Caso Marcus Vinícius
| Caso Marcus Vinícius | |
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| Local do crime | Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no Brasil |
| Data | 20 de junho de 2018 |
| Tipo de crime | Assassinato |
| Arma(s) | Arma de fogo |
| Vítimas | Marcus Vinícius da Silva |
O caso Marcus Vinícius foi a morte do adolescente Marcus Vinícius da Silva, de 14 anos, alvejado por um disparo de arma de fogo efetuado pela Polícia Militar,[1] no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 20 de junho de 2018, durante a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018, quando ele ia para escola, vestido com o uniforme escolar.[2] O adolescente chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré[3] e transferido para o hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.[4]
Sua mãe afirma que o adolescente teria afirmado que teria sido alvejado por policiais enquanto estava no leito no hospital:
| “ | Quando eu cheguei na UPA, ele ainda estava com vida e me disse: ‘Mãe, tomei um tiro’. Eu falei pra ele: ‘Não fala, fica calado’. Ele respondeu: ‘Eu sei quem atirou em mim, eu vi. Foi o blindado, ele não me viu com a roupa de escola’. Aí eu falei: ‘Fica calado pra você ganhar fôlego e não te prejudicar’. Foi quando ele começou a gemer. | ” |
— Bruna da Silva, mãe de Marcus Vinícius[5].
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Esta versão também é corroborada por uma testemunha.[1]
Houve protestos dos moradores[6] na noite e madrugada seguintes à sua execução, com bloqueios viários e veículos incendiados.[4] Seu velório foi no dia seguinte no Palácio da Cidade[7] e o enterro no Cemitério de São João Batista, com a caixão coberto com sua camisa do uniforme escolar alvejada e manchada de sangue,[8] contando com a presença do então prefeito Marcelo Crivella.[5]
Sua morte foi ainda alvo de fake news, com o argumento falso de que Marcus Vinícius seria traficante. As mensagens compartilhadas em redes sociais foram comprovadas falsas.[8][9] Após prestar depoimento à polícia, Bruna declararia a imprensa que
| “ | Criaram um grupo na Internet para dizer que meu filho tinha envolvimento com o tráfico. Perdi meu filho e é uma dor. Essa é uma segunda dor. Agora eu tenho que provar pro estado que meu filho não era bandido, que ele era estudante e estava indo pra escola. | ” |
— Bruna da Silva, mãe de Marcus Vinícius[10].
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Quatro anos após a morte, a Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pela investigação do caso, ainda não havia encaminhado o mesmo à Justiça.[11] Menos de uma semana antes da data marcada para um depoimento, uma das testemunhas foi alvejada pela polícia,[12] tendo morrido antes de receber socorro.[13]
Desde a morte de Marcus Vinícius, Bruna se dedica a buscar justiça.[14][15] É integrante do Movimento Mães da Maré, que reúne outras mães de pessoas mortas em confrontos na comunidade. Divulga o caso internacionalmente, já tendo palestrado nas Nações Unidas em Genebra, na Suíça.[16]
| “ | (...) a principal testemunha do caso do meu filho, José Henrique da Silva, foi morto pela polícia e os policiais atribuíram a ele a posse de uma mochila com armas e drogas que foi apreendida antes, sob posse de outra pessoa. | ” |
— Bruna da Silva, mãe de Marcus Vinícius[16].
