2.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral

2.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral
País Brasil
CorporaçãoBrasão da Marinha Marinha do Brasil
SubordinaçãoComando da Força Aeronaval[1]
SiglaHU-2
Criação18 de setembro de 1986
Logística
Aeronaves10 Super Cougar (2023)[2]
Sede
GuarniçãoSão Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro

O 2.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2) é uma unidade da Força Aeronaval da Marinha do Brasil sediada na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. Ele atualmente opera aeronaves EC725 Super Cougar, designadas UH-15, UH-15A e AH-15B no Brasil, e historicamente o UH-14 Super Puma, de sua ativação em 1988 até 2018. Suas aeronaves são as maiores da Marinha e têm missões variadas de transporte de tropas e de carga, busca e salvamento e esclarecimento marítimo, entre outras. A variedade operacional do Super Cougar, a AH-15B, é armada de mísseis Exocet AM39.

Helicópteros

Super Puma

UH-14 de matrícula N-7077 decola do Minas Gerais

O esquadrão foi criado em 18 de setembro de 1986 e ativado em 25 de fevereiro de 1988 com o recebimento dos helicópteros UH-14 Super Puma,[3] designação da Marinha do Brasil para o Airbus AS 332F1, a versão "navalizada" (Frégate) do helicóptero da empresa francesa Aérospatiale. O contrato foi assinado em 1985, aviadores e mecânicos foram enviados à França em 1986 e um núcleo para a formação de pilotos foi instalado em março de 1987. As aeronaves chegaram ao Brasil entre abril de 1987 e fevereiro de 1988. O novo esquadrão dividiu dependências com o 1.º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1) até a construção do hangar n.° 5 da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, em setembro.[4]

O contrato original era de seis AS 332F1, matriculados com os números N-7070 a N-7075. Em abril de 1994 vieram mais dois aparelhos, matriculados N-7076 e N-7077, que o fabricante agora designava AS 532 Mk1 Cougar. No Brasil, todos eram "UH-14". O N-7072 seria perdido num acidente em 18 de setembro de 1990. A versão naval brasileira do Super Puma recebeu do fabricante algumas adaptações para a operação embarcada no porta-aviões Minas Gerais (A-11), principalmente a capacidade de dobrar parte da cauda para a lateral e o recolhimento das pás do rotor principal para trás.[4] Os Super Puma serviram até 2018. Além da Marinha, a Força Aérea Brasileira operou o AS332 M/M1, e a Aviação do Exército Brasileiro, o AS532UE.[5]

Super Cougar

AH-15B armado com um míssil Exocet

No final de 2008 o Brasil e a França assinaram um acordo para a produção de cinquenta helicópteros EC 725 Super Cougar, ou H225M, derrotando outros dois concorrentes no programa H-X BR, o AgustaWestland EH101 e o Mil Mi-17. Pesaram a seu favor o uso prévio do Super Puma, do qual o Cougar é uma versão atualizada, e as boas relações com a França; o mesmo acordo deu origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos, e discutia-se a compra de caças Rafale. Os helicópteros seriam produzidos sob licença pela Helibras. A Força Aérea Brasileira receberia dezoito, e a Aviação Naval e Aviação do Exército, dezesseis cada,[6][7] o que abre possibilidades futuras de interoperabilidade.[8]

Para a Marinha, o contrato foi de oito aeronaves na versão básica, designada UH-15, três numa versão intermediária de busca e resgate de combate (UH-15A) e cinco numa versão operacional (AH-15B).[3] Os UH-15 têm matrículas de N-7101 em diante, os UH-15A, a partir de N-7201, e os AH-15B, a partir de N-4101.[2][9] Em maio de 2022 a Marinha reduziu em um AH-15B seu pedido, trocando-o por mais helicópteros UH-12 Esquilo. O AH-15B é justamente a versão mais cara.[10] Os planos originais eram de adquirir, a longo prazo, 37 helicópteros desse modelo, com os quais seriam formados três novos esquadrões.[11]

A primeira unidade foi entregue em 2014.[12] 14 aeronaves já haviam sido entregues ao final de 2022, incluindo três AH-15B.[13][14] A quarta e última AH-15B estava em testes de voo em agosto de 2025.[15] Os helicópteros foram divididos entre o HU-2, o 1.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte (HU-41) e o 2.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Sul (HU-51).[1] Em janeiro de 2023 o HU-2 operava com dez helicópteros.[2] Um de seus UH-15, de matrícula N-7016, caiu na Operação Formosa de 2023, deixando dois mortos e doze feridos.[16][17]

Missões e capacidades

Lançamento noturno de flare

A criação do HU-2 atendia a uma necessidade de aeronaves de emprego geral de porte maior do que os pequenos UH-12 Esquilo do 1.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1).[3] Desde a desativação dos Sikorsky S-55 e S-58, os trabalhos pesados haviam caído para os Sikorsky SH-3 Sea King do HS-1, obstruindo suas funções principais.[4] A partir de então, as principais funções do HU-2 foram o transporte de fuzileiros navais e a guarda de aeronaves noturna em porta-aviões. Ele também pode realizar transporte de carga, evacuação aeromédica, combate a incêndio e busca e salvamento.[4][12]

Para transporte de tropas, o Super Puma tinha capacidade para até vinte militares com seus equipamentos individuais, e o Super Cougar acomoda até 28. Para operações especiais, como as realizadas pelo Batalhão Tonelero e o Grupamento de Mergulhadores de Combate, os pousos convencionais dão lugar a técnicas como fast rope, rapel, penca e lançamentos de paraquedistas, muitas vezes navegando a baixa altitude e de noite. Para o transporte de carga externa, o Super Puma tinha capacidade de até três toneladas, e o Super Cougar, 3,8.[9] São os helicópteros mais requisitados para o transporte de fuzileiros navais. Em São Pedro da Aldeia, o HU-2 e HS-1 revezam mensalmente a prontidão de uma aeronave para atender a qualquer pedido imprevisto de transporte ou evacuação aeromédica, com o helicóptero já configurado com maca e espaço para uma equipe médica.[18]

