Maria Amélia Pitta e Cunha
| Maria Amélia Pitta e Cunha | |
|---|---|
| Nascimento | 24 de novembro de 1915 Lisboa |
| Morte | 24 de setembro de 2000 (84 anos) Lisboa |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Parentesco | filha de Pedro Goes Pitta, mãe de Paulo de Pitta e Cunha |
| Cônjuge | Paulo Cunha |
| Ocupação | Primeira-dama do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dirigente da Cruz Vermelha Portuguesa, administradora de empresas e colecionadora de arte |
Maria Amélia da Silva Pitta e Cunha • GCM • GOM • GOIH • (Lisboa, 24 de novembro de 1915 - Lisboa, 24 de setembro de 2000), foi primeira-dama do Ministério dos Negócios Estrangeiros (1950-1958), voluntária e dirigente da Cruz Vermelha Portuguesa, durante a Guerra do Ultramar (1961-1974), vogal do Conselho da Ordem de Benemerência, colecionadora de arte e administradora de empresas portuguesa.
Biografia
Nasceu, em Lisboa, em 24 de novembro de 1915, durante a I grande Guerra Mundial, filha de Amélia da Conceição Barata Salgueiro da Silva e Pedro Goes Pitta (1891-1974) (sendo seus avós paternos António Félix Pita e Maria da Conceição Góis Pita), que foi advogado, notário, conservador do registo predial, presidente da Câmara Municipal do Funchal, deputado ao Congresso da República, membro do “Directório” do “Partido Republicano Nacionalista”, desde a sua fundação até à sua dissolução (1923-1935), ministro do comércio e comunicações e interinamente ministro do trabalho do 38.º governo republicano, presidente da Academia das Ciências de Lisboa e 12.º Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses (cinco mandatos sucessivos de 1957 a 1971). Casal que quando Maria Amélia nasceu já eram pais de António da Silva Pita, nascido em 1913[1][2][3].
Casou com Paulo Arsénio Veríssimo da Cunha (1908-1986), que foi professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, advogado, deputado na Assembleia Nacional nas III, IV, V, VIII, IX, X legislaturas, reitor da Universidade de Lisboa e ministro dos negócios estrangeiros[4][5].
Face ao cargo governamental exercido pelo marido, de 1950 a 1958, foi Primeira-dama do Ministério dos Negócios Estrangeiros participando nessa qualidade em muitas dezenas de eventos públicos, cerimónias oficiais[6][7][8] e visitas de Estado, merecendo destaque nos meios de comunicação social, entre outras:
- em novembro-dezembro de 1954, integra a comitiva do ministro dos negócios estrangeiros Paulo Cunha, na sua visita oficial a Washington, a convite do governo dos Estados Unidos da América[9];
- em abril de 1957, na 30ª Sessão do INCIDI (Institut International des Civilisations Différentes/International Institute of Differing Civilizations)[10];
- em abril de 1957, à reunião do Conselho da NATO realizada em Bona, capital da República Federal da Alemanha (RFA)[11];
- por ocasião da primeira visita oficial da rainha Isabel II, do Reino Unido, a Portugal, de 18 a 23 de fevereiro de 1957;
- em junho de 1957, integra a comitiva do Presidente da República general Francisco Craveiro Lopes, na sua visita oficial ao Brasil, tendo estado nas “principais cidades brasileiras com significativas comunidades portuguesas”, nomeadamente no Rio de Janeiro (então capital), São Paulo e Santos[12];
- em novembro de 1957, durante a visita oficial de Iskander Mirza, presidente do Paquistão, a Portugal[13];
- em dezembro de 1957, na visita oficial a Paris, França[14].
No início da década de 1960, com o rebentar da Guerra do Ultramar, torna-se voluntária e chefe de uma das equipas, instaladas no Palácio dos Condes de Óbidos, da secção auxiliar feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, então presidida por Margarida de Morais, sendo distinguidas, em 10 de agosto de 1963, com diplomas de louvor e reconhecimento, atribuídos pelo ministro do Exército, Joaquim da Luz Cunha, face aos relevantes serviços prestados nas encomendas e assistência aos militares destacados na guerra colonial portuguesa[15].
