Independência do Brasil

 Nota: Este artigo é sobre a independência do Brasil. Para o feriado nacional, veja Dia da Independência (Brasil).
Independência do Brasil
Parte da Guerra da Independência do Brasil
Independência ou Morte, do pintor paraibano Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).
Data7 de setembro de 1822 (203 anos)
LocalizaçãoRiacho do Ipiranga, São Paulo Império do Brasil
Também conhecido comoProclamação da Independência
ParticipantesPedro de Alcântara de Bragança
José Bonifácio de Andrada e Silva
Maria Leopoldina Joaquim Gonçalves Ledo
ResultadoSeparação política do Reino do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e instituição do Império do Brasil.

Independência do Brasil foi o processo histórico de separação política entre o Reino do Brasil e o Reino de Portugal e Algarves, ocorrido entre 1821 e 1825, no contexto das transformações políticas do mundo atlântico provocadas pelas revoluções liberais e pelas guerras napoleônicas. O processo envolveu disputas políticas, militares e diplomáticas entre grupos favoráveis à manutenção do vínculo com Portugal e defensores da autonomia brasileira, culminando na formação do Império do Brasil.[1][2]

Convencionalmente, a independência é associada ao episódio conhecido como Grito do Ipiranga, ocorrido em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, na cidade de São Paulo, quando o então príncipe regente Pedro de Alcântara proclamou a ruptura política com Portugal.[3] Contudo, a historiografia ressalta que a separação não se deu em um único ato, mas como resultado de um processo gradual, marcado por confrontos armados em diversas províncias e por negociações internacionais que se estenderam até o reconhecimento formal da independência em 1825.[4][5]

Em 12 de outubro de 1822, Pedro foi aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, sendo coroado em 1º de dezembro do mesmo ano. A consolidação da soberania brasileira, entretanto, dependeu da derrota das forças portuguesas remanescentes e do reconhecimento diplomático por Portugal e outras potências europeias, especialmente a Grã-Bretanha.[6][7]

Antecedentes

Processo de colonização e movimentos emancipacionistas

A ocupação do território que viria a ser denominado Brasil iniciou-se formalmente em 1500, quando a frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral tomou posse da terra em nome da Coroa portuguesa.[8] A colonização efetiva começou em 1534, com a criação das capitanias hereditárias, modelo administrativo que se mostrou limitado, levando à centralização do poder com a instituição do governo-geral em 1549.[9][10]

Ao longo dos séculos XVI e XVII, a economia colonial baseou-se principalmente na produção açucareira, sustentada pelo trabalho escravizado africano, inserindo o Brasil no sistema atlântico de comércio.[11][12] A partir do século XVIII, o declínio do ciclo do ouro e as transformações econômicas e intelectuais associadas ao Iluminismo contribuíram para o surgimento de movimentos contestatórios ao domínio português.[13]

Entre o final do século XVIII e o início do XIX, diversas conspirações e revoltas de caráter emancipacionista ocorreram na América Portuguesa, como a Conjuração Mineira (1789), a Conjuração Carioca (1794) e a Conjuração Baiana (1798). Embora muitas dessas iniciativas tenham sido reprimidas, elas expressaram o crescimento de um sentimento autonomista que se intensificaria nas décadas seguintes.[14][15]

Transferência da corte portuguesa

A conjuntura internacional do início do século XIX foi decisiva para a redefinição das relações entre Portugal e o Brasil. Em 1807, diante da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte, a família real portuguesa e o governo transferiram-se para o Rio de Janeiro, sob proteção da Grã-Bretanha.[16][17]

Transferência da corte portuguesa para o Brasil

A presença da corte no Brasil, a partir de 1808, provocou profundas transformações administrativas, econômicas e culturais, como a abertura dos portos às nações amigas, a criação de órgãos administrativos e a instalação de instituições culturais. Esse processo, descrito por parte da historiografia como uma “inversão metropolitana”, fez com que o Brasil deixasse de ser governado à distância e passasse a sediar o centro do Império português.[18][19]

