Conflitos Luso-Bijapures

Os conflitos luso-bijapures foram um conjunto de confrontos armados travados na Índia entre o Império Português e o Sultanato de Bijapur, cujos sultões eram todos conhecidos entre os portugueses pelo título de Hidalcão. Sendo muçulmanos, eram hostis à presença dos portugueses na Índia.[1] Começaram em 1506 quando uma frota atacou a Fortaleza de Angediva em 1506. O governador Afonso de Albuquerque conquistou Goa em 1510 após ter tido conhecimento que o Hidalcão utilizava a cidade para concentrar ali navios e mercenários para atacar os portugueses e a cidade tornou-se a capital do Estado da Índia até 1961.
A guerra com o Hidalcão deu aos portugueses a ilha de Goa e, mais tarde, as Velhas Conquistas com os distritos de Bardês e Salcete. Conquistada Goa pelos portugueses, o Hidalcão perdeu a capacidade de importar cavalos de guerra de alta qualidade directamente do exterior e passaram a depender dos portugueses para os obter. Sempre que eclodia uma guerra entre Portugal e Bijapur, a marinha portuguesa bloqueava os portos do sultanato e paralisava as suas exportações e importações por mar.
Não obstante os atritos ocasionais pela posse de Goa, foram estabelecidas relações bilaterais e embaixadores, comerciantes e missionários portugueses frequentavam frequentemente as terras do Hidalcão, a capital incluída.[2] O sultanato era uma das duas principais ligações do Estado da Índia, sendo a outra o Império Mogor.[3] Os Hidalcães prestavam tributo ao rei de Portugal sob a forma de presentes.[4]
A 22 de Outubro de 1576, os portugueses assinaram um tratado comercial com o Hidalcão que se manteve válido até o Império Mogor ter conquistado Bijapur em 1686.[4] Os portugueses forneciam enxofre, chumbo e cobre, ao passo que o Hidalcão fornecia madeira, aço, ferro, marinheiros, canhões de pedra, lastro para os navios, salitre para o fabrico de pólvora e vários outros artigos aos portugueses.[4] Os navios mercantes do Hidalcão obtinham licenças comerciais navais portuguesas chamadas cartazes e não transportavam mercadorias proibidas pelos portugueses.[4] Os governadores da Índia mantinham contactos estreitos com a corte de Bijapur e assim os portugueses conseguiam exercer alguma influência na sua política.
Em 1675, o Estado da Índia deixou de fazer fronteira com Bijapur depois de toda a costa de Bijapur ter sido conquistada pelo marata Shivaji.[4] O sultanato de Bijapur foi conquistado pelo Império Mogor em 1686.
Lista de conflitos
- Cerco de Angediva
- Conquista de Goa
- Cerco de Goa (1517)
- Guerra Luso-Bijapur (1523-1524)
- Guerra Luso-Bijapur (1547-1548)[5]
- Guerra Luso-Bijapur (1555-1557)
- Guerra Geral da Índia[6]
- Guerra Luso-Bijapur (1577-1578)[7]
- Guerra Luso-Bijapur (1654-1655)
- Guerra Luso-Bijapur (1659)
Ver também
Referências
- ↑ J. Gerson da Cunha: "An Historical and Archeological Sketch of the Island of Angediva" in Journal of the Asiatic Society of Bombay, Volume 11, Asiatic Society of Bombay, 1876, pp. 302-306.
- ↑ Dr. Ratnakar D. Hosamani: Adil Shahis of Bijapur A Study on their contributions to Deccan Art and Heritage, Ashok Yakkaldevi, 2022, p. 124.
- ↑ Michael N. Pearson: The Indian Ocean, Routledge, 2002, pp. 130-131.
- ↑ a b c d e B. D. Shastry: "The Portuguese Commercial Relations with Bijapur in the Seventeenth Century" in Souza, Teotónio: Essays in Goan History, Concept Publishing Company, 1989, pp. 39-48.
- ↑ Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India: A.D. 1481-1571, .H. Allen & Company, limited, 1894, pp. 484-485.
- ↑ Danvers, 1894, pp. 552-559.
- ↑ Saturnino Monteiro: Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, volume III, Livraria Sá da Costa Editora, pp. 408-417.