Elevador da Nazaré

Elevador da Nazaré
Info/Ferrovia
Predefinição:Info/Ferrovia
Cabina do elevador junto ao desdobramento dos carris. Atrás, vista do Sítio da Nazaré
Informações principais
Área de operação Nazaré, Portugal
Tempo de operação 28 de Julho de 1889–actualmente
Operadora Câmara Municipal da Nazaré (desde 1932)
Frota
2 carros
Website https://www.sm-nazare.pt/ascensor/
Especificações da ferrovia
Extensão 318 metros (50 dos quais em túnel)
Elevador da Nazaré
Legenda
Urban head station in tunnel
318 Sítio
Unknown route-map component "utSTRe"
268
Unknown route-map component "uSPLae"
159
Urban straight track
Urban End station
0 centro

O Elevador da Nazaré é um funicular localizado na Nazaré, em Portugal. É explorado pela Câmara Municipal da Nazaré e liga o centro da vila, a Praia da Nazaré, ao Sítio da Nazaré. É um dos transportes deste tipo com maior tráfego em Portugal, atingindo um milhão de passageiros por ano.[1] Efetua cada viagem em 15 minutos,[2] ao preço de 2,00  (criança) e 2,50  (adulto).

Esta infra-estrutura de transporte por cabo, de arquitectura oitocentista, foi projectada pelo engenheiro Raul Mesnier de Ponsard com o intuito de vencer o acentuado desnível do promontório.

História

A génese deste meio de transporte remete para a histórica dificuldade de comunicação entre a zona baixa e a zona alta da Nazaré (o Sítio), cuja vulnerabilidade orográfica sempre condicionou o estabelecimento de populações e a fluidez das peregrinações a Nossa Senhora da Nazaré.

Conforme relata o Padre Manuel de Brito Alão, no século XVII o acesso era efectuado por uma ladeira de areia extremamente inclinada junto à cruz do Sítio. Por esse trilho, até meados de oitocentos, muitas senhoras da fidalguia que visitavam o Santuário faziam-se transportar sentadas em "alcatifas, que pelas pontas puxam e levam criados, segura e compostamente abaixo".[3][4]

Com o objectivo de colmatar este isolamento, foi constituída em Lisboa, a 15 de Outubro de 1888, uma parceria para a construção de um elevador mecânico. O grupo fundador era composto por figuras como o Dr. António Lúcio Tavares Crespo, Francisco Morais, Joaquim Carneiro D’Alcáçovas de Sousa Chicharro, José Eduardo Ferreira Pinheiro, o Barão de Kessler e o engenheiro Raul Mesnier de Ponsard, este último um conceituado discípulo de Eiffel e autor de diversos projectos de engenharia em Lisboa, como os ascensores da Glória, Bica e Lavra, bem como do Elevador do Carmo e do ascensor do Bom Jesus do Monte em Braga.[5]

A inauguração solene ocorreu a 28 de Julho de 1889[1],[6] contando com a bênção do equipamento e a presença dos ministros das Obras Públicas e da Fazenda. A inauguração do elevador foi anunciada no jornal Os Debates de 30 de Julho de 1889:

No domingo foi inaugurado o elevador da Nazarelh, [sic] dando as experiencias o melhor resultado. As ruas principaes estiveram embandeiradas e á noite houve uma illuminação phantastica no alto da villa produzida por 200 barricas de alcatrão[7]

Cabina à chegada, década de 1920.

Baptizado em honra de Nossa Senhora da Nazaré, o sistema funcionava originalmente através de uma máquina a vapor[1] instalada no Sítio, assente directamente na rocha do promontório. Devido à ausência de fontes de água na zona alta, as caldeiras eram alimentadas por água transportada pela própria via a partir da Praia, sendo o combustível assegurado por lenha, cuja escassez em 1918 quase comprometeu a operação. Naquela fase inicial, as cabinas de libré vermelha (assim foram até 2002) transportavam 60 passageiros e operavam apenas na época balnear, entre as 06:00 e as 21:00 horas, com tarifas que oscilavam entre os 0$020 e 0$120 réis.[2]

A gestão do ascensor transitou para a Real Casa, actual Confraria da Nossa Senhora da Nazaré, que o adquiriu a 1 de Outubro de 1924, visando não só facilitar o acesso dos fiéis mas também angariar fundos para o Hospital local. Após um relatório enviado ao Ministério em 1931, o equipamento foi vendido à Câmara Municipal da Nazaré a 19 de Dezembro de 1932, pelo valor de 398.013$00,[2] passando a integrar o património municipal.[6]

A cronologia do monumento é marcada por um grave sinistro a 15 de Fevereiro de 1963, resultante da ruptura do cabo de tracção devido a infiltrações de água persistentes. O acidente causou dois mortos e meia centena de feridos, levando à suspensão da actividade por cinco anos. A reabertura deu-se a 1 de Abril de 1968, já com um sistema de tracção eléctrica e modernos mecanismos de segurança, incluindo um triplo sistema de travagem electro-hidráulica. Mais recentemente, em Setembro de 2001, o serviço foi interrompido para uma profunda intervenção de remodelação das gares e carruagens, tendo sido reinaugurado a 24 de Junho de 2002 com veículos de conforto optimizado, agora de cor azul.[6][1]

