como Thaíde, DJ Hum, MC Jack e, Código 13.[15] No ano seguinte, foi lançada outra coletânea Consciência Black, Vol. 1, que apresentou um dos primeiros grupos de rap brasileiro, Racionais MC's, formado por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e, KL Jay, gravando a música sobre as desigualdades na periferia.[15] Que foram seguidos pelas coletâneas Ousadia do rap da Kaskata's Records, O som das ruas da Chic Show e, Situation RAP da FAT Records.[15]

Em 1985, surgiram as primeiras equipes de dança brasileiras formalizadas, chamadas pelo termo inglês "crew", como por exemplo a Back Spin, seguido por Panteras Negras e a Dragon Breakers.[20] A estação São Bento em São Paulo tornou-se local para organizações de festivais e campeonatos de: breaking, grupos de rap, Mestres de Cerimônias, DJs, grafiteiros que ilustravam roupas para as crews.[16] Participações de artistas como por exemplo: Kika Maida, Rose MC, Sharylaine, Bete, Baby, Renata, Lady Rap, Thaide, DJ Hum, Nelson Triunfo, Nino Brown, MC Jack, Rooney Yo-Yo.[16]

Em agosto de 1988, foi criado o programa de televisão nos Estado Unidos chamado Yo! MTV Raps,[21][22] inicialmente apresentado pelo historiador musical e artista de grafite Fab 5 Freddy.[22] No Brasil, o programa passou a ser transmitido na madrugada a partir de outubro de 1990 chamado Yo! MTV Raps Brasil.[22] Inicialmente, não havia apresentador brasileiro, sendo então retransmitida a versão dos EUA.[22] Levando a televisão aberta quadros de curadoria de clipes, entrevistas, reportagens, apresentação de improvisos e, a cultura do hip hop.[22] Popularizando a cultura urbana na época pré-streaming.[22] Pouco depois o programa no televisão nacional teve apresentadores brasileiros, iniciando também a produção de vídeo-clips de rap brasileiros.[22] A versão brasileira teve sete apresentadores: Felipe Barcellos, Luiz Thunderbird, Primo Preto, Rodrigo, DJ Kl Jay, Thaide e, Pathy Dejesus.[22]

No estado do Amapá, o movimento do hip hop iniciou na década de 1980, com grupos da dança de rua, como por exemplo "Os Cobras Verdes", inspirados nas telenovelas brasileira que continham elementos da dança break: "Dancin'days" e "Partido Alto", esta contemplava tanto samba brasileiro quanto elementos do hip hop.[23] Assim, a influência das transmissões midiáticas marcou a primeira geração dos adeptos ao hip hop na região.[23]

Na década de 1990, o rap começou a vencer os preconceitos e a ganhar as rádios do país, surgindo assim o programa Movimento de Rua, na Rádio Imprensa, apresentado pelo DJ Natanael Valêncio.[15] Nesta mesma época, surgiram os artistas Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho e, MV Bill. Então, em 1993 os Racionais MCs lançaram seu primeiro álbum chamado Raio X do Brasil, que levou o grupo a abrir a próxima apresentação de Public Enemy em São Paulo.[15]

Em 1995, o grupo Facção Central destacou-se fazendo o sug-gênero gangsta-rap quando gravou o álbum Juventude de Atitude, sobre a violência e pobreza e repressão que ocorriam nas favelas de São Paulo. Em 1997, o grupo Racionais MC's lançaram o álbum Sobrevivendo no Inferno, que é considerado atualmente um dos clássicos do rap brasileiro, que em 2018 foi uma obra obrigatória no vestibular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).[15][24] Que também foi transformado em dicionário batizado como "Dicionário Capão", criado em 2018 por Hugo Cacique e,[24][25] exposição no evento Roda do Corre realizado no distrito paulistano do Capão Redondo no dia 4 de maio em 2019.[24]

Em 1999, Facção Central laçou o clipe de Isso Aqui é Uma Guerra, que foi censurado pelo Ministério Público.[15] Em 1989, na cidade brasleira de Fortaleza foi fundado a organização "Movimento Hip Hop Organizado do Brasil" (MH2O), que logo chegou a 14 estados do Brasil.[18] Na década de 2000, o rap brasileiro continuou se renovando, com a incorporação novos elementos sonoros.[17] Alguns dos artistas destaques nestse período foram: Rashid, Projota, Flora Matos, Baco Exu do Blues, Djonga, Froid, Tribo da Periferia e, Linn da Quebrada.[17]

O torneio Red Bull FrancaMente é uma competição que promove batalhas entre artistas brasileiros do hip-hop,[15] marcando o título de melhor MC do Brasil.[26] Que foi inspirado no evento mundial de rap chamado "Red Bull Batalla".[26]

Em 1996, surge a rapper Lunna (nome artístico da paulista Luana Rabetti), além de ser historiadora, escritora e, pedagoga.[16] Esta é presidente do Instituto Global Perifeminas e facilitadora da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop,[27] que ja organizou a série de livros Perifeminas l, ll e lll.[16][27] Esta participou como rapper da coletânea Pelas Periferias do Brasil V e VI e, dos CDs: 12 Revelações da 105 FM, Reviravolta Máfia, Mulheres Guerreiras de Brasília e São Paulo tem a Voz.[16] Participou dos filmes Pelas Margens e As 3 do Capão e, do documentário O Protagonismo das Minas: A Importância das Mulheres no Rap de SP.[16] Lunna ja foi premiada no Hutuz/RJ, Hip Hop Top/SP, Jovem em Destaque/2016 e 2021, certificado do Cultura Viva comunicação.[16]

Desde 2022, o rap é patrimônio cultural imaterial no estado de Roraima, declarado pela Assembleia Legislativa estadual que criou o Dia Estadual do hip hop, celebrado anualmente no dia 11 de dezembro, como objetivo de evitar que os rappers da região e outros praticantes do movimento fossem novamente perseguidos.[28] Assim, no ano seguinte celebrou-se o hip hop no estado roraimense e, o Centro de Convivência da Juventude (um programas especiais da Assembleia Legislativa) passou a oferecer aulas de break, acompanhadas do rap.[29]

Desde 2003, as bgirls brasileiras reivindicavam espaço no BC One com uma categoria feminina, que foi criada apenas em 2018.[20] Em 2003 foi criada a BSBGIRLS, primeira crew do Distrito Federal formada por mulheres fundada por FabGirl, levando a muitas mudanças na cena do breaking brasileiro, onde as mulheres se unem buscando visibilidade.[20]

Em 2004, o breaking ganhou ainda mais popularidade com a criação de uma competição mundial anual Red Bull BC One[20] (patrocinado pela companhia austríaca Red Bull GmbH[30]), no formato de duelos de dança 1x1 e mata-mata,[20][30] com participação de dezesseis competidores, chamados b-boys e b-girls (breaking-boys-girls).[30] Que em 19 edições, o bboy brasileiro Neguin (crew Tsunami All-Stars) foi o único vencedor latino-americano em 2010.[20][31][32][33] A primeira edição do BC One foi realizado pela primeira vez na cidade de Biel (Suíça), ocorrendo anualmente em um local diferente.[2][34] E a primeira edição latino-americano da competição ocorreu em 2006 na cidade de São Paulo.[2] Assim a cena do bboy tornou-se mundial: a Coréia do Sul, Estados Unidos da América, Holanda e, França, são locais que possuem os melhores dançarinos.[2]

Em 2017, o Red Bull Station durante o evento Red Bull Music Festival exibiu a exposição "Racionais MC's: 3 décadas de História", onde ocorreu o lançamento do documentário "Desconstruindo: Diário de um Detento" e, o debate com a participação do: repórter André Caramante; a rapper Drik Barbosa; o Jorge Dias, e; o diretor Maurício Eça, que analisaram a música "Diário de um Detento", que refere-se ao massacre de 1992 no Carandiru e a condição dos detentos do complexo.[24]

