Mazijitas

Os mazijitas, madijitas ou Banu Madije (em árabe: بنو مَذْحِج; romaniz.: Banū Maḏḥij) são uma grande confederação tribal árabe catanita, hoje localizada nas imediações das cidades de Zamar e Radá.

Genealogia

De acordo com os genealogistas árabes Ibne Duraide, Alisticaque e Iacute de Hama, as origens dos mazijitas remontam a Maleque ibne Udade ibne Zair ibne Iasjube ibne Aribe ibne Zaíde ibne Calane ibne Saba (Abede Xemece) ibne Iasjube ibne Iarube ibne Catane. Suas numerosas subdivisões (fakhdh) são listadas integralmente por Maleque Alasrafe Omar: os ancitas (ʿAns), os balaritas (Balḥārith b. Kaʿb), os jumbitas (Junb), os jalditas (Jald), os saditas (Saʿd al-ʿAšīra), os muraditas (Murād), os sudaítas (Sudāʾ), os ruaítas (Ruḥāʾ), os sinanitas (Sinḥān), os sinanitas (Sinān), os ubaidaítas (ʿUbayda) os namiritas (Namir), os absitas (ʿAbs), os naaítas (Nahaʿ), os iamitas (Yām) e os zubaiditas (Zubayd).[1][2]

História

Os mazijitas são uma grande confederação tribal árabe catanita, hoje localizada nas imediações das cidades de Zamar e Radá.[3] São registrados desde o período pré-islâmico da Arábia em inscrições nas quais seu nome ocorre como mḏḥdgm.[4] Segundo a inscrição de Namara, do rei lácmida Inru Alcais I (r. 295–328), os mazijitas foram atacados quando ele realizou uma expedição em direção a Najrã, sendo forçados a fugir.[5] No ano 519, contingentes da tribo acompanharam o rei himiarita Madicaribe Iafur numa expedição à Arábia Central, e em 521/3 figuravam entre as tribos nominalmente influenciadas pelo judaísmo e enviadas por Dunaas contra o centro cristão de Najrã. As terras tribais de mazijitas nos primeiros tempos situavam-se, segundo Albacri, perto de um local chamado Tarije, "na estrada para o Iêmem". No período imediatamente anterior ao surgimento do Islã, eles participaram, juntamente com suas tribos-irmãs catamitas e muraditas, em guerras contra Amir ibne Sassa, que incluíram um célebre "dia", amplamente celebrado na poesia antiga, em Faife Arri (Fayf al-Rīḥ).[2][4]

Alguns dos ramos dos mazijitas adoravam o ídolo do deus Iagute. Em 630, após deixar Aljirana, Maomé enviou uma expedição de 400 homens sob o comando de Cais ibne Sade contra os sudaítas, mas desistiu quando Ziade ibne Harite Assudai se apresentou garantindo que a sua tribo aceitaria o Islã. Após esse encontro, uma delegação de quinze homens dos sudaítas dirigiu-se a Medina para declarar a sua conversão; mais tarde, cem membros dessa tribo participaram da Peregrinação de Despedida. Em 630/1, por intermédio de Maleque ibne Murara Arruaui, os ruaítas se converteram. Em 631, os muraditas e, em seguida, os zubaiditas converteram-se. Maomé nomeou Farua ibne Muçaique, chefe da delegação dos muraditas, como governador da região habitada por essas tribos e designou Calide ibne Saíde como coletor do zacate. Ainda no Ramadã do mesmo ano (dezembro de 631), o Profeta enviou Ali ao Iêmem, à frente de uma força de 300 homens, para convidar os mazijitas ao Islã. Ao despedir-se da expedição em Cuba, recomendou a Ali que se limitasse a chamá-los ao Islã, que não entrasse em combate salvo em caso de agressão e que, caso aceitassem a fé, lhes ordenasse apenas a oração e o zacate, sem exigir mais do que isso. A força militar, ao entrar nos territórios mazijitas, convidou a tribo ao Islã, mas não obteve resposta positiva e foi atacada. Contudo, após o confronto, Ali não perseguiu os mazijitas dispersos e voltou a convidá-los ao Islã algum tempo depois; dessa vez, aceitaram a convocação. O ramo naaíta também prestou juramento a Muade ibne Jabal no Iêmem e enviou posteriormente uma delegação de 200 homens a Medina (11/632; Ibne Saíde Almagribi, I.346).[2]

