Guerra Luso-Bijapur (1577-1578)

Guerra Luso-Bijapur (1577-1578)
Conflitos Luso-Bijapures

A cidade de Dabul.
Data1577 a 1578
LocalGoa, Índia
DesfechoVitória Portuguesa
Beligerantes
Portugal Sultanato de Bijapur
Comandantes
D. Diogo de Meneses
D. Luís de Ataíde
Ali Adil Xá I

A Guerra Luso-Bijapur de 1577 a 1578 foi um conflito armado entre o Império Português e o Sultanato de Bijapur.

Tendo chegado a Goa a informação de que no rio de Banda se encontrava abrigada uma frota de piratas malabares contra o acordo de paz assinado entre Bijapur e Portugal em 1571, o governador D. Diogo de Meneses enviou para lá a Armada do Norte a exigir ao governador local a sua entrega nos termos do tratado em vigor.[1] Como o governador recusou-se a entregar as embarcações, a sua povoação foi saqueada e todos os navios no porto incendiados, reatando-se assim as hostilidades entre o Hidalcão e o Estado da Índia.[1]

Por então haviam em Goa muitos soldados que, por não terem lugar nas armadas da Coroa, com a autorização do governador da Índia, faziam guerra de corso na costa do Malabar com uma frota de seis fustas e 250 soldados, capturando navios do Samorim de Calecute, então também em guerra com os portugueses e que também armava frotas de corsários para atacar a navegação portuguesa.[2] Conhecida como "armada dos aventureiros", entre 1576 e 1578 capturaram cerca de trinta paraus de guerra e mercantes.[2]

Provavelmente em Novembro ou Outubro de 1577, a armada dos aventureiros aportou a Dabul para se abastecerem, sem saberem que entretanto recomeçara a guerra com Bijapur.[2] Ao ver os portugueses a aportarem tranquilamente no seu porto, o governador de Dabul, Melique Tocar compreendeu que os aventureiros desconheciam a situação de guerra e convidou-os para tomarem parte de uma festa em terra.[2] No dia seguinte, desembarcaram 200 homens desarmados e foram emboscados.[2] D. Jerónimo de Mascarenhas, que ficara com 50 soldados a bordo, rapidamente percebeu o que se passava em terra, mandou pegar em armas, aproximar os navios da praia e conseguiu salvar 100 homens do massacre.[2] Os guerreiros de Dabul ainda tentaram abordar as fustas mas foram repelidos pelas espadas espingardas dos portugueses.[3]

Quando D. Jerónimo de Mascarenhas regressou a Goa a notícia do incidente de Dabul, uma poderosa frota comandada por D. Paulo de Meneses foi enviada a levar a cabo operações anfíbias ao longo da costa de Bijapur, destinada a bloquear os seus portos e atacar o litoral, de forma a contrabalançar o maior poder terrestre dos inimigos.[1] Durante a campanha foram destruídas, entre outras coisas, duas grandes naus que se preparavam para ir ao Mar Vermelho.[4]

As tropas do Hidalcão, entretanto, invadiram os distritos de Bardês e Salcete, em redor de Goa.

D. Luís de Ataíde.

A 31 de Agosto de 1578, D. Luís de Ataíde assumiu pela segunda vez o governo do Estado da Índia e intensificou a guerra naval contra Bijapur.[1][5] Também atacou Bijapur nas fronteiras de Goa.[6] O vice-rei reafirmou a autoridade da Coroa, moralizou a fidalguia, com quem teve uma relação mais distante do que no seu primeiro reinado e praticou uma política militar mais preventiva.[7] Crescendo o número de povoações costeiras atacadas, embarcações tomadas e com os seus portos fechados, em 1578 o Hidalcão assinou a paz com D. Luís de Ataíde.[8] O tratado de paz previa o afastamento de Melique Tocar mas o Hidalcão não cumpriu esta cláusula.[8]

Ver também

Referências

  1. a b c d Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume III, Livraria Sá da Costa Editora, pp. 408-417.
  2. a b c d e f Monteiro, 1992, III, p. 409.
  3. Monteiro, III, 1992, p. 410.
  4. Monteiro, III, 1992, p. 412.
  5. «D. Luís de Ataíde, 3.º conde de Atouguia - Portugal, Dicionário Histórico». www.arqnet.pt. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  6. Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India, A. D. 1571-1894, Londres, W. H. Allen & Co. Limited, 1894, p. 25.
  7. Vila-Santa, Nuno: "D. Luís de Ataíde (3º conde de Atouguia, vice-rei da Índia, 1568-1571, 1578-1581)" in eve.fcsh.unl.pt
  8. a b Monteiro, III, 1992, pp. 416-417.