Exercício de rapel com um UH-15

Os Super Cougar são as maiores aeronaves da Marinha[18] e só embarcam em alguns navios. Em 2023, eram o Atlântico (A140), Bahia (G40), Almirante Saboia (G25), Mattoso Maia (G28) e fragatas da classe Niterói.[1] Historicamente os Super Puma embarcaram em porta-aviões como o São Paulo (A-12).[7] Em terra, o esquadrão já operou na Amazônia, Pantanal, Cerrado e Caatinga.[9]

O Super Puma tinha uma capacidade de esclarecimento marítimo através do seu radar meterológico Bendix RDR 1400C, mas não equipava mísseis.[4] Esta capacidade distingue o AH-15B ou H255M Naval, a versão mais complexa do Super Cougar, desenvolvida especificamente para a Marinha. Ele conta com sistemas de ataque antinavio modernos: mísseis Exocet AM39 B2M2, sistema "chaff & flare", radar tático APS-143 e equipamento FLIR Star Safire III, integrados por um sistema de gerenciamento de dados táticos de missão (NTDMS).[19][20][21] Estas capacidades igualam o AH-15B ao SH-16 Seahawk em esclarecimento marítimo e o superam em combate antissuperfície, potencialmente letal contra navios inimigos. O UH-15A não tem esse armamento, mas pode sobreviver em ambientes hostis com seu sistema de detecção de ameças infravermelho, radar e laser, supressor de calor dos motores e lançadores de "chaff & Flare".[8]

Referências

  1. a b c Caiafa, Roberto (20 de julho de 2023). «A completa e versátil aeronave de asa rotativa da Marinha do Brasil». InfoDefensa. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  2. a b c Wiltgen, Guilherme (6 de janeiro de 2023). «Esquadrão HU-2 realizou voo em esquadrilha com nove helicópteros H225M». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  3. a b c FGV Projetos (2016). 100 anos da Aviação Naval (PDF). Rio de Janeiro: FGV Projetos e ComForAerNav . p. 128, 221.
  4. a b c d e «Aerospatiale AS 332F1 Super Puma / Eurocopter AS 532 MK1 Cougar». Poder Naval. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  5. Wiltgen, Guilherme (6 de outubro de 2022). «Batalhão de Manutenção da AvEx atinge 75% de disponibilidade do HM-3 Cougar». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  6. Müller, Gustavo (março de 2010). «A parceria estratégica Brasil-França (2005-2009): condicionantes e perspectivas». Porto Alegre: Centro Estudantil de Relações Internacionais da UFRGS. Perspectiva (4) . p. 25.
  7. a b «Brazil's $1B+ Order for EC725 Cougar Helicopters». Defense Industry Daily. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  8. a b Leite, Humberto (2020). «No radar da Marinha» (PDF). Revista Asas (Edição especial (105): Força Aeronaval da Marinha do Brasil) . p. 82, 88.
  9. a b c Caiafa, Roberto (20 de setembro de 2017). «31 anos do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2)». Tecnologia & Defesa. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  10. Wiltgen, Guilherme (23 de maio de 2022). «Projeto TH-X: Marinha e FAB vão receber helicópteros Esquilo em troca de H225M». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 19 de janeiro de 2023 
  11. Lopes, Roberto (2014). As garras do cisne: o ambicioso plano da Marinha brasileira de se transformar na nona frota mais poderosa do mundo. Rio de Janeiro: Record . Livro II, cap. 14.
  12. a b Wiltgen, Guilherme (18 de setembro de 2021). «Esquadrão HU-2 completa 35 anos». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  13. «Marinha recebeu segunda aeronave Super Cougar versão AH-15B». Marinha do Brasil. 24 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 25 de janeiro de 2022 
  14. Basseto, Murilo (22 de dezembro de 2022). «Marinha recebe a terceira aeronave AH-15B para o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral». AeroIn. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  15. Padilha, Luiz (21 de agosto de 2025). «Novo helicóptero da Marinha do Brasil Airbus H225M (AH-15B Super Cougar - N-4104) Vôo de ensaio». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  16. Sobrinho, Augusto; Santana, Victor (8 de agosto de 2023). «Helicóptero da Marinha cai em Formosa durante treinamento e deixa dois mortos». G1 Goiás. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  17. Martins, Carlos (8 de agosto de 2023). «Helicóptero da Marinha do Brasil acidenta-se em Formosa (GO) e dois militares morrem». AeroIn. Consultado em 2 de setembro de 2025 
  18. a b Leite, Humberto (2020). «Olhos, ouvidos e garras da esquadra» (PDF). Revista Asas (Edição especial (105): Força Aeronaval da Marinha do Brasil). Consultado em 22 de janeiro de 2023 . p. 46-48.
  19. Wiltgen, Guilherme (24 de novembro de 2021). «Helibras entrega o primeiro H225M Naval à Marinha». Defesa Aérea & Naval. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  20. Galante, Alexandre (28 de junho de 2021). «MISSILEX 2021: Lançamento de míssil antinavio AM39 Exocet por helicóptero AH-15B contra o casco da ex-corveta Jaceguai». Poder Naval. Consultado em 20 de janeiro de 2023 
  21. Donald, David (25 de novembro de 2021). «Airbus delivers first naval combat H225M to Brazil». Aviation International News. Consultado em 2 de setembro de 2025