Em 2021, o Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD) criou a primeira seleção olímpica brasileira de breaking, que estreou nos Jogos de Paris 2024,[19][20] composta por oito atletas homens e oito mulheres.[20] O atletas receberam treinamento físico, técnico, fisioterápico, suporte médico e, psicológico.[20] Em mais de 40 anos, o breaking brasileiro influenciado por movimentos da capoeira salva vidas nas periferias do país, gerando emprego e autoestima e livrando a juventude do tráfico, racismo e, da desigualdade social.[19]

Moda

Existe uma relação entre música e moda,[35] e a moda do hip hop é um estilo de se vestir de origem afro-americana e latino dos bairros periféricos de Nova York, que representa identidade/diferenciação e atitude urbana.[35][36] As roupas possuem características despojadas e confortáveis.[36] Originalmente usa-se boné com aba reta (snapback), tênis da década de 1980,[35] roupa folgada do dançarino de breaking, que facilita a movimentação (calça larga ou bermudão[36]), moletom com capuz ou agasalho esportivo,[35][36] que o grafiteiro usava a noite na rua para proteção do frio durante a atividade;[36] rappers com jaqueta grafitada.[36] Na década de 1990 começaram a usar a calça com cintura baixa e cueca aparecendo (sagging pants), representando a liberdade.[35] Atualmente usa-se camisetas em nylon, semelhante ao jogador de basquete, de duas marcas brasileiras em destaque a K4 e Kaos que são apresentadas na revista Rap. Br.[36]

Além dos elementos de vestuário, existe a postura corporal no processo de comunicação da cultura, como a "cara de mau", os braços ou pernas cruzadas, ou soltos representando trejeitos da dança e, também o corpo encostado no muro representando uma posse da dança.[36]

Linguagem

A cultura hip-hop possui termos linguísticos característicos da periferia (informal)[37][38] com uma tipografia tipicamente paulistana,[25][38] que de acordo com o Dicionário Capão essa linguagem está em constante evolução, criada na rua e no dia a dia, que também é influenciado pelo funk.[37] E a pixação é usada para representar as gírias visualmente: "O que o pixo é no campo visual, a gíria é no campo verbal... "um código que pode ser entendido como uma arte ou como uma transgressão.[37] Algumas expressões brasileiras (a tipografia paulistana) estão presentes nas letras do grupo Racionais MCs (considerado um dos clássicos do rap brasileiro),[25][37][38] como por exemplo: o termo "bombojaco" que representa uma roupa reforçada de nylon para proteção do frio; "pano" e kit refere-se a roupa grife;[38][39] "xilindró" que representa a cadeia; "boi" representa moleza; "corre", "correria e, "trampo" que representa o trabalho; "jet", "rolê" e, "peão" que representa passeio; "osso" e "embaçado" que representa difícil e complicado; "quiaca" e "treta" que representa confusão; "prego" e "vacilão" que é a pessoa que faz besteira; "chave" refere-se a ser estiloso;[38][40] voado que representa apressado; "cavalo" que tem sentido de carona.[39]

Os termos linguísticos desta cultura também são influenciados pelo Estados Unidos, como por exemplo: "4 life" é a expressão "até morrer" ou "para sempre"; "ride" representa o veículo; "block" e "hood" representam a quebrada; "boo" representa garota(o) ou namorada(o); "lil’" é a contração do termo em inglês "little" que a tradução é pequeno e também representa jovem; "you" e "holla" (at somebody) é o modo de chamar uma pessoa; "fly" é a expressão "ficar bêbado"; "hattin’" representa "odeiar uma pessoa"; "hustler" refere-se a pessoa festeira; "to hustle" refere-se a expressão "fazer trocas" (rolos).[41]

Existem também os termos usado no trap "skrt" usado no início das músicas de trap, e referência ao barulho que os carros fazem durante a derrapagem na pista (drift); "drip" representa pessoas com estilo marcante, usam roupas de grifes; "hype" termo é usado para mostrar que algo ou alguém que está em alta na mídia; hoe e em português "do job" refere-se as pessoas que trabalham com prostituição; "ballena" refere-se a uma bebida alcoólica; "glock" refere-se a uma arma.[42]

Movimento feminino brasileiro

O hip hop feminino refere-se a uma vertente do movimento cultural do Hip Hop que surgiu por conta da falta de representatividade feminina dentro da cena. O movimento aborda assuntos como o machismo e as questões raciais vividas por mulheres dentro do meio artístico.[43][44][45]

As mulheres nesta cultura expressam na arte suas vivências do cotidiano e suas lutas raciais, de classe e, de gênero.[43][45] As artistas mais influentes atualmente são: Lurdez da Luz, Carol Konká, Tassia Reis, Lívia Cruz, Tasha e Tracie, flora Matos, Ebony, Budah, etc.[46]

História

hip hop feminino surge no final da década de 1980, também na cidade de São Paulo, o objetivo era empoderamento feminino num contexto onde as mulheres sofriam com preconceito ligado ao gênero dentro e fora do movimento.[46] As pioneras da cena são Negra li, Dina Di, Rubia e Sharylaine, com letras que traziam temas como violência, realidade feminina e direitos femininos.[46][47]

No surgimento do movimento, as mulheres tinham acesso a cultura do Hip Hop através dos fanzines e fitas k7 que eram disponibilizadas pelo público masculino.[44][48] Mesmo ingressando no mundo da música, as artistas femininas não recebiam o mesmo reconhecimento que homens.[48] Desse modo algumas das artistas enfrentaram dificuldades em lançar seus próprios álbuns, como foi o caso da rapper Sharylaine, única mulher a participar da coletânea Consciência Black Vol.1 com a música "Nossos Dias".[48][49] Apesar do reconhecimento da coletânea, Sharylaine não teve as mesmas oportunidades que seus colegas de projeto, como o caso dos Racionais Mc's.

Frente Nacional Mulheres no Hip Hop

A Frente Nacional de Mulheres no hip hop (FNMH²) é uma coletivo responsável por organizar e promover atividades ligadas as mulheres integrantes, este coletivo promove não só as rappers, mas também as grafiteiras, Dj's e as chamadas B-girls, do breakdance. O coletivo foi criado em 2010 e teve como uma se suas idealizadoras a rapper Sharylaine.[47] O movimento está presente em todos os estados brasileiros.[50]

Mulheres no breaking

O breakdance, movimento de dança dentro do hip hop, teve início também nos anos de 1980, no início tomado por uma maioria masculina. Mas, logo as mulheres começaram a se inserir no movimento, dando espaço para as B-girls, nome dado as mulheres que praticam breakdance. A B-girl considerada pioneira no movimento foi a Kika Maida, hoje, uma das b-girls mais influentes é a FaBgirl, a primeira brasileira a representar o Brasil no Mundial de Break Dance (Battle of The Year).[44][51]

Mulheres no grafite

As pioneiras no grafite feminino são Marcia Chicaoka e Carmen Fukunari, as primas começaram a grafitar em 1980, onde o cenário era majoritariamente masculino. Atualmente o movimento se expandiu e as mulheres começaram a ter mais espaço no grafite, mesmo assim, ainda enfrentem preconceitos e apagamentos.[52]

A fim de aproximar mais as mulheres presentes no mundo do grafite, as grafiteiras Ana Clara Marques, Fernanda Sunega e Marcela Zaroni criaram o Graffiteiras BR, uma rede de apoio as mulheres grafiteiras. Surgiu com o intuito de fortalecer e trazer reconhecimento as artistas urbanas.[53]

