Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1971
Grande Prêmio da Grã-Bretanha
de Fórmula 1 de 1971 | |||
|---|---|---|---|
![]() 15º GP da Grã-Bretanha em Silverstone | |||
| Detalhes da corrida | |||
| Categoria | Fórmula 1 | ||
| Data | 17 de julho de 1971 | ||
| Nome oficial | XXIV RAC British Grand Prix[nota 1] | ||
| Local | Circuito de Silverstone, Silverstone, Northamptonshire, Midlands Orientais, Inglaterra, Grã-Bretanha, Reino Unido | ||
| Percurso | 4.711 km | ||
| Total | 68 voltas / 320.348 km | ||
| Condições do tempo | Nublado, seco | ||
| Pole | |||
| Piloto |
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| Tempo | 1:18.1 | ||
| Volta mais rápida | |||
| Piloto |
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| Tempo | 1:19.9 (na volta 45) | ||
| Pódio | |||
| Primeiro |
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| Segundo |
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| Terceiro |
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Resultados do Grande Prêmio da Grã-Bretanha de Fórmula 1 realizado em Silverstone em 17 de julho de 1971. Sexta etapa do campeonato, foi vencida pelo britânico Jackie Stewart, da Tyrrell-Ford, com Ronnie Peterson em segundo pela March-Ford e Emerson Fittipaldi em terceiro pela Lotus-Ford.[1][2][3]
Resumo
Pedro Rodríguez (1940-1971)
Irmão mais velho do prodígio Ricardo Rodríguez, o piloto Pedro Rodríguez teria seu primeiro contato com a Fórmula 1 numa Ferrari no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1961, mas a decisão da equipe italiana em não participar do evento, adiou sua estreia em dois anos e na mesma corrida como terceiro piloto da Lotus. Nesse intervalo, ele já havia perdido seu irmão, vítima de um acidente no Grande Prêmio do México de 1962, prova extracampeonato disputada naquele ano, quando a suspensão de seu carro, uma Lotus pertencente à Rob Walker Racing Team, quebrou e ele atingiu as barreiras de proteção a toda velocidade.[4]
Em sua carreira, Pedro Rodríguez largou em 54 das 59 corridas que participou, conseguiu o primeiro ponto da carreira a bordo de uma Ferrari no Grande Prêmio do México de 1964 e atingiu o ápice de sua carreira com as vitórias no Grande Prêmio da África do Sul de 1967, a primeira de um mexicano e a última da Cooper na Fórmula 1, e no Grande Prêmio da Bélgica de 1970, quando já estava na BRM, onde correu até o recente Grande Prêmio da França de 1971, o último por ele disputado.[5][6][7] Pedro Rodríguez morreu em 11 de julho de 1971, após um acidente numa corrida de Interserie no circuito de rua de Norisring, próximo à cidade alemã de Nuremberg, quando sua Ferrari de 580 cavalos bateu contra a mureta de proteção e explodiu.[4] Mesmo portando extintores, alguns fiscais de pista sofreram queimaduras de até segundo grau durante o resgate. No laudo, os peritos disseram que o piloto "sofreu fratura na base do crânio, na bacia, várias fraturas nas pernas e ainda queimaduras de vários graus em 25 por cento do corpo".[8]
"É difícil qualquer afirmação nessas circunstâncias, mas eu estava apenas 20 metros atrás de Rodríguez, procurando inclusive entrar no seu vácuo. Íamos perto de 280 quilômetros por hora e acredito que Rodríguez pisou erroneamente no freio, saindo da linha ideal da curva e perdendo, assim, o controle do carro",[8] disse, na época, o finlandês Leo Kinnunen. Contudo, surgiram hipóteses de que o acidente ocorreu devido a uma roda solta, ou a uma "fechada" numa disputa com o retardatário Kurt Hild.[4] Por conta da comoção, Pedro Rodríguez foi sepultado com honras de herói nacional por decisão do presidente Luis Echeverría.
