Corpo de Intendentes da Marinha

Oficiais de Intendência no Centro de Instrução e Adestramento Almirante Newton Braga (CIANB)

O Corpo de Intendentes da Marinha (CIM) é o corpo de oficiais da Marinha do Brasil que atendem às atividades logísticas e relacionadas com a economia, as finanças, o patrimônio, a administração e o controle interno relativos à aplicação e preparo do poder naval.[1]

História

A história do Corpo de Intendentes da Marinha tem seu início em Portugal em 3 de março de 1770, ocasião na qual o rei D. José I e o Marquês de Pombal editaram o alvará que instituía o cargo de Intendente da Marinha e Armazéns Reais, além de estabelecer demais disposições para a gestão fazendária da Capitania da Bahia.[2]

Dando continuidade à estruturação do Serviço de Intendência na Marinha, foi criada, em 7 de janeiro de 1797, a função de comissário em cada um dos navios de guerra. Essa medida é um marco fundamental para a criação do órgão, pois estabelece o embarque plenamente efetivo dos intendentes nos meios navais da Armada. Nessa nova organização, o intendente seria subordinado tão somente à Real Junta de Fazenda da Marinha, responsável pela gestão dos recursos necessários para a modernização e fortalecimento da Esquadra. Abaixo dele, vinham as Juntas Especiais das Esquadras, com seu Comissário-Geral e os navios com seus comissários. O sucesso dessas medidas acarretou em sua extensão para todas as demais capitanias portuguesas na América.[2][3]

Por fim, em 13 de maio de 1808, ocorre o marco final do estabelecimento do Corpo de Intendentes da Marinha. Nessa data, foi criada a Contadoria da Marinha no Arsenal Real da Marinha, instituicionalizando as funções de Contador, Escriturário, Comissário, Escrivão, Almoxarife, Fiel, Pagador e Tesoureiro Geral das Tropas.[2][4]

A partir de então, a Intendência da Marinha passou a assumir papel fundamental nos bastidores dos eventos históricos do Brasil. Um de seus primeiros testes foi ocasionado pela Independência do Brasil. Nesse momento, a cadeia logística e administrativa das forças navais brasileiras se encontrava em completa instabilidade. As ações do órgão nesse cenário se mostraram de grande importância, pois permitiram o controle das finanças e demais ativos navais e sua rápida alocação para o controle de focos de resitência contra o movimento de independência.[3]

Atualmente, o Corpo de Intendentes da Marinha continua a desempenhar funções estratégicas no mecanismo náutico brasileiro. A gestão de conhecimento, ou seja, a transformação do conhecimento tácito, acumulado pela experiência dos oficiais, em conhecimento de amplo acesso e compreensão e o fortalecimento das organizações sob sua tutela (notadamente o Centro de Instrução e Adestramento Almirante Newton Braga [CIANB]) tem sido um dos focos atuais de esforço da instituição. Por ocasião de seus 250 anos de história, o órgão também destacou sua dedicação na implementação do PROSUB, especialmente na elaboração do projeto do SN Álvaro Alberto.[5][6]

Referências

  1. BRASIL. «Lei nº 9.519, de 26 de novembro de 1997. Dispõe sobre a reestruturação dos Corpos e Quadros de Oficiais e de Praças da Marinha.». Art. 4º. Consultado em 23 de outubro de 2018 
  2. a b c Bohrer, Fernando Antonio B. F. de Athayde (23 de maio de 2025). «O Corpo de Fuzileiros Navais e o Corpo de Intendentes da Marinha retratados pela filatelia». Revista do Clube Naval (413). ISSN 0102-0382. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  3. a b Figueiras, Marcelo Vallim; Junior, Mauro Tavares dos Santos (3 de julho de 2023). «O Bicentenário da Esquadra e o Corpo de intendentes da Marinha». Revista do Clube Naval (405): 57–61. ISSN 0102-0382. Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  4. Portugal; Maria I, Queen of Portugal; Portugal. Sovereign (1777-1816 : Maria I) (1808). Decreto. : Por quanto fui servido crear, por Alvará da data deste, huma Contadoria da Marinha, e os lugares do Arsenal Real da Marinha, que a experiencia tem mostrado ser necessario haver para o bom, e regular servico daquella reparticão . [S.l.]: [Lisbon] : Na Impressão Regia 
  5. «A Gestão do Conhecimento no Corpo de Intendentes da Marinha do Brasil: O Papel do CIANB» (PDF). Consultado em 13 de janeiro de 2026 
  6. «250 Anos - Intendência da Marinha do Brasil: da Vela à Propulsão Nuclear» (PDF). FGV. Consultado em 13 de janeiro de 2026 

Ligações externas