Departamento de Gravura e Impressão

Departamento de Gravura e Impressão
Bureau of Engraving and Printing
Selo do Departamento de Gravura e Impressão
Resumo da agência
Formação29 de agosto de 1862[1]
Sede300 14th St SW
Washington, D.C.
Empregados2,169 (2006)
Agência mãeDepartamento do Tesouro
Sítio oficialbep.gov

O Departamento de Gravura e Impressão (em inglês: Bureau of Engraving and Printing, BEP) é uma agência governamental vinculada ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos que projeta e produz uma ampla variedade de produtos de segurança para o governo dos Estados Unidos, sendo o mais notável as cédulas da Reserva Federal, o papel-moeda emitido para a Reserva Federal, o banco central do país. Além do papel-moeda, o BEP produz títulos do Tesouro; comissões militares e certificados de condecoração; convites e cartões de admissão; e diversos tipos de documentos de identificação, formulários e outros documentos especiais de segurança para várias agências governamentais. O papel do BEP como impressor da moeda em papel faz dele uma das duas agências do Departamento do Tesouro envolvidas na produção monetária. A outra é a Casa da Moeda dos Estados Unidos, responsável pela cunhagem de moedas. Com instalações de produção em Washington, D.C., e Fort Worth, Texas, o Departamento de Gravura e Impressão é o maior produtor de documentos de segurança governamentais dos Estados Unidos.

História

Vista aérea do BEP em Washington, DC, c. 1918
Cartão de lembrança dos Estados Unidos emitido pelo BEP, para a exposição HAPEX APS 70 e 84ª Convenção Anual da American Philatelic Society em 1970

O Departamento de Gravura e Impressão tem suas origens em legislação promulgada para ajudar a financiar a Guerra Civil Americana. Em julho de 1861, o Congresso autorizou o Secretário do Tesouro a emitir moeda em papel em substituição às moedas metálicas, devido à falta de recursos para sustentar o conflito. Essas notas em papel eram, essencialmente, promissórias do governo e eram chamadas de Demand Notes (“notas à vista”), pois podiam ser resgatadas “mediante demanda” em moedas em determinadas instalações do Tesouro. Naquele momento, o governo não possuía uma estrutura própria para a produção de papel-moeda, de modo que a American Bank Note Company e a National Bank Note Company produziram as Demand Notes em folhas de quatro unidades. Essas folhas eram então enviadas ao Departamento do Tesouro, onde dezenas de funcionários assinavam as notas, e inúmeros trabalhadores cortavam as folhas e aparavam cada cédula manualmente. A Segunda Lei de Curso Legal (Second Legal Tender Act) autorizou o Secretário do Tesouro a gravar e imprimir notas diretamente no Departamento do Tesouro, cujo design passou a incorporar gravuras em linhas finas, padrões geométricos complexos, o selo do Tesouro e assinaturas gravadas, com o objetivo de dificultar a falsificação.[2]

Inicialmente, as operações de processamento de moeda dentro do Tesouro não eram formalmente organizadas. Quando o Congresso criou o Escritório do Controlador da Moeda e o Departamento Nacional de Moeda em 1863, essas operações passaram nominalmente a ser subordinadas a esse órgão, sob a designação de “Primeira Divisão, Departamento Nacional de Moeda”. Durante anos, porém, as atividades monetárias foram conhecidas por diversos rótulos semi-oficiais, como “Printing Bureau”, “Small Note Bureau”, “Currency Department” e “Small Note Room”. Somente em 1874 o nome “Bureau of Engraving and Printing” foi oficialmente reconhecido em legislação do Congresso, com uma dotação específica de recursos operacionais para o ano fiscal de 1875.

Desde praticamente o início de suas atividades, o Departamento de Gravura e Impressão passou a projetar e imprimir uma variedade de produtos além da moeda. Já em 1864, os escritórios que mais tarde formariam o BEP produziam passaportes para o Departamento de Estado e ordens de pagamento para o Departamento dos Correios. Atualmente, os passaportes são produzidos pelo Government Publishing Office. Outros itens iniciais produzidos pelo BEP incluíam diversos instrumentos de dívida governamental, como notas remuneradas, certificados de reembolso, notas do Tesouro com juros compostos e títulos. A produção de selos postais teve início em 1894, e, por quase um século, o BEP foi o único produtor de selos do país.

