Grande Prêmio dos Países Baixos de 1971

Grande Prêmio dos Países Baixos
de Fórmula 1 de 1971

Décimo nono GP dos Países Baixos em Zandvoort
Detalhes da corrida
Categoria Fórmula 1
Data 20 de junho de 1971
Nome oficial XIX Grote Prijs van Nederland
Local Circuito de Zandvoort, Zandvoort, Holanda do Norte, Países Baixos
Percurso 4.193 km
Total 70 voltas / 293.510 km
Condições do tempo Molhado
Pole
Piloto
Bélgica Jacky Ickx Ferrari
Tempo 1:17.42
Volta mais rápida
Piloto
Bélgica Jacky Ickx Ferrari
Tempo 1:34.95 (na volta 49)
Pódio
Primeiro
Bélgica Jacky Ickx Ferrari
Segundo
México Pedro Rodríguez BRM
Terceiro
Suíça Clay Regazzoni Ferrari

Resultados do Grande Prêmio dos Países Baixos de Fórmula 1 realizado em Zandvoort em 20 de junho de 1971. Quarta etapa do campeonato, foi vencido pelo belga Jacky Ickx, da Ferrari, com Pedro Rodríguez em segundo pela BRM e Clay Regazzoni em terceiro pela Ferrari.[1][2]

Resumo

Grande Prêmio da Bélgica

Desde 1925, o Grande Prêmio da Bélgica figura entre as competições automobilísticas internacionais tendo o Circuito de Spa-Francorchamps como pilar de sustentação onde, exceto por uma edição em Bois de la Cambre, todas as provas foram realizadas, inclusive a de 1950, ano inaugural da Fórmula 1.[3] Todavia, uma série de eventos alheios ao esporte acabou por retirar os belgas do calendário automobilístico, o maior dos quais a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, foram realizadas vinte e nove edições do Grande Prêmio da Bélgica, mas tal prova adquiriu ares intermitentes, pois a mesma foi cancelada dezoito vezes, ora por razões econômicas como a Crise de Suez que inviabilizou a edição de 1957, ou por razões de segurança, como aconteceu em 1969 e 1971.[4][5]

Gedächtnisrennen

Prevista para 6 de julho, a etapa belga deu lugar a uma corrida extracampeonato, em Hockenheim, no domingo seguinte, com vitória de Jacky Ickx, da Ferrari, Ronnie Peterson em segundo pela March e John Surtees em terceiro pela Surtees.[6] Denominada Jochen Rindt Gedächtnisrennen, serviu como memorial ao falecido piloto austríaco, campeão mundial de Fórmula 1 de 1970.[7]

Acidente de Emerson Fittipaldi

Durante uma viagem pelo interior da França, Emerson Fittipaldi sofreu um acidente no povoado de Mesmont, nas cercanias de Dijon, à noite de 7 de junho, quando colidiu com o carro de um mecânico no momento em que este fez uma curva abrupta à esquerda a fim de acessar uma estrada secundária. Surpreendido, o brasileiro freou, impedindo uma batida ainda mais forte, contudo a dianteira de seu Ford Capri ficou retorcida. Fittipaldi fraturou duas costelas e sofreu um corte na perna, enquanto sua esposa, Maria Helena, machucou o pulso e sofreu escoriações no rosto. Atendido em Dijon antes de retornar à cidade suíça de Lausanne, o casal informou à família no Brasil sobre o ocorrido. "Emerson já sofreu acidentes em Monza, na Itália, e na Argentina, em circuitos de corrida, mas em nenhuma das duas ocasiões saiu machucado. Em estrada, é a primeira vez que bate e sofre ferimentos",[8] disse Wilson Fittipaldi, pai do piloto. Em razão do ocorrido, a Lotus escolheu Dave Charlton como o substituto do brasileiro no Grande Prêmio dos Países Baixos.[2]

Lotus-Pratt & Whitney

Os treinos de sexta-feira para a etapa neerlandesa tiveram uma dose extra de dificuldade por conta dos fortes ventos e da chuva que caiu sobre Zandvoort ao entardecer, vide o susto de Mario Andretti a quase 250 km/h por conta de um pneu estourado, avaria que o fez capotar e atingir as redes de proteção, danificando sua Ferrari. Ileso, o norte-americano não foi o único a sofrer um acidente, pois Dave Walker perdeu o controle da Lotus e atingiu o alambrado, enquanto Clay Regazzoni capotou a outra Ferrari, mas felizmente, nada restou além de carros a consertar e isso é motivo para celebrar, pois em 1970, o Circuito de Zandvoort testemunhava a morte de Piers Courage.[9] Quanto aos melhores tempos, foram marcados pela Ferrari de Jacky Ickx, a BRM de Pedro Rodríguez e a Tyrrell de Jackie Stewart.[10]