Essas mudanças fortaleceram setores da elite luso-brasileira e ampliaram as expectativas de autonomia política, ao mesmo tempo em que geraram tensões com grupos metropolitanos que defendiam o retorno do antigo estatuto colonial.[20]

Elevação a reino

Aclamação do Rei João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Rio de Janeiro

Em 1815, ao término da Guerra Peninsular, o príncipe regente João elevou o Brasil à condição de Reino do Brasil, formando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A medida visava legitimar a permanência da corte no Rio de Janeiro e responder às pressões diplomáticas europeias, que consideravam inadequada a residência de uma monarquia europeia em uma colônia.[21][22]

Apesar da elevação formal, a criação do Reino Unido não eliminou os conflitos entre interesses portugueses e brasileiros. A Revolução Liberal do Porto de 1820 exigiu o retorno do rei a Lisboa e a convocação das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, que passaram a adotar medidas para recentralizar o poder político e administrativo em Portugal.[23][24]

Em 1821, João VI retornou a Portugal, deixando seu filho Pedro de Alcântara como príncipe regente no Brasil. As decisões das Cortes, que buscavam reduzir a autonomia brasileira, intensificaram as tensões políticas e aceleraram o processo que culminaria na independência.[25][26]

O processo denominado: Independência

Cortes portuguesas

Cortes portuguesas em 1822

A eclosão da Revolução Liberal do Porto em 1820 inaugurou uma nova fase de instabilidade política no Império português. O movimento constitucionalista levou à convocação das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, encarregadas de elaborar uma constituição liberal para Portugal e seus domínios ultramarinos.[24][27]

As Cortes exigiram o retorno do rei João VI à Europa, encerrando o período em que a sede do governo português se encontrava no Brasil. Com a partida do monarca, em abril de 1821, o príncipe herdeiro Pedro de Alcântara permaneceu no Rio de Janeiro como príncipe regente do Reino do Brasil.[25][28]

A partir de então, as Cortes passaram a adotar medidas destinadas a restaurar a centralidade política de Portugal, reduzindo a autonomia administrativa adquirida pelo Brasil desde 1808. Entre essas decisões estavam a subordinação direta das províncias brasileiras a Lisboa, a extinção de tribunais criados no período joanino e a exigência do retorno do príncipe regente à Europa.[29][30]

Essas resoluções provocaram forte reação no Brasil, tanto entre setores da elite luso-brasileira quanto entre grupos populares, alimentando um ambiente de crescente polarização política. Dois agrupamentos passaram a se destacar: os chamados liberais, ligados a Joaquim Gonçalves Ledo, e os bonifacianos, liderados por José Bonifácio de Andrada e Silva. Apesar das divergências entre ambos, compartilhavam a oposição às tentativas de recolonização promovidas pelas Cortes.[31]

Convenção de Beberibe

Luís do Rego Barreto, o algoz da Revolução Pernambucana

No contexto das tensões entre autoridades portuguesas e grupos favoráveis à autonomia brasileira, a Província de Pernambuco tornou-se um dos primeiros focos de ruptura. Em agosto de 1821, iniciou-se um movimento armado contra o governo do capitão-general Luís do Rego Barreto, figura associada à repressão da Revolução Pernambucana de 1817.[32]

O conflito resultou na formação da chamada Junta de Goiana e culminou na assinatura da Convenção de Beberibe, em 5 de outubro de 1821, que determinou a capitulação e a retirada das tropas portuguesas do território pernambucano.[33]

A Convenção de Beberibe é frequentemente interpretada pela historiografia como o primeiro episódio vitorioso do processo de independência, por representar a expulsão formal de forças militares portuguesas de uma província brasileira ainda antes da proclamação de 7 de setembro de 1822.[34]

