Inru Alcais I ibne Anre

Inru Alcais I ibne Anre
Epitáfio de Inru Alcais I
Rei do Reino Lácmida
ReinadoCE 295–328
Antecessor(a)Anre I
Sucessor(a)Anre II
Dados pessoais
Nascimentoséculo III
Morte328
CônjugeHinde
Descendência
Anre II
Dinastialácmida
PaiAnre I
MãeMavia

Inru Alcais I ibne Anre (em árabe: امرؤ القيس بن عمرو; romaniz.: Imruʾ al-Qays ibn ʿAmr; m. 328) foi o segundo rei (maleque) do Reino Lácmida, em sucessão a seu pai Anre I (r. 268–295). Nasceu em data incerta ao longo do século III. Ascendeu ao trono em 295, após a morte do pai, e governou até 328, como indica seu epitáfio encontrado em Namara, na Síria. Foi mencionado por Hixame ibne Alcalbi como “rei de todos os árabes” e rei de Hira, ainda que como vassalo dos sassânidas. Dando continuidade à política expansionista herdada, ampliou os domínios lácmidas e conduziu uma expedição que alcançou Najrã. Embora o título de “rei de todos os árabes” seja hiperbólico, Inru Alcais exerceu suserania sobre diversos grupos tribais, incluindo os azeditas do Iêmem e os rebiaítas e os modaritas do grupo nizarita, abrangendo parcela significativa das populações árabes da Arábia.

A presença de seu epitáfio em território sírio, então sob controle do Império Romano, sugere que rompeu a vassalagem aos sassânidas, migrou para áreas romanas e aceitou a suserania imperial. Uma razão plausível para essa deserção foi a expedição punitiva promovida pelo xainxá Sapor II (r. 309–379) contra os árabes, que pode tê-lo colocado em conflito direto ao desconsiderar sua posição como rei de Hira e dos árabes, além de indicar uma tentativa de domínio persa direto sobre a Arábia. Em data incerta durante o reinado do imperador Constantino I (r. 306–337), Inru Alcais teria se convertido ao cristianismo, à semelhança de outros governantes do Oriente Médio e do próprio imperador; essa conversão também pode ter pesado diante do zoroastrismo professado pelos iranianos. Embora seu epitáfio não apresente elementos cristãos explícitos, a conversão é atribuída por Ibne Alcalbi e pode ser explicada por fatores contextuais, incluindo a diversidade doutrinária cristã da região e a possível adesão ao maniqueísmo, tradição protegida por seu pai após a execução de Maniqueu sob os xainxás sassânidas.

Vida

Família e reinado

Inru Alcais nasceu em data incerta ao longo do século III. Sabe-se que era filho de Anre I (r. 268–295), o fundador do Reino Lácmida e cliente do Império Sassânida. Anre I alegadamente era sobrinho de Jadima Alabraxe, rei dos tanuquitas, o que faz com que Inru Alcais tivesse parentesco com essa tribo. Por conseguinte, sua mãe chamava-se Mavia e veio da tribo dos azeditas, do Iêmem. Em data incerta, Inru Alcais casou-se com outra azedita, chamada Hinde.[1] Ascendeu ao trono em 295, após a morte de seu pai, e governou até 328, como indicado pela inscrição (epitáfio) descoberta em Namara, na Síria.[2] Existe a possibilidade de que Inru Alcais seja o rei Anumane registrado como um dos primeiros reis conhecidos dos tanuquitas. Além de seu parentesco com a realeza tanuquita e a possível menção a ela em seu epitáfio (ver abaixo), sabe-se que o nome Anumane, mais precisamente um apelido (lacabe), era popular entre os reis lácmidas, cuja dinastia por vezes foi referida como numânida (al-Nu'maniyya). Reis árabes podiam ser referidos indistintamente por seus nomes ou por apelidos, a depender da fonte, o que não exclui essa possibilidade.[3]

