Paulo Cunha

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Paulo Cunha
Nascimento1 de setembro de 1908
Lisboa
Morte16 de dezembro de 1986
Lisboa
CidadaniaPortugal
Alma mater
Ocupaçãoprofessor universitário, político
Distinções
  • Ordem Real da Estrela Polar
  • Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
  • Grande Cruz do Mérito da República Federal da Alemanha
  • Grã-Cruz da Ordem de Orange-Nassau
  • Grand Cross of the Order of the Southern Cross
  • Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de Pio IX
  • Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo
Empregador(a)Universidade de Lisboa
ReligiãoIgreja Católica

Paulo Arsénio Veríssimo da Cunha GCCGCSE (Lisboa, Coração de Jesus, 1 de setembro de 1908Lisboa, 16 de dezembro de 1986), mais conhecido por Paulo Cunha, foi um professor catedrático de direito privado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, advogado, Ministro dos Negócios Estrangeiros, vice-reitor e reitor da Universidade de Lisboa, administrador de empresas e deputado na Assembleia Nacional nas III, IV, V, VIII, IX, X legislaturas[1].

Biografia

Formação

Em 1930, licenciou-se em Direito (Ciências Histórico-Jurídicas e Ciências Político-Jurídicas) pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, em 1934, doutorou-se em Ciências Histórico-Jurídicas pela mesma universidade[2].

O professor universitário

O deputado

De 1942 a 1950 e de 1961 a 1973, foi deputado na Assembleia Nacional nas III, IV, V, VIII, IX, X legislaturas[2].

No contexto da sua carreira parlamentar, foi vice-presidente, integrou por diversas vezes a Secção “Justiça”, foi membro da “Comissão de verificação de poderes” e das secções: “Educação física e desportos”, “Autarquias locais” e “Relações Internacionais” [2].

Foi relator de três importantes “Pareceres”: “Fiscalização das sociedades por ações”, “Expropriações” e “Alterações ao regime do inquilinato” e subscreveu dezenas de outros pareceres, sendo de destacar os seguintes[2]:

  • 2/III– Nacionalização de capitais de diversas empresas.
  • 9/III – Estatuto da Assistência Social.
  • 10/III – Reabilitação dos delinquentes e jurisdicionalização do cumprimento das penas e das medidas de segurança.
  • 21/III – Assistência psiquiátrica.
  • 2/IV – Organização hospitalar.
  • 5/IV – Fomento apícola.
  • 6/IV – Foros.
  • 7/IV – Regime jurídico dos Casais Agrícolas.
  • 16/IV – Inquilinato.
  • 17/IV – Reorganização do parcelamento da serra de Mértola.
  • 18/IV – Remição de censos, quinhões e direitos compáscuos.
  • 20/IV – Imposto sobre sucessões e doações.
  • 25/IV – Julgamento de reclamações em matéria de hidráulica agrícola.
  • 29/IV – Questões conexas com o problema da habitação.
  • 36/IV – Regulamento das Estradas Nacionais.
  • 38/IV – Abandono de família.
  • 08/V – Organização dos Serviços de Registo e do Notariado.
  • 2/VIII – Providências destinadas a assegurar o funcionamento dos órgãos de governo do Estado da Índia.
  • 9/VIII – Revisão da Lei n.º 2066 de 27 de Junho de 1953 (Lei Orgânica do Ultramar Português).
  • 18/VIII – Projeto de Plano Intercalar de Fomento para 1965-1967 (Continente e ilhas
  • 3/IX – Mar territorial e zona contígua.
  • 9/IX – Projeto do III Plano de Fomento, para 1968-1973 − Continente e ilhas
  • 13/IX – Alteração do artigo 667.º do Código de Processo Penal (Reformatio in pejus).
  • 29/IX – Alienação de bens imóveis do domínio privado do Estado para fins de interesse público.
  • 32/IX – Regime de fiscalização das sociedades anónimas.
  • 17/X – Acordo Cultural entre Portugal e a Espanha assinado em Madrid em 22 de maio de 1970.
  • 27/X – Lei de Imprensa.
  • 29/X – Convenção sobre Igualdade de Direitos e Deveres entre Brasileiros e Portugueses.
  • 33/X e 37/X – Organização judiciária.
  • 43/X – Registo nacional de identificação.
  • 45/X – Acordo entre os Estados Membros da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço por um lado e a República Portuguesa por outro lado e Acordo entre a Comunidade Económica Europeia e a República Portuguesa.

O ministro

De 1950 a 1958, foi ministro dos negócios estrangeiros[2].