Dia do Fico

Príncipe Pedro ordena o oficial português Jorge Avilez retornar a Portugal após sua rebelião malsucedida. José Bonifácio pode ser visto ao lado do príncipe

As pressões exercidas pelas Cortes portuguesas para que o príncipe regente retornasse a Lisboa intensificaram-se ao longo de 1821. Além de exigir sua volta, as Cortes pretendiam reduzir suas atribuições políticas, convertendo-o, na prática, em uma autoridade militar subordinada.[29]

Diante desse cenário, setores da sociedade brasileira mobilizaram-se em apoio à permanência de Pedro no Brasil. A articulação envolveu manifestações públicas, abaixo-assinados e a atuação de lideranças políticas como José Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo.[35]

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe regente anunciou publicamente sua decisão de permanecer no Brasil, episódio que ficou conhecido como o Dia do Fico. A declaração marcou um ponto de inflexão no processo de ruptura com Portugal, ao representar um desafio direto à autoridade das Cortes.[36]

Nos dias seguintes, confrontos armados ocorreram no Rio de Janeiro entre tropas portuguesas comandadas pelo general Jorge Avilez e forças leais ao príncipe regente. A derrota de Avilez e a retirada de seus soldados consolidaram a posição de Pedro como principal liderança política do movimento autonomista brasileiro.[37]

Grito do Ipiranga e aclamação

Em agosto de 1822, o príncipe regente partiu para a província de São Paulo com o objetivo de assegurar o apoio local à causa brasileira. Durante sua ausência, Maria Leopoldina, na condição de princesa regente interina, presidiu uma reunião do Conselho de Estado em 2 de setembro, na qual se decidiu pela separação definitiva entre Brasil e Portugal.[38]

Detalhe da obra Independência ou Morte (O Grito do Ipiranga), por Pedro Américo

Ao retornar ao Rio de Janeiro, Pedro recebeu, em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, as comunicações que informavam a anulação, pelas Cortes, dos atos de seu governo. Diante da situação, proclamou a ruptura política com Portugal, episódio que ficou conhecido como o Grito do Ipiranga.[3]

Após a proclamação, a notícia da independência espalhou-se rapidamente pelas principais cidades do país. Em São Paulo, Pedro foi recebido com manifestações públicas de apoio, sendo progressivamente identificado como chefe do novo Estado.[39]

Coroação do imperador Pedro I em 1º de dezembro de 1822

Em 12 de outubro de 1822, data de seu aniversário, Pedro foi aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. A coroação ocorreu em 1º de dezembro do mesmo ano, marcando a institucionalização do Império do Brasil e o encerramento formal do processo político iniciado em 1821.[40][41]

A consolidação do 7 de setembro como marco oficial da independência resultou de um processo de construção simbólica ao longo do século XIX, em que outros marcos, como a aclamação de 12 de outubro de 1822 e o reconhecimento de 1825, também desempenharam papel relevante.[42]

Confrontos armados e consolidação territorial

Maria Quitéria de Jesus, heroína do Batalhão dos Periquitos, na Independência da Bahia. Gravura do Diário de uma viagem ao Brasil, de Graham

Após a proclamação da independência em 7 de setembro de 1822, o rompimento político entre Brasil e Portugal não se traduziu imediatamente em controle efetivo do território. Em diversas províncias, tropas portuguesas permaneceram em posição de resistência, dando continuidade à Guerra da Independência do Brasil.[43]

Os principais focos de confronto concentraram-se nas províncias da Bahia, do Maranhão, do Piauí, do Grão-Pará e da Cisplatina. Nessas regiões, a presença de guarnições portuguesas e de oficiais leais a Lisboa prolongou os combates até 1823.[44]

Na Bahia, os confrontos adquiriram grande intensidade, culminando na retirada definitiva das tropas portuguesas em 2 de julho de 1823, data que passou a ser celebrada como marco da consolidação da independência na província. A participação de civis, milícias locais e figuras como Maria Quitéria tornou-se elemento central da memória histórica do conflito.[45][46]

