Francisco Barreto Pereira Pinto
| Francisco Barreto Pereira Pinto | |
|---|---|
| Nascimento | 2 de junho de 1709 |
| Morte | 21 de março de 1775 |
Francisco Barreto Pereira Pinto (Freguesia de Lagoalva, Santa Maria da Feira, 2 de junho de 1709 — Viamão, 20 de março de 1775) foi um militar português ativo no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, tronco de uma ilustre família de militares e políticos.
Participou da organização das vilas de Rio Grande, Porto Alegre e Rio Pardo e chegou ao posto de coronel de dragões. Foi governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro entre 1763 e 1764, mas apenas nominalmente, pois não chegou a exercer o poder de fato, atuando em seu lugar o interino Luís Manuel da Silva Pais.
Biografia
Família

Francisco Barreto Pereira Pinto nasceu em Santa Maria da Feira a 2 de junho de 1709, filho de Madalena Maria Pereira Pinto e Manuel dos Santos Barreto, capitão-mor da vila e comarca da Feira, ambos naturais da Feira.[1][2]
Mudando-se para o Brasil, casou em torno de 1743 com Francisca Veloso da Fontoura, nascida em torno de 1729 na Freguesia de Congonhas do Campo, em Minas Gerais, filha de Francisca Isabel da Silva e do português João Carneiro da Fontoura, dragão e um dos primeiros povoadores portugueses da Colônia do Sacramento, que depois se transferiu para Rio Pardo.[1][3]
Tiveram quinze filhos,[1] entre eles Francisco Barreto Pereira Pinto Filho, tenente-coronel, e o marechal João de Deus Pereira Pinto, visconde de São Gabriel, que ao casar com Rita Bernardina Cortes de Figueiredo Menna, adotou o sobrenome Menna Barreto, dando origem a uma destacada família de militares e políticos.[3]
Pereira Pinto preocupou-se em inserir sua família na elite colonial. Apadrinhou líderes indígenas e descendentes da pequena nobreza lusitana. Em 1751 foi padrinho de Dom Agostinho, um líder minuano que fez aliança entre seu povo e a Coroa Portuguesa.[4]
Carreira
Francisco Barreto Pereira Pinto fez carreira nas armas. Viajou para o Brasil em data ignorada, mas sentou praça como soldado no regimento dos dragões de Minas Gerais em 26 de setembro de 1726, sendo depois promovido a cabo de esquadra e alferes.[2] Em 13 de agosto de 1736 estava no Rio de Janeiro, partindo na frota enviada para o Rio da Prata a fim de socorrer a Colônia do Sacramento, que estava sitiada pelos espanhóis. No dia 28 foi promovido a tenente de dragões.[1] Devido a desavenças com outros oficiais, o regimento dos dragões foi enviado para auxiliar o brigadeiro José da Silva Pais na fundação do Presídio do Rio Grande, no Continente de São Pedro, e na construção do Forte Jesus, Maria e José, bem como para defender a nova praça.[5] Em 16 de novembro o governador do Rio de Janeiro, Conde de Bobadela, escreveu a Silva Pais dizendo: "Francisco Barreto passou a tenente e me parece que há de servir com honra. [...] Tive várias notícias de ser oficial capaz e como com aprovação de Vossa Senhoria havia passado àquele posto, mais justo foi este meu conceito".[2]

Participou da ocupação do Continente de São Pedro e foi um dos responsáveis pela manutenção da fronteira portuguesa frente aos espanhóis.[6] Foi nomeado capitão dos dragões da guarda de Rio Grande em 28 de novembro de 1750.[7] Nesses anos o vice-rei Marquês de Lavradio escreveu ao Marquês de Pombal assim se referindo a ele: "esse corpo de dragões se devia completar, porque me parece estar muito diminuto. Verdade é que se conta muito sobre seu comandante que é o major ou tenente-coronel Francisco Barreto, que governa tudo naquelas paragens, constando-me que o Conde de Bobadela tinha determinado mandar-lhe a patente de tal caráter pelo seu préstimo, zelo do Real serviço e desinteresse".[2]
Em 1752 participou dos trabalhos de demarcação das fronteiras portuguesas-espanholas fixadas pelo Tratado de Madri de 1750,[2] em 1754 lutou na Guerra Guaranítica sob o comando de Bobadela, procurando trazer os indígenas para o lado dos portugueses,[2][8][9] e em 18 de janeiro de 1756, no Campo das Mercês, foi promovido para sargento-mor de dragões.[1]