Em Setembro de 2023, o governo anunciou a construção de um novo funicular na Nazaré, unindo o centro da vila ao Bairro da Perderneira, prevendo-se então que a obra estaria concluída em 2026.[8]

Descrição

O ascensor insere-se num enquadramento urbano e adossado, implantado numa via de pendente acentuada que atravessa a falésia com uma inclinação de 42%, vencendo um desnível de cerca de 90 metros. A linha estende-se por 318 metros, dos quais 50 metros se desenvolvem em túnel, apresentando uma via única de carris de ferro assente em plataforma cimentada que, no ponto médio do percurso, se desdobra para permitir o cruzamento das duas cabinas. O sistema utiliza um cabo que opera a descoberto sobre roldanas.

As cabinas actuais, pintadas em tons de azul, possuem uma estrutura em aço com elementos em plástico e vidro. O interior organiza-se em três plataformas distintas: as extremidades destinam-se à condução, enquanto a zona central comporta oito filas longitudinais com quatro assentos transversais cada. O acesso é efectuado por três portas laterais em cada flanco.

O terminal da Praia, remodelado no início do século XXI, apresenta uma planta rectangular composta por três volumes escalonados com coberturas planas e de duas águas. A fachada principal, orientada a Sul, destaca-se pelos seus amplos panos envidraçados e silharia de cantaria calcária fendida. No seu interior, o vestíbulo possui pavimento cerâmico policromo de linhas curvas e uma bilheteira de planta oval em ferro envidraçado. O acesso ao transporte é ladeado por plataformas rampeadas sob alpendre metálico.

O terminal do Sítio preserva traços da arquitectura vernácula, com fachadas rebocadas a branco e frisos em azul-escuro. A fachada principal, voltada a Sudoeste, exibe o termo "ASCENSOR" sobre dois portais de verga recta. No seu amplo vestíbulo, destaca-se o pavimento cerâmico policromo que integra uma rosa dos ventos. Neste local, a paragem do ascensor situa-se num nível inferior, precedida por um túnel em arco encimado por um painel de azulejos azuis e brancos com a representação do dispositivo.

Diversos elementos epigráficos e memoriais pontuam as instalações, destacando-se as seguintes inscrições:

Centenário do Ascensor / da Nazaré / 1889 - 1989 / 28 de Julho de 1989

À MEMÓRIA / DO / DR. ANTÓNIO L. TAVARES CRESPO / FUNDADOR DO ASCENSOR DA NAZARETH / INAUGURADO EM 28 DE JULHO DE 1889 / HOMENAGEM DOS SERVIÇOS MUNICIPAIS / 18-7-1998

No interior do terminal superior, encontra-se ainda um baixo-relevo em bronze, da autoria de Ferreira da Silva, representando o Milagre de Nª. Sª. da Nazaré a D. Fuas Roupinho, acompanhado por uma placa comemorativa da conclusão das obras de recuperação em 2004, assinada pelo então Presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados, o Engenheiro Jorge Codinha Antunes Barroso. A linha é delimitada por muros rebocados e ladeada por escadarias e canteiros ornamentais, integrando o maquinismo proveniente da fábrica alemã Esslingen-Machinen.[9][10][11]

Referências

  1. a b c d António Vasconcelos (3 de março de 2008). «Resumo do relatório do Painel dedicado ao tema: "Instalações por Cabo para Transporte de Pessoas (Funiculares, Teleféricos e APM's)"». Especialização em Transportes e Vias de Comunicação da Ordem dos Engenheiros; CT 162 (Comissão Técnica de Normalização N.º 162 - Instalações por Cabo para o Transporte de Pessoas); CATIM (Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica). Consultado em 1 de janeiro de 2009  (PDF original)
  2. a b c Elevador da NazaréMonte Real : O Portal da Região Centro Litoral visitado em 2011.08.10
  3. ALÃO, Manoel de Brito. Antiguidade da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré 2.ª ed. Lisboa: Edições Colibri. p. 137 
  4. «Ladeira do Sítio». Findout Nazaré. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  5. Octaviano Correia: “Do Pombal ao Bom Jesus de Braga Arquivado em 6 de agosto de 2010, no Wayback Machine.”, in Jornal da Madeira / Revista Olhar 2007.09.08
  6. a b c Ascensor - NazaréMunicípio da Nazaré visitado a 2011.08.10
  7. «O elevador da Nazareth» (PDF). Os Debates. Ano II (302). Lisboa. 30 de Julho de 1889. p. 3. Consultado em 15 de Setembro de 2025 – via Biblioteca Nacional Digital 
  8. «Governo Mais Próximo: a Nazaré vai ter um novo funicular». Governo de Portugal. 20 de Setembro de 2023. Consultado em 28 de Novembro de 2023 
  9. «Monumentos». www.monumentos.gov.pt (em inglês). Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  10. «PESQUISA GERAL». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  11. «Ascensor». Serviços Municipalizados da Nazaré. Consultado em 27 de janeiro de 2026 

Ver também

Ligações externas