Mulheres Djs

Devido a falta de reconhecimento das mulheres que trabalham no mundo da música são poucas os registros sobre as pioneiras do Disc jockey brasileiro. Porém, pode-se apontar a artista Maria Saraiva Santos Abreu, ou, como é popularmente conhecida, SoniÁbrêu como a primeira mulher Dj no Brasil. Sônia começou a tocar profissionalmente no fim dos anos 1970.[54]

Na cena atual do hip hop é possível destacar as irmãs Tasha & Tracie, que além de cantoras, colunistas, diretoras de arte, estilistas, designers e palestrantes, as artistas atuam como Djs e são reconhecidas dentro e fora do cenário do hip hop e rap paulista.[46]

Programa Manos e Minas

O programa Manos e Minas foi ao ar pela primeira vez em 2008, abordando os temas mais recorrentes da arte urbana brasileira, como o breakdance, grafite e rap. Teve como apresentadora a atriz, mc e poeta, Roberta Estrela D’Alva, um passo importante para a representatividade feminina na cena do hip hop.[46]

No ensino brasileiro

Da mesma forma que os ouvintes marginalizados identificam-se com os versos do rap, também leva sensibilidade para pessoas fora do ambiente retratado, ajudando a abordar fenômenos sociais. Por esta razão, no Brasil tem sido desenvolvido estudos sobre uso de músicas de rap na educação.[55][56]

No ensino musical, o rap ajuda principalmente nas noções musicais de ritmo, melodia, por ser complexo na construção musical e tratar de situações cotidianas entre os alunos jovens e periféricos. Logo, o rap feito no Brasil é instrumento para trabalhar questões musicais e extramusicais[55][56]

Ensino musical

Trabalhar o rap em ambiente acadêmico é uma forma de reafirmá-lo enquanto gênero musical e, tratar sua qualidade em igualdade com outros gêneros, como o: jazz, blues, MPB e, a música erudita, que possuem visibilidade histórica firmada nesses locais de estudo. Habilidades como improvisação, criatividade e ritmo podem ser adquiridas pela prática do gênero, principalmente na "batalha de rap", modalidade muito pratica no país, e pelas batalhas de improvisação com tema, a criatividade floresce no contexto lúdico, em formato de brincadeira.[55] E educadores pensam ser uma prática de educação antirracista.[55]

A criatividade é uma característica essencialmente requisitada e adquirida no rap, pois o formato estrutural do gênero no Brasil (músicas longas com vários versos inéditos) exige o profundamente do tema, no objetivo de tornar a canção complexa sem parecer repetitiva. Que posteriormente podem usar esta habilidade no processo de composição de canções em outros gêneros musicais.[55]

Ensino extramusical

A fim de redirecionar o foco das escolas para literaturas marginas ou letramento de reexistência, o rap pode ser usado nas escolas brasileiras oferecendo uma opção de "ensino-aprendizado" mais eficaz. Ademais, o rap, por ser um estilo musical de grande representação do movimento negro, pode ser usado no intuito de cumprir com a Lei número 10.639/03 que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-americana no Brasil, em todas instituições de ensino do colegiado.[56]

Tendo em vista a importância do letramento nos pilares da educação, a adoção do rap nas escolas brasileiras tenta adequar a linguagem acadêmica para o dia a dia vivenciado em locais de vulnerabilidade social e econômica, incentivando uma maior interação entre os estudantes e entre a troca aluno e professor.[56]

Música nos estados brasileiros

Rap em São Paulo

Sabe-se que o rap brasileiro no cenário paulista tomou a maior parte da fama relacionada à origem do rap, e dos outros movimentos da cultura hip hop. No Brasil da década de 1980, a juventude paulistana recebeu informações do movimento que ocorria em Nova York.[15] Assim, os paulistanos não só foram os pioneiros do rap, mas foram uns dos primeiros a incorporarem todos os elementos presentes no hip hop no âmbito nacional.[57][58]

No contexto do final da década de 1980, no Brasil o rap era apenas uma junção da batida produzida pelo DJ com a resposta do MC, sem fama significativa e desprezado pela sociedade. Alguns, simplesmente confundiam o rap com outros estilos músicas, outros afastaram-se por achar o rap um gênero musical violento e, de pessoas marginalizadas. Entretanto, no Brasil falar constantemente sobre violência, é dado a crítica social respaldado nos atos violentos articulados pelo Estado em território periférico, os rappers da década oitentista também falavam sobre sexo e outra temáticas além.[57][58] Mesmo nos anos noventa, quando as pessoas entendiam melhor o que era o rap, ainda não podia classificá-lo como popular. Ele era chamado como o quarto elemento do hip hop, o grafite estava em ascensão neste período. Contudo, só nos anos 2000, com o lançamento da discografia dos Racionais Mc's, o rap paulistano ultrapassou as fronteiras do nicho econômico, para virar uma referência entre pessoas de classe média e alta.[59]

Atualmente, o rap paulistano conta com novas temáticas, e estéticas em seu texto. Emicida, um artista em destaque no cenário brasileiro natural da cidade de São Paulo, explica que o rap não saiu do eixo tradicional, apenas retomou suas origens; argumenta que no início o rap falava da vida, e falar sobre amor e a vida em si, não é uma traição aos seus princípios. O rapper defende a liberdade dentro das músicas, acima de qualquer outra característica.[60]

Além disso, a mudança nos vocativos nas músicas, que comumente invocam nomes de bairros periféricos, representa, para Emicida, a forma como o rap brasileiro teve um aumento de amplitude no público; continua sendo ouvido por muita gente dessas regiões periféricas, mas com a diversidade de público escolher os bairros tornou-se uma tarefa mais difícil.[60]

Rap em Brasília

O rap brasiliense está intimamente ligada à criação de Brasília, a cidade planejada, que de acordo com o plano de JK, Brasília deveria ser sede de imensas transformações, virar um polo brasileiro de modernidade, tornar-se capital do Distrito Federal e do Brasil. Mas, em nenhum momento, os trabalhadores que construíram esta cidade estavam inclusos no planejamento habitacional, muito menos os imigrantes nordestinos deveriam residir na cidade. Aquela, deveria ser habitada por grupos pertencentes à elite da sociedade.[61]

No entanto, durante o período da ditadura brasileira todos esses grupos que "invadiram" a cidade, foram realocados primeiramente na construção da Região Administrativa de Taguatinga. A região recém construída, abrigava em maioria negros e nordestinos. Em seguida, com o aumento dos cidadãos indesejados frequentando o centro do DF, outras regiões administrativas foram criadas, e nessas localidades periféricas o rap ganhou palco definitivo. Onde os rappers encontraram inspiração para suas músicas, como por exemplo, na música "Brasília Periferia" do grupo GOG, que durante o governo de Médici na ditadura, é acusado de fazer dessas regiões administrativas um "centro de erradicação".[61]

Embora o berço do rap no Brasil fosse na cidade de São Paulo, em 1980 em Brasília, assim como no Rio de Janeiro, a cultura do hip hop não demorou a chegar, devido a presença de muitas famílias de classe alta com contato com o internacional. A presença de videoclipes, discos, e viagens internacionais nas classes dirigentes de Brasília, possibilitou o descobrimento do hip hop. Com a interação entre as classes periféricas nas cidades-satélite com as cidades circundantes, o hip hop tomou força e popularidade e, essa troca cultural possibilitou um público jovem, interessado nas músicas lançadas pelos rappers da periferia regional.[62]

Paralelamente, na década oitentista, surgiram programas de rádio que apresentavam os gêneros musicais rap e funk.[62] No final dessa década o rap iria aumentar sua popularidade em terras brasilienses, em parte devido aos avanços na área de tecnologia, que permitiam as classes de zonas marginalizadas produzirem e lançarem seus discos de forma mais econômica, com a criação de estúdios caseiros e, em parte a mudança nos anos noventa quando o rap do Distrito Federal tornou-se mais crítico e, a criação de novos espaços para encontros entre os praticantes do hip hop. As trocas interacionais nos novos espaços levaram posteriormente à criação do grupo de maior reconhecimento, no cenário brasilense: o "Câmbio Negro" em 1990. A ascensão desde grupo formado com participantes oriundos das periferias do DF, trouxe uma bagagem crítica muito forte para o contexto do rap brasiliense, que em geral as letras abordavam problemas sociais, procuravam uma subversão, denunciavam problemas sociais e políticos, e reivindicavam direitos para jovens na pobreza em regiões administrativas circundantes à capital.[62]

