Ramal de Aveiro-Mar

Ramal de Aveiro-Mar
Construção da ponte sobre a Linha do Norte, em Portugal.
Construção da ponte sobre a Linha do Norte, em Portugal.
Construção da ponte sobre a Linha do Norte, em Portugal.
Comprimento:2,535 Km km
Bitola:Bitola estreita
Legenda
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L.ª NorteLisboa Sta Apolónia
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0,000 Aveiro
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R. AveiroSernada do Vouga
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L.ª NortePorto Campanhã
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Ramal do Canal de São Roque
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Pier Unknown route-map component "exDST"
2,555 Canal do Cojo
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Vagos
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Ílhavo(pj. 1926[1])
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Mira
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R. F. FozPampilhosa
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Cantanhede
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R. F. FozF. Foz
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Ançã
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Coimbra-B(pj. 1930[2])
 Nota: Este artigo é sobre o extinto acesso ferroviário ao Porto de Aveiro em via métrica. Para o atual acesso em bitola ibérica, veja Ramal do Porto de Aveiro. Para o extinto acesso em bitola ibérica, veja Ramal do Canal de São Roque.

O Ramal de Aveiro-Mar foi uma ferrovia menor da rede portuguesa, localizada em Aveiro. Ligava a gare de via estreita do Ramal de Aveiro na Estação de Aveiro ao canal do Cojo, local de atracagem de barcos. Era usado para levar o peixe até à lota de Aveiro.

Descrição

O ramal, de via estreita, saía da estação de Aveiro no sentido Norte,[3] seguia depois paralelo à Linha do Norte no lado de Estarreja,[4] tendo uma passagem de nível em comum com a outra via férrea ao atravessar a Estrada da Esgueira.[3] A partir deste ponto iniciava-se uma rampa para nascente, de forma a alcançar uma altitude suficiente para passar por cima da Linha do Norte, no sentido poente.[3] A via férrea descia depois por outra rampa, e virava para Sul, chegando por volta do PK 2 à margem do Canal de São Roque, onde estava situadas as vias de mercadorias e um cais próprio para a descarga de materiais para as obras da barra de Aveiro.[3] As curvas tinham um raio mínimo de 150 m.[3]

Tinha como finalidade facilitar o transporte dos materiais para as obras da barra de Aveiro, e para criar um acesso de via estreita àquela zona portuária.[5] Desta forma, foi utilizado no transporte de mercadorias, principalmente sal.[6]

Tinha 2,555 Km de comprimento.[3] As únicas obras de engenharia do ramal eram uma ponte de vigas (16 m) sobre a Linha do Norte, e uma passagem inferior (3 m), no final deste curto percurso.

A paisagem não era muito diferente da do Ramal do Canal de São Roque, simplesmente o início ficava 50 m mais a norte.

História

Planeamento e construção

Após terem sido concluídas as obras da construção da Linha do Vale do Vouga e do Ramal de Aveiro, a Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro pediu autorização ao governo para construir um ramal que saísse da gare de via estreita do Ramal de Aveiro e seguisse para norte até ao canal do Cojo, não muito longe do Ramal do Canal de São Roque. Esta permissão foi concedida em Novembro de 1915, mas houve diversos contratempos, entre eles a Primeira Guerra Mundial, que condicionaram o projecto.

O contrato de 5 de Fevereiro de 1907, para a construção e exploração do Ramal de Aveiro e da Linha do Vouga, foi modificado em 23 de Agosto de 1918, alterando os termos da cedência de terrenos para a continuação da linha, entre a Estação de Aveiro e o Canal do Cojo.[1] Em 8 de Setembro de 1911 entrou ao serviço o lanço até Aveiro da rede ferroviária do Vouga,[1] mas não se construiu imediatamente o ramal até à Ria de Aveiro, como previsto.[4] Isto provocou problemas no transporte de sal e outras mercadorias, uma vez que o percurso até à estação ferroviária, com quase dois quilómetros de extensão, teve de ser feito por carros de bois.[4]