Numa época onde a primeira fila era formada por três carros, a segunda por dois e assim continuava em alternância, os melhores tempos de Ickx, Rodríguez e Stewart foram mantidos, com Regazzoni completando um ano de carreira na Fórmula 1 em quarto lugar, dividindo fila com a Matra de Chris Amon. Vieram a seguir a Lotus de Reine Wisell, a Surtees de John Surtees e a BRM de Jo Siffert, bem à frente de graduados como Graham Hill e Mario Andretti, abaixo da décima quinta posição, enquanto a torcida neerlandesa foi contemplada com vigésimo primeiro lugar do estreante Gijs van Lennep. inscrito pela Stichting Autoraces Nederland com uma Surtees.[2] Fato curioso é a ausência de Dave Charlton, pois seu carro foi danificado por Dave Walker e assim o sul-africano não pôde correr. Walker, porém, entrou para a história como o primeiro a pilotar o Lotus 56B numa corrida de Fórmula 1. Movido pela força de uma turbina a gás desenvolvida pela Pratt & Whitney, este bólido fez a pole position nas 500 Milhas de Indianápolis de 1968 com Joe Leonard e foi pilotado por Emerson Fittipaldi na Corrida dos Campeões de 1971 em Brands Hatch.[11]

Sem motores Ford no pódio

Choveu durante a manhã no dia da corrida, resultando numa combinação de garoa com pista encharcada em Zandvoort, e enquanto os pilotos buscavam o tipo adequado de pneu, nos boxes da Ferrari a situação de Mario Andretti inspirava cuidados, pois um defeito na bomba de combustível impediu o norte-americano de alinhar no grid.[2] Quando os pilotos largaram, o trio Ickx, Rodríguez e Stewart manteve as posições conquistadas no treino, Amon saiu da pista, bateu, danificou o radiador e voltou aos boxes antes de abandonar a corrida. O mau rendimento dos pneus Goodyear faz Stewart perder rendimento, enquanto Dave Walker escapou na Tarzan, atingiu as grades de proteção e parou num barranco na quinta volta, abandonando quase ao mesmo tempo que Mario Andretti e dois giros antes de Nanni Galli, abalroado por Cevert na referida curva.[12]

Pouco depois, Reine Wisell errou o ponto de freada e deu marcha a ré para entrar nos boxes da Lotus, troca uma roda e volta à pista. Na Tarzan, Rodríguez assume a liderança ao superar Ickx na volta nove, com Regazzoni à distância enquanto Peterson tomava o quarto lugar de Surtees, panorama inalterado até a trigésima volta, entretanto, o belga recuperou terreno assim que o asfalto começou a secar e tomou o primeiro posto de modo fugaz, pois os retardatários permitiram o troco de Rodríguez antes do piloto da Ferrari confirmar a liderança, instituindo, a partir da trigésima segunda volta, um bloco formado por ele, Rodríguez, Regazzoni, Peterson, Surtees e Siffert, este vítima de um toque na primeira volta que o derrubou para o final do pelotão.[12]

Com a pista cada vez mais seca, a vantagem de Ickx ante Rodríguez varia entre seis e oito segundos a ponto de o ferrarista marcar a melhor volta da corrida no quadragésimo nono giro e pouco depois colocar uma volta de vantagem sobre Regazzoni e duas sobre Peterson, Surtees e Siffert conforme a prova seguia. A corrida estava além da sexagésima volta e havia sete pilotos fora de combate por acidentes ou avarias mecânicas, Reine Wisell foi desclassificado por sua manobra irregular nos boxes e Rolf Stommelen teve o mesmo destino após ter sido empurrado pelos comissários ao sair da pista na Tarzan.[12] Hábil em poupar o carro, Ickx cruzou a linha de chegada oito segundos na frente de Rodríguez, os únicos a terminar na mesma volta, pois Clay Regazzoni o fez a uma volta de distância, enquanto Ronnie Peterson, John Surtees e Jo Siffert completaram a zona de pontuação com duas voltas de desvantagem, mas nada foi mais simbólico que a diferença de cinco voltas entre Jacky Ickx e Jackie Stewart.[1]