Junto à repercussão das letras do grupo Câmbio Negro, veio a construção de um imaginário coletivo criado pelas mídias, onde os rappers foram esteriotipados como criminosos, participantes de "gangue", que estariam disseminando a violência no Distrito Federal.[62] Muitas gravadoras nacionais negaram o lançamento do LP de grupo de rappers, porque suas letras possuíam muitos palavrões, até que a gravadora Discovery de Genivaldo incentivou, e obteve grande sucesso com uma vendagem superior a duas mil cópias em uma semana de lançamento, levando o rap produzido em Brasília para o mundo, e no Brasil virou um "clássico".[62] A primeira faixa denominada "sub-raça" revoluciona o pensamento étnico no Brasil ao fazer uma subversão do valor do negro,[62][62] que afirma o valor de ser negro não é aprendido em "faculdades ou colégios", uma denúncia direcionada ao sistema educativo brasileiro que negligenciava a importância da cultura negra no ensino acadêmico. Outro trecho, exalta o papel dos negros na construção do Brasil: "privilégio de pertencer a uma raça/ Que com o próprio sangue construiu o Brasil".

A história do Rap nas regiões adjacentes à Brasília tem destaque não pelo pioneirismo, mas por sua influência em terreno nacional e internacional. Assim como Câmbio Negro, outros grupos como "Álibi" e "Cirurgia Moral", amenizaram a preocupação das gravadoras em relação ao uso de palavrões em músicas do rap. GOG, um rapper do DF, foi o primeiro do Brasil a ter seu selo fonográfico particular.[63] Portanto, é evidente a influência que o resto do país recebeu do rap brasiliense, ou rap do DF, no comportamento e no mercado.[63] Até dentro das políticas públicas do Distrito Federal, o rap deu sua colaboração, com reivindicações do movimento: a ausência de lazer nessas áreas administrativas, melhoria de infraestrutura nas "comunidades", melhoria no transporte público, e uma maior segurança, que de acordo com a Câmera Legislativa do DF, o rap já contribui com a educação, sendo uma forma de permitir a expressividade de jovens vulneráveis. Dentre as propostas relacionadas ao rap, estão a aprovação de festividades do hip hop no calendário oficial de eventos da região, e a transformação do hip hop como patrimônio cultural do Distrito Federal.[64][65][66][67]

Ver também: Ceilândia e, Viela 17

Rap no Rio de Janeiro

O rap entrou no estado do Rio de Janeiro inicialmente pelos "bailes black", realizados nas periferias. O BaileBlack reunia todos os negros e afrodescendentes moradores do Rio de Janeiro; mais tarde, esses bailes dividiram-se entre os gêneros: charme, funk carioca e, hip hop.[68] Da entrada do hip hop até o contexto de prática atual, houve mudanças significativas. Antes, no bailes uma pessoa era responsável como DJ e outra pessoa era responsável pelo rap, conforme a tradição do hip hop. Posteriormente, nas "batalhas de rima" fluminenses, a participação do público cresceu; ocorrendo as "Batalhas de Conhecimento", com rappers experientes, ou as "Batalhas de Sangue", que são abertas ao público mais jovem.[69]

Mesmo na "plateia", havia espaço para participação ativamente reagindo a rimas consideradas de qualidade, ou no seu inverso simétrico, rimas mal elaboradas. A diferença entre uma Batalha de Sangue e uma Batalha de Conhecimento está no nível da habilidade exigido dos participantes. Não que um rapper "de sangue" seja menos habilidoso, mas porque é exigido pela situação "do conhecimento" uma maior experiência no nicho. Uma batalha de sangue, pede coragem e boas rimas para vencer. Por outro lado, uma Batalha de Conhecimento tem tempo máximo delimitado e um tema prévio. Assim, para ganhar este tipo, é preciso melhor saber improvisar no desconhecido. Comumente, entre diferentes batalhas, os participantes apresentam suas músicas autorais.[69]

Na década de 1990, seguindo a tendência anterior de outros estados citados, o rap no Rio de Janeiro também ganharia popularidade muito maior. Isso ocorreu porque o rap importado do norte-americano era transformado em território brasileiro, nessa época, já estava vinculado a uma série de símbolos, como por exemplo: o basquete e o skate. Então, foi muito mais fácil para o país apropriar-se dos símbolos que já existiam e trazê-los para a televisão nacional, visto que, simultaneamente na década de 1990, a indústria brasileira passava por uma importante fase de aumento do acesso à tecnologia. Ao invés de estarem restritos à rádio, alguns artistas do rap, como o compositor e cantor Thaíde, puderam apresentar seu trabalho em programas de televisão aberta. Isto colaborou significativamente para o aumento da influência da cultura rapper no Rio de Janeiro e sob o Brasil como todo.[70]

Cada lugar do Brasil adotou o rap com suas peculiaridades; no estado fluminense a história repetiu-se. Apesar das primeiras gravações de álbuns no cenário do rap fluminense terem semelhanças notórias com o rap fabricado em terreno paulistano, com o passar do tempo, em 1990, ganhou qualidades próprias regionais. Neste viés, a festividade de maior palco para os artistas fluminenses era apelidada por "zoeira", que significava "brincadeira". Assim o rap no rio mostrou-se muito mais descontraído que o rap paulistano: sério e crítico. No estado fluminense este gênero fez aproximação com o rock, o reggae e o club.[70]

No final da década de 1990, dois artistas passaram a ser conhecidos na cidade de Niterói, a dupla Black Alien & Speed, e o grupo Quinto Andar. E Black Alien & Speed, a sua fama tomou cenário nacional e, foram muito bem avaliados no movimento do rap. Suas composições combinam um bpm acelerado, visto como frenético, com letras irreverentes, temas incomuns na área, um "estilo lírico e vocal original". Todas suas músicas misturam o ritmo do rap convencional no Brasil a outros ritmos com influências estrangeiras, em sua maioria, relacionados à cultura negra internacional.[70]

Ver também: Reggae no Brasile Funk carioca

Rap nordestino

O rap na região do Nordeste brasileiro possui elementos regionais muito característicos que os distinguem do resto do cenário nacional. Onde o rap adaptou tanto a sua narrativa quanto as suas criações sonoras, adquirindo influência do "repente", modo de produção musical no estilo fala cantada acompanhados por instrumentos musicais no fundo. Com a chegada do rap no nordeste e os primeiros álbuns de sucesso, veio a adição de instrumentos musicais como o pandeiro, o triângulo, a ganzá, a zabumba e a viola.[71]

As maiores produções de destaque realizadas no contexto nordestino iniciaram no final da década de noventa. Apesar do "repente" ter sua construção que remete a anos anteriores, ainda assim aproxima-se do rap, principalmente na modalidade do improviso. Sobre o rap produzido no nordeste, chama a atenção como num todo ele enfatiza as origens culturais advindas dessa região brasileira. Seus temas e problemas, estão de algum modo relacionados nas músicas com as raízes culturais nordestinas e, pode-se dizer que esses artistas encontraram na mistura de referenciais norte-americanos na produção do rap, e, nas formas de músicas típicas do nordeste, uma forma de elevar a música produzido regionalmente e preservar a legitimidade das suas composições. Contudo, constatar as semelhanças entre o estilo do rap feito pelos habitantes do nordeste opõe-se a identificar o rap nessa região brasileira como uma só face homogênea.[71]

