Muade ibne Jabal

Muade ibne Jabal (em árabe: مُعاذ بن جبل; romaniz.: Muʿāḏ ibn Jabal; 601/3 - 639) é um companheiro do profeta islâmico Maomé.

Vida

Muade ibne Jabal nasceu em Medina em 601/3. É referido pelos nisbas Alcazeraji e Aljuxami. Seu pai se chamava Jabal e pertencia ao ramo udaíta dos cazerajitas, enquanto sua mãe se chamava Hinde binte Sal ibne Juaina. Com a morte de seu pai, Hinde se casou com Jade (ou Jude) ibne Cais), chefe dos soleimitas, uma tribo que residia nos arredores de Medina. Muade converteu-se ao islamismo aos 18 anos e participou do Segundo Juramento de Ácaba. Ao lado de seus companheiros de sua tribo que haviam aceitado o Islã, costumava, à noite, quebrar os ídolos ou realizar atos que evidenciavam a impotência dos ídolos pertencentes a alguns membros ainda não muçulmanos dos soleimitas. Após a Hégira (622), Maomé estabeleceu laços de fraternidade (muʾāḫāt) entre ele e Abedalá ibne Maçude. A tradição segundo a qual teria sido feito irmão de Jafar ibne Abi Talibe, então na Abissínia, não parece correta. Participou de todas as expedições militares, com exceção das campanhas de Hunaine e Taife, incluindo a Batalha de Badre, atuando nelas como porta-estandarte ou representante de sua tribo. Após a Conquista de Meca (630), Maomé, ao dirigir-se à campanha de Hunaine, nomeou-o primeiro emir de Meca e depois instrutor do Alcorão e dos ensinamentos religiosos, razão pela qual não participou das campanhas supracitadas.[1]

No nono ano da Hégira, no mês de Rabi Alarrir (agosto de 630), Maomé enviou Muade juntamente com Abu Muça Alaxari ao Iêmem, como emissários, cobradores do zacate e juízes. Nomeou Muade chefe da missão, atribuindo-lhe o Alto Iêmem, enquanto Abu Muça ficou responsável pelo Baixo Iêmem. Enviou com Muade uma carta a Alharite ibne Abede Culal, um dos primeiros príncipe do Himiar a aceitar o Islã. É célebre o diálogo entre Muade e Maomé acerca de como deveria julgar no Iêmem: Muade afirmou que julgaria segundo o Livro de Deus, depois segundo a Suna do profeta, e, se não encontrasse solução, segundo seu próprio discernimento. Maomé aprovou sua resposta e louvou a Deus (Abu Daúde, Aqḍiya, 11; Atirmidi, Aḥkām, 3). Também o exortou a facilitar as coisas às pessoas e não dificultá-las, a dar boas novas e não causar repulsa (Albucari, Maġāzī, 60; Muslim, Jihād, 7). Ao despedir-se da missão do Iêmem, Maomé caminhou algum tempo ao lado de Muade e disse-lhe que talvez não voltassem a se encontrar, e que, ao retornar a Medina, encontraria apenas sua mesquita e seu túmulo. Diz-se que Muade chorou, e o profeta o consolou (Musnade, V, 235). Muade casou-se, no Iêmem, com uma mulher do clã sucunita dos bacritas. Teve papel importante na eliminação, em três meses, de Alaçuade Alanci, que havia reivindicado a profecia e dominado várias regiões do Iêmem.[2]

Em 632, Muade concluiu sua missão e retornou a Medina algum tempo após o falecimento de Maomé. Durante o califado de Abacar (r. 632–634), Muade solicitou permissão para participar das conquistas da Síria. Omar sugeriu que não se concedesse a permissão, por ser necessário seu conhecimento, mas Abacar afirmou não ter o direito de impedir quem desejasse o martírio. Muade participou do Cerco de Damasco (364) e nas Batalhas de Ajenadaim (364), onde liderou a ala direita do exército, e Jarmuque (636). No califado de Omar (r. 634–644), a pedido de Iázide ibne Abi Sufiane, governador de Damasco, Muade foi enviado à Síria como instrutor religioso juntamente com Abu Adarda e Ubada ibne Assamite. Após a morte de Abu Ubaida ibne Aljarrá durante a Peste de Emaús (18/639), Muade assumiu o comando do exército, mas contraiu a peste e faleceu no mesmo ano, juntamente com dois filhos e duas esposas. Seu túmulo encontra-se hoje numa aldeia que leva seu nome, no distrito de Alaguar Axamalia, na província de Irbide, na Jordânia, sobre o qual foram construídos uma pequena mesquita e um mausoléu.[3]

Muade era alto, imponente e tinha um pé defeituoso. As fontes relatam que sua linhagem se extinguiu com a peste de Emaús. O relato de que Maomé lhe teria enviado uma carta de condolências pela morte de seu filho não possui base confiável. Tinha um irmão chamado Rabia e uma filha, Ume Abedalá, bem como uma irmã, Saba binte Jabal, ambas entre as mulheres que prestaram juramento de fidelidade ao profeta. Muade esforçava-se para estar sempre próximo de Maomé, que o estimava muito e por vezes o fazia montar atrás de si em seu jumento chamado Ufair. Diz-se que, certa vez, ao conduzir a oração noturna, recitou a sura Albacara, e alguns fiéis, cansados do trabalho agrícola, reclamaram ao profeta, que lhe disse: "Queres causar discórdia?", ordenando-lhe que recitasse suras mais curtas. Muade foi um dos poucos que memorizaram integralmente o Alcorão na época de Maomé e um dos quatro companheiros recomendados por ele para o aprendizado do Alcorão. Era também um dos seis companheiros que emitiam fátuas, sendo descrito pelo profeta como o mais conhecedor do lícito e do ilícito. Transmitiu 157 hádices de Maomé, preservados em Albucari, Muslim e no Musnade de Amade ibne Hambal. Entre seus discípulos estão numerosos companheiros e tâbiʿūn, como Abedalá ibne Omar, Abedalá ibne Abas, Anas ibne Maleque, Ata ibne Iassar, Masruque ibne Alájeda, Alaçuade ibne Iázide, Xurai Alcadi, entre muitos outros.[4]

Referências

  1. Kandemir 2020, p. 336.
  2. Kandemir 2020, p. 337.
  3. Kandemir 2020, p. 337-338.
  4. Kandemir 2020, p. 338.

Bibliografia

  • Kandemir, Mehmet Yaşar (2020). «Muâz b. Cebel». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 30. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026