Luís Manuel da Silva Pais
Luís Manuel da Silva Pais foi um militar e administrador colonial português, encarregado por um breve período do governo interino da Capitania do Rio Grande de São Pedro.
Biografia
Era neto do lisboeta Roque Gomes Pais e filho de Clara Maria da Silva e José da Silva Pais,[1][2] distinguido militar, brigadeiro, engenheiro militar e administrador colonial, governador da Capitania de Santa Catarina, fundador da vila de Rio Grande e construtor do Forte Jesus, Maria e José.[3]
Colaborou com o pai na defesa militar da Ilha de Santa Catarina,[2] em 1752 era capitão da infantaria de Santa Catarina,[4] em 1759 estava fazendo requerimento para ser transferido para a companhia do Rio de Janeiro, que estava vaga,[5] e foi ajudante de ordens de Gomes Freire de Andrade na Capitania do Rio Grande,[2] chegando em Rio Pardo em 1762 com ordens do governo, quando tinha a patente de tenente-coronel.[6]
Em 12 de março de 1763 enviou requerimento à Câmara do Rio de Janeiro a fim de saber das razões pelas quais pagava 40 mil réis de aforamento pela sua casa na Rua do Ouvidor.[7] No mesmo mês os espanhóis invadiram Rio Grande, fazendo com que a vila fosse abandonada às pressas, mas em 6 de junho foi assinada uma trégua, estabelecendo que os invasores não poderiam passar da Estância da Tratada, a quatro léguas ao norte de Rio Grande, onde foi instalada a Guarda do Norte.[8][9] Como reinava grande desordem entre as tropas portuguesas, a Junta de Governo do Rio de Janeiro em 8 de junho determinou a Silva Pais que as reunisse e organizasse, assumisse o comando da Guarda do Norte e planejasse os meios de defesa, pois a trégua não foi respeitada pelos espanhóis, devendo unir-se ao tenente-coronel Francisco Barreto Pereira Pinto, comandante do quartel de Rio Pardo, a quem seria entregue o governo, ao mesmo tempo que dispensava o governador Inácio Elói de Madureira, que estava doente.[10] Em 10 de junho a Junta escreveu a Madureira comunicando seu afastamento por motivo de doença e a nomeação de Silva Pais em seu lugar.[11] Seu governo foi de caráter interino.[12]
Saiu de Laguna onde se encontrava acompanhado pelo sargento-mor João de Abreu Pereira, o capitão Manuel Félix, o tenente Jerônimo da Costa, um tabelião, soldados e carretas. A viagem foi difícil e no caminho teve de deixar parte do trem para trás por causa de um temporal. Chegando a Torres, um furriel de dragões pôs à sua disposição 25 cavalos, que ele enviou para buscar o restante da companhia. Encontrou-se com Madureira em 18 de julho, transmitindo-lhe a ordem de sua licença, e passou a Rio Pardo para verificar como estava a situação e entregar ao Pereira Pinto uma soma de dinheiro para o pagamento das tropas, que estava atrasado, deixando os soldados inquietos e rebeldes.[13]
Em 30 de julho a Junta escreveu ao rei comunicando que havia enviado Silva Pais para o comando da Guarda do Norte junto com 200 homens, ordenando que a defendesse até a última gota de sangue, pois dela dependia a segurança de Rio Pardo e Viamão, para onde foi transferida a sede do governo.[14] Em 24 de agosto Silva Pais escreveu ao Rio dizendo que estava empenhado na divisão das estâncias da Tratada e do Tesoureiro. Na correspondência também recomendava o capitão Francisco Pinto Bandeira para uma promoção, por ser zeloso e eficiente, e porque graças ao seu trabalho os espanhóis não tinham avançado mais.[13]
Pereira Pinto deveria tomar posse em 1 de setembro,[15] mas não chegou a exercer o governo efetivamente, tendo alegado doença e velhice.[16][17] Alguns autores sequer o citam na lista dos governadores, passando diretamente de Silva Pais para José Custódio de Sá e Faria.[17][18][19][20] Com a morte de Madureira, em 24 de fevereiro de 1764 o governo foi confiado a Sá e Faria, que tomou posse em 16 de julho.[12]