Na Bahia, a cultura do hip hop adentrou de forma parecida como ocorreu em outros estados, por meio de filmes estrangeiros que primeiro deram origem aos "bailes black" e "soul music". Entretanto existem peculiaridades do rap na Bahia em comparação aos estados do sudeste, que ocorrem pelo perfil demográfico; pela miscigenação cultural sofrida pelo gênero musical; o surgimento do estilo musical chamadoaxé music simultaneamente ao rap.[72]

O desenvolvimento concomitante do axé music e do hip-hop na Bahia, especialmente na capital Salvador, fez com que os pioneiros do rap baiano levassem a desenvolver este gênero musical tão diferente quanto possível do axé, pois este estilo era performado por pessoas brancas, embora sua origem fosse baseado nas percussões africanas. Aqueles que começaram o terreno do rap na Bahia, não conseguiram torná-lo popular, mas fizeram com que fosse reconhecido por uma parcela da população baiana. Afinal, as principais referências no rap vinham de São Paulo e Rio de Janeiro, através dos Racionais MC's, MV Bill, Facção Central, Gabriel o Pensador, com ritmos muito diferentes dos usuais. O rap e, por consequência, o hip-hop, trocava os instrumentos de percussão africanos por "samples" eletrônicos. Por isso, quando apareceu pelas primeiras vezes na Bahia em 1990, foi tido por "alternativo", competindo espaço com a música eletrônica. Mais recentemente, de 2010 para a atualidade, os rappers como o grupo Rapaziada de Baixa Fria, da primeira geração baiana no final de 1999, começaram a repensar suas influências e buscar uma reaproximação com a música ancestral africana.[72] Entre os nomes de outros artistas conhecidos advindos da capital baiana que deixaram legado no rap nacional estão: Baco Exu do Blues e Vandal.[73]

Para além da capital, o semiárido nordestino tem se transformado em palco para novos grupos de rappers. A banda de rap "P1 Rappers" surge nesse contexto da vegetação semiárida em Juazeiro (BA). Tal como outros artistas de rap, os membros do P1 narram as problemáticas e o cotidiano do dia a dia. Contudo, tal qual outros artistas do nordeste, veem no rap uma maneira de autoafirmar sua identidade em termos de regionalidade. O grupo possui quatro trabalhos musicais de 2013 a 2016, enaltecem símbolos locais e tecendo críticas ao preconceito e à pobreza.[74]

Em Pernambuco, Recife, nos primeiros anos de 1990, a banda Faces do Subúrbio marca o rap nordestino pelas letras que falavam sobre os preconceitos vivenciados pelos nordestinos no resto do país, e por seu instrumental que trazia elementos da música tradicional do nordeste. Em 2001, conquistaram o prêmio de melhor disco de rap/hip-hop no Grammy Latino.[71] Ao longo de outras regiões de Pernambuco, especialmente a região do agreste pernambucano, grupos rappers foram taxados de fazer das suas músicas como uma apologia ao crime e à violência. Portanto, o rap pernambucano em grande parte ainda se encontra numa situação social de ser encarado pela ótica da criminalidade, baseados em interpretações de pessoas particulares, sem buscar o contexto social em que as músicas do rap foram produzidas.[75] Em Pernambuco, são desenvolvidas várias pesquisas publicadas majoritariamente pela universidade federal discutindo sobre a inclusão do rap na educação de adolescentes e jovens do estado. Acredita-se que o rap possa levar a um ajuntamento de jovens vulnerabilizados pela construção da identidade do "rapper";[76] também são discutidas as vantagens que o rap traria para o ensino de geografia no estado pernambucano, na intenção de fazer do ensino festa matéria em sala de aula mais dinâmico e trazer para a educação reflexos das vivências em que os alunos estão inscritos, pois o rap traria a realidade das periferias nas quais muitos alunos vivem.[77]

Há uma discussão interna entre os rappers de grupos distintos em pernambucos. Pois, por um lado, se existem grupos mais agressivos de gangsta nos domínios pernambucanos, também existem artistas que não se veem nessas letras porque acreditam viver realidade muito diferente do que as retratadas nas letras. A principal influência nacional que levou os cantores de rap pernambucanos a produzirem letras mais agressivas foi o grupo brasiliense Facção Central. Porém, alguns dos cantores dividiram-se por defenderem (ou não concordarem) com o pensamento de que o rap precisa ter um compromisso com a verdade ao entorno. Como em Pernambuco os problemas enfrentados não eram os mesmos que aqueles combatidos pelo grupo do DF, cantar aquela situação para eles seria falso. Entre os variados grupos e crenças pessoais, no interior de Pernambuco, cabe mencionar "Consciência Nordestina", "Juventude Sangrenta" e "Família Morro do Bom Jesus";[75] (Família MBJ).[78]

No estado do Ceará, o artista RAPadura Xique-Chico, incorporou quase todos os elementos presentes no imaginário do nordestino para as letras, instrumental e performance das suas canções. Dentre os demais artistas citados no rap nordestino, Chico é o que mais abusou da cultura do nordeste. O rapper adota tradições nordestinas que vão desde a forma de cantar até a maneira de se vestir, com roupas articuladas ao estereótipo do "ser nordestino". Segundo o cantor, a inspiração para fazer músicas de rap tão nordestinas veio da mudança para Brasília, onde entrou em contato com o gênero musical nas periferias, e o contato com sua cultura de nascença a partir de CDs do seu pai. Ainda de acordo com seu depoimento, a sua criação dentro de casa era muito rígida, por essa razão, precisava esconder que estava fazendo rap. De certo modo, confessa a colaboração dessa rigidez para que ele fosse atrás de referências musicais dentro de casa, nas músicas nordestinas.[71]

Com integrantes do Maranhão, o Clã Nordestino tomou rumo diferente de Xique-Chico e da banda Faces do Subúrbio. Enquanto estes artistas estavam mais focados em colocar nas letras as vivências do nordeste, o Clã Nordestino retomava o tema clássico de raça vindo do Hip-hop do rap paulistano, conforme explica um de seus integrantes, todos os membros da banda tinham referências fortes de Malcolm X, como também de Zumbi dos Palmares e Negro Cosmo. Logo, por conta das influências de ativistas e cantores do movimento negro, a militância na temática racial surgiu de forma natural nas letras do rap maranhense. Uma das formas evidentes da temática racial, foi a adoção do termo "Preto" no nome artístico do participante da banda, como "Preto Nando". Alguns álbuns também acentuam a temática racial pela inversão do sentido original de termo pejorativos / negativos associadas à cor negra.[71][79]

Os jovens do Piauí viram no rap um meio para expressar suas angústias e reivindicações sociais; em Teresina, capital do estado, o rap representou as vozes dos jovens das periferias que eram constantemente excluídos das políticas. Noutras cidades do interior do Piauí, o rap seria mais, ou, menos crítico. Por exemplo: no território de Picos, o rap veste novos trajes, sendo mixado com músicas e culturas tradicionais, assumindo papel transformador no modo como as letras eram pensadas. Em outras regiões do interior do Piauí, o rap aparece com significado muito parecido ao da capital, trazendo à tona problemas enfrentados por uma classe periférica excluída em forma de protesto. Ademais, nota-se a grande presença do rap paulistano feito pelos Racionais MC's nas referências de todo o estado. Dentre os nomes de grupos de rap, Relatos Periféricos narra a vida na zona norte da capital, região de subúrbio.[80] Mesmo no rap feminino, mulheres nordestinas do rap abriram caminhos, como é o caso da rapper Nakkay e de Fênix - ganhadora da "Batalha da Cultural", uma das maiores batalhas de rap piauiense.[81]