Segunda pole de Regazzoni
Enlutada, a BRM compareceu a Silverstone com Jo Siffert e Howden Ganley, enquanto McLaren, Surtees, March e Lotus escalaram três pilotos para representá-las, com Colin Chapman entregando o famoso carro turbina para Reine Wisell. Também desfalcada, a Ferrari trouxe Jacky Ickx e Clay Regazzoni, afinal Mario Andretti disputaria o Grande Prêmio de Michigan em 18 de julho, outro de seus compromissos no campeonato promovido pelo United States Auto Club. Dentre os nomes habilitados a correr, havia um estreante: Mike Beuttler, piloto de uma March 711 alugada pela Clarke-Mordaunt-Guthrie-Durlacher Racing, equipe privada de Fórmula 1 constituída por amigos e financiadores da carreira do britânico.[3][9]
Ao extraírem o melhor tempo de cada piloto ao longo dos dias de treinos, as duas primeiras filas do grid foram entregues às melhores equipes do ano, com Clay Regazzoni conseguindo a segunda das cinco pole positions obtidas em sua carreira graças ao arranque do motor V12 da Ferrari, dividindo a primeira fila com a Tyrrell de Jackie Stewart e a BRM de Jo Siffert. enquanto Emerson Fittipaldi, da Lotus, e Ronnie Peterson, da March, estavam na fila seguinte, adiante de Jacky Ickx, vice-líder do campeonato, que esforçou-se para superar a Brabham de Tim Schenken e a McLaren de Denny Hulme.[3] Quem examinar detidamente os treinos classificatórios notará algo curioso: Regazzoni e Stewart marcaram o mesmo tempo, mas o suíço garantiu a primeira posição ao assinalar sua melhor volta na quinta-feira, enquanto o britânico o fez apenas no dia seguinte. Por ironia do destino, quando Clay Regazzoni obteve sua primeira pole position no Grande Prêmio do México de 1970, em segundo lugar estava Jackie Stewart.[10][11]
Faltam adversários na pista
O diretor de largada hesitou antes de autorizar o início da prova e esse breve momento foi o bastante para que a Ferrari liderasse a primeira volta em dobradinha, enquanto uma batida entre Graham Hill e Jackie Oliver elimina os dois da prova, mas logo no giro seguinte a Tyrrell de Stewart reassume o segundo lugar à altura da curva Stowe, mesmo local onde assumiria a liderança ao ultrapassar Regazzoni na quarta volta, tendo Siffert em terceiro adiante de Ickx. Parado nos boxes, o sueco Reine Wisell viu os mecânicos da Lotus avaliando sua turbina Pratt & Whitney para descobrir o motivo de sua perda de potência. De volta ao asfalto, a liderança de Stewart seguia inabalável graças à BRM de Siffert em segundo lugar, bloqueando o avanço dos pilotos da Ferrari, enquanto Cevert desperdiçava o aprumo da Tyrrell num distante décimo primeiro lugar. Em sentido inverso, merece registro a recuperação de Emerson Fittipaldi, que largou em quarto lugar, perdeu sete posições e depois ultrapassou Cevert, Gethin, Ganley, Hulme e Schenken para subir à sexta posição, atrás de Ronnie Peterson.[3][12]
Classificação
Treinos classificatórios
| Pos. | N.º | Piloto | Construtor | Tempo | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 5 | Ferrari | 1:18.1 | — | |
| 2 | 12 | Tyrrell-Ford | 1:18.1 | + 0.0 | |
| 3 | 16 | BRM | 1:18.2 | + 0.1 | |
| 4 | 1 | Lotus-Ford | 1:18.3 | + 0.2 | |
| 5 | 18 | March-Ford | 1:19.0 | + 0.9 | |
| 6 | 4 | Ferrari | 1:19.5 | + 1.4 | |
| 7 | 8 | Brabham-Ford | 1:19.5 | + 1.4 | |
| 8 | 9 | McLaren-Ford | 1:19.6 | + 1.5 | |
| 9 | 21 | Matra | 1:19.7 | + 1.6 | |
| 10 | 14 | Tyrrell-Ford | 1:19.8 | + 1.7 | |
| 11 | 17 | BRM | 1:19.84 | + 1.74 | |
| 12 | 24 | Surtees-Ford | 1:19.88 | + 1.78 | |
| 13 | 2 | Lotus-Ford | 1:20.05 | + 1.95 | |
| 14 | 10 | McLaren-Ford | 1:20.1 | + 2.0 | |
| 15 | 22 | Matra | 1:20.2 | + 2.1 | |
| 16 | 7 | Brabham-Ford | 1:20.3 | + 2.2 | |
| 17 | 26 | March-Ford | 1:20.5 | + 2.4 | |
| 18 | 23 | Surtees-Ford | 1:20.6 | + 2.5 | |
| 19 | 3 | Lotus-Pratt & Whitney | 1:20.66 | + 2.56 | |
| 20 | 6 | March-Ford | 1:20.7 | + 2.6 | |
| 21 | 20 | March-Ford | 1:20.9 | + 2.8 | |
| 22 | 11 | McLaren-Ford | 1:21.0 | + 2.9 | |
| 23 | 25 | Surtees-Ford | 1:22.3 | + 4.2 | |
