Assassinato de Fernando Vilaça
| Assassinato de Fernando Vilaça | |
|---|---|
![]() Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos, assassinado em 2025. | |
| Local do crime | Rua Três Poderes, Bairro Gilberto Mestrinho, Zona leste de Manaus, Amazonas, Brasil |
| Coordenadas | 🌍 |
| Data | 3 de julho de 2025 (7 meses) |
| Tipo de crime | |
| Mortos | 1 (A vítima) |
| Réu(s) | 2 adolescentes |
| Promotor | Leda Mara Nascimento Albuquerque (Procuradora-geral de Justiça do Estado do Amazonas[1]) |
| Juiz | Eliézer Fernandes Júnior |
| Local do julgamento | Juizado da Infância e Juventude Infracional do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas |
| Consequência | Os dois adolescentes responsáveis foram punidos com a medida socioeducativa máxima prevista no Estatuto da Criança e Adolescente |
No dia 3 de julho de 2025, na rua Três Poderes, no bairro Gilberto Mestrinho, zona leste de Manaus, Amazonas, o secundarista brasileiro Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos de idade, foi espancado após reagir às ofensas de cunho homofóbico proferidas por dois primos durante uma confraternização em via pública.[2][3][4] Após dois dias internado em estado grave com traumatismo craniano, hemorragia intracraniana e edema cerebral, Vilaça não resistiu e faleceu no dia 5 de julho.[5] O crime gerou repercussão nacional, sendo repudiado por diversas personalidades e entidades ligadas aos direitos humanos, além de autoridades como a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo e a deputada federal por São Paulo, Erika Hilton.[6][7][8][9] O Ministério Público do Estado do Amazonas representou para com o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, uma internação por vias de medidas socioeducativas para os dois adolescentes responsáveis pelo crime. O titular do Juizado da Infância e Juventude Infracional, juiz Eliézer Fernandes Júnior acatou a representação, determinando a punição máxima prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.[10][11]
Assassinato
No dia 3 de julho de 2025, o adolescente Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos de idade, após sair para comprar pão e leite, quando sofreu novamente injúrias e ofensas homofóbicas por outros dois adolescentes, que são primos; todavia, Vilaça reagiu às ofensas, querendo saber a razão das mesmas, e acabou por ser agredido.[12] Conforme depoimentos, investigações, e o inquérito da Polícia Civil do Estado do Amazonas, concluiu-se que Vilaça sofreu agressões físicas, como chutes e socos, e em um desses chutes, ele sofreu uma queda no chão e teve uma convulsão. Imagens de uma câmera de segurança e de testemunhas mostraram que os agressores de Fernando fugiram, deixando-o ferido e convulsionado.[13]
Vilaça chegou a ser socorrido, sendo inicialmente levado ao Hospital e Pronto-Socorro Dr. Aristóteles Bezerra Platão de Araújo, seguindo por uma transferência para o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado; ele passou por uma cirurgia de controle de danos e permaneceu internado durante dois dias, em estado grave, porém o adolescente teve traumatismo craniano, hemorragia intracraniana e edema cerebral, acabando por não sobreviver e falecendo em 5 de julho de 2025, conforme perícia do Instituto Médico Legal.[14][15]
Consequências e penalizações
No dia 9 de julho, um adolescente de 16 anos se declarou como um dos responsáveis pelo assassinato de Fernando Vilaça, se entregando à Polícia Civil.[16] No dia 15 de julho, o advogado de defesa da família de Vilaça, Alexandre Torres Jr e a própria Polícia Civil do Amazonas, confirmaram a apreensão do segundo responsável pelo homicídio, que também é primo do seu cúmplice. O adolescente declarou que só reagiu a Fernando Vilaça, porém a Polícia descartou tal possibilidade em seu inquérito.[13]
Por fim, ao lado do advogado da família, o Ministério Público do Estado do Amazonas abriu uma representação para com o Tribunal de Justiça do Estado, solicitando a aplicação de punição máxima prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. A representação foi acatada pelo TJ, que por meio de seu juiz titular do Juizado da Infância e Juventude Infracional, Eliézer Fernandes Júnior, decidiu pela aplicação da internação dos dois adolescentes, como forma de medida socioeducativa.[10][17][18]
Reações
Brasil: Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, emitiu nota de pesar pela morte do jovem por meio do site oficial do Governo federal do Brasil, o gov.br, na qual declara:[nota 1]
| “ | O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, manifesta seu profundo pesar e solidariedade à família e à comunidade do jovem Fernando Vilaça da Silva, adolescente de 17 anos, brutalmente assassinado em um episódio de violência homofóbica no estado do Amazonas. Na madrugada de sic 5 de julho de 2025, no bairro Gilberto Mestrinho, zona leste de Manaus (AM), Fernando foi espancado após reagir a ofensas de cunho homofóbico proferidas por um grupo de indivíduos durante uma confraternização em via pública. Após três dias internado em estado grave com traumatismo craniano, hemorragia intracraniana e edema cerebral, o jovem não resistiu e faleceu no dia sic 7 de julho. Tais atos atentam diretamente contra os fundamentos constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade e da liberdade, representando também crimes previstos em nossa legislação penal, incluindo o homicídio qualificado por motivo torpe e os crimes de LGBTQIAfobia, reconhecidos como formas de racismo pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26/2019. O MDHC reforça seu compromisso com a defesa da vida e dos direitos das pessoas LGBTQIA+ e com o enfrentamento à violência motivada por ódio, preconceito e discriminação. Nos solidarizamos com os familiares de Fernando Vilaça da Silva, colocamo-nos à disposição para acompanhamento do caso e informamos que os encaminhamentos cabíveis já estão sendo realizados junto à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. Fernando Vilaça da Silva não será esquecido. Toda forma de violência LGBTfóbica deve ser combatida com rigor e com políticas públicas estruturantes. |
” |
— Nota de pesar do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
|
A deputada federal por São Paulo, Erika Hilton (PSOL), notável defensora dos Direitos LGBTIA no Brasil e primeira mulher trans e travesti a ser deputada federal do Brasil e São Paulo, repudiou o evento e acionou os órgãos federais como o próprio ministério dos Direitos Humanos no dia 7 de julho por via de suas redes sociais, em especial pelo Twitter.[19]
Erika Hilton @ErikakHilton Estou requerendo, ao Ministério dos Direitos Humanos, o acompanhamento da investigação da morte do menino Fernando Vilaça, assassinado aos 17 anos em um crime de motivação homofóbica em Manaus.