A tradição literária árabe afirma que o avô de Inru Alcais era Adi ibne Nácer, enquanto afirma que o tanuquita Anumane era neto de Maleque ibne Fame. Maleque era ancestral comum das famílias lacmita e tanuquita e a lista real tanuquita pode ter simplificado esse fato ao mencionar o nome Anumane, colocando Maleque como seu avô, quando na verdade era seu bisavô. Anumane é identificado pelo patronímico ibne Anre ("filho de Anre"), o que parece reforçar a relação desse nome com o do filho de Anre ibne Adi. O epitáfio de Inru Alcais menciona que teve filhos, cujos nomes não foram registrados. O trecho em específico da inscrição traz uma raiz que pode ser vocalizada como banībi ("seus filhos") ou bnaybi ("seus dois filhos"), o que deixa dúvidas nesse ponto.[4] Caso a vocalização correta seja bnaybi, ela está de acordo com a tradição, segundo a qual Anumane foi pai de dois reis, Anre e Alhauari.[5] Irfan Shahid coloca que talvez Anre e Alhauari possam ser os régulos (reguli) que encontraram-se com o imperador Juliano (r. 361–363) em Circésio durante sua campanha contra o Império Sassânida ou um deles possa ser o rei anônimo, esposo de Mavia.[6] Warwick Ball identificou Alhauari como esposo de Mavia,[7] enquanto Atabari, citando Hixame ibne Alcalbi, comenta que Inru Alcais foi sucedido por certo filho chamado Anre II em Hira.[8]

Os tanuquitas e o grupo tribal de Inru Alcais, os lacmitas, eventualmente se assentariam em porções distintas da Síria, o que implica que, se a identificação estiver correta, ele foi governante de grupos independentes. Por conseguinte, assumindo sua conversão ao cristianismo, como relatado por Ibne Alcalbi, e sua eventual deserção aos romanos (ver abaixo), o nome Anumane (lit. "o Feliz") pode ter sido adotado pela tradição tardia após sua morte para fazê-lo conhecido por um nome melhor conformado com o cristianismo, em detrimento de Inru Alcais, que era um nome teofórico pagão. Sua menção no epitáfio como Inru Alcais se explica, pois era uma inscrição oficial, onde seu nome real foi preferido em detrimento de apelidos.[5]

Deserção aos romanos

Dracma de Sapor II (r. 309–379)
Soldo de Constantino I (r. 306–337)

A presença de seu epitáfio na Síria, que à época estava sob controle do Império Romano, indica que ele aparentemente rompeu sua vassalagem aos sassânidas, eventualmente migrou ao território romano, onde se assentou, e aceitou a suserania do imperador.[2] Sua tribo, os lacmitas, em todo ou em parte, migraram com ele.[9] Uma das possíveis razões para sua deserção pode ser a expedição punitiva que o xainxá Sapor II (r. 309–379) promoveu contra os árabes. Essa expedição pode tê-lo colocado em conflito com Inru Alcais, que se considerava o rei das tribos afetadas, o que implicava num desrespeito à sua posição independente como rei de Hira e dos árabes. Além disso, a atuação direta do xainxá nessa campanha, e não indiretamente por meio do Inru Alcais, pode indicar algum esforço para estabelecer o domínio persa direto sobre a Arábia. Outra possibilidade é que Inru Alcais possa ter participado da expedição, mas desentendeu-se com Sapor no processo, o que suscitou sua deserção.[10] Em solo romano, embora tenha mantido parte de sua autonomia, provavelmente atuou como federado, recebendo a anona em troca de seus serviços.[11]

