Jadima Alabraxe
Jadima (em árabe: جذيمة), conhecido como Alabraxe ou Aluada (ambos os epítetos significam "o leproso"[1]), foi um rei dos tanuquitas no século III, uma das mais poderosas tribos da Arábia. Jadima é uma figura importante nas tradições histórica e literária da Arábia pré-islâmica.[2]
Biografia
Os pormenores da vida de Jadima são conhecidos sobretudo a partir de tradições históricas tardias. Sua historicidade é atestada pela inscrição de Ume Aljimal, redigida em grego e nabateu por volta de c. 250, da qual se conclui que ele foi rei da tribo dos tanuquitas (em grego: Βασιλεὺς Θανουηνῶν, Basileús Thanouēnvōv)[2][3] em algum momento da segunda metade do século III.[4] As fontes divergem quanto à origem e à filiação de Jadima. Algumas o consideram membro da tribo dos azeditas que se teria unido aos tanuquitas por meio do casamento com a irmã de Maleque ibne Zuair ibne Anre ibne Fame; outras entendem que os próprios fâmidas eram azeditas e identificam Jadima como filho de Maleque ibne Fame (irmão de Anre ibne Fame).[5] A tradição da Arábia Meridional diverge completamente, fazendo de Jadima filho de Anre ibne Rabia ibne Nácer, um súdito do xainxá do Império Sassânida que se estabelecera em Hira. Segundo Gustav Rothstein, essa tradição sul-arábica seria uma invenção tardia.[6]
Tradição literária
Nas fontes históricas e literárias medievais, Jadima é retratado como uma figura central da Arábia pré-islâmica, em especial no contexto das Guerras romano-persas pela supremacia no Oriente Médio.[2] A ele também se atribui o pioneirismo entre os árabes no uso de velas, no uso de sandálias e na construção de catapultas.[2] Qualquer núcleo histórico em torno do qual essas tradições se tenham formado é hoje impossível de reconstruir.[7] Numerosas tradições relativas a Jadima, a seus companheiros e a sua família tornaram-se tema de poesia e de sabedoria proverbial. Entre esses episódios figuram seus companheiros prediletos, o casamento de sua irmã Ricaxe com Adi e seu casamento com — e morte pelas mãos de — Azaba, mais conhecida como Zenóbia de Palmira.[2] Há também fragmentos poéticos que lhe são atribuídos, e ele figura entre os poetas árabes pré-islâmicos em antologias posteriores.[8] Jadima foi sucedido como rei por seu sobrinho Anre I ibne Adi, filho de Ricaxe e Adi.[9]
Referências
- ↑ Shahîd 1985, p. 377.
- ↑ a b c d e Kawar 1965, p. 365.
- ↑ Shahîd 1985, p. 127 (nota 88), 371, 413 (nota 12), 415–416.
- ↑ Shahîd 1985, p. 371, 454.
- ↑ Rothstein 1899, pp. 38–39.
- ↑ Rothstein 1899, p. 39.
- ↑ Rothstein 1899, p. 40.
- ↑ Shahîd 1985, p. 454.
- ↑ Shahîd 1985, p. 36.
Bibliografia
- Kawar, I. (1965). «Ḏj̲ad̲h̲īma al-Abras̲h̲ or al-Waḍḍāḥ». In: Lewis, B.; Pellat, Ch.; Schacht, J. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume II: C–G. Leida: Brill. 365 páginas. doi:10.1163/1573-3912_islam_SIM_1907
- Rothstein, Gustav (1899). Die Dynastie der Lahmiden in al-Hîra. Ein Versuch zur arabisch-persichen Geschichte zur Zeit der Sasaniden (em alemão). Berlim: Reuther & Reichard
- Shahîd, Irfan (1985). Byzantium and the Arabs in the Fourth Century. Washington, D. C.: Biblioteca de Pesquisa e Coleção Dumbarton Oaks. ISBN 0-88402-116-5