É inaceitável um jovem sair para comprar leite e, pela homofobia alheia, não voltar pra casa. É dilacerante pensar que uma pessoa, que tinha a vida toda pela frente, teve sua trajetória interrompida por questionar o porquê de estarem lhe chamando de "viadinho".
E é revoltante saber que, conforme a mídia local, pessoas a mando dos agressores - que já foram identificados e estão foragidos - compareceram ao velório de Fernando para filmar o caixão.
A atuação do Ministério dos Direitos Humanos é essencial. Por conta de uma presunção, do ódio, da LGBTfobia e da violência alheia, Fernando não teve nem seu direito à vida respeitado.
E agora, após a sua morte, sua família está tendo o direito ao luto, à dignidade e à justiça negados.
Aos familiares de Fernando, dedico os meus mais sinceros pêsames e coloco o meu mandato à disposição para tudo que nos for possível.7 de julho de 2025[20]
| Discurso de Erika Hilton na tribuna da Câmara dos Deputados do Brasil sobre a morte de Vilaça | |
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Mais tarde, no dia 9 de julho, Hilton utilizou a tribunal do Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados do Brasil para poder discursar e se pronunciar sobre o assassinato do adolescente Fernando Vilaça. A pessolista declarou que o país chora pela morte de Vilaça, exigindo em sua declaração "Parem de nos matar!" em referência à comunidade LGBT e ao caso de homofobia sofrido por Vilaça.[21]
Amazonas: O Defensor Público Geral do Estado, Rafael Barbosa prestou solidariedade à família e repudiou a violência, ao reafirmar a gravidade do assassinato, também referendou o acompanhamento das investigações.[15] Até a manhã de 8 de julho de 2025 (cinco dias depois do episódio), nenhuma autoridade eletiva do estado do Amazonas havia se pronunciado. Nem o governador, Wilson Miranda Lima nem seu vice, Tadeu de Souza se pronunciaram. Não houve declarações por parte do prefeito de Manaus, David Almeida. Os parlamentares federais e estaduais não se pronunciaram, por exceção de Amom Mandel, deputado federal do Cidadania, Roberto Cidade, deputado estadual do UNIÃO e o deputado estadual Comandante Dan, do partido Podemos, todavia apenas Roberto Cidade, então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas citou homofobia como a causa do crime. Já no dia 10 de julho, mais 3 deputadas estaduais repudiaram o acontecimento, sendo a deputada e procuradora especial da Criança e Adolescente, Débora Menezes, membro do Partido Liberal, que ofertou ajuda psicossocial para a família de Vilaça, além de auxiliar na articulação da operação da Polícia Civil; a parlamentar Mayra Dias, do Avante, que propôs o Projeto de Lei n.º 480/2024, que atualiza a Lei Estadual n.º 4.833/2019 e institui capacitação obrigatória para educadores na prevenção ao bullying e por fim, a companheira partidária de Roberto Cidade, deputada Joana Darc repudiou o assassinato e reafirmou seu compromisso para com a comunidade LGBTQ+. Darc é a autora do PL que planeja instituir um Disque-Bullyng, um canal permanente para denúncias de discriminações e intimidações. Cidade declarou em sua conta do Twitter o repúdio aos eventos.[22][23]
Roberto Cidade @RobertoCidadeAm UM CRIME BÁRBARO!
Um adolescente foi espancado até a morte por ser quem é. Isso é HOMOFOBIA. Isso é crime hediondo!
Nenhuma família deveria passar por uma dor assim. Meus sentimentos e apoio aos familiares.
