Complexo Penitenciário Nelson Hungria

O Complexo Penitenciário Nelson Hungria (CPNH), localizado no município de Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, é a maior unidade do sistema prisional do estado de Minas Gerais.[1]

Histórico

A construção da penitenciária foi concluída em 1987, e sua inauguração ocorreu em 09 de abril de 1988 após uma rebelião em Ribeirão das Neves, quando parte dos detentos daquela unidade foi transferida para o novo estabelecimento. Desde o início, o objetivo da Penitenciária Nelson Hungria foi abrigar presos condenados de alta periculosidade e que, por motivos diversos, precisavam de isolamento.[1][2]

A escolha do nome “Nelson Hungria” remete ao jurista Nelson Hungria (1891‑1969), importante penalista brasileiro.[2]

A estrutura física da penitenciária foi concebida para comportar cerca de 1.600 presos em uma área de aproximadamente 28.300 metros quadrados, distribuída em 12 pavilhões e quatro anexos. Cada pavilhão foi projetado para abrigar de 130 a 140 detentos, enquanto os anexos possuíam capacidade superior — os anexos 1 e 2 comportavam até 256 presos cada, e os anexos 3 e 4, cerca de 160. A unidade foi cercada por muros de concreto de aproximadamente 1,7 km de extensão e 7 metros de altura, contando ainda com guaritas de vigilância ao longo de todo o perímetro. Ao longo dos anos, essa estrutura passou por diversas reformas e ampliações para atender às crescentes demandas de segurança e capacidade.[2]

Nos primeiros anos de funcionamento, a PNH representava um avanço no sistema prisional mineiro, com arquitetura moderna para a época e maior controle sobre a população carcerária. Contudo, já nos anos 1990 e 2000 começaram a surgir os primeiros sinais de superlotação e deterioração das condições físicas. Em 2000 e 2001, foram registradas seis rebeliões, o que expôs a fragilidade da segurança interna e as deficiências de efetivo.[3]

Em fevereiro de 2013, ocorreu um dos episódios mais marcantes da história da Nelson Hungria: uma rebelião de 90 presos no Pavilhão 1, que mantiveram uma professora e um agente penitenciário como reféns por mais de 24 horas. O motim teve início após restrições impostas nas visitas íntimas e reclamações sobre o excesso de presos. A situação foi controlada apenas no dia seguinte, após longas negociações com a polícia. O episódio repercutiu nacionalmente e reacendeu o debate sobre a precariedade do sistema penitenciário mineiro.[4]

Em 2017, foi reformado e ampliado o Centro de Observação Criminológica (COC), setor responsável pela triagem e avaliação dos presos que ingressam na unidade. Entre 2019 e 2024, ocorreu uma ampla reforma das muralhas e guaritas externas, com investimento de cerca de R$ 13,7 milhões.[5]

Em 2024, a população prisional da Nelson Hungria era de 2.690 presos, cerca de 61% acima da capacidade original. Diante disso, a Justiça mineira determinou a interdição parcial da unidade, limitando o número de internos a 2.200 até que houvesse readequação estrutural e reforço no efetivo, tendo em vista a previsão de exoneração de 142 agentes de segurança prisional. Em maio de 2025, a Justiça determinou a desinterdição da unidade[6][7]

Referências

  1. a b «CRISP». www.crisp.ufmg.br. Consultado em 30 de outubro de 2025 
  2. a b c Eduardo Lucas de Almeida (2021). «A GOVERNANÇA DA ORDEM INTERNA NO SISTEMA PRISIONAL: o caso da penitenciária Nelson Hungria, Contagem (MG)» (PDF) 
  3. Diniz, Alexandre-Magno-Alves; Oliveira, Victor; Duarte, Thais; Ribeiro, Ludmila; Diniz, Alexandre-Magno-Alves; Oliveira, Victor; Duarte, Thais; Ribeiro, Ludmila (fevereiro de 2023). «Territórios do cárcere: a realidade do Complexo Penitenciário Nelson Hungria». EURE (Santiago) (146): 1–21. ISSN 0250-7161. doi:10.7764/eure.49.146.10. Consultado em 30 de outubro de 2025 
  4. MG, Pedro CunhaDo G1 (22 de fevereiro de 2013). «Após 31 horas, termina rebelião na Penitenciária Nelson Hungria». Minas Gerais. Consultado em 30 de outubro de 2025 
  5. ASCOM (29 de dezembro de 2017). «Complexo Penitenciário Nelson Hungria reforma e amplia capacidade do Centro de Observação Criminológica». DEPEN - Departamento Penitenciário de Minas Gerais. Consultado em 30 de outubro de 2025 
  6. «Justiça determina interdição parcial da maior penitenciária de Minas Gerais». G1. 17 de dezembro de 2024. Consultado em 30 de outubro de 2025 
  7. «Justiça determina desinterdição da maior penitenciária de Minas Gerais». G1. 31 de maio de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025