Assassinato de Julieta Hernández Martínez

Assassinato de Julieta Hernández Martínez
Julieta Hernández Martínez
Local do crimePresidente Figueiredo,  Amazonas
 Brasil
Data23 de dezembro de 2023
Tipo de crimeLatrocínio
VítimasJulieta Hernández Martínez
Réu(s)Thiago Agles da Silva
Deliomara dos Anjos Santos

Julieta Inés Hernández Martínez (1985–2023) foi uma artista circense venezuelana, conhecida por sua personagem "Palhaça Jujuba". Ela percorreu o Brasil de bicicleta, promovendo apresentações culturais e defendendo causas sociais. Em dezembro de 2023, durante uma de suas viagens, Julieta foi brutalmente assassinada no município de Presidente Figueiredo, Amazonas, um crime que gerou comoção e debates sobre violência de gênero e xenofobia no país.[1][2]

Biografia

Nascida em 1985 na Venezuela, Julieta Hernández dedicou-se às artes circenses e ao ativismo social. Em 2015, migrou para o Brasil, onde integrou o grupo "Pé Vermêi", composto por artistas e cicloviajantes que percorrem o país realizando apresentações culturais. Sob o pseudônimo "Palhaça Jujuba", Julieta idealizou o espetáculo "Viagem de Bicicleta de uma Palhaça Só... Sozinha?", com o qual visitou mais de nove estados brasileiros, compartilhando sua arte e mensagens de igualdade de gênero.[3][4]

Desaparecimento

Em 23 de dezembro de 2023, durante uma viagem de bicicleta rumo à Venezuela para reencontrar sua mãe, Julieta desapareceu em Presidente Figueiredo, Amazonas. Após 14 dias sem contato, amigos e familiares registraram um boletim de ocorrência relatando seu desaparecimento.[5]

Assassinato, investigação e prisões

As investigações levaram à prisão de Thiago Agles da Silva, de 32 anos, e Deliomara dos Anjos Santos, de 29 anos, que confessaram o crime. Segundo relatos, o casal planejou roubar o celular de Julieta; diante da resistência da vítima, eles a agrediram, abusaram sexualmente, queimaram seu corpo e, posteriormente, a enforcaram. O corpo foi encontrado enterrado próximo ao local onde ela estava hospedada.[5]

Repercussão

O assassinato de Julieta gerou indignação e mobilizou artistas, ciclistas e ativistas em todo o Brasil e no exterior. Em 12 de janeiro de 2024, manifestações ocorreram em mais de 160 cidades, incluindo localidades na América Latina, América do Norte e Europa, em homenagem à artista e como forma de protesto contra a violência de gênero.[6]

A família de Julieta, juntamente com organizações de direitos das mulheres, iniciou uma campanha para que o crime fosse reconhecido como feminicídio, argumentando que a violência sofrida por ela apresentava traços de misoginia e xenofobia, considerando sua condição de mulher migrante venezuelana. No entanto, o Ministério Público do Amazonas enquadrou o caso como latrocínio, estupro e ocultação de cadáver. Esse posicionamento gerou debates sobre a necessidade de reconhecer as especificidades de crimes cometidos contra mulheres migrantes e a importância de uma tipificação adequada para garantir justiça e visibilidade às vítimas.[7]

Ver também

Referências

  1. Luis Felipe Azevedo e Kathlen Barbosa (7 de janeiro de 2024). O Globo, ed. «Feminista, venezuelana e nômade: quem era Julieta Martínez, atriz assassinada no Amazonas». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  2. José Maria Tomazela (7 de janeiro de 2024). Estadão, ed. «Casal é preso acusado de estupro e assassinato de artista venezuelana no AM; corpo estava enterrado». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  3. Sabrina Rocha (8 de janeiro de 2024). G1, ed. «Julieta Hernández: quem é a artista venezuelana morta no AM enquanto viajava de bicicleta pelo Brasil». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  4. Folha de S.Paulo, ed. (6 de janeiro de 2024). «Artista circense venezuelana é encontrada morta no Amazonas». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  5. a b G1, ed. (9 de janeiro de 2024). «Entenda o caso da artista venezuelana assassinada enquanto viajava de bicicleta pelo Brasil». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  6. Camila Cetrone (12 de janeiro de 2024). Marie Claire, ed. «Julieta Hernández: morte de artista venezuelana no AM desperta atos em 160 cidades no Brasil e exterior». Consultado em 18 de fevereiro de 2025 
  7. MigraMundo (25 de outubro de 2024). Global Voices Online, ed. «Brasil: a luta para reconhecer o assassinato de Julieta Hernández como feminicídio». Consultado em 18 de fevereiro de 2025