Em data incerta ao longo do reinado do imperador Constantino I (r. 306–337), converteu-se ao cristianismo, à semelhança de outros governantes do Oriente Médio e do próprio imperador. Essa conversão também pode ter influenciado sua decisão, pois os iranianos professavam o zoroastrismo.[12] A alegação de que era cristão foi feita por Ibne Alcalbi, mas seu epitáfio carece de elementos cristãos em sua composição. Irfan Shahid sugeriu que isso se explica por conta de alguns fatores: morreu apenas três anos após o Primeiro Concílio de Niceia de 325, que definiu os cânones da Igreja; e sua origem em territórios fortemente influenciados pelos ensinamentos de Marcião de Sinope e Bardesanes, mais tarde reconhecidos como heresiarcas, que pregavam interpretações desviantes. É também possível, diz Shahid, que ele tenha aderido ao cristianismo maniqueista, haja vista seu pai ser um conhecido protetor dos maniqueístas após a execução de Maniqueu sob ordens dos xainxás sassânidas.[13]

Expansão territorial

Anre I, pai de Inru Alcais, fundou o Reino Lácmida nos domínios que herdou de seu tio Jadima Alabraxe e em seu reinado dedicou-se à expansão territorial.[14] Com base em seu epitáfio, é sabido que Inru Alcais deu prosseguimento a essa expansão, mas é indeterminado o momento que realizou seus empreendimentos militares. Ibne Alcalbi o mencionou como rei de Hira, o que implica que era vassalo do Império Sassânida, mas em data incerta desertaria para o Império Romano.[15] Sua expansão pode ter ocorrido enquanto era vassalo dos sassânidas, ou depois. A inscrição enfatiza que Inru Alcais era "rei de todos os árabes", uma descrição que, embora hiperbólica, pode ter inspiração em circunstâncias factuais. Ele foi um rei coroado, o que significa dizer que trajava uma coroa, caso a tenha recebido de seu suserano persa, ou uma diadema, se a recebeu de seu suserano romano. Além disso, ele se assumiu não só rei de todos os árabes, mas reis de seus reis (régulos), o que pode indicar que reis locais subordinaram-se a ele. Outrossim, a forma como o texto reforça a relação entre ele e os governantes locais pode ter alguma relação com o título de xainxá (lit. rei de reis) utilizado pelos governantes iranianos, a quem tentou emular.[16]

A inscrição explicita que Inru Alcais governava sobre "os dois asditas e os nizaritas". Os primeiros devem ser os azeditas e seu parentes tanuquitas do Iêmem,[17] enquanto os últimos são os rebiaítas e modaritas do grupo nizarita, que em si englobam parte considerável da população árabe da Arábia.[18] É indeterminado, contudo, se essa referência diz respeito à totalidade desses grupos, ou se se trata de grupos destes, assentados na região da Síria sob a confederação dos cudaítas. De todo modo, o texto segue alegando que ele realizou uma expedição contra os mazijitas, que recuaram, alcançou Najrã, e no retorno subjugou os maaditas.[19] Seja como for, o epitáfio enfatiza que Inru Alcais realizou seu empreendimento rumo a Najrã por conta própria, mas é pouco provável que ele tivesse recursos suficientes para realizar uma expedição tão ao sul, sobretudo contra uma cidade bem fortificada. É mais plausível supor que a expedição fez parte de uma expedição maior, conduzida fosse pelos sassânidas, fosse pelos romanos.[19]

Uma primeira hipótese recai sobre a possibilidade de Inru Alcais ter aproveitado alguma expedição conduzida pelo Império Sassânida. Existem referências posteriores a ataques dos reis de Hira contra os árabes do sul da península, o que pode sugerir esse cenário, bem como uma obra eclesiástica nestoriana, a respeito do reinado de Sapor II (r. 309–379), que afirma que o xainxá conduziu uma campanha contra o Bilade Alhabaxate (lit. "país dos abissínios"), onde pilhou, incendiou, matou e tomou cativos. Inru Alcais poderia ter feito parte da campanha, que o levou para perto de Najrã e durante a qual pode atacar a cidade. No entanto, é provável que a fonte confunda a Abissínia com a Arábia, o que afasta essa possibilidade. Embora plausível, uma expedição partindo de Hira nesse contexto é improvável, pois os árabes iamanitas permaneceriam até tardiamente alinhados aos interesses persas contra os romanos (e mais tarde bizantinos), de modo que uma expedição nesse momento é pouco credível.[20]