E, em 1969, é nomeada presidente da secção auxiliar feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, cargo que cessará com a «revolução dos cravos» de 25 de abril de 1974[16][17][18][19].
No exercício desse cargo, desempenhado durante a segunda metade da Guerra do Ultramar, desenvolveu importante ação social e humanitária junto quer dos combatentes feridos e estropiados, mormente dos hospitalizados, quer dos seus familiares, devendo-se-lhe, nomeadamente, a criação do Lar Militar da Cruz Vermelha para acolhimento dos grandes deficientes das forças armadas, o serviço de recuperação instalado no Hospital Militar de Santana, na Parede[20] e, mais tarde, o do Alcoitão. A ação da Cruz Vermelha Feminina teve importância na publicação de leis relativas à situação de feridos em combate, na revisão do valor das “pensões de sangue” e de deficiência, que eram ainda reguladas pelas normas da primeira Grande Guerra, bem como no acordo celebrado entre Portugal e a Alemanha ao abrigo das facilidades de utilização da Base Aérea de Beja para tratamento de militares no hospital de Hamburgo[21][22][23][24][25].
No final de 1964, foi nomeada, pelo Presidente da República, no âmbito da Chancelaria das Ordens honoríficas portuguesas, vogal do Conselho da Ordem de Benemerência[26][27]
Em 1968 integrou a delegação oficial portuguesa que se deslocou ao Brasil para as Comemorações do 5.º centenário do nascimento do navegador Pedro Álvares Cabral no Rio de Janeiro, Brasília, São Salvador da Baía e Recife[28].
No triénio de e 1997-1999, foi vogal do Conselho de administração da Sociedade agroflorestal e de administração Luiviris, S. A.[29].
Ao longo dos anos colaborou em inúmeras obras de beneficência, em conjunto com outras senhoras da sociedade como Marte Gulbenkian e Nita Lupi, bem como foi colecionadora de arte, tendo as obras do seu valioso e importante acervo sido objeto de exposição por parte da Fundação Calouste Gulbenkian[30].
Residiu numa moradia, de estilo Art déco, na Rua Filipe Folque, em Lisboa (demolida no início do século XXI), onde deu elegantes e memoráveis festas e receções e, no fim da vida, na Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 165, 3.º, direito, no mesmo prédio em que sua filha Maria Paula Pitta e Cunha Nunes de Carvalho, residia no 2.º, esquerdo[29].
Descendência
Filhos
- Paulo Manuel de Pitta e Cunha (Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique) (1937-2022), que foi advogado, colecionador de arte, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, membro da Academia das Ciências de Lisboa, presidiu à Associação Fiscal Portuguesa, entre 1976 e 1978, tendo orientado a Comissão da Reforma Fiscal, entre 1984 e 1988, e militou no Partido Social Democrata (PPD/PSD), tendo sido eleito deputado à Assembleia da República, nas legislativas[31][32][33][34];
- Maria Paula de Pitta e Cunha Nunes de Carvalho (193?-2015), administradora das empresas Quinta das Torgueiras - Sociedade agrícola, Lda e Sociedade agro-florestal e de administração Luiviris, S.A.[35][36] [37][38][39] que foi casada com o diplomata Eduardo Fernando Street Manoel Nunes de Carvalho (Lisboa, 12 de janeiro de 1933 - Cascais, 15 de abril de 2013), agraciado com a Grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique, que esteve colocado nas Embaixadas de Portugal em Tóquio (1965-1967), Rio de Janeiro (1967-1968) e Maputo (1977-1981); na Delegação Portuguesa junto da EFTA e do GATT, em Genebra (1971-1976), foi cônsul-geral em Nova Iorque (1981); chefe da Repartição Europa e América, da Direcção-Geral dos Negócios Económicos, e sudirector-geral dos Negócios Políticos e Económicos (1986-1987) e embaixador de Portugal em Harare (1988-1992) e no Cairo (1992-1997), acumulando com não residente na Jordânia a partir de 1993[40][41][42].