Diante da fragilidade militar inicial do novo Estado, o governo brasileiro recorreu ao recrutamento de mercenários estrangeiros e à contratação de oficiais experientes, sobretudo europeus, para estruturar o exército e a marinha. Essas medidas foram fundamentais para neutralizar a resistência portuguesa e garantir a adesão das províncias remanescentes ao Império do Brasil.[47]

Em 1823, com a derrota das últimas forças portuguesas no norte do país, o governo imperial consolidou o controle territorial, criando as condições políticas e militares necessárias para a etapa seguinte: o reconhecimento internacional da independência brasileira.[48]

Reconhecimento diplomático

Encerrada a fase mais intensa dos confrontos armados, a independência do Brasil passou a depender do reconhecimento diplomático das principais potências internacionais. A legitimidade do novo Estado no sistema internacional exigia a aceitação formal de sua soberania, especialmente por Portugal e pela Grã-Bretanha, atores centrais nas relações atlânticas do período.[49]

Durante décadas, a historiografia sustentou que os Estados Unidos teriam sido o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência brasileira, em 1824, em consonância com os princípios da Doutrina Monroe. Estudos mais recentes, contudo, indicam que outros Estados, como o Reino do Daomé e as Províncias Unidas do Rio da Prata, estabeleceram contatos diplomáticos com o Brasil em momento anterior ou concomitante, relativizando essa interpretação tradicional.[50][51]

A mediação britânica foi decisiva para o reconhecimento formal por Portugal. Interessada em preservar seus privilégios comerciais no Brasil e manter a aliança histórica com Lisboa, a Grã-Bretanha atuou como intermediária nas negociações entre os dois países.[52]

O processo resultou na assinatura do Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal em 29 de agosto de 1825, pelo qual Portugal reconheceu oficialmente a independência brasileira. Em contrapartida, o Brasil comprometeu-se ao pagamento de uma indenização financeira e à celebração de acordos comerciais favoráveis aos interesses britânicos.[53][54]

Com o reconhecimento internacional, a independência do Brasil foi juridicamente consolidada, permitindo ao Império do Brasil integrar-se plenamente ao sistema diplomático do século XIX, ainda que sob condicionantes econômicas e políticas herdadas do período colonial.[55]

Desdobramentos políticos e sociais

Exército do Império do Brasil ataca as forças confederadas no Recife, em 1824, no contexto da Confederação do Equador, principal reação contra a política centralizadora de Pedro I

O processo de independência do Brasil preservou, em larga medida, as estruturas sociais, econômicas e políticas herdadas do período colonial. Diferentemente de outras experiências latino-americanas marcadas por rupturas institucionais profundas, a separação brasileira ocorreu sob a forma de uma monarquia constitucional, garantindo a continuidade das elites agrárias e escravistas no controle do poder político.[56][57]

A manutenção da escravidão, do latifúndio e da economia voltada para a exportação de produtos primários foi um dos elementos centrais desse processo. Embora setores ilustrados defendessem reformas mais amplas, como a gradual abolição do trabalho escravizado e a reorganização do Estado, tais propostas não prevaleceram no arranjo político consolidado após 1822.[58][59]

No plano político, a independência resultou na centralização do poder em torno da figura do imperador Pedro I, cuja autoridade foi reforçada pelo caráter simbólico da aclamação e pela ausência imediata de instituições representativas plenamente consolidadas. Tensões entre projetos centralizadores e autonomistas permaneceram latentes ao longo do Primeiro Reinado, manifestando-se em conflitos como a Confederação do Equador de 1824.[60][61]

Crise econômica

A independência política não foi acompanhada por estabilidade econômica imediata. O novo Estado brasileiro herdou uma situação financeira frágil, agravada pelos custos da guerra, pelas indenizações pagas a Portugal e pela dependência de empréstimos externos, sobretudo junto a casas bancárias britânicas.[62]

