Maleque Alastar
Maleque ibne Alharite Anacai Alastar (em árabe: مالك بن الحارث النخعي الأشتر; romaniz.: Mālik ibn al-Ḥārith al-Nakhaʿī al-Ashtar; m. 657), mais conhecido apenas como Maleque Alastar (em árabe: مالك الأشتر; romaniz.: Mālik al-Ashtar), foi um comandante militar do Califado Ortodoxo, ativo durante o califa de Ali (r. 656–661).
Vida
Maleque era filho de Alharite Anacai. No reinado de Otomão (r. 644–656), esteve os apoiadores de Ali ao lado de outros religiosos estudiosos, os qurra (lit. "recitadores do Alcorão").[1] Eles desejavam ver Ali como o próximo califa, embora não haja evidências de que ele tenha se comunicado ou coordenado com eles.[2] Maleque Alastar, como líder dos qurra,[1][3] liderou a delegação de cufanos contra Otomão,[4] embora tenha obedecido ao chamado de Ali pela não violência,[5] e não tenha participado do cerco à residência de Otomão (17 de junho de 656).[5] Maleque alguns outros apoiadores de Ali foram implicados por Moáuia no assassinato de Otomão.[6] Assim, alguns autores sugerem que Ali estava indisposto ou incapaz de punir esses indivíduos.[7][8][9] Maleque participou na Batalha do Camelo de 8 de dezembro do mesmo ano contra as forças lideradas por Aixa e seus apoiadores contra Ali.[10]
Na Batalha de Sifim (26-28 de julho de 657), Maleque Alastar liderou as tropas de Ali contra as tropas do governador da Síria Moáuia.[1][3] No final do primeiro dia, tendo repelido a direita de Ali, Moáuia se saiu melhor no geral.[11] Anre ibne Alas foi um dos comandantes do exército sírio.[12] Sua guarda avançada era liderada por Abulatar, que é creditado por privar as tropas de Ali de água potável antes da batalha. Por outro lado, Kennedy sugere que Maleque foi uma inspiração no campo de batalha para muitos dos iraquianos, a certa altura salvando os seus homens de fugirem em pânico. No início, teria desafiado Abulatar para um combate individual, mas este último recusou.[13] Maleque foi contra a eventual trégua selada entre Ali e Moáuia, pois suspeitava que era uma tentativa de impedir a vitória de Ali em Sifim. Mais tarde no mesmo ano, Ali o nomeou como governador de várias cidades no Iraque e na Síria, mas isso provocou a oposição de Moáuia. Então, Ali o nomeou como governador do Egito, mas Maleque foi envenenado em Alarixe, aparentemente sob ordens de Moáuia.[10]
Referências
- ↑ a b c Madelung 1997, p. 108.
- ↑ Madelung 1997, pp. 107–108.
- ↑ a b McHugo 2018, §2.II.
- ↑ Kennedy 2015, p. 66.
- ↑ a b Madelung 1997, p. 128.
- ↑ Kennedy 2015, p. 67.
- ↑ Daftary 2013, p. 30.
- ↑ McHugo 2018, pp. 56–57.
- ↑ Ayoub 2014, p. 134.
- ↑ a b Esposito 2003, p. 26.
- ↑ Madelung 1997, p. 232-3.
- ↑ Bahramian 2015.
- ↑ Kennedy 2013, p. 11.
Bibliografia
- Ayoub, Mahmoud M. (2014). The Crisis of Muslim History: Religion and Politics in Early Islam. Londres: Oneworld Publications. ISBN 9781780746746
- Bahramian, Ali (2015). «ʿAlī b. Abī Ṭālib 3. Caliphate». In: Daftary, Farhad. Encyclopaedia Islamica. doi:10.1163/1875-9831_isla_COM_0252
- Daftary, Farhad (2013). A History of Shi'i Islam. Nova Iorque: I.B. Tauris. ISBN 9780755608669
- Esposito, John L., ed. (2003). The Oxford Dictionary of Islam. Oxônia: Oxford University Press. ISBN 978-0195125597
- Kennedy, Hugh (2013). The Armies of the Caliphs: Military and Society in the Early Islamic State. Londres: Routledge. ISBN 9781134531134
- Kennedy, Hugh (2015). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the Sixth to the Eleventh Century. Londres e Nova Iorque: Routledge
- Madelung, Wilferd (1997). The Succession to Maomé: A Study of the Early Caliphate. Cambrígia: Cambridge University Press. ISBN 9780521646963
- McHugo, John (2018). A Concise History of Sunnis and Shi'is. Washington: Georgetown University Press. ISBN 9781626165885