Outra possibilidade, mais plausível, enquadra a expedição como parte de um movimento maior que envolveu o Império Romano. Desde a expedição fracassada de Élio Gelo, em 27 a.C., na qual Najrã foi capturada, os romanos tentaram impor seu controle sobre o Iêmem. A eventual anexação do Reino Nabateu por Trajano em 106 e a fundação da província da Arábia Petreia estendeu os limites romanos na península até o coração do Hejaz, o que os deixou mais próximos de Najrã. Por volta do final do século III, o sistema monetário romano colapsou e o comércio com o Oriente dependia de intermediários, dentre os quais os árabes do sul. Uma possível expedição motivada por Constantino I, e eventualmente apoiada pelos abissínios, como tradicionalmente ocorreria nos séculos seguintes, pode ser o contexto para a expedição de Inru Alcais. Por volta do ano 300, o Reino Himiarita, governado pelo rei Xamar Iarixe, unificou todo a Arábia do Sul e conduziu campanhas por toda a península, o que pode ter alarmado os romanos e os abissínios e suscitado uma ação militar, ainda no tempo de Xamar ou de seus sucessores imediatos.[21] Na inscrição de Inru Alcais, Najrã é referida como "a cidade de Xamar" (madīnat Šammar), o que reforça essa percepção.[22]

Em Baraquixe, no Iêmem, foi descoberta uma inscrição bilíngue latino-grega, cuja datação precisa é incerta, mas foi tentativamente estipulada entre o final do século III e começo do IV, com base em análises paleográficas. Irfan Shahid sugeriu que faz referência à expedição de Inru Alcais. Nela, menciona-se o nome de certo Públio Cornélio, um provável oficial enviado pelos romanos para acompanhar a invasão. A inscrição não é funerária, mas dedicatória, o que aparenta reforçar essa impressão. É sabido, com base numa inscrição descoberta na Mauritânia, que Constantino utilizou o cognome de Arábico Máximo (em latim: Arabicus Maximus), que reforça alguma vitória sua sobre os árabes. A referida inscrição é datada de 317-18, o que coloca dificuldades cronológicas à reconstrução dos eventos, pois a expedição de Inru Alcais ocorreu na segunda metade dos anos 320. No entanto, essa divergência não exclui a possibilidade de que o cognome eventualmente seria empregado pelo imperador em celebração da vitória no Iêmem;[23] outros preferem associar esse cognome a alguma expedição não registrada nas fontes, talvez na região na Alta Mesopotâmia.[24]

Nos reinados de Diocleciano e Constantino, houve uma intensa reestruturação das províncias imperiais, dentre as quais a Arábia Petreia, cujo território foi reduzido. Quando Inru Alcais eventualmente foi colocado nessa província como federado romano, o território no qual foi instalado era consideravelmente menor se comparado ao antigo território do Reino Nabateu, o que evitaria que sua presença, como rei coroado, reacendesse algum sentimento independentista na população árabe local.[25] Por conseguinte, a inscrição de Inru Alcais também coloca que seus filhos, cujos nomes não foram registados, foram colocados no comando de tribos, cujos nomes também não foram registrados, ao serviço dos romanos. Pela localização da referência às tribos logo após o nome dos maaditas, é provável que eles tenham sido incumbidos com o comando de tribos pertencentes a esse grupo tribal submetido.[26] A exata localização dos maaditas no século IV é incerta, mas uma vez que estavam presentes no Hejaz no século VI, é possível que já habitassem essa região à época. A nomeação dos filhos de Inru Alcais como senhores dos maaditas teria indiretamente estendido a zona de influência romana pelo Hejaz.[27]