Examinando a situação do mundial de pilotos, vemos que Jackie Stewart mantém sua liderança com 24 pontos, mas a vitória de Jacky Ickx o pôs na vice-liderança com 19 pontos, criando uma situação de proximidade entre os únicos nomes cujos pontos estão na casa dos dois dígitos, enquanto entre os construtores a Ferrari lidera graças à força da tríade formada Jacky Ickx, Mario Andretti e Clay Regazzoni (embora as regras de descarte impeçam que a pontuação do suíço some-se à de seus companheiros), enquanto a Tyrrell está na vice-liderança graças apenas aos 24 pontos de Jackie Stewart, afinal François Cevert continua zerado. Em meio às estatísticas, Pedro Rodríguez conquistou o último pódio e marcou os últimos pontos de sua carreira nesta corrida.[13]

Pela primeira vez desde o Grande Prêmio do Canadá de 1967, há 42 provas consecutivas, nenhum carro com motor Ford subiu ao pódio.[14][nota 1]

Classificação

Treinos classificatórios

Pos. N.º Piloto Construtor Tempo Dif.
1 2 Bélgica Jacky Ickx Ferrari 1:17.42
2 8 México Pedro Rodríguez BRM 1:17.46 + 0.04
3 5 Reino Unido Jackie Stewart Tyrrell-Ford 1:17.64 + 0.22
4 3 Suíça Clay Regazzoni Ferrari 1:17.98 + 0.54
5 20 Nova Zelândia Chris Amon Matra 1:18.46 + 1.04
6 14 Suécia Reine Wisell Lotus-Ford 1:18.70 + 1.28
7 23 Reino Unido John Surtees Surtees-Ford 1:18.71 + 1.29
8 9 Suíça Jo Siffert BRM 1:18.91 + 1.49
9 10 Nova Zelândia Howden Ganley BRM 1:19.09 + 1.67
10 29 Alemanha Rolf Stommelen Surtees-Ford 1:19.11 + 1.69
11 21 França Jean-Pierre Beltoise Matra 1:19.16 + 1.74
12 6 França François Cevert Tyrrell-Ford 1:19.54 + 2.12
13 16 Suécia Ronnie Peterson March-Ford 1:19.73 + 2.31
14 26 Nova Zelândia Denny Hulme McLaren-Ford 1:19.74 + 2.32
15 31 França Henri Pescarolo March-Ford 1:20.01 + 2.59
16 24 Reino Unido Graham Hill Brabham-Ford 1:20.07 + 2.65
17 19 Espanha Alex Soler-Roig March-Ford 1:20.26 + 2.84
18 4 Estados Unidos Mario Andretti Ferrari 1:20.32 + 2.90
19 25 Austrália Tim Schenken Brabham-Ford 1:20.35 + 2.93
20 18 Itália Nanni Galli March-Alfa Romeo 1:20.61 + 3.19
21 30 Países Baixos Gijs van Lennep Surtees-Ford 1:20.79 + 3.37
22 15 Austrália Dave Walker Lotus-Pratt & Whitney 1:21.83 + 4.41
23 28 Reino Unido Peter Gethin McLaren-Ford 1:22.07 + 4.65
24 22 Estados Unidos Skip Barber March-Ford 1:22.19 + 4.77
Fontes:[15]