No desempenho dessas suas funções governativas, são de destacar:

Palácio das Necessidades, em Lisboa, sede do ministério dos negócios estrangeiros de Portugal, onde, na década de 1950, Paulo Cunha tinha o seu gabinete enquanto ministro

Outras atividades

Desenvolveu ainda as seguintes funções[2]:

Vida pessoal

Casou com Maria Amélia da Silva Pitta e Cunha (1915 - 2000), Grande-Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (12 de Novembro de 1957), Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (26 de Julho de 1958), Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (11 de Julho de 1968), Grã-Cruz da Ordem do Mérito (9 de Junho de 1995), filha de Pedro Goes Pitta (1891-1974), que foi advogado, notário, conservador do registo predial, presidente da Câmara Municipal do Funchal, deputado ao Congresso da República, membro do “Directório” do “Partido Republicano Nacionalista”, desde a sua fundação até à sua dissolução (1923-1935), ministro do comércio e comunicações e interinamente ministro do trabalho do 38.º governo republicano, presidente da Academia das Ciências de Lisboa e 12.º Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses (cinco mandatos sucessivos de 1957 a 1971)[15][16][17], e de sua mulher Amélia da Conceição Barata Salgueiro da Silva.

Maria Amélia Pitta e Cunha foi voluntária e dirigente da Cruz Vermelha Portuguesa, durante a Guerra do Ultramar (1961-1974), vogal do Conselho da Ordem de Benemerência, colecionadora de arte e administradora de empresas[18][19][20][21][22][23][24].

Tiveram dois filhos:

E três netos:

Condecorações

Ordens honoríficas portuguesas

A 20 de maio de 1953 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo e a 20 de agosto de 1958 foi agraciado com a Grã-Cruz da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.[54]

Ordens honoríficas estrangeiras

Foi agraciado com as seguintes ordens honoríficas estrangeiras[55]:

  • Grã-Cruz da Ordem Isabel a católica, Espanha (2 de janeiro de 1951)
  • Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo II, Bélgica (8 de agosto de 1951)
  • Grã-Cruz da Ordem Real estrela polar, Suécia (12 de setembro de 1951)
  • Grã-Cruz da Ordem Nacional mérito Carlos Manuel Cespedes, Cuba (11 de fevereiro de 1952)
  • Grã-Cruz da Ordem de Mérito, Chile (22 de novembro de 1952)
  • Grã-Cruz da Ordem de Mérito, Argentina (30 de junho de 1953)
  • Grã-Cruz da Ordem de Piana, Vaticano/Santa Sé (21 de outubro de 1953)
  • Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, Brasil (2 de fevereiro de 1954)
  • Grã-Cruz da Ordem da Coroa de carvalho, Luxemburgo (23 de junho de 1954)
  • Grã-Cruz da Ordem do Rei Jorge I, Grécia (26 de fevereiro de 1955)
  • Grã-Cruz da Ordem de Orange Nassau, Países Baixos (4 de junho de 1955)