Produção

Garfield, Edição de 1894
1º selo postal impresso pela BEP

Produção de selos postais

O Departamento de Gravura e Impressão assumiu oficialmente a produção de selos postais para o governo dos Estados Unidos em julho de 1894. O primeiro trabalho impresso pelo BEP foi colocado à venda em 18 de julho de 1894 e, ao final do primeiro ano de produção, o órgão já havia impresso e entregue mais de 2,1 bilhões de selos. Em 2005, o Serviço Postal dos Estados Unidos passou a utilizar exclusivamente gráficas privadas para a impressão de selos, encerrando 111 anos de produção pelo Departamento.[3][4] A partir de 2011, o Serviço Postal voltou a internalizar todos os serviços de impressão de selos.

Produção de moeda

Nota de US$ 1 da Reserva Federal, edição de 2009

Em 1918, para atender às exigências de produção significativamente ampliadas em razão da Primeira Guerra Mundial, a capacidade das chapas nas prensas mecânicas foi aumentada de quatro para oito cédulas por folha.

Com o redesenho da moeda em 1929, a primeira grande mudança desde a emissão inicial do papel-moeda em 1861, o design das cédulas foi padronizado e seu tamanho foi consideravelmente reduzido. Em razão dessa redução, o Departamento pôde converter as chapas de impressão de oito cédulas para chapas de doze cédulas. O redesenho ocorreu por diversos motivos, entre eles a redução dos custos com papel e o aprimoramento da prevenção contra falsificações por meio de maior reconhecimento público das características da moeda.

Um novo aumento no número de cédulas por folha foi alcançado em 1952, após avanços decisivos na produção de tintas que não transferiam (non-offset inks). A partir de 1943, o BEP experimentou novas tintas de secagem mais rápida, eliminando a necessidade de intercalar folhas de papel absorvente entre as impressões para evitar que a tinta marcasse outras folhas. A secagem mais rápida também permitiu que as folhas impressas no verso permanecessem úmidas até a impressão da frente, reduzindo a distorção causada pelos ciclos de umedecimento e secagem do papel.

Três notas de US$ 2 consecutivas em 2009

Ao reduzir a distorção — que aumenta proporcionalmente com o tamanho da folha — o Departamento pôde converter as chapas de 12 cédulas para chapas capazes de imprimir 18 cédulas em 1952. Cinco anos depois, em 1957, o Departamento iniciou a impressão de moeda pelo método de talho-doce a seco, que utiliza papel especial e tintas não transferíveis, possibilitando novo aumento de 18 para 32 cédulas por folha. Desde 1968, toda a moeda é impressa por meio do processo de talho-doce a seco, no qual não é necessário umedecer o papel antes da impressão. Nesse processo, gravuras em linhas finas são transferidas para chapas de aço, a partir das quais se faz a impressão em folhas de papel especial. A tinta é aplicada a uma chapa contendo 32 impressões de cédulas e, em seguida, a superfície é limpa, permanecendo tinta apenas nas linhas gravadas. A chapa é então pressionada contra o papel com força suficiente para que o papel penetre nos sulcos e absorva a tinta. Tanto a frente quanto o verso são impressos dessa forma — primeiro o verso. Após a impressão da frente, as folhas recebem, por tipografia, os selos do Tesouro e os números de série.

No ano fiscal de 2013, o Departamento entregou 6,6 bilhões de cédulas, a um custo médio de 10 centavos de dólar por cédula.[5]

Localizações

O Departamento de Gravura e Impressão possui duas unidades: uma em Washington, D.C., e outra em Fort Worth, Texas.

Unidade do Distrito de Columbia

A instalação de Washington é composta por dois edifícios adjacentes. O mais antigo, considerado o edifício principal e localizado entre as ruas 14th e 15th SW, foi construído em 1914.[6] O estilo arquitetônico do prédio principal é neoclássico. Ele possui uma superestrutura de aço com concreto à prova de fogo, revestimento externo de calcário de Indiana e acabamento em granito. A fachada principal do edifício está voltada para a Raoul Wallenberg Place (15th Street), para o Tidal Basin e para o Jefferson Memorial, com colunas de pedra ao longo de toda a extensão frontal do prédio, que mede 505 pés (154 m). O edifício tem 296 pés (90 m) de profundidade e 105 pés (32 m) de altura, com quatro alas que se estendem em direção à 14th Street. O prédio está listado no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos como parte do Auditor's Building Complex.