8 de julho de 2025[24]
Ver também
Notas e referências
Notas
- ↑ As datas tanto da agressão quanto da morte de Vilaça foram divulgadas erroneamente, permanecendo incorretas no site gov.br, como pode ser visto na íntegra.
Referências
- ↑ Conte, Steven Castro. «Leda Mara toma posse como procuradora-geral de Justiça do MPAM». Ministério Público do Estado do Amazonas. Consultado em 22 de setembro de 2025
- ↑ Ramos, Caio (10 de julho de 2025). «Suspeitos de matar adolescente por homofobia são primos da vítima | Metrópoles». www.metropoles.com. Consultado em 4 de agosto de 2025
- ↑ «Entenda o caso de injúria homofóbica que levou à morte de adolescente em Manaus». G1. 11 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Rodrigues, Beatriz (22 de julho de 2025). «Corpos marcados para morrer». Le Monde Diplomatique Brasil. Consultado em 22 de setembro de 2025
- ↑ «Vídeo mostra jovens fugindo após agressão que matou adolescente de 17 anos em Manaus». G1. 7 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Furtado, Maria Eduarda (10 de julho de 2025). «'Não será esquecido', diz Erika Hilton após crime homofóbico». Agência Cenarium. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «Nota de pesar- 08.07.2025». Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania via gov.br. 8 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «Morte de adolescente espancado em Manaus mobiliza defensores de direitos humanos». Folha de S.Paulo. 9 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Litaiff, Paula (8 de julho de 2025). «O corpo de Fernando Vilaça e a punição social da diferença». Paula Litaiff. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ a b Costa, Lennon Jorge Gomes da. «Caso Fernando Vilaça: Justiça acata pedido do MPAM e determina internação de adolescentes autores do ato infracional». Ministério Público do Estado do Amazonas. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Leiros, Marcela (21 de agosto de 2025). «'Caso Fernando Vilaça': Justiça do AM determina internação de adolescentes». Revista Cenarium. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «O que se sabe sobre o caso do adolescente morto após reagir a ofensas homofóbicas». CartaCapital. 9 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ a b «Segundo adolescente suspeito de espancar jovem até a morte após injúria homofóbica é apreendido em Manaus». G1. 15 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «ALEAM - Comandante Dan defende a cultura de paz aos jovens como antídoto à violência». 10 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ a b Silva, Luana Carvalho da (8 de julho de 2025). «DPE-AM acompanha investigações sobre morte brutal de adolescente e reforça combate à homofobia». Defensoria Pública do Estado do Amazonas. Consultado em 20 de setembro de 2025
- ↑ «O que se sabe sobre morte de adolescente espancado em Manaus». G1. 10 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «Justiça manda internar primos por espancar adolescente até a morte em Manaus». G1. 20 de agosto de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «Acusados da morte de Fernando Vilaça são condenados e ficarão internados». 21 de agosto de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «Deputada federal solicita investigação federal sobre morte de jovem vítima de homofobia em Manaus». Jornal do Commercio. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Erika Hilton [@ErikakHilton] (7 de julho de 2025). «Estou requerendo, ao Ministério dos Direitos Humanos, o acompanhamento da investigação da morte do menino Fernando Vilaça, assassinado aos 17 anos em um crime de motivação homofóbica em Manaus.
É inaceitável um jovem sair para comprar leite e, pela homofobia alheia, não voltar pra casa. É dilacerante pensar que uma pessoa, que tinha a vida toda pela frente, teve sua trajetória interrompida por questionar o porquê de estarem lhe chamando de "viadinho".
E é revoltante saber que, conforme a mídia local, pessoas a mando dos agressores - que já foram identificados e estão foragidos - compareceram ao velório de Fernando para filmar o caixão.
A atuação do Ministério dos Direitos Humanos é essencial. Por conta de uma presunção, do ódio, da LGBTfobia e da violência alheia, Fernando não teve nem seu direito à vida respeitado.
E agora, após a sua morte, sua família está tendo o direito ao luto, à dignidade e à justiça negados.
Aos familiares de Fernando, dedico os meus mais sinceros pêsames e coloco o meu mandato à disposição para tudo que nos for possível.» (Tweet) – via Twitter - ↑ Furtado, Maria Eduarda (10 de julho de 2025). «'Não será esquecido', diz Erika Hilton após crime homofóbico». Agência Cenarium. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Santana, por Fred (8 de julho de 2025). «Políticos do Amazonas silenciam sobre morte de adolescente por homofobia». Vocativo. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ «ALEAM - Assembleia Legislativa do Amazonas destaca ações de combate ao bullying e à homofobia». 10 de julho de 2025. Consultado em 19 de setembro de 2025
- ↑ Roberto Cidade [@RobertoCidadeAm] (8 de julho de 2025). «UM CRIME BÁRBARO! Um adolescente foi espancado até a morte por ser quem é. Isso é HOMOFOBIA. Isso é crime hediondo! Nenhuma família deveria passar por uma dor assim. Meus sentimentos e apoio aos familiares.» (Tweet) – via Twitter
Ligações externas
- Nota de Pesar Gov.br

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