Iêmem (região)
Iêmem (português brasileiro) ou Iémem (português europeu) (em árabe: إقليم اليمن; romaniz.: ʾIqlīm al-Yaman) é uma região geográfica da Arábia Meridional, hoje abrangida em grande parte pela atual República do Iêmem, que também inclui o antigo Hadramaute e a ilha de Socotorá.
Nome
A origem do nome é motivo de debates. Algumas fontes árabes dizem que foi dado porque o Iêmem se encontra à direita da Caaba, ou à direita do sol (Albacri); outras, porque Joctã e seus companheiros viraram à direita ao se separarem dos demais árabes (Ibne Alfaqui e Iacute de Hama); e outros do herói epônimo Iamane ibne Catane. Aloys Sprenger sugeriu que os gregos e romanos traduziram os termos Temame e Iêmem como Eudemão e Feliz.[1]
Geografia

Aloys Springer afirma que os greco-romanos incluíram sob Arábia Feliz toda a terra ao sul de Bilade Axame (Síria). Isso coincide aproximadamente com a delimitação de Iêmem atribuída a Maomé, que se diz ter subido a um outeiro em Tabuque e, apontando para o norte, disse: "Tudo isto é Axame", e voltando-se para o sul: "Tudo isto é Iêmem". A maior extensão de Iêmem para o norte corresponde ao limite da Arábia Feliz, que, segundo Ptolomeu, começava cerca de 6 milhas ao sul de Ácaba, com a fronteira setentrional seguindo daí para nordeste até o sopé da cadeia do Xara, e então, voltando-se para leste, cruzando a borda norte do deserto de Nefude, terminando em Najafe.[2]
Aluaci representa Iêmem como limitado a leste pelo golfo Pérsico, ao sul pelo mar da Arábia, a oeste pelo mar Vermelho e ao norte pelo golfo de Culzum, o deserto da Síria e Iraque. As fronteiras dadas pelos geógrafos árabes são consideravelmente mais estreitas. Segundo Ibne Cordadebe e Dreses, a fronteira setentrional de Iêmem terminava na árvore chamada Talhate Almaleque (Ṭalḥat al-Malik), entre Almuajira (al-Muḥājira) e Sarum Ra (Ṣarūm Rāḥ), ao sul de Meca. Segundo outros, começava abaixo de Tatelite (Ṭathlīth); enquanto Alasmai (al-Aṣmaʿī) (Iacute de Hama) fazia a fronteira setentrional correr de Omã através de Najrã.[2]
Alhandani traçou-a com maior precisão por Iabrim, ao sul de Iamama, passando por Hudejaira, Tatelite, Juraxe e Cutna, até a costa em direção a Cudumul, perto de Hamida. Ibne Haucal, que incluía dois terços do Diar Alárabe em Iêmem, colocou o limite norte em Assirraim, Ialanlã e Taife, fazendo-o correr pelas terras altas até o golfo Pérsico; isso explica por que alguns geógrafos chegam a incluir Meca na Tiama do Iêmem. Para leste, o Iêmem se estende por Hadramaute, Axir (Mara) e Zafar; até mesmo Omã é por vezes incluída no Iêmem, quando não é (como, por exemplo, em Mocadaci) considerada uma província separada. Todo esse vasto território, que Adimasqui dividiu em 24 distritos administrativos (miclafes), foi, nos primórdios do Islã, dividido em três: Saná, Janade e Hadramaute (ou Zafar), sob governadores separados. Os impostos sob os abássidas rendiam 600 mil dinares (Ibne Cordadebe).[2]
Depois que o Iêmem se separou do Califado Abássida, sua área diminuiu consideravelmente e suas divisões administrativas variaram muito; às vezes a Tiama sunita, com capital em Zabide, era de fato independente das terras altas zaiditas xafeítas, com capital em Saná. Quando Carsten Niebuhr viajou ao Iêmem, constatou que os seguintes distritos eram independentes: Iêmem em sentido estrito, com Saná; Adem, com sua hinterlândia; Caucabane; Haxide e Baquil; Abu Arixe; as terras entre este e o Hejaz; Caulane; Sadá com Saane; Najrã; Catane; Jaufe, com Maribe; Nime; Caulane, a sudeste de Saná; e Iafi. A definição geográfica do Iêmem torna-se ainda mais estreita sob o domínio otomano. O vilaiete do Iêmem, segundo a lei provincial de 19 de Rabi II de 1331 / 28 de março de 1913, compreendia: o sanjaco de Saná, com os cazas de Haraz, Caucabane, Anis, Haja, Damar, Iarim, Rada e Anrane; o sanjaco de Hudaida, com os cazas de Zabide, Luaia, Zaidia, Jabal Rima, Hadejur, Baite Alfaqui e Bajil; e o sanjaco de Taiz, com os cazas de Ibe, Udaine, Cataba, Hujaria, Muca e Camaira. Ao norte, confinava, por volta da latitude 18° N, com os distritos independentes de Abu Arixe, Catane, Uadia e Bilade Iame (Najrã); a leste, com Balade Quitafe, Barate, o oásis de Cabe, Jaufe com Arabe e Nime, bem como Maribe, Caulane, Haribe, Baiane e Iafi, além da região Fadli; e ao sul, com o hinterlândia de Adem, que estava sob protetorado britânico desde o final do século XIX.[2]
Referências
- ↑ Grohmann 2002, p. 269-270.
- ↑ a b c d Grohmann 2002, p. 270.
Bibliografia
- Grohmann, A. (2002). «al-Yaman». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume XI: W–Z. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-12756-9