Em maio de 1938, foi concluída uma ampliação das instalações de Washington para acomodar o aumento de pessoal e de produção. O edifício anexo, como é chamado, localiza-se na 14th Street, entre as ruas C e D SW, exatamente em frente ao prédio principal. Ele mede 570 pés (170 m) de comprimento e 285 pés (87 m) de largura, sendo construído inteiramente em concreto armado, com fachada de calcário. A estrutura consiste em um eixo central que se estende da 14th Street até a 13th Street, com cinco alas projetando-se para o norte e para o sul a partir desse eixo.

A unidade de Washington, D.C., oferece uma visita guiada gratuita de 30 minutos, que apresenta as diversas etapas da produção de moeda. As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira. O Departamento permanece fechado em todos os feriados federais e durante a semana entre o Natal e o
Ano-Novo.[7][8]

Unidade de Fort Worth

Em 1987, teve início a construção de uma segunda instalação em Fort Worth, Texas. Além de atender ao aumento das exigências de produção, uma unidade no oeste do país foi concebida como operação de contingência em caso de emergências na região metropolitana de Washington, D.C.; adicionalmente, os custos de transporte de moeda para os bancos da Reserva Federal em São Francisco, Dallas e Kansas City seriam reduzidos. A produção de cédulas começou na unidade de Fort Worth em dezembro de 1990, e a inauguração oficial ocorreu em 26 de abril de 1991. Toda cédula impressa em Fort Worth contém um pequeno “FW”, geralmente localizado à esquerda do número da chapa da frente da nota, e a maioria também apresenta números maiores na chapa do verso.[9]

Polícia do BEP

Um carro patrulha do Bureau of Engraving and Printing Police (BEP)

O Departamento mantém um departamento policial próprio, a Força Policial do Departamento de Gravura e Impressão, responsável por proteger o pessoal e as instalações do BEP. A Polícia do BEP é encarregada de fazer cumprir as leis federais e locais, bem como as regras e regulamentos do Departamento do Tesouro, o Código Penal de Washington, D.C. (por meio de um Memorando de Entendimento) e o Código Penal do Texas.[10] Em 2004, a agência empregava 234 policiais.[11] Em 2020, esse número havia caído para 187.[12]

Programa de Leitura de Moeda dos EUA

Para auxiliar cidadãos e residentes dos Estados Unidos com deficiência visual, o BEP opera o Programa de Leitura de Moeda dos EUA (U.S. Currency Reader Program), que fornece gratuitamente os “leitores de cédulas iBill” — pequenos dispositivos alimentados por bateria que anunciam em voz alta o valor da cédula inserida.[13]

Referências

  1. Treasury.gov Arquivado em 2007-12-26 no Wayback Machine
  2. «U.S. Currency». Bureau of Engraving and Printing. Consultado em 29 de março de 2017 
  3. McAllister, Bill (13 de junho de 2005). «After 111 Years, Postage Stamps Go Private». The Washington Post. Consultado em 9 de abril de 2012 
  4. «2005 Comprehensive Statement on Postal Operations». USPS. Consultado em 9 de abril de 2012 
  5. Bureau of Engraving and Printing. "Annual Production Figures". Arquivado em 2011-08-27 no Wayback Machine. Consultado 11 de março de 2014.
  6. Latimer, Louise Payson (1924). Your Washington and Mine. [S.l.]: Charles Scribner's Sons. p. 162 
  7. «Bureau of Engraving and Printing». Washington, D.C. — Places To Tour. Consultado em 9 de março de 2025 
  8. «Bureau of Engraving and Printing». Yelp. 8 de novembro de 2015 
  9. «Features of Current Notes». USPaperMoney.Info. Consultado em 9 de março de 2025 
  10. Dempsey, John S.; Forst, Linda S. (2009). An Introduction to Policing. [S.l.]: Cengage Learning. p. 63. ISBN 978-1-4354-8053-7 
  11. Reaves, Brian A. (Julho de 2006). «Federal Law Enforcement Officers, 2004» (PDF). Bureau of Justice Statistics. Cópia arquivada (PDF) em 26 de agosto de 2020 
  12. Brooks, Connor (19 de setembro de 2023). «Federal Law Enforcement Officers, 2020» (PDF). Bureau of Justice Statistics. Consultado em 9 de março de 2025 
  13. «U.S. Currency Reader Program | Engraving & Printing». www.bep.gov. Consultado em 24 de novembro de 2025 

Ligações externas