Cais ibne Sade
Cais ibne Sade (em árabe: قيس بن سعد; romaniz.: Qays ibn Saʿd) foi um proeminente líder militar e companheiro do profeta islâmico Maomé.
Vida
Cais ibne Sade era filho de Sade ibne Ubada, um dos notáveis da tribo dos cazerajitas. Ainda criança, foi entregue pelo pai ao serviço de Maomé. Permaneceu dez anos ao lado do profeta e participou de todas as campanhas militares. Durante a conquista de Meca (630), em razão de uma queixa apresentada, Maomé retirou o estandarte dos ançares de seu pai e o confiou a ele. Após a Batalha de Hunaine, ao retornar e distribuir os despojos em Aljirana, o profeta enviou Cais ao Iêmem à frente de uma expedição de 400 homens, para convidar ao Islã a tribo dos sudaítas. Em consequência disso, uma delegação de quinze homens dessa tribo compareceu declarando sua conversão ao Islã (8/629). Cais participou da Batalha de Cadésia (636) contra o Império Sassânida e da conquista do Egito. Quando Ali assumiu o califado (r. 656–661), nomeou Cais governador do Egito. Ao chegar, Cais subiu ao púlpito, leu a carta do califa e convocou a população ao juramento de fidelidade. Excetuando-se um grupo de cerca de dez mil pessoas — entre as quais se encontravam partidários de Otomão, como Maslama ibne Mucalade, Moáuia ibne Hudaije e Busre ibne Abi Artate —, conseguiu impor sua autoridade em todo o Egito.[1]
Os opositores comprometeram-se a não recorrer à ação armada nem a combatê-lo, afirmando que suas reivindicações diziam respeito apenas à crise política e pedindo que não fossem molestados até que ela se resolvesse (Atabari). Cais preferiu adotar uma política conciliadora: enviou-lhes um emissário assegurando liberdade de ação e, em seguida, celebrou um acordo com Maslama, arrecadando o imposto fundiário do Egito. Contudo, sua atitude moderada em relação aos partidários de Otomão estabelecidos em Hiribta acabou contribuindo para desdobramentos desfavoráveis durante a luta pelo califado entre Moáuia e Ali, o que levou este último a chamá-lo de volta. Após regressar do Egito, Cais participou da Batalha do Camelo (656). Embora Ali o tivesse nomeado governador do Azerbaijão, Cais deixou Abedalá ibne Xabil Alamaci como seu representante e foi a Cufa, combatendo como comandante na Batalha de Sifim (657). Em razão de seu desempenho, Ali confirmou-o como governador do Azerbaijão, nomeou-o comandante supremo das tropas iraquianas ali estacionadas e chefe da recém-criada organização militar chamada xurtate alcamis (shurṭat al-khamīs).[1]
A última batalha em que Cais participou ao lado de Ali foi a Batalha de Naravã, travada contra os carijitas (38/658). Antes do combate, Ali enviou Cais e Abaiube Alançari para aconselhar os rebeldes. Após o assassinato de Ali (Ramadã de 40 / janeiro de 661), os iraquianos elegeram como califa Haçane ibne Ali sob a liderança de Cais. Contudo, Haçane, receando que Cais adotasse uma posição demasiado dura contra Moáuia, destituiu-o do comando supremo do exército iraquiano e nomeou Ubaide Alá ibne Abas em seu lugar. Este, ao perceber que Haçane pretendia abdicar do califado em favor de Moáuia, abandonou o exército e passou para o lado deste. Em consequência, os iraquianos reconduziram Cais ao comando. Depois de obter o reconhecimento de Haçane e de Ubaide Alá, Moáuia procurou um acordo com Cais, que se lhe opunha à frente de um poderoso exército. Enviou-lhe uma carta acompanhada de uma folha em branco selada, pedindo que escrevesse suas condições. Cais exigiu garantias para sua própria segurança e que os partidários de Ali não fossem responsabilizados pelo sangue derramado nem pelos bens adquiridos anteriormente. Uma vez aceitas essas condições, Cais prestou juramento de fidelidade a Moáuia juntamente com suas tropas (Atabari).[1]
Posteriormente, Cais regressou a Medina, onde levou uma vida simples até sua morte em 59/679 ou 60/680. Seu nome figura entre os grandes gênios árabes em razão de sua inteligência. Numerosos relatos destacam sua generosidade, e sabe-se que Maomé elogiou tanto Cais quanto seu pai Sade por essas qualidades (Ibne Hajar). Relata-se que, ao ver os habitantes de Hira prostrarem-se diante de seus líderes, Cais considerou que o Maomé seria mais digno de tal reverência e propôs isso a ele; o profeta, porém, afirmou que a prostração só é permitida a Deus e proibiu tal prática (Abu Daúde, Nikāḥ, 40). Segundo Abu Daúde, Hamade ibne Salama possuía um pequeno tratado de hádices transmitidos por Cais e, ao narrá-los de memória, não utilizava outro texto além desse (Adaabi).[1]
Referências
- ↑ a b c d Bakir 2022, p. 93.
Bibliografia
- Bakir, Abdulhalik (2022). «Kays b. Sa'd». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 25. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026