Caso Gabriel
| Caso Gabriel | |
|---|---|
| Local do crime | São Gabriel, Rio Grande do Sul |
| Data | 12 de agosto de 2022 |
| Vítimas | Gabriel Marques Cavalheiro |
| Réu(s) | Arleu Júnior Cardoso Raul Veras Pedroso Cléber Renato Ramos de Lima |
| Advogado de defesa | Ivandro Bitencourt Feijó (Cardoso) Vânia Barreto (Pedroso e Lima) |
| Situação | Réus presos preventivamente e indiciados por homicídio triplamente qualificado |
O caso Gabriel se refere à morte do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, em 12 de agosto de 2022, na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, pelo sargento Arleu Junior Jacobsen e os soldados Raul Veras Pedroso e Cleber de Lima .
Eles foram presos preventivamente em 23 de agosto do mesmo ano e no dia 05 de setembro de 2022 o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) os denunciou pelo pelo homicídio triplamente qualificado do jovem.[1]
Foram inocentados pelo crime na Justiça Militar em 2023, mas quase três anos depois, em 10 de julho de 2025, a Justiça [Civil] do RS decidiu que os três irão a júri popular.[2]
Biografia
Gabriel, que havia completado 18 anos no dia 14 de julho antes, morava com os pais Anderson da Silva Cavalheiro e Rosane Machado Marques em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo o Diário de Santa Maria, ele era membro do CTG Gomes Jardim e gostava da música tradicionalista do artista Baitaca. Era conhecido no bairro onde morava por gostar de jogar sinuca e em casa costumava assistir a séries de investigação criminal. O jovem acabou se mudando para São Gabriel para prestar serviço militar num quartel com cavalaria, já que gostava muito de cavalos. "Ele queria realizar o sonho de prestar serviço militar obrigatório em São Gabriel, bem como viver na cidade em que, desde criança, passava as férias e onde, na companhia de tios e primos, aprendeu a andar a cavalo e gostar dos afazeres do campo", reportou o Diário de Santa Maria também.[3][4]
Maria da Graça Medeiros da Silva, diretora do Colégio Estadual Cônego Scherer, última escola que ele havia frequentado, disse ao saber da sua morte: "era um menino alegre, agregador e como os colegas de turma dizem, pilar da turma. A família era presente na escola, sempre preocupada com a educação dele. Era um aluno com bom coração e que deixou boas lembranças e muitas saudades. Que a justiça seja feita".[3]
O crime
No dia 12 de agosto, por volta da meia-noite, Gabriel tentou entrar pelo portão de uma casa da vizinhança de onde morava com os parentes em São Gabriel, mas como a moradora não o conhecia por ele ser novo na cidade, chamou a Brigada Militar. Segundo dados levantados, ele antes teria estado num bar, onde havia consumido bebidas alcoólicas. Os policiais o abordaram, mas tiveram dificuldade em contê-lo, sendo tudo registrado pela moradora através de seu celular, até o momento em que ele foi levado para trás da viatura e colocado no veículo. Depois disto, o jovem não foi mais visto, até o dia 19 de agosto, quando seu corpo foi encontrado num açude da localidade de Lava Pé, São Gabriel.[5][6][7]
O exame toxicológico indicou um alto teor de álcool no corpo (23,4 decigramas por litro de sangue), mas segundo a perita responsável, não há como afirmar quanto disto seria resultado da ingestão de bebidas e quanto seria decorrente do processo de decomposição do corpo.[8]
Investigações
Com o registro do desaparecimento pelos familiares, a Polícia Civil começou as investigações e, ao analisar as imagens de câmeras, viu que a viatura havia ido em direção à localidade de Lava Pé por volta das 0h05min. Às 0h11min, o veículo foi flagrado voltando da região e os policiais chegaram à sede da Brigada Militar às 0h18min.[5]
Quando identificados, os policiais militares foram ouvidos, mas negaram que soubessem de qualquer coisa. Dias depois mudaram os depoimentos e informaram que haviam deixado Gabriel na localidade de Lava Pé a pedido da própria vítima.[7]
Investigadores, com ajuda de bombeiros, vasculharam um açude no local e encontraram o corpo de Gabriel no dia 19 de agosto.[6]