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Sete anos após a sua morte, nenhum policial foi responsabilizado e o caso segue em segredo de justiça. Em um processo judicial,[17] o Governo do Estado foi condenado pela Justiça a pagar uma indenização à mãe de Marcus Vinícius, mas recorreu.[18]
Repercussão
Em 2025, o documentário Meu Caminho até a Escola, dirigido por Diego Jesus, relatando o caso, com entrevista de Bruna da Silva,[19] foi lançado no Festival de Documentários de Cachoeira.[20][21][22]
Referências
- ↑ a b Grellet, Fábio (22 de junho de 2018). «Testemunha afirma que tiro contra estudante morto na Maré partiu da polícia». Terra. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Calado, Nadedja (21 de junho de 2018). «'Como eles não viram o uniforme escolar?', indaga o pai de adolescente morto na Maré». O Dia. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ «Adolescente é baleado e 6 suspeitos são mortos na Maré, Rio». G1. 20 de junho de 2018. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ a b «Morre adolescente baleado na Maré, e moradores protestam e incendeiam ônibus». G1
- ↑ a b Rodrigues, Matheus (21 de junho de 2018). «Adolescente morto na Maré é enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo». G1. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Deister, Jaqueline (28 de junho de 2018). «Assassinato de Marcos Vinícius não é caso isolado». Brasil de Fato. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Ouchana, Giselle (21 de junho de 2018). «'Vou fazer desse pedaço de pano um instrumento de Justiça', diz, durante velório, mãe de jovem morto na Maré». O Globo. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ a b da Rosa, Ana Paula. «A imagem em circulação: estilhaçando o olhar e a memória». Midiatização, polarização e intolerância (entre ambientes, meios e circulações) (PDF). [S.l.]: Universidade Federal de Santa Maria. p. 187-208. 358 páginas. Arquivado do original (PDF) em 16 de junho de 2022
- ↑ «Marcus Vinicius Silva, o jovem baleado no Complexo da Maré, foi fotografado segurando uma submetralhadora? É falso.». AFP. 27 de junho de 2018. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Nascimento, Rafael (25 de junho de 2018). «Mãe de adolescente morto na Maré presta depoimento». O Dia. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Anjos, Marcus Vinicius; Boechat, Isabel (20 de junho de 2022). «Familiares de adolescente morto em operação na Maré aguardam por justiça há quatro anos». G1. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Espirito Santo, Thaís; Teixeira, Monica; Portes, Alice (27 de setembro de 2022). «Família diz que homem morto em operação na Maré era inocente e trabalhava como barraqueiro». G1. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Cardoso, Lucas; Belloube, Júlia (28 de setembro de 2022). «Viúva desabafa após morte de barraqueiro: 'Eles acham que todo mundo ali é traficante'». O Dia
- ↑ Lemos, Marcela (6 de setembro de 2019). «1 ano após morte: "Muitos Marcos Vinícius morrem a cada dia", diz mãe». UOL. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ da Silva, Nathália (21 de junho de 2021). «Sem reparação do Estado, mãe de Marcus Vinicius, morto pela CORE-RJ, segue lutando por Justiça desde 2018». Notícia Preta. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ a b «Em Genebra, defensora de direitos humanos da Maré/RJ ressalta violações nas investigações de crimes do Estado». Justiça Global. 18 de setembro de 2023. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Resende, Dayana. «Família de jovem morto na Maré entra com ação contra o estado». O Globo. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ Castro, Danilo (25 de junho de 2025). «Sete anos depois, mãe de Marcus Vinícius ainda segue em busca de Justiça». Voz das Comunidades. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ «Meu Caminho Até a Escola». Maré Online. 20 de junho de 2021
- ↑ «X CachoeiraDoc – Festival de Documentários de Cachoeira». 4 de junho de 2025. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ «Mostra Competitiva de Longas». X CachoeiraDoc. Consultado em 1 de julho de 2025
- ↑ «CachoeiraDoc discute a violência policial contra jovens negros e negras nas periferias com o longa 'Meu Caminho Até a Escola'». Afro.tv. 13 de junho de 2025. Consultado em 1 de julho de 2025
Bibliografia
- da Rosa, Ana Paula. «A imagem em circulação: estilhaçando o olhar e a memória». Midiatização, polarização e intolerância (entre ambientes, meios e circulações) (PDF). [S.l.]: Universidade Federal de Santa Maria. p. 187-208. 358 páginas. Arquivado do original (PDF) em 16 de junho de 2022