Em Aracaju, Sergipe, o hip-hop chegou no fim dos anos 80, mas o rap em si, vigora um pouco mais para frente, a começar nos anos 90. Desde que estreou nas terras sergipanas, o rap detinha tom crítico, explorava temas étnicos raciais e denunciava problemas da sociedade. Na cidade aracajuana, o rap chegou depois da dança break, um dos quatro elementos do hip hop. Por conseguinte, o grupos mais antigos de rap em Aracaju iniciaram no território do breaking. Tal é o caso do grupo "Break bronca", que era até 1992 um grupo de dança, e depois dessa data, passou a se chamar "Bronca e CIA" ao desenvolver canções de rap além da dança do hip hop. Um dos participantes desse primeiro grupo conta como na cidade litorânea capital de Sergipe, o rap e o hip hop estiverem de certa maneira segregados numa zona da cidade. Os habitantes da zona norte eram os responsáveis pela difusão das práticas culturais ligadas às periferias norte-americanas, enquanto a zona sul da cidade, sequer tinha grupos de rap formados nos anos 90. Outrora em Aracaju, nomes importantes para a história do rap nordestino foram "Mensagem Negra", "Radiografia Mental", "Ação Crítica", "Face oculta", "Face Negra", " Mente Armada", "Revolução Negra", entre outros.[82] Lá, em Aracaju assim como no Piauí, as mulheres também alcançaram destaque e começaram a disputar territórios que eram antes dominados por homens.[83]

Quando o rap chegou em Alagoas, atingiu em primeira instância os jovens periféricos da capital, Maceió. Todavia, o hip hop chegou por influências que não o retratavam exatamente como uma forma de denúncia. Afinal, é público o conhecimento de que outras formas de se fazer rap existem, tratando de temas mais casuais, mais regionais, mais cotidianos, enfim, simplesmente diferentes de uma crítica. Essa característica de usar o hip hop na sua forma oral do canto como forma de protesto incidiu na cidade capital de São Paulo, e depois se espalhou para o resto do Brasil. Somente nos anos 90 os jovens alagoanos teriam acesso ao hip hop paulistano dado a migração de um DJ que era nascido na cidade de São Paulo para o estado de Alagoas em 1994. Em Alagoas, o rap passou por um processo de criminalização, não só o rap em si, mas também os rappers, seus praticantes; alguns dos artistas questionam as razões desse preconceito tão antigo presente até os dias de hoje, se, atualmente, o rap mostra-se muito mais popular e menos explícito do que um dia já fora ao abordar os problemas socias; outros artistas do cenário rapper, afirmam acreditar que o preconceito não é contra o rap, mas contra a raça e contra a periferia, resultado de um olhar racista. Nota-se no estado de alagoas a ascensão de grupos de rap na cena "tradicional" e na cena do "gangsta rap", e entre os nomes de grupos rappers na região podem ser citados os "Neurônios SubConsciente", o grupo gangsta "Família 33" e o jovem "Mano Lucca".[84]

Os estudos feitos na Paraíba acerca do papel do rap apontam que nesta localidade, o rap participa fortemente da educação social dos jovens periféricos, ao proporcionar espaços de socialização diversos e permitir à juventude paraibana sentir-se protagonista.[85] Dos locais de reunião na Paraíba, reúnem-se rappers de Pernambuco, imigrantes nordestinos que moravam em São Paulo e, os próprios nascidos no estado paraibano.[14] Embora a cultura do hip hop esteja presente a tanto tempo quanto nos outros estados brasileiros, os quais remetem ao início do hip hop nos anos 1980, na Paraíba, o rap consagrou-se alguns anos depois, no final dos anos 90. Em 1989 Dinarte e Paulinho inauguram um marco no hip hop do estado ao gravarem a canção de rap "Melo" da Setusa. Nesta época, igualmente foi formado o grupo rapper "hip-hop dance", e, logo breve, o grupo "Tribo Ethnos". Depois, na segunda geração e entre os da atual cita-se o rapper "Alê da Guerra Santos", "Aliados de Mangabeira", "Realidade Crua", "Revolucionários do Rap", "Cassiano Pedra" e muitos outros. Para praticar o gênero musical, fazer manifestações, ensaiar, abrir aulas de dança, o local escolhido foi o Centro de Convenções do Espaço Cultural, até os rappers serem impedidos de frequentar o local, por atrair "todo tipo de gente".[14] Mas, o rap não parou com a abolição da prática nos centros de cultura, apenas migrou sua execução para praças da cidade, como a Praça do Coqueiral, no bairro da Mangabeira. Assim permanece hoje, com diferenças no formato originárias da modalide "batalha de rap".[14][85]

Num lugar como o Rio Grande do Norte, onde mais de 10% da população na capital vive nas chamadas favelas e os crimes de homicídio entre os jovens não são raros,[86] o rap é necessário como fonte de expressão. O rap natalense serve para apoiar os sonhos dos jovens ou simplesmente para acolher os medos; independente do símbolo que cumpre para cada jovem, o importante é que os jovens encontrem nele uma forma de manifestação dos sentimentos. Além disso, nessas comunidades relata-se a ausência de centros culturais ou de lazer para garantir os direitos daqueles que ali vivem. Por isso, o rap natalense, normalmente realizado em praças comunitárias, fornece aos moradores periféricos uma possibilidade de entretenimento. Alguns dos praticantes entendem que a inserção da cultura dentro dos bairros de comunidades ajudaria para a redução da criminalidade, mas afirma que os contratantes preferem atrair gente de fora da cidade ou até mesmo do Brasil. Apesar da alta incidência de artistas rappers dentro das zonas periféricas, os cantores de rap local pouco são conhecidos, mesmo dentro da cidade.[86] Entretanto, a maior forma de expressão do rap natalense ocorre pelas batalhas de rap, que teriam iniciado na cidade em 2005 pela primeira vez. Após longo período, passaram a ser reconhecidos e incentivados pela Secretaria de Cultura de Natal, expandiram-se para cidades do interior de Natal (Parnamirim, Caicó, Ceará Mirim, Mossoró, Macau, Currais Novo, Extremoz) e conquistaram palco mesmo na universidade pela "Batalha do Coliseu". Normalmente, as batalhas de rap natalenses usam das praças para se efetivar, por vezes, estacionamentos de supermercados e escadarias.[87][88]

Rap no centro-oeste

RAP em Goiás

O estado de Goiás demorou a conhecer os elementos do hip hop no Brasil, na capital de Goiás os primeiros indícios viriam através da dança na época de 1984, e o rap apareceria na região no final da década de 1980, quase dez anos depois do início do nas terras brasileiras. Um dos pioneiros é o Rapper Bigode com o grupo "Realidade Carcerária".[89] No entanto, como o rap chegou com o estilo estrangeiro, não foi bem recebido na cidade que o sertanejo dominava, pois divergiam muito do modo como viviam os habitantes da capital, assim a polícia tentou parar os encontros neste propósito de dançar break e fazer rap.[89] A partir da criação de eventos com contingente populacional expressivo, outros rappers viram nessas ocasiões incentivos para criar mais grupos: "Paulinho Mola" e "Selvage do Eletro-rock"; na região de Aparecida de Goiânia o "Conexão Suburbana".[89] Dos anos 90 até perto dos anos 2000, eventos aconteciam com frequência aos domingos no Centro Cultural Martin Cererê, que pararam porque foram transferidos de lugar para a "Casa de Dança Cantoria", casa noturna em Goiânia.[89] Em 2000, os rappers das gerações anteriores conseguiram gravar CD e difundir o rap produzido na região do centro-oeste para o resto do país. Também na virada de século, muitos outros grupos de rappers foram formados, entre eles: "Rapper Boneco", do grupo "Atentado Napalm", "Tubarão", do "Mega Break Crew", "Guilherme Eurípedes".[89]