Entre as tribos iemenitas que apoiaram Alaçuade Alanci, que se rebelou em 11 (632) proclamando-se profeta, figuravam, além da dos ancitas, outros ramos de mazijitas.[2] O papel de mazijitas nas primeiras conquistas islâmicas foi considerável. Eles formaram um contingente do exército que invadiu o Egito, fixando-se em Fostate, e seus líderes estavam representados entre os descontentes que foram a Medina e cercaram e mataram Otomão (r. 644–656). No miṣr de Cufa, estiveram entre as tribos iemenitas que ali se estabeleceram, juntamente com os himiaritas, handanitas, azeditas e quindaítas, e sua tribo associada muradita possuía ali uma jabana (jabbāna), talvez um grande espaço de oração ao ar livre, usado como ponto de reunião tribal. Posteriormente, destacaram-se na vanguarda dos movimentos pró-álidas e antiomíadas.[4] Na Batalha do Camelo, combateram ao lado dos axaritas sob o comando de Hujer ibne Adi (Atabari, IV. 500).[2] Na Batalha de Sifim, mazijitas e handanitas colocaram-se sob a liderança de Maleque Alastar, da cabila nacaíta (Nakhaʿ) dos mazijitas.[4] Em 74 (693), os Mazijitas figuravam no exército enviado de Cufa para apoiar Almoalabe ibne Abi Sufra na luta contra os azaricas (Atabari, VI, 197). Em 79 (698), à frente dos cufanos no exército de Ubaide Alá ibne Abi Bacra, que realizou conquistas no Sijistão, encontrava-se Xurai ibne Hani, do ramo Harite ibne Cabe (Ḥāriṯ b. Kaʿb) dos mazijitas (Atabari, VI.323). Os mazijitas também apoiaram Abederramão ibne Maomé ibne Alaxate, líder da revolta iniciada contra o governador do Iraque Alhajaje ibne Iúçufe. Parte da tribo e alguns dos seus ramos permaneceram no Iêmem, continuando a desempenhar, em diferentes períodos, papéis políticos e militares relevantes.[2]

No período pós-clássico, os mazijitas ou seus subclãs (baṭāʾil) que permaneceram no sudoeste da Arábia desempenharam um papel na política e nos eventos militares complexos da região. Por exemplo, contingentes da tribo acorreram em auxílio do zuráida Saba ibne Abi Açude em sua luta bem-sucedida contra outro membro da família, Ali ibne Maomé, por volta de 531/1136. Em 545/1151 também, mazijitas, e em especial os jumbitas, juntaram-se às forças zaídidas do imame Almotauaquil Amade ibne Solimão contra a família hatímida dos iamitas, que controlava a região de Saná. Seguiu-se uma longa série de hostilidades, após a qual os zaídidas e seus aliados mazijitas foram repelidos de Saná, e estes últimos, após um apelo pessoal feito em Zamar por Hatim ibne Amade, passaram para o lado dos hatímidas contra os zaídidas. Os jumbitas também se destacaram ao socorrer Adem zuráida durante o cerco mádida iniciado em 561/1165. O líder zuráida Hatim ibne Ali, após resistir ao cerco por sete anos, viajou a Saná para obter o apoio de Ali ibne Hatim, filho de Hatim ibne Amade, cuja família iamanita controlava a região. Eles também eram ismailitas, assim como os zuráidas. Ali ibne Hatim concordou em ajudar a romper o cerco de Adem, mas apenas com a assistência dos jumbitas de Zamar. O zuráida hatim ibne Ali conseguiu atrair os jumbitas, de modo que uma aliança de suas tropas, das de Ali ibne Hatim vindas de Saná e das dos jumbitas desceu sobre Adem e conseguiu expulsar os mádidas, matando muitos. Nessa altura, os jumbitas regressaram à sua terra, para grande decepção de Ali ibne Hatim, que parece ter nutrido ambições territoriais sobre as terras mádidas na Tiama.[4]

Referências

  1. Smith & Bosworth 1986, p. 953-954.
  2. a b c d e f Avci 2004, p. 543.
  3. Smith & Bosworth 1986, p. 953.
  4. a b c d e Smith & Bosworth 1986, p. 954.
  5. Shahid 1985, p. 36.

Bibliografia

  • Avci, Casim (2004). «Mezhic (Benî Mezhic)». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 29. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026 
  • Shahid, Irfan (1985). Byzantium and the Arabs in the Fourth Century. Washington: Dumbarton Oaks. ISBN 0884021165 
  • Smith, G. R.; Bosworth, C. E. (1986). «Maḏḥij». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume V: Khe–Mahi. 5. Leida: Brill. pp. 184–185