Netos
- Pedro Pitta e Cunha Nunes de Carvalho (1958) advogado, docente universitário, dirigente associativo e administrador de empresas, que foi assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; professor auxiliar convidado na Universidade Lusíada de Lisboa, membro da administração executiva da Repsol Portugal e do conselho de administração da Sociedade agro-florestal e de administração Luiviris, S.A. e diretor-geral do grupo de empresas Quinta das Torgueiras, Companhia das Terras d’areia, e Quinta do Casalinho, vice-presidente do Conselho de justiça da Associação de Futebol de Lisboa, membro do Conselho fiscal e secretário da mesa da Assembleia geral do Sport Lisboa e Benfica SAD[43][44][45][46][47];
- Tiago Filipe Olavo de Pitta e Cunha (Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique) (1967) advogado, administrador executivo da Fundação Oceano Azul, Prémio Pessoa 2021, foi assistente da faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, assessor do Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, conselheiro jurídico na Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas em Nova Iorque e representante de Portugal na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar , na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, e no Processo consultivo informal das Nações Unidas sobre Oceanos e Direito do Mar[48][49][50], casado com Joana Gomes Monteiro Cardoso (Oficial da Ordem das Artes e das Letras de França) (1975 - filha do escritor e historiador António Monteiro Cardoso (1950-2016) e da diplomata e política Ana Gomes (1954)), comissária-geral de Portugal na Expo Osaka 2025, que foi jornalista, correspondente da CNN em Nova Deli e colaboradora da CNN nas Nações Unidas, em Nova Iorque, dirigente da Amnistia Internacional em Bruxelas e Lisboa, presidente do conselho de administração da EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, E.M., S.A.[1], diretora-geral do Gabinete de planeamento, estratégia, avaliação e relações internacionais (GPEARI) do Ministério da Cultura, consultora de assuntos culturais e coordenadora de projetos especiais da Fundação Calouste Gulbenkian e presidente do Conselho da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa[51][52][53][54][55];
- Paulo Miguel Olavo de Pitta e Cunha, advogado e sócio da “Vieira de Almeida & Associados”, é professor catedrático da faculdade de Direito na Universidade Católica Portuguesa e autor de diversos livros de direito comercial, foi presidente da mesa da Assembleia geral do Benfica[50][56][57][58][59].
Bisnetos
Condecorações
Ordens honoríficas portuguesas
Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (26 de julho de 1958) [cuja designação foi alterada para Ordem do Mérito em 1976][61]
Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (11 de julho de 1968)[61]
Grã-Cruz da Ordem do Mérito (9 de junho de 1995)[61]
Ordens honoríficas brasileiras
Grande-Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (12 de novembro de 1957)[62]
Outras homenagens
No Palácio dos Condes de Óbidos, sede nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, foi colocado o seu busto, tendo gravado no pedestal “Maria Amélia Pitta e Cunha 1915-2000 Serviu a humanidade”
Notas
Referências
- ↑ Ordem dos Advogados: Pedro Goes Pitta - 1957-1971
- ↑ «Pedro Góis Pita» (PDF). Universidade de Évora. p. 159-160. Consultado em 18 de setembro de 2025
- ↑ Baiôa, Manuel (2015). O Partido Republicano Nacionalista (1923-1935): «uma república para todos os portugueses» (PDF). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. pp. 64, 66, 67, 69, 70, 120, 150, 180, 245 e 294. ISBN 978-972-671-347-0. Consultado em 18 de setembro de 2025
- ↑ António Menezes Cordeiro, Centenário do Nascimento do Professor Doutor Paulo Cunha: Estudos em Homenagem. Edições Almedina, 2012, ISBN 9789724045023
- ↑ «Paulo Arsénio Veríssimo Cunha - Legislaturas: III, IV, V, VIII, IX, X» (PDF). Assembleia da República. Consultado em 18 de setembro de 2025
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- ↑ «30ª Sessão do INCIDI (Institut International des Civilisations Différentes/International Institute of Differing Civilizations)». Arquivo histórico da marinha. Abril de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025
- ↑ «Partida de Paulo Cunha para Bona». Arquivos RTP. 27 de abril de 1957. Consultado em 18 de setembro de 2025
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