O Decreto 12.862, de 15 de Novembro de 1926, adicionou ao plano da rede uma proposta para o prolongamento do Ramal de Aveiro até ao Canal de São Roque, que depois seguiria até Cantanhede, passando por Mira, Ílhavo e Vagos.[1] No Plano Geral da Rede Ferroviária, publicado pelo Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, o percurso proposto para o ramal foi novamente alterado, continuando além de Cantanhede até à Estação Ferroviária de Coimbra-B, passando por Ançã.[2]

Em 1 de Agosto de 1932, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que já se tinham iniciado as obras no ramal.[7] Foi construído no âmbito da realização de grandes obras na Barra de Aveiro, que se iniciaram no dia 3 de Outubro desse ano,[4] tendo sido utilizado no transporte dos materiais para aquele empreendimento.[5] As obras do ramal decorreram muito rapidamente, por ser considerado urgente, tendo sido alterados os planos, de forma a reduzir os movimentos de terras necessários, e usada uma ponte provisória sobre a Linha do Norte.[3] Esta era de vão em viga superior, e tinha 15 m de comprimento, tendo sido comprada à Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[5] A ponte foi instalada no dia 24 de Setembro, e no dia 27 circulou a primeira composição por aquela estrutura, um comboio de construção.[5] O Ramal foi oficialmente inaugurado em 15 de Outubro.[5]

Para a instalação do ramal, foi necessário fazer obras de ampliação na estação de Aveiro.[3]

Em 1933, a companhia fez diversas obras nas infraestruturas do ramal, incluindo a substituição de uma viga provisória por uma laje em cimento armado na passagem inferior, e a regularização do perfil até ao Km. 1.700, tendo para este fim sido rebaixada uma trincheira e feita a drenagem e defesa da plataforma de via, devido ao terreno em barro, que ficava húmido com muita frequência.[8] Apesar dos vários planos existentes para prolongar o ramal, as obras nunca chegaram a avançar além do Canal de São Roque, tendo sido por diversas vezes adiadas pelo governo.[5]

Os engenheiros da Companhia chegaram a transformar uma camioneta de carga numa “automotora de peixe”, que permitia levar o pescado fresco da lota até às cidades do interior, via Ramal de Aveiro e Linha do Vouga[carece de fontes?].

Transição para a CP

Em 1 de Janeiro de 1947, a exploração da rede ferroviária do Vouga passou para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[9] O Decreto-Lei n.º 38246, de 9 de Maio de 1951, confirmou a concessão única da CP, tendo o Ramal de Aveiro Mar sido listado como uma das vias férras de via estreita que iriam ficar sobre a gestão daquela empresa.[10][11]

A sua utilização era limitada e o ramal encontra-se actualmente desactivado.

Ver também

Referências

  1. a b c d TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. p. 133-140. Consultado em 10 de Março de 2015 
  2. a b PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado na Série I do Diário do Governo n.º 83, de 10 de Abril de 1930.
  3. a b c d e f g h «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1081). Lisboa. 1 de Janeiro de 1932. p. 10-14. Consultado em 5 de Janeiro de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  4. a b c d SOUSA, José Fernando de (16 de Agosto de 1935). «As obras da barra de Aveiro». Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1144). Lisboa. p. 347-348. Consultado em 4 de Janeiro de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  5. a b c d e f SOUSA, José Fernando de (1 de Janeiro de 1933). «Os Caminhos de Ferro em 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1081). p. 8. Consultado em 5 de Janeiro de 2025 
  6. SOUSA, José Fernando de (16 de Março de 1940). «Caminhos de Ferro e portos de mar» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 52 (1254). Lisboa. p. 161-162. Consultado em 5 de Janeiro de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  7. «O Porto de Aveiro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 45 (1071). 1 de Agosto de 1932. p. 368. Consultado em 5 de Janeiro de 2025 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1106). Lisboa. 16 de Janeiro de 1934. p. 52. Consultado em 4 de Janeiro de 2026 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  9. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 10 de Março de 2015 
  10. «Coordenação dos Transportes Terrestres» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 64 (1523). 1 de Junho de 1954. p. 119-124. Consultado em 10 de Março de 2015 
  11. PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 38246, de 9 de Maio de 1951. Ministério das Comunicações - Gabinete do Ministro, Publicado na Série I do Diário do Governo n.º 90, de 9 de Maio de 1951.