Em 1768 foi nomeado governador da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro,[21] em 1774 foi uma das testemunhas da posse por procuração do novo bispo coadjutor, D. Vicente da Gama Leal.[22] Em 1780 era ministro (prior) da irmandade de São Francisco da Penitência,[23] e em 1784, ainda governando a fortaleza, foi promovido a coronel da infantaria.[24]
Ver também
Referências
- ↑ História naval brasileira, Volume 2. Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1979, p. 170
- ↑ a b c Abril, Victor Hugo. Governadores interinos : cotidiano administrativo e trajetórias no Rio de Janeiro. Universidade Federal Fluminense, 2015, p. 189
- ↑ Mendes, Jeferson dos Santos. Capitulações Portuguesas na América Meridional, 1762-1777: Histórias, Julgamentos e Punições das Autoridades Coloniais. Universidade de Lisboa, 2019, p. 17
- ↑ Carvalho, Lygia Feu de. "Registros de Cartas, Portarias, Instruções, Provisões, Nombramentos e Sesmarias Relativas à Colônia - Rio Grande do Sul". In: Revista do Archivo Publico Mineiro, 1928, p. 47
- ↑ Esteves, A. (ed.). Catálogo das cartas régias, provisões, alvarás, avisos, portarias, etc, de 1662 a 1821 existentes no Archivo Nacional. 2ª ed. Officinas graphicas do Archivo Nacional, 1922, p. 647
- ↑ Laytano, Dante de. Almanaque de Rio Pardo. Tip. do Centro, 1946, p. 182
- ↑ "Catalogo dos manuscriptos do Archivo do Districto Federal: Cartas de Traspasse e aforamento". In: Archivo do Distrito Federal, 1895 (2): xlii
- ↑ Oliveira, Ana Lúcia Costa de. O Portal Meridional do Brasil: Rio Grande, São José do Norte e Pelotas no período colonial (1737 a 1822). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012, p. 80
- ↑ Mendes, p. 79
- ↑ Pinheiro, José Feliciano Fernandes. Annaes da provincia de S. Pedro, 2ª ed. Casimir, 1839, pp. 111-112
- ↑ Mello, Barão Homem de. "Documentos relativos à história da Capitania, depois Província, de S. Pedro do Rio Grande do Sul". In: Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, 1877 (XL): 229-230
- ↑ a b Viegas, José dos Santos. "Governo da Província do Rio Grande do Sul". In: Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, 1860 (XXIII): 588-589
- ↑ a b "Notícia Particular do Continente do Rio Grande do Sul". In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1858 (XXI): 339-341
- ↑ "Documentos sobre a perda do Rio Grande de S. Pedro". In: Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, 1869 (XXXII): 323-326
- ↑ Neves, Décio Vignoli das. Vultos do Rio Grande, da cidade e do município, Volume 1. Pallotti, 1981, pp. 114-118
- ↑ Fortes, Amyr Borges. Compêndio de história do Rio Grande do Sul. Sulina, 1965, p. 135
- ↑ a b Barbosa, Fidélis Dalcin. Governadores do Rio Grande do Sul de 1737 a 1995. Projeto Passo Fundo, 1995
- ↑ Silva, Domingos de Araujo e. Diccionario historico e geographico da provincia de S. Pedro ou Rio Grande do Sul. Laemmert, 1865, p. 143
- ↑ Becker, Klaus. Enciclopédia Rio-Grandense, Volume 3. Regional, 1957, p. 137
- ↑ "Rio Grande do Sul". In: Silva, Francisco Joaquim Bethencourt da. Publicações do Archivo Publico Nacional, 1907 (VI): 114
- ↑ Tupper, Maria Clara Ziese de Oliveira. Cariocas três e quatro centãos. Biblioteca Nacional, 1966, p. 91
- ↑ Araújo, José de Sousa Azevedo Pizarro e. Memórias históricas do Rio de Janeiro e das províncias anexas à jurisdição do vice-rei do Estado do Brasil, tomo V. Impressão Régia, 1820, p. 216
- ↑ Pinheiro, Valéria da Costa. Fraternidade Franciscana Secular de São Francisco da Penitência: 400 Anos. Museu Franciscano, 2022, p. 93
- ↑ Almeida, Manuel Lopes de. Notícias Históricas de Portugal e Brasil (1751-1800). Universidade de Coimbra, 1964, p. 146
| Precedido por Inácio Elói de Madureira |
Governador do Rio Grande do Sul 1763 — 1764 |
Sucedido por Francisco Barreto Pereira Pinto |