Na cidade de Goiânia uma característica marcante é a valorização de grupos de break e a grande dimensão que a modalidade de dança, ligada diretamente ao hip hop, tem no município. Frequentemente, ocorrem competições premiadas para os dançarinos de break, segundo depoimentos de artistas locais, com prêmio variando entre 3000 até 8000 reais, em território nacional. Contudo, os b-boys do break não se limitam a competir na cidade, no centro-oeste, ou no país. Comumente, recebem convites para competir em países do exterior. Isso não acontece com as competições de rap em Goiás. A maioria, não oferece prêmio nenhum, explicam os competidores. Quando premiadas, no máximo com folhas ou com quadros. Enquanto no break, o prêmio é sempre um troféu ou dinheiro. Isto impede que os artistas de rap invistam nas suas carreiras, porque o custo para gravar álbuns e publicar no formato de CD excede aquilo que conseguem pagar. Além de não receberem incentivo externo. Outra comparação válida é entender como a música sertaneja no estado de Goiás possui remuneração em centenas de milhares, porque agrada mais à classe conservadora.[89] A cena da batalha de rap pública vem igualmente tomando espaço na cidade de Goiânia. Atualmente, há batalhas de rap diárias, algumas vezes em meio a outros shows do gênero rapper.[89]

O hip hop é uma expressão social, artística e política, composta por 4 (quatro) elementos artísticos: grafite, break, MC e DJ.[90] A Cultura Hip Hop foi concebida como Patrimônio Histórico Imaterial de Goiânia de acordo com Lei Nº 10.805, de 19 de julho de 2022.[91] O reconhecimento se deu de forma institucional pela Câmara e Prefeitura Municipal de Goiânia, da capital do estado de Goiás.[92] Tornando-se marco na história do Hip Hop em Goiás.[93] A pluralidade e diversidade de ritmos atravessam a perspectiva da diversão, expressão popular e protesto de tal forma que tornou possível conceber o hip hop como patrimônio cultural imaterial no ano em que a cidade completou 89 anos. Demonstrando que a cena cultural goianiense valoriza diversas linguagens musicais.[94] A Câmara Municipal em 2025 promoveu audiência pública sobre o Movimento Hip Hop e outras manifestações culturais periféricas em Goiânia.[95] Nesse mesmo ano a cidade sediou no Shopping Estação Goiânia o Festival Internacional de Hip Hop - “Battle Challenge South Concept Brazil Qualifier”, evento que visava selecionar as/os integrantes que participariam da final na França.[96] A Lei Nº 16.106 de 24 de Julho de 2007: Institui o Dia Estadual do Movimento Hip Hop a data 13 de Maio.[97] Assembleia Legislativa do Estado de Goiás homenageou no ano de 2016 os precursores do Movimento Hip Hop em Goiás.[98] Teodoro Cruz – TC Eletro Rock que é considerado mm dos precursores do Hip Hop Goiano fez apresentação na sessão especial Plenário Getulino Artiaga da Casa.[99] No ano de 2024 ocorreu a Semana Estadual da Cultura Hip Hop, do dia 3 até 10 de dezembro, cujo calendário percorreu Anápolis, Cidade Ocidental, Itapuranga, Cidade de Goiás, Rio Verde, Aparecida de Goiânia e Goiânia com o que é a representação dos elementos centrais do Hip Hop: Rap, DJ’s, batalha de rimas, o grafite e batalha da dança breaking. O projeto demarcou os 50 anos do Hip Hop.[100]

Mato Grosso ainda tem poucos nomes rappers conhecidos pela mídia, pelo menos, rappers que seguem carreira de produção autoral. No ramo da batalha de rap, prática que também é comum no estado mato grossense, alguns nomes se destacam como: MC Havel, jovem que irá disputar a mais importante batalha de MC's nacional, o "Duele de MC's Nacional". Na cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso, sucede a "Batalha do Alencastro", que é tradição todas quintas-feiras desde 2016. Segundo o rapper MC Havel, a cena da batalha de rap elevou-se em Cuiabá, que é um lugar com menos investimento nesse setor e algumas vezes menos infraestrutura, em comparação a outros estados.[101]

Rap no Norte

Desde 2022, o rap é patrimônio cultural imaterial do estado de Roraima, quando a Assembleia Legislativa do Estado declarou e criou o Dia Estadual do hip hop, a ser celebrado anualmente no dia 11 de dezembro, que de acordo com representantes da Assembleia Legislativa, a intenção é evitar que os rappers estaduais e outros praticantes do movimento hip hop fossem novamente perseguidos.[28] E ano seguinte ocorreu a primeira celebração no estado e, o Centro de Convivência da Juventude, ligada a um programa especial da Assembleia Legislativa, ofereceu aulas de break e rap.[29]

Sobre a história do rap em Roraima, existem poucos registros antes da década de 2010, sabe-se que o primeiro CD gravado na região foi lançado em 2011 por um grupo. De acordo com o rapper MC Frank D' Cristo no estado o rap era conhecido antes de 2000. Contudo. Com a gravação em 2011, muitos rappers inspiraram-se para divulgar suas produções músicas, usando as redes sociais e em grupos familiares nos mensageiros. Em 2018, como advento da internet no Brasil muitos mais registros surgiram. Entre 2018 e 2019, pesquisa realizada em uma amostra de 90 pessoas, mais de 90% dos artistas eram do gênero masculino. Apesar de existirem movimentos de mulheres no rap roraimense, como o grupo: Batalha Dela's.[102]

Contudo, o rap em Roraima tem sido estendido a um maior número de pessoas e de variadas identificações. Hoje, em municípios do interior do estado são vistas batalhas de rap organizadas por agentes do movimento hip hop estatal. Também são promovidos eventos por estes mesmos agentes no sul do Estado, ainda que muitas vezes precisem agir quase individualmente pela ausência de apoio econômico das governanças estatais. Além disso, pelo território ser uma região de fronteiras, tem crescido igualmente número de migrantes na cena musical-cultural. As práticas de rap no estado dividem-se entre os produtores que gravam músicas autorais de artistas compositores, aqueles que cantam e gravam suas próprias músicas, os grupos de rap (com ou sem o auxílio de uma gravadora) e a prática de batalhas de rap, onde, normalmente, o público é mais variado. Quanto às batalhas de rap, instalam-se ou em Boa Vista ou em Rorainópolis, município do interior do estado. Em Boa Vista, têm-se a Batalha da Orla, a Batalha do MiniTerminal, e a Batalha Dela's. No município interiorano de Rorainópolis: Batalha da Pista, Batalha do Extremo, e Batalha da Caverna; nota-se que alguns dos títulos transmitem informações a respeito do local de atuação, mesmo que não seja regram determinada. Ademais, é possível perceber como essas localizações presentes no nome, referenciam lugares públicos. Isto acontece porque é escassa mídia radiofônica que divulgue o rap na região ou bares e restaurantes que apoiem constantemente o gênero musical. Assim, a solução mais próxima foi apropriar-se de locais públicos e publicar de forma independente, por redes sociais ou por blogs, o cenário rapper no ambiente roraimense.[102]

Desse cenário de oportunidades limitadas, rappers da cidade de Boa Vista viram uma oportunidade para gravação. Ali, nas ruas, praças e parques da capital do estado de Roraima, os rappers roraimenses Rafah Black, Narc, Mari D' Sant, Yunk Mak, Lil Plug, CAE, La Motia e o produtor Caboco Beats gravaram o disco "Estúdio Rua - Vol.1". Nesta ocasião, a intenção era engrandecer o disco com os ruídos e barulhos da vida cotidiana no estado de Roraima, sob o financiamento da Lei Paulo Gustavo. No entanto, os espaços públicos gravados representam a estes rappers locais que precisaram passar por vitórias, derrotas, conflitos e perdas. Em outras palavras, um lugar de crescimento no cenário rapper roraimense, que nem sempre contou com tantas vozes.[103] Todos os convidados na discografia ao ar livre contribuíram com seus beats únicos, misturando lo-fi, jazz, e outras variações contidas no gênero musical rap. Afinal, são variados os artistas de rap no estado de Roraima.