Resultado da perícia
A necropsia indicou que Gabriel morreu devido à uma lesão na altura da coluna cervical (nuca) que lhe causou hemorragia interna, levando-o a morte. "O laudo (...) reforça o que duas testemunhas tinham dito em depoimento, de que a vítima teria sido alvo de três golpes de cassetete na região da cabeça", reportou o Diário de Santa Maria no dia 29 de agosto, ainda acrescentando que "a necropsia ainda indicou que Gabriel já estava sem vida antes de ter sido colocado no açude".[5]
Prisão, julgamento e penas
Os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima e o segundo-sargento Arleu Júnior Cardoso foram presos no dia 19 de agosto, ficando no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre. [4]
No início de setembro, os três réus tentaram imputar o crime a um ex-preso, Elton Luis Rossato Gabi, que chegou a assumir o crime e ser preso. No entanto, ele depois mudou a versão quando prestou depoimento na presença de uma defensora pública. Segundo Gabi, policiais haviam invadido sua casa e o coagido, sob violência, a assumir o crime. O delegado responsável pelo caso disse que a versão contada pelo ex-presidiário sobre como teria matado Gabriel jamais fez sentido.[9]
Já no dia 5 de setembro, o Ministério Público denunciou os envolvidos por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.[10]
Justiça militar
No dia 20 de julho de 2023, os três réus foram inocentados pelo crime pela Justiça Militar de Porto Alegre. Cleber de Lima, no entanto, foi condenado a um ano de reclusão por falsidade ideológica. Os três, no entanto, continuaram presos porque aguardavam o julgamento na Justiça comum. [11]
Justiça civil
Depois de em 05 de setembro de 2022 o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) tê-los denunciado pelo homicídio triplamente qualificado do jovem, em 10 de julho de 2025 Vara Criminal de São Gabriel decidiu que os três irão a júri popular, acusados de homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.[2]
Referências
- ↑ «CASO GABRIEL: MPRS DENUNCIA TRÊS POLICIAIS POR HOMICÍDIO, OCULTAÇÃO DE CADÁVER E FALSIDADE IDEOLÓGICA». Ministério Público do Rio Grande do Sul. 5 de setembro de 2022. Consultado em 5 de setembro de 2022
- ↑ a b «Caso Gabriel: três PMs acusados pelo MPRS por matar jovem vão a júri». Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 23 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 16 de julho de 2025
- ↑ a b Matge, Pâmela Rubin (26 de agosto de 2022). «Aos 18 anos, o sonho interrompido de Gabriel Cavalheiro». Diário de Santa Maria. Consultado em 30 de agosto de 2022
- ↑ a b «Mãe de jovem encontrado morto em São Gabriel desabafa: "A gente se pergunta todo dia por que fizeram isso com ele"». GZH. 28 de agosto de 2022. Consultado em 29 de agosto de 2022
- ↑ a b c Gomes, Laura (29 de agosto de 2022). «Caso Gabriel: jovem morreu devido a golpe que provocou hemorragia interna». Diário de Santa Maria. Consultado em 29 de agosto de 2022
- ↑ a b Diário, Redação do (26 de agosto de 2022). «O que se sabe e o que não se sabe sobre o Caso Gabriel». Diário de Santa Maria. Consultado em 30 de agosto de 2022
- ↑ a b «Polícia investiga desaparecimento de jovem após abordagem da Brigada Militar em São Gabriel». G1. Consultado em 30 de agosto de 2022
- ↑ Paula, Lenon de (26 de agosto de 2022). «Caso Gabriel: exame toxicológico apontou negativo e alto teor de álcool no sangue teria relação com o estado em que o corpo foi encontrado, afirma diretora do IGP». Diário de Santa Maria. Consultado em 30 de agosto de 2022
- ↑ «'Ele sequer foi a São Gabriel', diz defesa de homem que afirma ter sido coagido por PMs a confessar assassinato de jovem». G1. Consultado em 13 de setembro de 2022
- ↑ «Caso Gabriel: Justiça comum inicia audiências de instrução de PMs acusados por morte de jovem». G1. 13 de dezembro de 2022. Consultado em 21 de julho de 2023
- ↑ «Caso Gabriel: policiais são absolvidos da acusação de ocultação de cadáver pela Justiça Militar». G1. 21 de julho de 2023. Consultado em 21 de julho de 2023