Referências

  1. António Menezes Cordeiro, Centenário do Nascimento do Professor Doutor Paulo Cunha: Estudos em Homenagem. Edições Almedina, 2012 (ISBN 9789724045023)
  2. a b c d e f g h i j «Paulo Arsénio Veríssimo Cunha - Legislaturas: III, IV, V, VIII, IX, X» (PDF). Assembleia da República. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  3. «The Department of State Bulletin, n.º 836». p. 966. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  4. «Visita oficial do General Craveiro Lopes, Presidente da República, à Grã-Bretanha, acompanhado por Paulo Cunha, ministro dos Negócios Estrangeiros». Arquivos RTP. 14 de fevereiro de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  5. «30ª Sessão do INCIDI (Institut International des Civilisations Différentes/International Institute of Differing Civilizations)». Arquivo histórico da marinha. Abril de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  6. «Partida de Paulo Cunha para Bona». Arquivos RTP. 27 de abril de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  7. «Santos vibra de entusiasmo pela visita, amanhã, do chefe de Estado de Portugal, gal. Craveiro Lopes». novomilenio. 16 de junho de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  8. «Visita do Presidente da República do Paquistão». Arquivos RTP. Novembro de 1957 
  9. «Partida de Paulo Pitta e Cunha e Marcelo Caetano». Arquivos RTP. 12 de dezembro de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  10. «Banquete na Câmara Municipal». Arquivo histórico da marinha. 31 de dezembro de 1951. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  11. «Baile em honra do corpo diplomático - fotos publicadas na revista "O Mundo ilustrado" de maio de 1953». Instituto diplomático. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  12. «A Vida dos Sons: 1952 – Parte I». Arquivos RTP. 28 de janeiro de 2012. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  13. «A Vida dos Sons: 1953». Arquivos RTP. 11 de fevereiro de 2012. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  14. «Comemorações do 5º centenário do nascimento de Pedro Álvares Cabral no Brasil» 🔗. Arquivos RTP. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  15. Ordem dos Advogados: Pedro Goes Pitta - 1957-1971.
  16. «Pedro Góis Pita» (PDF). Universidade de Évora. p. 159-160. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  17. Baiôa, Manuel (2015). O Partido Republicano Nacionalista (1923-1935): «uma república para todos os portugueses» (PDF). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. pp. 64, 66, 67, 69, 70, 120, 150, 180, 245 e 294. ISBN 978-972-671-347-0. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  18. «Tomada de posse de Maria Amélia da Silva Pitta e Cunha como Presidente da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa». Arquivos RTP. 24 de novembro de 1969. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  19. «Batismo de soldados mutilados». Arquivos RTP. 6 de junho de 1965. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  20. «Chefe de Estado visita lar da Cruz Vermelha». Arquivos RTP. 3 de janeiro de 1971. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  21. «Guerra Colonial». Guerra Colonial. 1971. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  22. «Reportagem com imagens da visita de Américo Tomás ao anexo do Hospital Militar Principal, em Lisboa». Museu da Presidência da República. 14 de junho de 1968. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  23. «Alvará de nomeação de D. Maria Amélia Pitta e Cunha, do Dr. Mário Lampreia de Gusmão Madeira, de António Medeiros de Almeida e da Dr.ª D. Luísa de Saldanha da Gama Van-Zeller como vogais do Conselho da Ordem de Benemerência (Publicado no Diário do Governo, n.º 3 - II Série, de 5 de janeiro de 1965» 🔗. Arquivo histórico da Presidêcia da República. 31 de dezembro de 1964. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  24. «Col. Maria Amélia Pitta Cunha». Fundação Calouste Gulbenkian. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  25. Infopédia. «Pitta e Cunha - Infopédia». infopedia.pt - Porto Editora. Consultado em 24 de setembro de 2022 
  26. «Morreu Paulo de Pitta e Cunha, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa». Público. 8 de setembro de 2022. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  27. «Paulo de Pitta e Cunha: as paixões, a razão e as ocasiões que movem um colecionador». Expresso. 20 de novembro de 2023. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  28. «O gosto e a surpresa na Coleção Paulo de Pitta e Cunha». Expresso. 11 de novembro de 2023. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  29. «Maria Paula Pitta e Cunha aluna da Universidade de Lisboa - 1955 a 1963». Arquivo da Universidade de Lisboa. 28 de dezembro de 2020. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  30. «Quinta das Torgueiras - Sociedade agrícola, Lda.». Diário da República. 4 de fevereiro de 2005. p. 103. Consultado em 18 de setembro de 2025 
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  32. «Maria Paula de Pitta e Cunha Nunes de Carvalho» (PDF). Circulo cultura e democracia. 12 de abril de 2015. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  33. «"Casamento elegante" in Notícias de Guimarães» (PDF). csarmento uminho. 5 de outubro de 1952. p. 5. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  34. Anuário Diplomático e Consular Português [1996]. Lisboa: Ministério dos Negócios Estrangeiros (Portugal). 1996. p. 327. Consultado em 18 de setembro de 2025 
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  37. «Pedro Pitta e Cunha Nunes de Carvalho». Almedina. Consultado em 18 de setembro de 2025 
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  42. Anuário diplomático e consular português [2000], volume I. Lisboa: Ministério dos Negócios Estrangeiros. 2000. p. 328. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  43. «Tiago Pitta e Cunha: "Ainda pensamos Portugal como país pequeno, periférico e pobre, mas somos um gigante marítimo na Europa"». Expresso. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  44. a b «Família Pitta e Cunha». Universidade Católica Portuguesa. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  45. «"Acredito mais na sociedade civil do que nos partidos políticos"». Máxima. 9 de janeiro de 2025. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  46. «Festas de Lisboa regressam à cidade depois de dois anos de pandemia». Sábado. 20 de maio de 2022. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  47. «Filha de Ana Gomes é comissária 'pro bono' em Osaka». Sol. 24 de setembro 2023. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  48. «Joana Gomes Cardoso: "O país não está espelhado nas nossas instituições"». jornal de negócios. 2 de julho de 2021. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  49. «Universidade Nova de Lisboa» 🔗. Universidade Nova de Lisboa. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  50. «Paulo Olavo Cunha». Vieira de Almeida & Associados. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  51. «Curriculum Vitae Paulo Miguel Olavo de Pitta e Cunha». Ciência vitae. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  52. «Paulo Olavo e Cunha: esperava um presidente mais forte». Correio da manhã. 11 de setembro de 2003. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  53. «Paulo Olavo Cunha, Conselho Regional Lisboa, Cédula 6704L, data de inscrição 1 de agosto de 1986». Ordem dos Advogados Portugueses. Consultado em 18 de setembro de 2025 
  54. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Paulo Arsénio Veríssimo Cunha". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 10 de agosto de 2018 
  55. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Paulo Cunha". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 18 de setembro de 2025 

Ligações externas

Precedido por
José Caeiro da Mata
Ministro dos Negócios Estrangeiros
1950 - 1956
Sucedido por
Marcello Caetano
Precedido por
Marcello Caetano
Ministro dos Negócios Estrangeiros
1956 - 1957
Sucedido por
Marcello Caetano
Precedido por
Marcello Caetano
Ministro dos Negócios Estrangeiros
1957 - 1958
Sucedido por
Marcello Mathias
Precedido por
Marcelo Caetano
Reitor da Universidade de Lisboa
1962 - 1965
Sucedido por
José Sarmento de Vasconcelos e Castro