| 24 | 19 | March-Alfa Romeo | 1:23.2 | + 5.1 | |
| Fontes:[13] | |||||
Corrida
| Pos. | Nº | Piloto | Construtor | Voltas | Tempo/Diferença | Grid | Pontos |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 12 | Tyrrell-Ford | 68 | 1:31:31.5 | 2 | 9 | |
| 2 | 18 | March-Ford | 68 | + 36.1 | 5 | 6 | |
| 3 | 1 | Lotus-Ford | 68 | + 50.5 | 4 | 4 | |
| 4 | 26 | March-Ford | 67 | + 1 volta | 17 | 3 | |
| 5 | 24 | Surtees-Ford | 67 | + 1 volta | 12 | 2 | |
| 6 | 23 | Surtees-Ford | 67 | + 1 volta | 18 | 1 | |
| 7 | 22 | Matra | 66 | + 2 voltas | 15 | ||
| 8 | 17 | BRM | 66 | + 2 voltas | 11 | ||
| 9 | 16 | BRM | 66 | + 2 voltas | 3 | ||
| 10 | 14 | Tyrrell-Ford | 65 | + 3 voltas | 10 | ||
| 11 | 20 | March-Ford | 65 | + 3 voltas | 21 | ||
| 12 | 8 | Brabham-Ford | 63 | Câmbio | 7 | ||
| NC | 3 | Lotus-Pratt & Whitney | 57 | Não classificado | 19 | ||
| NC | 19 | March-Alfa Romeo | 56 | Não classificado | 24 | ||
| Ret | 10 | McLaren-Ford | 53 | Motor | 14 | ||
| Ret | 4 | Ferrari | 51 | Motor | 6 | ||
| Ret | 5 | Ferrari | 48 | Pressão do óleo | 1 | ||
| Ret | 21 | Matra | 35 | Motor | 9 | ||
| Ret | 9 | McLaren-Ford | 32 | Motor | 8 | ||
| Ret | 25 | Surtees-Ford | 23 | Suspensão | 23 | ||
| Ret | 6 | March-Ford | 21 | Pressão do óleo | 20 | ||
| Ret | 2 | Lotus-Ford | 1 | Motor | 13 | ||
| Ret | 7 | Brabham-Ford | 0 | Acidente | 22 | ||
| Ret | 11 | McLaren-Ford | 0 | Acidente | 16 | ||
| Fontes:[1][nota 2] | |||||||
Tabela do campeonato após a corrida
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- Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas. Em 1971 os pilotos somariam cinco resultados nas seis primeiras corridas do ano e quatro nas últimas cinco. Na tabela dos construtores figurava somente o melhor colocado dentre os carros de um time.
Notas
- ↑ A contagem do "Grande Prêmio da Grã-Bretanha" inclui as provas realizadas em 1926 e 1927 pela Associação Internacional dos Automóveis Clubes Reunidos (AIACR), já a soma oficial do mesmo considera as provas realizadas a partir de 1948.
- ↑ Voltas na liderança; Clay Regazzoni 3 voltas (1-3), Jackie Stewart 65 voltas (4-68).
Referências
- ↑ a b «1971 British Grand Prix - race result». Consultado em 23 de dezembro de 2018
- ↑ Fred Sabino (9 de agosto de 2020). «Dez pilotos britânicos venceram 22 das 54 corridas de Fórmula 1 em Silverstone». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 9 de agosto de 2020
- ↑ a b c d «British GP, 1971 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 19 de janeiro de 2026
- ↑ a b c Fred Sabino (14 de fevereiro de 2020). «Irmãos Rodríguez tiveram bons resultados na F1 mas acabaram encontrando a morte nas pistas». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 1º de fevereiro de 2026
- ↑ «South African GP, 1967 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 1º de fevereiro de 2026
- ↑ «Belgian GP, 1970 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 1º de fevereiro de 2026
- ↑ «French GP, 1971 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 1º de fevereiro de 2026
- ↑ a b UPI-AFP-JB (13 de julho de 1971). «Rodríguez será sepultado amanhã no México com honras de herói nacional. Primeiro Caderno, Esporte – p. 34». bndigital.bn.gov.br. Jornal do Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2026
- ↑ Fred Sabino (13 de abril de 2020). «Mike Beuttler foi até hoje o único piloto homossexual assumido na história da F1». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1971 – Resumo (em francês) no Stats F1». Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Mexican GP, 1970 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Britain 1971 – Lap by lap (em inglês) no Stats F1». Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «1971 British Grand Prix - starting grid». Consultado em 26 de janeiro de 2026
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| Precedido por Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1970 |
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