Mais recentemente, os rappers Mc Frank D'Cristo, 7Niggaz e Dj Mizael promoveriam uma união dos seus estilos para compor numa única temática: as periferias de Roraima. De acordo com a ideia central do projeto, existiriam outros rappers no Brasil inteiro para falarem sobre os problemas nacionais, mas o poder de falar sobre Roraima, seria deles.[104]

Na cidade de Manaus (estado do Amazonas), o rap ocupada novos ambientes e espaços da cidade que tradicionalmente não pertencia. Se o rap é visto como um gênero musical periférico, taxada antes de "underground" ou alternativo, na cidade de Manaus funciona de modo relativamente diferente. O rap proveniente da cidade de Manaus assume o centro da cidade, regiões consideradas "privilegiadas", além de estar presente nos principais eventos da cidade sobre cultura e turismo. Neste viés, o rap deixa de se concentrar em uma só região periférica, mas se distribui para praças no centro da cidade e pedaços de locais onde ocorre o circuito turístico/cultural; inclusive, apresentam-se em bares de prestígio e festas regionais. Isso acontece em parte porque dentro do centro, existem novas "subcentralidades", lugares que no início faziam parte do centro e eram frequentados pelo público das classes mais altas, mas, com o tempo, passaram a ser locais para as pessoas periféricas se encontrarem. Acerca desse novo público, outras questões são estabelecidas. Afinal, o tempo de deslocamento do centro para a periferia, onde mora a maioria dos rappers, é de mais de uma hora (24 km). Assim, vir de bairros nomeados periféricos para o centro de Manaus somente fazer rap em dias de evento ou em dias da casualidade constitui verdadeiro esforço e gasto econômico. Todavia, esses jovens rappers enxergam nesse deslocamento uma oportunidade para fazer uma "transformação sociocultural/socioeconômica em nome da comunidade periférica como um todo". Então, de fato, a cidade de Manaus sofre transformações advindas do rap, a primeira delas é a simples ocupação, que muda a organização anterior de classes baseada na divisão centro-periferia. A segunda, é a ação dos rappers na sua arte, em cantar relatando os problemas vivenciados por eles. Já a última, consiste na reafirmação das suas políticas por meio da aprovação, em Manaus, de editais de fomento à arte e à cultura. Um dos adeptos ao rap no centro da cidade, o rapper MaiKou CHC argumenta o desejo mútuo entre os seus colegas em espalhar-se por Manaus, na intenção de quebrar com a visão de que o rap é um produto da periferia e não pode/deve ser expandido. Além de MaiKou CHC, outros nomes importantes do rap do município e também da luta para expansão do gênero musical são: Malhado Monstro, Negro R, Denny Vira Lata, Jander Manauara.[105]

No estado do Pará também existem poucos registros sobre a influência do rap, considera-se que os pioneiros na cidade de Belém são o grupo "Bancada Rap Gospel" e Bruno BO, que misturam-se com arranjos típicos da região do norte do país, mas sem deixar de abordar temáticas relacionadas à violência policial e desigualdades sociais.[106][107] Os registros mais antigos do rap nesse estado, notam-se misturas com o carimbó, logo quando chegou a região norte do país, sendo ressignificado junto às tradições musicais locais.[106] Atualmente, o estado tem artistas rappers diversos, alguns foram capazes de se aproveitar as redes sociais para divulgar seu trabalho e patrocinadores, o ganho financeiro baseado no rap dependia do número de visualizações nas postagens (engajamento).[106] Viu-se também a ascensão do rap feminino. Ruth Clark, Negra Bi, MC Cakau, são algumas com destaque na cena, que são desde poetizas, gravadoras de CD autoral, até frequentadoras de batalhas de rap.[108]

No estado do Amapá, o movimento do hip hop iniciou na década de 1980, com grupos da dança de rua, como por exemplo "Os Cobras Verdes", inspirados nas telenovelas na mídia brasileira que continham elementos da dança break: "Dancin'days" e "Partido Alto", esta contemplava tanto qualidades do samba brasileiro quanto elementos do hip hop.[23] Assim, a influência das transmissões midiáticas marcou a primeira geração dos adeptos ao hip hop na região.[23] Seguido pelo primeiro grupo de rap chamado Máfia Nortista, também foram os primeiros a gravarem um disco, videoclipes e, ter estúdio de gravação na década de 2000.[23] Devido no Amapá as gravadoras não terem interesse em lançamentos autorais, apesar dos dançarinos de break já terem um razoavel reconhecimento, sendo convidados para eventos e propagandas, os rappers ainda lutavam para alcançar uma divulgação maior que o público restrito — como produzir músicas com temas políticos para divulgar partidos em época de eleições — então para realmente expressar o que desejavam nas canções os artistas em 2000, sentiram necessidade de construir estúdios caseiros, montados com um computador, um microfone e uma caixa de som, com produtos baratos em um espaço pequeno.[23]

Em relação às particularidades que o rap ganha ao adentrar o estado Amapá, uma delas é a incorporação de instrumentos de percussão afro-amapaenses. O tambor Caixa de Marabaixo. A partir de então, a prática ficou conhecida nacionalmente, e foi feita uma associação de rappes que tocavam o marabaixo. A cultura amapanese nunca se apagou mesmo com a chegada da modernidade dos novos gêneros, e as palavras importadas do estrangeirismo, como "rappers" foram substituídas por outra que se encaixava na linguagem local "repeiros".[23] Atualmente, o rap amapaense conta com grande apoio do governo, na promoção por meio da Secretaria de Estado da Cultura com parceria da Fundação Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.[109] Ademais, na história mais recente do rap no estado, as mulheres amapaenses estão representadas em grupos como: "Sociedade Rap Feminista", que trazem assuntos que afetam as mulheres; que inclui discutir a política sexual.[23]

O rap no estado do Acre, em foco, na capital Rio Branco possui características e neologismos peculiares, influenciados na década de 1980 pelos filmes estrangeiros, nessa ocasião o hip hop levou a duas "divisões", os praticantes do rap e os do break. E, apesar da sua longa história, apenas foi reconhecido pelo governo na primeira década de 2000, quando foi instituída a semana do rap em Rio Branco.[110] Alguns dos grupos no estado em questão são: Kalibre 12, Zona IX, Yaconawas, Tallisson Araújo, Kaemizê, Real Nattan, Mano Z.[110][111][112][113]

No estado de Tocantins, o rap prevalece nas batalhas de rima, mesmo em cidades mais distantes da capital, dois nomes do rapper na região são Mc Th e Mc Alucard, que fazem músicas na modalidade de conhecimento, como o rap pode ser utilizado para a educação dos jovens e adolescentes, os educando contra preconceitos racial e de estilo, uma vez que os rappers são cotidianamente taxados de bandidos pelo vestuário.[114] Os palcos das batalhas de rap gerais — ou seja, fora do contexto educativo em que à primeira vista foram citadas—, são praças da capital e do interior, como por exemplo em Araguaína; a batalha da praça cimba, a "Batalha do Cimba", com rimas improvisadas semanalmente.[114] Por outro lado, sobre as temáticas, vão desde críticas da marginalização da periferia do estado, quanto ao domínio de elites em meios midiáticos, o poder das televisões na transmissão de notícias, a manipulação de informações, a necessidade de amadurecer precocemente, a apropriação de sonhos de classes abastadas, protestos contra políticas fascistas, o racismo, a violência urbana, etc.[115] Alguns dos nomes no rap de Tocantins são: Mc Lemes, Mc Snout, Mc Ferrugem.[114]

Ver também

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