A necessidade de obter reconhecimento internacional levou o governo imperial a contrair empréstimos vultosos a partir de 1824, comprometendo parte significativa da receita pública com o pagamento de juros e amortizações. Esse endividamento precoce limitou a capacidade de investimento do Estado e aprofundou a dependência econômica em relação à Grã-Bretanha.[63]

A crise também afetou instituições financeiras criadas no período joanino. O Banco do Brasil, fundado em 1808, entrou em colapso em 1829, refletindo a desorganização fiscal e monetária do período pós-independência. A recuperação econômica do país somente se esboçaria de forma mais consistente a partir da expansão do ciclo do café nas décadas seguintes.[64][65]

Representações culturais e memória histórica

Desde o século XIX, a Independência do Brasil tornou-se objeto de intensa elaboração simbólica, sendo incorporada à cultura política e à memória nacional por meio de datas comemorativas, monumentos, hinos e representações artísticas. A consagração do 7 de setembro como data cívica ocorreu progressivamente, consolidando-se ao longo do período imperial.[42][66]

No campo das artes visuais, a pintura Independência ou Morte (Pedro Américo), realizada por Pedro Américo em 1888, adquiriu status de imagem canônica da independência. A obra contribuiu para a construção de uma narrativa heroica e centralizada na figura do monarca, apresentando o Grito do Ipiranga como ato fundador da nacionalidade.[67][68]


Moeda de 1 000 réis de 1922 comemorando a independência


A historiografia contemporânea, contudo, tem problematizado essa representação, destacando o caráter processual da independência e a participação de diferentes atores sociais. Produções artísticas alternativas, como Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque, e Primeiros Sons do Hino da Independência, de Augusto Bracet, deslocaram o protagonismo exclusivo de Pedro I, enfatizando o papel de Maria Leopoldina e dos bastidores políticos do processo.[69][70]

No cinema e na cultura popular, a independência foi reinterpretada sob diferentes chaves narrativas, variando entre abordagens épicas e leituras críticas ou satíricas, refletindo as disputas em torno da memória histórica e da identidade nacional brasileira.[71]

Pintura

A pintura Independência ou Morte (Pedro Américo), de Pedro Américo, aparece constantemente em livros didáticos no Brasil, tornando-se assim uma "imagem canônica" no ensino de história do Brasil.[67] Nos livros, a pintura serve para ilustrar o ato de fundação da nacionalidade brasileira, mostrando que a passagem para a situação da independência é o resultado de um brado.[72] Essa interpretação, recorrente, representa o grito do Ipiranga como uma direção, num ato personalizado e centralizado no monarca.[73]

A obra de Pedro Américo tornou-se representação oficial da independência, às vezes a referência a ser desconstruída, para a representação da Independência do Brasil. Tal importância fez com que esta influenciasse outras produções, dentre as quais se destaca o frontão do Monumento à Independência do Brasil, que emula a obra de Américo.[69] Mas também, criar uma versão alternativa à do heroísmo e do triunfalismo de Pedro, retratados por Américo, marcou, por exemplo, a produção de obras de destaque em exposições para a celebração do Centenário da Independência do Brasil, como Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque, e Hino da Independência, de Augusto Bracet. No quadro de Albuquerque, o protagonismo da declaração da independência é assumido por Maria Leopoldina, numa cena em que ela aparece deliberando com o Conselho dos Procuradores Gerais das Províncias do Brasil a orientação para que Pedro encerrasse a colonização do Brasil por Portugal. No quadro de Bracet, Pedro aparece como protagonista da separação com Portugal, mas num ambiente doméstico e numa atitude jovial, compondo o Hino da Independência.[70]

Cinema

Ver também

Referências

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Bibliografia

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Leituras complementares

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Ligações externas