Em 1757 foi encarregado de organizar a instalação ainda precária de um grupo de imigrantes açorianos estabelecidos desde 1752 no então chamado Porto de Viamão, à beira do rio Guaíba, o berço da futura Porto Alegre,[2] onde permaneceu até 1762, quando foi incumbido do comando da praça fortificada de Rio Pardo, com a patente de tenente-coronel,[3] sendo considerado um dos fundadores da vila de Rio Pardo.[1]
Em 8 de junho de 1763, depois da tomada da vila do Rio Grande pelos espanhóis, por sua boa conduta nas armas e contando com a confiança do governo do Rio de Janeiro, foi nomeado governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro, devendo suceder Inácio Elói de Madureira, que estava doente, mas em 10 de junho a Junta do Rio nomeou interinamente Luís Manuel da Silva Pais.[10][11][12] Tomou posse em 1 de setembro,[13] mas não chegou a exercer o governo efetivamente, tendo alegado doença e velhice.[14][15] Alguns autores sequer o citam na lista dos governadores, passando diretamente de Silva Pais para José Custódio de Sá e Faria,[15][16][17][18] que foi nomeado em 24 de fevereiro de 1764 e empossado em 16 de julho.[11] Em 6 de abril de 1772 foi promovido a coronel, em 1774 ainda comandava dragões, e faleceu em Viamão em 20 de março de 1775.[2]
Referências
- ↑ a b c d e f Salles, Luiz Gonzaga Corrêa de Barros. Estâncias castilhenses: identidades e origens das primeiras famílias. Universidade Federal de Santa Maria, 2016, p. 47
- ↑ a b c d e f g h Carvalho, Miguel Ney de. "Coronel Francisco Barreto Pereira Pinto". In: Revista Genealógica Brasileira, 1944; V (9): 225-229
- ↑ a b c Seidl, Ernesto. "Famílias das armas: reprodução familiar e carreiras no Exército brasileiro (1850-1930)". In: Revista Pós Ciências Sociais, 2020; 17 (33) — Dossiê Estratégias de reprodução de Elites.
- ↑ Comissoli, pp. 292-293
- ↑ Gründling, Guilherme de Mattos. "Uma família Lusitana atravessa o Atlântico: os Osório em Rio Grande de São Pedro no século XVIII". In: Karsburg, Alexandre; Vendrame, Maíra Ines; Carneiro, Deivy (orgs). Práticas de micro-história: diversidade de temas e objetos de um método historiográfico. FAPERGS, 2022, pp. 30-44
- ↑ Comissoli, Adriano. A serviço de Sua Majestade: administração, elite e poderes no extremo meridional brasileiro (1808c.-1831c.). Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011, pp. 202-203
- ↑ Almeida, Eduardo de Castro e. "Inventario dos documentos relativos ao Brasil existentes no Archivo de Marinha e Ultramar". In: Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, 1928 (L): 116
- ↑ Canto, José Borges do & Pedroso, Manoel dos Santos. "Relação dos acontecimentos mais notaveis da guerra proxima passada na entrada e conquista dos sete povos das Missões Orientaes do Uruguay". In: Revista do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, 1914 (LXXVII): 53
- ↑ Fontella, Leandro Goya. "Isto fê-los tomar a resolução de se unir conosco. A incorporação das Sete Missões guaraníticas ao império português num contexto de cultura de contato (1801)". In: Revista Acervo, 2021; 34 (2): 1-26 — Dossiê História indígena, agência e diálogos interdisciplinares
- ↑ Pinheiro, José Feliciano Fernandes. Annaes da provincia de S. Pedro, 2ª ed. Casimir, 1839, pp. 111-112
- ↑ a b Viegas, José dos Santos. "Governo da Província do Rio Grande do Sul". In: Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, 1860 (XXIII): 588-589
- ↑ Mello, Barão Homem de. "Documentos relativos à história da Capitania, depois Província, de S. Pedro do Rio Grande do Sul". In: Revista Trimensal do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, 1877 (XL): 229-230
- ↑ Neves, Décio Vignoli das. Vultos do Rio Grande, da cidade e do município, Volume 1. Pallotti, 1981, pp. 114-118
- ↑ Fortes, Amyr Borges. Compêndio de história do Rio Grande do Sul. Sulina, 1965, p. 135
- ↑ a b Barbosa, Fidélis Dalcin. Governadores do Rio Grande do Sul de 1737 a 1995. Projeto Passo Fundo, 1995
- ↑ Silva, Domingos de Araujo e. Diccionario historico e geographico da provincia de S. Pedro ou Rio Grande do Sul. Laemmert, 1865, p. 143
- ↑ Becker, Klaus. Enciclopédia Rio-Grandense, Volume 3. Regional, 1957, p. 137
- ↑ "Rio Grande do Sul". In: Silva, Francisco Joaquim Bethencourt da. Publicações do Archivo Publico Nacional, 1907 (VI): 114
| Precedido por Luís Manuel da Silva Pais |
Governador do Rio Grande do Sul 1763 — 1764 (não exerceu) |
Sucedido por José Custódio de Sá e Faria |