Corrida

Jacky Ickx (imagem de Zandvoort em 1971) venceu, fez a pole position e também a volta mais rápida.
Pos. Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 2 Bélgica Jacky Ickx Ferrari 70 1:56:20.0 1 9
2 8 México Pedro Rodríguez BRM 70 + 7.99 2 6
3 3 Suíça Clay Regazzoni Ferrari 69 + 1 volta 4 4
4 16 Suécia Ronnie Peterson March-Ford 68 + 2 voltas 13 3
5 23 Reino Unido John Surtees Surtees-Ford 68 + 2 voltas 7 2
6 9 Suíça Jo Siffert BRM 68 + 2 voltas 8 1
7 10 Nova Zelândia Howden Ganley BRM 66 + 4 voltas 9
8 30 Países Baixos Gijs van Lennep Surtees-Ford 65 + 5 voltas 21
9 21 França Jean-Pierre Beltoise Matra 65 + 5 voltas 11
10 24 Reino Unido Graham Hill Brabham-Ford 65 + 5 voltas 16
11 5 Reino Unido Jackie Stewart Tyrrell-Ford 65 + 5 voltas 3
12 26 Nova Zelândia Denny Hulme McLaren-Ford 63 + 7 voltas 14
NC 31 França Henri Pescarolo March-Ford 62 Não classificado 15
NC 22 Estados Unidos Skip Barber March-Ford 60 Não classificado 24
NC 28 Reino Unido Peter Gethin McLaren-Ford 60 Não classificado 23
Ret 19 Espanha Alex Soler-Roig March-Ford 57 Motor 17
Ret 25 Austrália Tim Schenken Brabham-Ford 39 Suspensão 19
Ret 6 França François Cevert Tyrrell-Ford 29 Acidente 12
DSQ 29 Alemanha Rolf Stommelen Surtees-Ford 19 Desclassificado 18
DSQ 14 Suécia Reine Wisell Lotus-Ford 17 Desclassificado 4
Ret 18 Itália Nanni Galli March-Alfa Romeo 7 Acidente 20
Ret 4 Estados Unidos Mario Andretti Ferrari 5 Bomba de combustível 16
Ret 15 Austrália Dave Walker Lotus-Pratt & Whitney 5 Acidente 22
Ret 20 Nova Zelândia Chris Amon Matra 2 Spun off 5
DNS 12 África do Sul Dave Charlton Lotus-Ford [16]
Fontes:[1][nota 2]

Tabela do campeonato após a corrida

  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. Em 1971 os pilotos somariam cinco resultados nas seis primeiras corridas do ano e quatro nas últimas cinco. Na tabela dos construtores figurava somente o melhor colocado dentre os carros de um time.

Notas

  1. O recorde anterior pertencia aos britânicos da Climax, com 27 pódios consecutivos entre o Grande Prêmio da Alemanha de 1961 e o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1964.
  2. Voltas na liderança: Jacky Ickx 48 voltas (1-8; 30; 32-70), Pedro Rodríguez 22 voltas (9–29; 31).

Referências

  1. a b c «1971 Dutch Grand Prix - race result». Consultado em 22 de dezembro de 2018 
  2. a b c d «Dutch GP, 1971 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  3. «Belgian GP, 1950 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 25 de janeiro de 2026 
  4. Fred Sabino (13 de março de 2020). «Desde 2011, Fórmula 1 não tinha GP suspenso; relembre outras provas adiadas/canceladas». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 19 de abril de 2023 
  5. Associated Press (16 de março de 1971). «Corrida na Bélgica suspensa. Matutina, Geral – p. 22». acervo.oglobo.globo.com. O Globo. Consultado em 25 de janeiro de 2026 
  6. «Resultado da Jochen Rindt Gedächtnisrennen – Stats F1». Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  7. Fred Sabino (18 de abril de 2018). «Jochen Rindt é até hoje o único campeão póstumo na história da Fórmula 1». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  8. UPI-AFP-JB (9 de junho de 1971). «Emerson já recuperado corre na Holanda (sic). Primeiro Caderno, Esporte – p. 26». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  9. Fred Sabino (21 de junho de 2020). «Morte brutal de Piers Courage em Zandvoort abalou Frank Williams há 50 anos». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  10. UPI-AFP-JB (19 de junho de 1971). «Jacky Ickx se destaca logo no primeiro treino visando o GP da Holanda (sic). Primeiro Caderno, Esporte – p. 22». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  11. Douglas Mendonça; Lucca Mendonça (28 de janeiro de 2024). «F1 de 1971 teve carro movido a turbina de avião e bicampeonato de Stewart». autoesporte.globo.com. Auto Esporte. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  12. a b c «Grande Prêmio dos Países Baixos de 1971 – Resumo (em francês) no Stats F1». Consultado em 29 de janeiro de 2026 
  13. Fred Sabino (14 de fevereiro de 2020). «Irmãos Rodríguez tiveram bons resultados na F1 mas acabaram encontrando a morte nas pistas». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  14. «Statistics engines – podiums consecutively (em inglês) no Stats F1». Consultado em 29 de janeiro de 2026 
  15. «1971 Dutch Grand Prix - starting grid». Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  16. Lang, Mike (1982). Grand Prix! Vol 2. [S.l.]: Haynes Publishing Group. p. 152. ISBN 0-85429-321-3 

Precedido por
Grande Prêmio de Mônaco de 1971
FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1
Ano de 1971
Sucedido por
Grande Prêmio da França de 1971
Precedido por
Grande Prêmio dos Países Baixos de 1970
Grande Prêmio dos Países Baixos
19ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio dos Países Baixos de 1973