A Vida de Constantino menciona as conquistas e submissões promovidas por Constantino no Oriente. Para se referir aos conquistados, a obra faz uso dos termos toparca e etnarca, o que pode ser uma referências aos chefes tribais árabes submetidos no século IV pelos romanos na região da Síria, bem como dos termos sátrapa e rei. Irfan Shahid sugeriu que os termos sátrapa e rei referem-se, respectivamente, a Inru Alcais (erroneamente identificado como sátrapa) e Hormisda; Hormisda era um membro da dinastia reinante do Império Sassânida e fugiu ao Império Romano por volta de 324.[28] A instalação de Inru Alcais na Arábia Petreia, e os filhos deles como senhores dos grupos tribais do Hejaz, estabilizou o fronte árabe dos romanos, impedindo potenciais ataques advindos da península, bem como quaisquer investidas motivadas pelos sassânidas após a expedição de Sapor II na região.[29] Além disso, é também possível que Constantino tenha realizado esse rearranjo do fronte árabe, na expectativa de um possível conflito com os sassânidas no futuro próximo. Nos anos 320, o imperador estava ocupado lidando com os visigodos nos Bálcãs, mas nos anos 330 houve um gradual aumento da tensão no Oriente, que culminou em conflito. Inru Alcais morreu em 328, mas seus filhos devem ter permanecido à disposição dos romanos nos anos seguintes.[30]

Referências

  1. Sartre 2005, p. 519.
  2. a b Shahid 1985, p. 31.
  3. Shahid 1985, p. 414-415.
  4. Shahid 1985, p. 374, 415.
  5. a b Shahid 1985, p. 415.
  6. Shahid 1985, p. 544.
  7. Ball 2002, p. 98-102.
  8. Atabari 1999, p. 67.
  9. Shahid 1985, p. 48.
  10. Shahid 1985, p. 34.
  11. Shahid 1985, p. 45-46.
  12. Shahid 1985, p. 32-33.
  13. Shahid 1985, p. 33.
  14. Shahid 1985, p. 35.
  15. Shahid 1985, p. 32.
  16. Shahid 1985, p. 36-37.
  17. Shahid 1985, p. 412-413.
  18. Shahid 1985, p. 35, nota 18.
  19. a b Shahid 1985, p. 36.
  20. Shahid 1985, p. 38-39.
  21. Shahid 1985, p. 40-42.
  22. Shahid 1985, p. 41, nota 42.
  23. Shahid 1985, p. 56-60; 72-73.
  24. Retsö 2003, p. 467.
  25. Shahid 1985, p. 50-52.
  26. Shahid 1985, p. 43-45.
  27. Shahid 1985, p. 51-52.
  28. Shahid 1985, p. 53-55, esp. nota 99.
  29. Shahid 1985, p. 63.
  30. Shahid 1985, p. 66-67.

Bibliografia

  • Ball, Warwick (2002). Rome in the East: The Transformation of an Empire. Londres: Routledge. ISBN 978-1-317-29635-5 
  • Retsö, Jan (2003). The Arabs in Antiquity: Their History from the Assyrians to the Umayyads. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1136872891 
  • Sartre, Maurice (2005). «The Arabs and the desert peoples». In: Bowman, Alan K.; Garnsey, Peter; Cameron, Averil. The Cambridge Ancient History Volume XII: The Crisis of Empire, A.D. 193-337 2.ª ed. Cambrígia: Cambridge University Press 
  • Shahid, Irfan (1985). Byzantium and the Arabs in the Fourth Century. Washington: Dumbarton Oaks. ISBN 0884021165 
  • Atabari (1999). Bosworth, C.E., ed. The History of al-Tabari Vol. V - The Sasanids, The Byzantines, the Lakhmids and Yemen. Nova Iorque: Imprensa da Universidade Estadual de Nova Iorque 

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